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Conclusion et perspectives

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Chapitre 2 : De nouveaux diaryléthènes photochromes : les Tétrarylènes

B. Tétrarylènes fluorescents

IV. Conclusion et perspectives

Derrubado o czar pela Revolução Russa em 1917 e finda a Guerra Mundial em 1918, com a abolição do Pale ou Zona de Confinamento, e com a queda do Império Turco Otomano, uma nova onda migratória levou judeus da Europa Oriental para a América. Nos Estados Unidos, destino preferencial dos imigrantes, uma política imigratória mais restritiva a partir da publicação do Immigration Act de 192129 redirecionou, para outros países, parte desse fluxo.

No Brasil, o Conselho de Imigração e Colonização Nacional, órgão da estrutura do Ministério das Relações Exteriores diretamente subordinado à Presidência da República, postulava a formação de uma nação que tivesse um “padrão sócio-cultural mais elevado”. Depois da lei que “autorizava a expulsão de estrangeiros envolvidos em agitação30” publicou-se, em 1921, a Lei dos Indesejáveis que definia “a inspeção sanitária dos pretendentes a imigrar, que devem ser estrangeiros de boa formação e provenientes de culturas superiores”. Mesmo quando o Conselho foi extinto e substituído pelo Instituto Nacional de Imigração e Colonização e, depois, pelo Departamento Nacional de Mão-de-Obra ligado ao Ministério do Trabalho, um rigoroso controle era feito pelas embaixadas brasileiras na Europa antes de liberar vistos de entrada.

Como se pode ler na página eletrônica do Memorial dos Imigrantes de São Paulo, alguns governos estaduais mantinham sua política imigratória e, junto com empresários privados, convidavam e financiavam viagens maritmas principalmente para italianos, alemães e japoneses, que eram recebidos nas Hospedarias de Imigrantes e, de lá, depois da “quarentena31”, eram enviados aos campos de trabalho.

Pernambuco não exercia, nesse momento, política de atração de imigrantes. Recife deixara de ser o primeiro porto. Os barcos à vela, com 150

29 Nos Estados Unidos, estabeleceu-se um sistema de “cotas de imigração”, que definia que o

número de imigrantes de cada procedência não poderia ultrapassar 2% da população de mesma nacionalidade legalmente residente no país. Um sistema de cotas semelhante foi, posteriormente, adotado no Brasil e em outros países da América Latina.

30 A Lei Adolfo Gordo, de 1907, que autorizava “a expulsão de estrangeiros envolvidos em

agitação”, visava conter, entre outras, as manifestações dos imigrantes italianos ligados ao Anarquismo. Leis posteriores, como a Lei dos Indesejáveis de 1921, seriam mais explicitamente dirigidas aos imigrantes vindos do leste europeu. A Constituição de 1934 estabeleceu a exigência de uma “Carta de Chamada” para a liberação de vistos de entrada no Brasil pelas embaixadas brasileiras na Europa, prática já adotada nos anos anteriores. .

31 Pela lei 4247, regulamentada pelo decreto-lei 16761 de 31/12/1924, os desembarcados nos

toneladas, da primeira metade do século XIX, foram sendo substituídos por embarcações a vapor de 1.800 toneladas em 1852 e, em 1891, por navios ingleses com 7.000 toneladas que, sem condições de adentrar o porto “traçado pela natureza”, ancoravam em alto mar, sendo cargas e passageiros trazidos à terra em perigosos cestos ou escaleres puxados por rebocadores. Baseando-se no livro O Porto do Recife e Sua Evolução Histórica, de Estevão Pinto, escreveu Mário Sette (1948:67-80)

