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COMMENTAIRES ET DISCUSSION

6-CONCLUSION ET RECOMMANDATIONS Conclusion

Na trajetória da pesquisa, as informações levantadas definiram as circunstâncias da opção e inserção profissional da mulher no magistério. De todo o estudo realizado, deduz-se que a inserção profissional da mulher na educação formal, supera limites pessoais, aponta crescimentos e ilustra um potencial em evolução: a inserção feminina no mercado de trabalho.

Assim, incontestavelmente, a mulher institui-se como sujeito ativo do movimento transformador que define o espaço social de sua prática, gerando relações que se estabelecem na estruturação necessária para o exercício da profissão, seja pelo desempenho das funções, seja pela oportunidade de rediscutir a permanência e influência da mulher no magistério.

A força viva desta função e influência alicerça-se no processo oriundo de princípios culturais como: formação religiosa, ética e profissional.

Os dados permitiram formalizar uma caracterização das variáveis que interferem no exercício da profissão, determinantes a qualidade de vida. A partir deste conhecimento, foi possível investigar e diagnosticar algumas questões que, urgentemente, precisam ser repensadas e modificadas, buscando espaços para discussões e definições nas transformações pessoais, sociais e profissionais.

Compreende-se que atuar profissionalmente no magistério é uma ferramenta a disposição da sociedade que poderá adquirir proporções tanto positivas – equilíbrio emocional, otimismo, realização pessoal; quanto negativas – desgosto, depressão, insatisfação, estresse – oportunizando a ‘mulher professora’ possibilidades de sinalizar e efetivar relações que contribuirão na construção ideológica frente à necessidade de reavaliar-se e refazer-se na prática pedagógica como articuladora do exercício profissional que poderá resultar em contribuição

significativa na mediação do processo educacional, visando sua qualidade de vida. Menestrina, (1996, p.xiii) contudo, neste contexto, considera que:

A auto-realização engloba satisfações biológicas, aprendizagem de potencialidades para sobreviver física e socialmente, desenvolvimento da autonomia, independência e profundo sentimento de auto-determinação. Esse é o objetivo único para o qual o homem está direcionado.

Diante deste contexto, é premente considerar um entendimento com dupla direção: por um lado, a professora realiza-se e evolui profissionalmente, por outro, encontra-se impedida de usufruir esta ascensão porque o que antes era só conquista profissional, hoje, é acúmulo de tarefas e obrigações. Assim, continuar trabalhando é necessidade pessoal-social pois, a maioria delas, assume sozinha o orçamento da casa ou contribuem em grande parte nas despesas econômicas da família.

Nesta verificação, confirma-se a concepção de que trabalhar por opção pessoal é satisfatória, porém quando a necessidade financeira é evidente e move o exercício da profissão, fica difícil obter prazer como retorno porque, os gostos pessoais ‘as vaidades femininas’ como ir ao cabeleireiro, comprar pequenos

‘mimos’, praticas algum tipo de esporte, enfim, dedicar algum tempo para si

mesma, ficam relegados para segundo plano ou até mesmo esquecidos. Em acréscimo a esta variável, vem o fato de que o salário é baixo, o que obriga a professora a assumir uma carga extensa, levando-a ficar muitas horas fora de casa, muitas vezes conseguindo para os filhos dos outros o que não consegue dar para os seus: carinho, atenção, acompanhando-o e incentivando-o na preparação- formação de seu futuro.

Soma-se a esta complexidade, o fato de que a professora que exerce seu trabalho na escola pública, no momento, precisa valer-se de suas próprias forças para exercer a profissão, porque a escola, como corpo administrativo resultante de políticas educacionais, nem sempre consegue gerenciar ações para o bem estar físico e psicológico desta profissional, sendo seu suporte pessoal-pedagógico. É urgente, uma mudança de pensamentos, decisões e ações no sentido de se elaborar projetos que na prática movam a administração da escola voltada para o bem estar psicológico e físico do professor, considerando suas particularidades para que o ambiente escolar transforme-se em espaço de respeito e conforto, lugar onde o ser ama e é amado, um lugar desejado que cause saudade, vontade de retornar diariamente com prazer que impulsione a professora a ter energias

Figura 44. Realidade permeável

para buscar soluções criativas desenvolvendo sua prática pedagógica, com satisfação, invertindo o quadro ‘trabalho pelo dinheiro’ por ‘trabalho, prazer e dinheiro’.

Outro aspecto que chamou bastante a atenção foi o de que a mulher – mãe – educadora vista ainda hoje como ‘alicerce do lar’, não consegue estar presente e interferir ativamente na formação dos filhos mediando o equilíbrio dos relacionamentos afetivos em família, resultando numa formação limitada, porém, exigindo dos filhos equilíbrio. Sayão (2002, p.7) formaliza este momento afirmando que: “[...] hoje, por conta de diversos fatores, muitos pais agem de modo confuso, mas sempre em nome da educação para a autonomia. [...] que é apenas uma parte do processo educativo”. Conscientes destes fatos a mãe-

professora, busca alternativas, soluções, para o problema, porém, nem sempre são encontradas, criando um sentimento de culpa por ter ‘falhado’ com as obrigações de mãe, produzindo assim, mais uma variável de estresse.

