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Conclusion

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Um dos aspetos característicos da infância é, sem dúvida, o brincar. Este brincar “(…) é procurar o risco, buscar o imprevisível, viver o instante e procurar segurança. A procura do desconhecido e da aventura é o risco que estrutura o ser humano (…)” (Neto, 2009, p. 19). Neste sentido, ao brincar a criança está a “(…) adaptar-se a situações imprevisíveis, através de acções diversas, na utilização do corpo em espaços físicos e na relação com os outros.” (Neto, 2009, p. 20). Assim, ao brincar a criança vivencia experiências novas e encontra-se perante situações distintas, às quais se adapta. De acordo com Smith P. K. (2006, p. 26) “(…) grande parte do brincar é social.”. De um modo geral a criança brinca com outras crianças de idade semelhante, em grandes ou pequenos grupos, de acordo com a brincadeira. Através do brincar, “(…) as crianças tornam-se agentes de sua experiência social, estabelecem diálogos, organizam com autonomia suas ações e interações, construindo regras de convivência social e de participação nos jogos e brincadeiras.” (Maria et al. 2009, p. 7) Estas características têm subjacente o desenvolvimento de habilidades sociais. Ao brincar, a criança está a integrar-se num grupo social - o da brincadeira e o do jogo.

O brincar acompanha o desenvolvimento do homem, difere de cultura para cultura e vai sofrendo algumas alterações de acordo com a sociedade. De facto, “ A brincadeira é um fenômeno cultural, uma vez que se constitui num conjunto de conhecimentos, sentidos e significados construídos pelos sujeitos nos contextos históricos e sociais em que se inserem.” (Maria et al. 2009, p. 8). O jogo é uma forma de brincar praticada por crianças e adultos. E como tal, também, é mantido de uma geração para outra sofrendo algumas modificações de acordo com a cultura e com o desenvolvimento da sociedade. O jogo pode ser considerado, um fenómeno que “ (…) transcende o tempo e o espaço: está fortemente presente nos dias de hoje, mas acompanha o homem desde sempre; perpassa espaços como a escola, a rua, os campos de futebol, os bares, envolvendo e encantando pessoas de todas as idades.” (Pereira,

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Palma, & Nídio, 2009, p. 103). Com características próprias, adequadas aos gostos e as necessidades de cada faixa etária, esta atividade é praticada, com grande prazer, por crianças, jovens e adultos.

De acordo com Huizinga (1996, p. 3), “ O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições menos rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana; mas, os animais não esperaram que os homens os iniciassem na atividade lúdica”. Os animais já jogavam estre si antes do surgimento do homem, ou seja, sem existir a organização de uma sociedade humana. Logo, o jogo antecede a cultura, já que o mesmo existe sem qualquer tipo de intervenção do Homem. Huizinga (1996, p. 6), enfatiza esta ideia ao afirmar que “ A existência do jogo não está ligada a qualquer grau determinado de civilização, ou a qualquer concepção de universo.”. De facto, o jogo é anterior à cultura, mas é no jogo que está refletido muitos aspetos culturais, por exemplo, “ (…) os jogos sempre coexistiram com as lutas e as danças com que os povos teatralizavam as suas representações da vida e do mundo ou se exercitavam para a caça, a pesca ou a própria guerra, domínios de onde provinham subsistência e sobrevivência.” (Silva, 2009, p. 204). Por exemplo, os jogos praticados, na atualidade, pelas crianças foram praticados anteriormente pelos seus antepassados, passaram de geração em geração e refletem muito da cultura de uma sociedade.

Sobre esta relação entre o jogo e a cultura, Huizinga (1996, p. 6) afirma que “Encontramos o jogo na cultura, como um elemento, dado existente antes da própria cultura, acompanhando-a e marcando-a desde as mais distantes origens até à fase da civilização em que agora nos encontramos.”. Conclui-se assim que, o jogo modifica-se ou altera-se de acordo com a cultura logo, podemos conhecer a cultura de um homem através do seu jogo. Ou, por outras palavras “ (…) deduzindo desta constatação a da concomitante evidência que lhe subjaz que conhecer os jogos de um grupo humano é conhecer a sua cultura (…)” (Silva, 2009, p. 207).

Segundo o que foi supracitado, pode-se concluir que o brincar ou o jogo é algo intemporal, que sempre existiu muito antes da intervenção do homem. Os Homens e os animais praticam-no por prazer e através dele espelham a sua cultura, os seus costumes e as suas tradições.

Segundo Chateau (1975, p. 38) “ O jogo da criança é, sem dúvida, um exercício como o jogo do animal, mas, no espírito da criança que joga, é antes de tudo uma prova da sua personalidade e uma afirmação de si.”. A criança depara-se com situações diversas e, neste

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contexto lúdico, ela é livre e autónoma para tomar as suas próprias decisões. Assim, o jogo consiste numa “ (…) outra forma de abordar o mundo, a que implica a liberdade e a autonomia em relação ao que é determinado ou em relação às regras sociais.” (Vayer & Trudelle, 1999, p. 100). Tendo em conta estes aspetos da afirmação da criança, Chateau (1975, p. 39) refere que a “A história do jogo da criança é, portanto, a história da personalidade que se desenvolve e da vontade que, pouco a pouco, se conquista.”. Podemos então afirmar que, através das atividades de jogo, a criança desenvolve a sua personalidade, adapta-se de modo autónomo e livre às várias situações com que se depara.

Como já foi referido anteriormente, através do brincar e do jogo a criança interage com o meio e adapta-se a diversas situações. De acordo com a teoria de Piaget (Smith, Cowie, & Blades, 2001, p. 387) a adaptação refere-se “ (…) ao esforço do organismo no sentido de alcançar o equilíbrio com o meio (…) ”. Esta adaptação é possível “ (…) através de dois processos complementares de assimilação e acomodação.” (Smith, Cowie, & Blades, 2001, p. 388) . Baseado nesta perspectiva, Piaget considerava “ (…) que o jogo é essencialmente assimilação, ou assimilação predominando sobre a acomodação.” (Piaget, 1975, p. 115). Neste sentido, ao jogar, a criança adapta-se ao meio através de dois processos, a assimilação em que “ (…) a criança «absorve» uma nova experiência e a adapta a um esquema já existente.” (Smith, Cowie, & Blades, 2001, p. 388), e a acomodação “ (…) através da qual a criança adapta um esquema já existente à natureza de um novo meio.” (Smith, Cowie, & Blades, 2001, p. 388). A adaptação traduz-se então num equilíbrio entre a criança e o meio. Para que este equilíbrio seja possível, ao agir sobre o meio a criança deverá ou adaptar o seu sistema, já existente, à nova situação ou assimilar esta nova experiência, integrando-a ao seu sistema.

Se, segundo o que referiu Piaget, o jogo é predominantemente assimilação, no jogo a criança está, essencialmente, a integrar novas experiências ao seu sistema. Em suma, ao jogar a criança é livre e autónoma, depara-se com situações que implicam escolhas e decisões. A criança afirma-se e desenvolve a sua personalidade. Através desta atividade, natural e prazerosa ocorre a adaptação do organismo ao meio. Neste processo, a assimilação é o fator predominante que leva a criança a desenvolver e a estruturar o seu sistema integrando nele novas experiências que adquiriu através do jogo. O jogo é, assim, a forma privilegiada com que a criança encara o mundo, interage com e sobre o meio, desenvolve e modifica a sua

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personalidade integrando novas experiências ao seu sistema, adaptando-se de modo autónomo e livre às mais variadas situações.

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