2.3 Etudes actuelles sur les BFH
2.3.4 Conclusion
As professoras, a equipe gestora e a equipe pedagógica reuniram-se para conversar a tomar algumas decisões sobre a festa de celebração do Projeto Orgulho e Consciência Negra. Os pontos trabalhados na reunião foram:
• Lei nº 10.639/2003 (foi colocado um cartaz na sala com o texto da lei e o artigo 26 A da LDB);
• Lei nº 11.645/2008 (foi dito da nova lei o que ela traz de novidade em relação à Lei nº 10.639/2003 e também foi colocado um cartaz com seu texto);
• Continente Africano (também foi colocado um cartaz com informações superficiais sobre o continente africano e um mapa com todos os países nomeados para conhecimento de todos/as);
• Abdias do Nascimento (falou-se sobre o Abdias do Nascimento e sobre sua importância para o Movimento Negro brasileiro e sobre a iniciativa do TEN (Teatro Experimental do Negro), uma simples e rápida biografia);
• Texto da Bell Hooks – Alisando nossos cabelos (o texto foi entregue para as professoras darem uma olhada e quem se interessasse poderia ir à coordenação pedir uma cópia para trabalhar. Não foi dito quem é a Bell Hooks, tampouco a importância de seu trabalho para a desmistificação da imagem negativa que se tem da população negra);
• Texto de Rosa Margarida – História da África – Para quê? (esse texto foi lido por todas com acompanhamento, cada uma recebeu um e após a leitura algumas questões foram colocadas pela coordenação, mas nenhum apontamento foi feito por parte das professoras, que, segundo nossa análise, deveriam ser a parte mais interessada nessa formação. É importante levantar essas questões, pois um dos pontos mais questionados sobre a implementação do artigo 26A é justamente a formação, ou melhor, a ausência ou a formação equivocada no que se refere ao Continente Africano e à população negra);
• Os Valores Civilizatórios Africanos4
trabalhados foram: ancestralidade, corporeidade, musicalidade, circularidade, memória, cooperativismo, energia vital,
4 Os valores civilizatórios africanos fazem parte de tradição negro africana e se mantêm vivos
principalmente na África Ocidental. Eles também estão presentes nas religiões de matrizes africanas no Brasil, como o candomblé. (Informações retiradas do artigo: TALGA, Jaqueline Vilas Boas; PAULINO, Vanesca Tomé. Valores Civilizatórios Tradicionais Africanos no Brasil. In: SEMINÁRIO NACIONAL DA PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS. Vitória, 2011. Anais... Vitória: UFES, 2011).
oralidade e ludicidade (a equipe fez uma dinâmica com esses valores, cada dupla ficou com um valor e teria de trabalhá-lo para depois demonstrar para o restante do grupo e conversar um pouco sobre ele);
• Filosofia UBUNTU5 – linha de trabalho deste ano (essa filosofia foi trabalhada com uma dinâmica igual à de um antropólogo, mas feita com as professoras, e depois foi socializada em roda entre as professoras, umas participaram mais, outras menos. As professoras da manhã são mais falantes que as da tarde. A partir da dinâmica, foi explicado o que significa o termo UBUNTU e a escola em peso o escolheu como tema, ou filosofia para o projeto deste ano);
• Apresentação do material “A Cor da Cultura”6 (o material foi apresentado e foi mostrado como é possível trabalhar com ele. Foi também disponibilizado para as professoras).
• Concurso de Redações. Foi decidido que seria realizado um concurso de redações com as crianças de 4º e 5º anos, pois algumas crianças reclamaram que, às vezes, não podiam participar do desfile, já que apenas as crianças negras participavam, e delas, só seis eram escolhidas para desfilar no dia; o concurso seria uma oportunidade de participação mais intensa na festa, com premiações, o que possibilita a participação de todas as crianças negras e não negras. Foi decidido que seria realizada com as crianças uma oficina por uma pessoa não pertencente ao quadro da escola, e uma
5 UBUNTU – Um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo na África, e porque ele
estava sempre rodeado de crianças da tribo, decidiu fazer algo divertido entre elas; conseguiu uma porção de doces na cidade e colocou todos os doces dentro de uma cesta decorada com fita e outros adereços, e depois deixou o cesto debaixo de uma árvore. Ele então chamou as crianças e combinou a brincadeira, que quando ele dissesse já, elas deveriam correr até a árvore e o primeiro que agarrasse o cesto seria o vencedor e teria o direito de comer todos os doces sozinho. As crianças se posicionaram em linha reta e esperaram o sinal combinado. Quando ele deu o sinal, imediatamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo juntas em direção ao cesto. Todas chegaram juntas e começaram a dividir os doces e, sentados no chão, comeram felizes. O antropólogo foi ao encontro das crianças e perguntou por que elas tinham dado as mãos e ido juntas, quando só uma poderia ter tido o cesto inteiro. Foi aí que elas responderam: UBUNTU!!!! “Como um só de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” UBUNTU significa – EU SOU PORQUE NÓS SOMOS!! (Material apresentado na reunião pela escola).
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A Cor da Cultura é um projeto educativo de valorização da cultura afro-brasileira, fruto de uma parceria entre o Canal Futura, a Petrobras, o Cidan (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro), a TV Globo e a Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial). O projeto teve seu início em 2004 e, desde então, tem realizado produtos audiovisuais, ações culturais e coletivas que visam práticas positivas, valorizando a história deste segmento sob
um ponto de vista afirmativo. (Disponível em:
comissão externa julgaria os textos. O regulamento seria redigido e depois apresentado para as professoras.
Durante a reunião, também foi definido como seria a galeria dos países que representavam as turmas. O objetivo central desta galeria é informar sobre os países, aspectos políticos, econômicos, culturais, sociais, artísticos, educacionais e outros, sempre valorizando o trabalho das crianças.
O objetivo da festa desde o início do projeto é superar preconceitos. Aproximar cada vez mais a população brasileira, a comunidade de Ceilândia, de suas raízes negras, valorizando elementos culturais e ancestrais do povo negro. Para atingir esse objetivo, a pesquisa por parte dos(as) profissionais dessa escola é fundamental, o que é lembrado pela própria equipe todo o tempo.
Nos dizeres de Gomes, “Pensar a articulação entre educação, cidadania e raça significa ir além das discussões sobre temas transversais ou propostas curriculares emergentes” (GOMES, 2001, p.83).
Foi apresentado para o grupo os símbolos adinkras7 e foi proposto que cada turma escolhesse um símbolo e o fizesse um em um pedaço de tecido para, ao final, construir uma colcha de retalhos. O grupo gostou da ideia e já começaram a escolher cada turma o seu.