Assim, investigar a inserção profissional da mulher no magistério nos permitiu verificar que devido as situações estressantes da vida agitada, os problemas sócio-econômicos, as incertezas, as não realizações afetivas, as políticas educacionais não gerenciadas adequadamente, fazem com que a professora torne-se vítima do processo. A mulher professora, na sua maioria, não têm mais grandes expectativas em relação a sua profissão ‘está empurrando com a barriga’, está cansada e doente. Inconscientemente está perdendo o seu espaço na

sociedade, não têm mais status e não consegue reagir para inovar e,

desta forma, melhorar sua permanência e continuidade de atuação no magistério.

Percebe-se, que o acrisolamento da qualidade de vida da mulher professora mescla-se de influências geradas no ambiente de trabalho da escola, podendo resultar em relação de sofrimento e/ou de prazer perpassadas pelo convívio social de pais, alunos, professores e gestores que administram

diariamente a adequação das

condições de facilidades/dificuldades de trabalho.

Com relação ao seu desempenho profissional, crê-se que há necessidade urgente de qualificação. A mulher professora da escola pública, não poderá continuar apenas como uma figura mantida pelo sistema, precisa, capacitar-se e conscientizar-se que hoje só como repassadora de conteúdos, ela tornar-se-á desnecessária, correndo o risco de perder sua identidade profissional ou ser substituída pelas novas exigências do mercado de trabalho, podendo desencadear um processo de sofrimento. Menestrina (1996, p.68) com propriedade ressaltam que:

O professor necessita desenvolver sempre mais os seus conhecimentos, atingindo várias áreas para o seu próprio crescimento psicológico e profissional. A procura da verdade, a busca de uma metodologia melhor para os alunos e o uso efetivo dos conhecimentos, das tecnologias, interfere na realização do professor. É um processo que se constrói durante toda vida. [...] é o que o potencializa para conhecer o mundo e confrontar-se com as demais circunstâncias.

Portanto, as mudanças serão bem vindas para aprimoramento de novas técnicas, conceitos e metodologias, possibilitando à profissional acompanhar as informações, não ficando a margem da evolução.

Tais concepções, aproximam a mulher professora de formas diferenciadas e determinantes para sua qualidade de vida, instituindo o processo facilitador das relações sociais, o qual vale-se de constantes elaborações e reelaborações originando novos sentidos para a vida e para o exercício da profissão. Assim sendo, é necessário parar para rever a prática e, iniciar o processo de transformação inter e intrapessoal. A partir do momento que a professora souber autoavaliar-se e caminhar na busca de soluções, compartilhar suas dúvidas, insatisfações/realizações, projetar novas perspectivas de vida, com certeza, irá praticar atitudes e ações que a realize como mulher e profissional, ampliado seu espaço, sabendo priorizar as vivências essenciais para sua qualidade de vida.

Ressalta-se que, a auto-avaliação por si só não conjuga fidedignidade, necessitando de um processo avaliativo de conjunto, para, a partir dos resultados obtidos, encontrar soluções aos problemas advindos das relações pessoais, sociais, e profissionais.

Deste modo, é necessário que a profissional professora adapte-se aos novos tempos que a sociedade encontra-se inserida, e para isto se faz necessário, repensar constantemente o caminhar pessoal e profissional.

Pela autonomia profissional e pessoal que constatamos na pesquisa, a mulher professora adapta-se as demandas de mercado, embora com pequenos salários, consegue sua independência econômica, e assim, decide o rumo que dará a estes recursos e que grande parte já encontra-se comprometido com despesa fixas, ela, consegue administrar suas necessidades e participa da oferta de um mercado que considera o poder de aquisição das mulheres e flexibiliza produtos e serviços elaborados desenvolvidos com especificidade ao feminino.

Destaca-se também que, embora estar inserida no processo educacional neste milênio signifique vivenciar a diversidade cultural de fenômenos que transcendem gostos e opções pessoais, a professora consegue consolidar uma carreira polêmica desenvolvendo suas atividades e sua prática de forma permanente e produtiva, acreditando e mantendo a esperança de obter sucesso social com prestígio e reconhecimento profissional, alimentando o senso de competência e participação no desenvolvimento do processo de decisão, promoção e aplicação do conhecimento sistematizado.

Acredita-se que, com as transformações do mundo atual, com os avanços tecnológicos e pelos impulsos proporcionados, especialmente, pela era do conhecimento, o exercício da profissão da mulher-professora permanecerá e continuará em constante reformulação, pois, têm-se como um dos objetivos principais, neste exercício, o produto do seu trabalho, a formação de cidadãos que conseqüentemente buscará o fortalecimento de sua profissão através de sua realização pessoal, enfrentando e superando obstáculos e desafios que o contexto social lhe apresentar, construindo sua própria vida enquanto mulher.

Enfim, é necessário que a mulher professora compreenda, tomando ciência e consciência que ela é a principal responsável pelo eixo alimentador de reopções pessoais e sociais, que diariamente estabilizam e movem sua opção profissional. Sendo assim, o ‘final’ deste estudo, suscita vigor para superação permanente de dificuldades e desafios inerentes a carreira, abrindo caminhos para a elaboração de novas perspectivas, possibilidades e tendências para o ser e o fazer da mulher professora, articulando teorias e práticas, ajuizando ações e posicionamentos que constatam e determinam a facilidade de superaração de crises e instaurar maneiras adequadas que substanciam e fortalecem a qualidade de vida. Entretanto, estes desafios sustentáveis do ser feliz, merecem a percepção

e interpretação para serem interiorizados e vivenciados numa dialética crítica, corajosa, concreta, efetiva.

“Todo jardim começa como um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Q uem não tem um jardim por dentro não planta jardins por fora. E nem passeia por eles”. Rubem Alves.

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