Apesar dos pleitos, o século XX entraria com a persistência do Lamarão. Os paquetes cada vez mais portentosos e o nosso ancoradouro dia a dia mais exíguo, entupido de areias. Os transatlânticos de mais de 10.000 toneladas nem do farol se aproximavam. No “Mosqueiro da Lingüeta” apenas fundeavam os vapores do Loide Brasileiro, da Costeira, da Commércio, da Pernambucana, e uns raros alemães que não iam a mais de metade daquela tonelagem. [...] A 29 de julho de 1909 iniciam-se as obras no porto. [...] 1914. As obras sofrem de súbito uma paralisação. É a Grande Guerra. De golpe o ancoradouro interno povoa-se, ou melhor, superlota-se, de vapores alemães e austríacos, fugindo dos barcos de guerra ingleses. Entram em dois ou três dias mais de trinta, refugiando-se na muralha de pedra. O Bluecher, o Cap Vilano, o Sierra Nevada, o Bahia Laura, o Gundrum, o Tijuca, o Santos, o Eisenach, o Patagônia e tantos mais. De luxo ou cargueiros, aqui ficariam durante os anos da luta. E aqui, uma tarde, é descida dos mastros a bandeira germânica para alçar-se a brasileira. [...] Um dia, todos os navios apitam, embandeiram-se, põem um ar de festa no porto. 11 de novembro de 1918: o Armistício. Mesmo depois dele, as obras se arrastaram. A 12 de outubro de 1918 o vapor São Paulo, do Loide Brasileiro, atraca ao primeiro trecho de cais pronto. Rescinde-se o contrato com a Société. As obras são contratadas a uma construtora holandesa. [...] Até que em 15 de abril de 1922 o Recife assistiu a uma cena de sonho. Um “Mala Real” inglês atracado no seu ancoradouro interno: o Arlanza, de 14.000 toneladas, que no Lamarão mais perto da terra antes fundeava. Coube ao Gélria, do Loide Holandês, de 15.000 toneladas, a honra de atracar ao cais de 10 metros do porto do Recife em 2 de outubro de 1923.

Finda a guerra, judeus na Europa vendiam as propriedades para fugir das novas ameaças e do cenário desolador. A América era sua “terra da liberdade”32. A reforma inacabada do porto, as novas rotas de saída da Europa e os novos portos de recepção no Brasil, principalmente Rio de Janeiro e Santos, não foram impedimento para os que vinham ao encontro de maridos, pais, filhos, dos homens e rapazes que tinham chegado ao Recife antes da eclosão da guerra. Recife era o único destino para a recomposição dessas famílias.

Eram grupos cada vez maiores de imigrantes. Diz Clara Sirkis que seu pai chegou ao Brasil em 1914, seguindo seus irmãos que, desde 1909, já

32 O Hino Nacional Americano, entoado pelas tropas que “salvaram” a Europa durante a Guerra

Mundial I, diz, em sua frase final, que a América é the land of the free and the home of the braves – a terra da liberdade e o lar dos bravos.

moravam no Recife, primeiro porto na América. Em 1919 seu percurso, com a mãe e os irmãos, foi diferente.

Quando parou a guerra, venderam tudo o que tinham para comprar as passagens para vir encontrar os maridos. No princípio nem todos tiveram coragem, nem todos tinham o que vender. O nosso foi o primeiro navio. Saímos da Bessarábia para Bucareste, de lá para a Itália e então para o Brasil. O porto do Recife, raso, não tinha condição de receber o navio italiano, o Colômbia, por causa do calado. Chegamos então no Rio de Janeiro e de lá subimos para o Recife para reunir de novo a família.

Indo Chapoval, viajando da Bessarábia junto com a filha Rosa (depois Bankovsky), partiu de Trieste para encontrar no Recife o seu marido Guilherme Chapoval. Sua irmã, Cida, era esperada no porto do Recife pelo marido, Adolfo Volkof. Chegaram no porto do Rio de Janeiro, no navio Colômbia, em 1920. Também no Colômbia vinham Miguel Longman e sua mãe, para encontrar o pai que imigrara para o Recife desde antes da Guerra Mundial I.

O porto foi incluído na programação diária dos judeus do Recife e de outros lugares. Isaac Posternak e sua mãe vieram, em 1920, encontrar o pai que havia imigrado em 1913.

Levou 40 dias da Itália até o Rio de Janeiro e no Rio tivemos que saltar do navio e ser internados numa ilha porque, naquele tempo, os passageiros dos navios grandes passavam por um teste de saúde. Encontramos lá dois conterrâneos de Jeruga, que souberam de nossa chegada porque era hábito dos judeus que moravam no Recife e no Rio ir para o porto receber os conterrâneos. Todo dia chegavam imigrantes.

Vinham, Isaac e sua mãe, desde o porto de Trieste, com Elias e Rosa Bakansky, como tantos outros, “fazer América”. Depois da quarentena no Rio de Janeiro, despediram-se saudosos, como se para sempre. Ignoravam distâncias ou proximidades da nova geografia. Os Posternak iam para o Recife, enquanto os Bakansky iam para Pernambuco. “Sabia-se lá onde era isso? A América era apenas um ponto no mapa.” Foram vizinhos na Boa Vista.

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