5.1 Tipo de estudo
O presente estudo foi descritivo-exploratório, com abordagem quantitativa.
5.2 Local do estudo
O estudo foi realizado no DS VI do município do Recife, capital do Estado de Pernambuco. O território do Recife é subdividido, desde 1988, em 94 bairros, mediante Decreto nº 14.452/88 (RECIFE, 2010). Para efeito de planejamento e gestão esse município se divide em seis Regiões Político-Administrativas (RPAs), as quais se subdividem em três Microrregiões (MR) e reúnem bairros com similitudes territoriais. No âmbito da saúde cada RPA corresponde a um Distrito Sanitário (DS) (Figura 1).
Figura 1- Regiões Político-administrativas e Microrregiões do Recife
De acordo com o IBGE (2010), o Recife conta com uma população total estimada em 1.537.704 habitantes. A população idosa corresponde a 181.724 habitantes, o que representa quase 12,0% da população total. O contingente de mulheres no grupo de idosos é bem maior que o de homens, correspondendo a 63,3% do total de idosos. Quanto à representação de pessoas idosas por faixa etária em relação ao total de habitantes no município, a faixa de 60 a 64 anos representa 3,7%; a de 65 a 69 anos 2,6%; a de 70 a 74 anos 2,2% e a faixa de 75 anos e mais, 3,4%. A população idosa no Recife em dez anos teve um crescimento considerável, tendo em vista que, no ano de 2000 correspondia a 133.532 pessoas com 60 anos e mais de idade, o que, na época, representava 9,2% do total de habitantes.
O DS VI é o mais populoso do Recife, representando quase 25,0% da população do município. A sua área de abrangência é de 3.892 hectares, ou seja, 17,8% da área total do Recife, e apresenta uma densidade demográfica de 98,3 habitantes por hectare. Divide-se em três MR, com os seguintes bairros:
Microrregião 6.1: Boa Viagem, Brasília Teimosa, Imbiribeira, Ipsep, Pina. Microrregião 6.2: Ibura, Jordão.
Microrregião 6.3: Cohab.
Segundo dados do censo demográfico de 2010 esse distrito apresenta uma população de 382.650 habitantes, dos quais 48.677 têm 60 anos e mais, o que corresponde a aproximadamente 13,0 % do total.
No período em que foi realizado o estudo, o Recife contava com uma rede de saúde ambulatorial básica com 120 Unidades de Saúde da Família. Cada unidade composta de uma a três equipes de saúde da família, totalizando 256 em atividade e 123 equipes de saúde bucal. Quanto à atenção especializada, além de consultas e exames especializados, a rede própria do município contava com serviços e equipamentos atuantes em diferentes níveis de atenção, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Laboratório Central de Saúde Pública, Centro de Especialidades Odontológicas e Centro Especializado em Saúde do Trabalhador. Além de Centros de Atenção Psicossocial, Residências Terapêuticas e Albergues
Terapêuticos. A marcação de consulta na rede municipal é realizada pela Central de Regulação, que regula 159 unidades próprias e conveniadas (RECIFE, 2010).
No período considerado a atenção básica no DS VI contava com 34 unidades de saúde da família, sendo 81 equipes. A ESF com 229.431 pessoas cadastradas, portanto, aproximadamente, 2.832 pessoas sob a responsabilidade de cada equipe de saúde. A população idosa desse distrito, cadastrada na ESF, era composta por 34.450 idosos, o que correspondia a 15% do total de cadastrados (RECIFE, 2013).
5.3 População do estudo
A população de referência desse estudo foi constituída por médicos e enfermeiros das 81 equipes de saúde da família do DS VI do Recife em 2012, por constituírem atores fundamentais na ESF. Para inclusão do profissional no estudo os critérios utilizados foram: não estar de licença ou de férias no período da coleta de dados e atuar na ESF há pelo menos um ano. Foi considerado esse tempo de atuação como critério de inclusão por ser um período razoável para o profissional conhecer as suas atribuições e construir uma visão acerca do seu papel na equipe.
Segundo o Departamento de Recursos Humanos do DS VI, o número de médicos e enfermeiros nas 81 equipes, era, respectivamente, 79 e 81. Assim, do total de 79 médicos, 42 (53%) participaram efetivamente do estudo. Dos 37 restantes (47%), 26 se recusaram, 6 estavam de licença médica, 1 em processo de saída da Unidade Básica de Saúde (UBS), 1 ausente por problemas de saúde, 1 não devolveu o questionário até o encerramento da coleta e 2 não foram incluídos por atuarem há menos de 12 meses na ESF.
Dos 81 enfermeiros, participaram 67 (83%). Ocorreram 7 recusas, 2 profissionais estavam de férias, 2 de licença relacionada à gestação e maternidade e 3 não devolveram o questionário até o término da coleta. Os não participantes corresponderam a 17% do total de enfermeiros.
Os médicos e os enfermeiros que se recusaram a participar do estudo alegaram, em sua maioria, a falta de tempo para responder ao questionário em decorrência das numerosas atribuições e demandas na UBS.
5.4 Instrumento de coleta de dados
Os dados foram coletados através de um questionário com 36 questões, contendo perguntas abertas e fechadas, distribuídas em 4 blocos: I- Identificação / Formação Profissional; II- Características da atividade profissional; III- Relações do profissional com a equipe de trabalho, Distrito Sanitário e Secretaria Municipal de Saúde na atenção ao idoso; IV- Relações do profissional com outros níveis de atenção em saúde e com o Núcleo de Atenção à Saúde da Família.
Ressalta-se que o questionário foi extenso pela finalidade exploratória do estudo e a amplitude dos aspectos envolvidos na atenção ao idoso. Ele não foi elaborado a partir de outro instrumento já existente e teve como base para a sua construção as diretrizes das políticas ministeriais, como a Pnab e a PNSPI, outras pesquisas sobre o tema e um estudo-piloto, o qual foi realizado em uma amostra com 25 profissionais de outros distritos do Recife, visando verificar a clareza e a adequação desse instrumento aos objetivos da pesquisa.
Para todos os participantes foram utilizados questionários com o mesmo conteúdo, diferenciados apenas quanto ao item categoria profissional, sendo o Tipo 1- Médico e o Tipo 2- Enfermeiro (Apêndices A e B).
5.5 Coleta de dados
A coleta dos dados foi realizada no período de julho a novembro de 2012. Participaram desse processo a pesquisadora e cinco estudantes do curso de Enfermagem da UFPE, devidamente selecionadas e treinadas quanto à aplicação do instrumento de coleta. Durante esse treinamento foram esclarecidos os objetivos do estudo, apresentados os questionários e discutidas as formas mais adequadas para
abordar o profissional. Assim, foram formadas três duplas e cada uma ficou responsável em coletar dados nas unidades de saúde de uma microrregião específica do DS VI.
O DS VI foi previamente contatado para apresentação da carta de anuência emitida pela Prefeitura do Recife, bem como a autorização do comitê de ética e pesquisa da UFPE para a coleta de dados. Nesse momento inicial, as gerentes de território (GTs) de cada MR do DS VI também foram informadas sobre o estudo. Elas forneceram informações sobre as unidades de saúde e os dias mais indicados para o contato com os profissionais, informando previamente aos mesmos acerca da pesquisa.
O local da coleta foi a unidade de saúde da família. Contudo, diante do expressivo quantitativo de unidades a visitar e das dificuldades de acesso a algumas delas, a coleta dos questionários do Tipo1- Médico também ocorreu no espaço de algumas reuniões de MR na Faculdade Boa Viagem, no Recife-PE. Por outro lado, a coleta dos questionários Tipo 2- Enfermeiro ocorreu apenas nas unidades de saúde. Vale destacar que, com o apoio da GT foi disponibilizado transporte para a ida em algumas das unidades situadas em áreas de difícil acesso.
No contato com os profissionais teve-se o cuidado de esclarecer os objetivos do estudo e a garantia do sigilo quanto à identidade e o conteúdo das respostas. Além disso, também foi pontuado o direito de recusa e de interrupção do profissional em qualquer momento da pesquisa. Em caso de concordância em participar era solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice C). Quanto ao preenchimento do questionário, era pedido aos profissionais que se possível entregassem no mesmo dia, contudo quase todos entregaram em um outro momento, alegando as intensas demandas na unidade de saúde, o que ocasionou alguns transtornos e numerosas idas às mesmas unidades.
5.6 Variáveis de análise
• Caracterização e formação do médico e enfermeiro;
• Atribuições e ações do médico e enfermeiro no cuidado ao idoso na ESF;
• Relações entre médicos, enfermeiros e equipe de saúde na atenção ao idoso na ESF;
• Relações entre médicos e enfermeiros da ESF com o DS e a SMS; • Relações entre médicos e enfermeiros da ESF e Nasf para
atendimento ao idoso;
• Relações entre médicos e enfermeiros da ESF e outros níveis de complexidade na atenção ao idoso;
• Dificuldades enfrentadas por médicos e enfermeiros da ESF na atenção ao idoso no distrito sanitário considerado.
5.7 Processamento e análise dos dados
As informações coletadas foram digitadas em dois bancos de dados, por meio do software Epi Info versão 7. Após a digitação foi realizada a crítica dos dados, visando excluir possíveis inconsistências. Para análise, os bancos criados no Epi
Info foram exportados para o programa Statistical Package for Social Sciences
(SPSS) for Windows, versão 14.0. A análise estatística descritiva foi realizada através da distribuição de frequências simples e apresentada por meio de tabelas visando uma melhor leitura.
As respostas das questões abertas foram lidas cuidadosamente, e, posteriormente, agrupadas por similaridade de seus conteúdos e enquadradas em categorias, sendo calculadas as suas respectivas frequências. Destaca-se que as categorias criadas para a análise das perguntas abertas do questionário tiveram como referência apenas as respostas emitidas pelos profissionais. A base do cálculo dos percentuais para cada questão foi o quantitativo de enfermeiros e de médicos
que responderam cada pergunta. As duas categorias foram consideradas separadamente. Ressalta-se que, em algumas questões, como uma mesma pessoa poderia ter sua resposta distribuída em mais de uma categoria, o percentual referente ao somatório das respostas pode ter ultrapassado o número de respondentes.
Para compor uma categoria de análise as respostas precisavam apresentar coerência com as perguntas e aparecerem ao menos três vezes naquela determinada questão, com exceção das respostas referentes aos dados demográficos e caracterização dos profissionais. Sendo assim, neste processo de categorização, respostas que fugiam do tema da pergunta e que eram pouco claras foram desconsideradas e as que tinham frequência abaixo de três se enquadraram no grupo “outras respostas”.
5.8 Limitações do estudo
Uma das principais limitações do estudo está relacionada ao instrumento de coleta de dados. Como tratou-se de um questionário autoaplicável, algumas respostas abertas não puderam ser melhor exploradas pelo pesquisador, e, além disso, a ilegibilidade da escrita de alguns médicos nessas questões requereu mais tempo para o processamento dos dados. A extensão e a abrangência do instrumento também podem ter interferido no tempo de devolução pelos profissionais, mas por se tratar de um estudo novo na área de saúde do idoso em Recife-PE, com finalidade exploratória, foi necessário que envolvesse vários aspectos.
Como entrave na execução do estudo, vale destacar as muitas recusas por parte dos médicos em participar, com alegação de falta de tempo pelas inúmeras atribuições na unidade de saúde.
5.9 Considerações Éticas
Esse estudo foi realizado segundo a Resolução nº 196/96 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco que emitiu parecer técnico (Anexo A). Também foi analisado pela SMS do Recife e recebeu autorização para ser realizado através de uma carta de anuência (Anexo B).