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CHAPITRE 3 ÉTUDE DU CARACTÈRE PERSUASIF DE SITES WEB DE SUPPORT AU

A. Crédibilité

4.4 Conclusion de l’analyse de valeur ajoutée

Visamos aqui definir uma divisão ótima do risco cambial inerente à atividade estudada, buscando uma solução que seja Pareto Eficiente, onde se possa melhorar a situação de um dos agentes sem piorar a de nenhum outro agente envolvido no processo15.

Pelas análises feitas no item 5.2, podemos concluir qual o agente mais indicado para carregar o risco de câmbio. O cliente atacadista tem maior diversificação de moedas em suas operações, já que na maior parte das vezes vende diversos destinos. Além disso, a participação de vendas de produtos originados do Brasil na cesta que oferece é parcial, enquanto que para as Operadoras de Receptivo e os Fornecedores – agentes que estão carregando esse risco hoje – caracteriza quase a totalidade de suas receitas. Ou seja, para estes últimos, uma variação negativa do dólar, leva a uma perda proporcional bem maior do que levaria ao cliente atacadista. Por outro lado, é importante levarmos em consideração que, se essa variação for muito alta, pode gerar um desinteresse de promoção e venda por parte do cliente atacadista. Quer dizer, se os contratos são estabelecidos em reais, e o real valoriza, como aconteceu nos últimos anos, o cliente atacadista só terá interesse de vender os produtos brasileiros, até o ponto onde é rentável para ele, se começar a ter perda financeira repetidamente em função das trocas cambiais, pode decidir deixar de vender o produto e direcionar seus clientes para outros destinos, afetando diretamente a receita das operadoras de turismo receptivo no Brasil.

Outro ponto importante, é que o cliente atacadista que está localizado fora dos Estados Unidos, quer dizer, em qualquer outro país do mundo emissor de turistas para o Brasil, já carrega certo risco de câmbio entre a sua moeda local e o dólar, moeda na qual são fechados os contratos. Portanto ele já trabalha com alguma expertise de mercado

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VARIAN, H., 2003, explica detalhadamente o conceito de eficiência de Pareto, e coloca que “essa expressão alude ao economista e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923), que foi um dos primeiros a examinar as implicações do conceito de eficiência.”

cambial, e pode mostrar-se interessado em carregar o risco dos contratos em reais – moeda que enfrenta, hoje em dia, maior volatilidade frente às moedas de forte presença internacional que o dólar. Este último ponto se baseia no fato de que este agente já carrega uma parte do risco de câmbio real x dólar no preço do produto que compra, e, sendo ele a gerenciar esse risco, o qual também para ele teria menor importância que para o operador local ou o fornecedor brasileiro, talvez possa enxergar algumas vantagens no uso desse mecanismo, utilizando preços finais mais baixos, em períodos de desvalorização do real, já que os termos de venda deste agente com seu cliente (o consumidor final) são de menor prazo, quase imediato em muitos casos.

O cliente final também poderia estar interessado em carregar parte do risco cambial, a fim de evitar o encarecimento do produto devido ao câmbio, já embutido no preço no momento de sua decisão. Este agente também poderia beneficiar-se de ter o poder de escolha sobre o fator cambial, no momento da decisão. Se os contratos fossem repassados em reais até este agente, ele carregaria o risco de câmbio em p2, e isso iria influenciar a variação da quantidade demandada dentro do período de vigência dos contratos, ou seja, no curto prazo. Esta pode ser uma solução interessante para este agente, dependendo da elasticidade renda da demanda e da aversão ao risco destes agentes; fatores que influenciam diretamente sua utilidade16. Para fundamentar melhor esse ponto, é necessário analisarmos a aversão ao risco destes indivíduos referente aos preços internacionais e sua volatilidade, KANBUR (1984), no artigo How to Analyse

Commodity Price Stabilisation? A Review Article17, coloca de forma interessante o que

acontece com o comportamento da função utilidade do consumidor em função da exposição ou não à volatilidade das moedas, analisando a concavidade das funções para concluir sobre a aversão ao risco dos agentes, e como a elasticidade renda e a elasticidade preço da demanda afetam o consumo do bem em questão. Uma análise detalhada do comportamento da demanda turística, das preferências dos consumidores, e da elasticidade renda e elasticidade preço dos consumidores, é feita por LAGE & MILONE

16

Aprofundamento sobre utilidades e utilidades indiretas dos agentes em JEHLE & RENY, Advanced Microeconomic Theory.

17

Vide KANBUR, How to Analyse Commodity Price Stabilisation? A Review Article. Oxford Economic Papers. 1984.

(1998), no livro Economia do Turismo18, e pode ser muito útil no estudo dos benefícios que este agente poderia ter com uma nova forma de contrato dos produtos turísticos brasileiros. Visto que a decisão por parte dos clientes atacadistas de repassar preços na mesma moeda recebida do país exportador, ou convertê-los para a moeda local, é exógena ao ambiente nacional, não vamos aqui expor maiores detalhes neste aspecto, mas é importante ressaltar que este também seria um arranjo possível e deixamos esta análise como sugestão para um futuro trabalho.

Devemos levar em consideração também que, como a transmissão do risco cambial para este agente afeta a quantidade demanda no período de vigência dos contratos, trazendo uma nova variável de incerteza para a cadeia de distribuição, esta pode não ser a solução ótima, no sentido de Pareto, para os outros agentes envolvidos no processo.

No momento, o que observamos é que os fornecedores são o elo mais fraco da cadeia para carregar o risco, visto que praticamente todos os seus custos são em reais, e com contratos em dólares, grande parte das receitas das firmas estão atreladas a esta moeda. Existem exceções para fornecedores como hotéis que trabalham com mix de mercado entre empresas locais e turismo nacional, além do receptivo internacional, mas para os quais a parcela de recebimento em dólares hoje também é bastante relevante.

Os operadores de receptivo, tendo boa parte dos contratos de pagamento já atrelados ao dólar, teriam um pouco mais de capacidade de arcar com o risco cambial. Entretanto o problema destes agentes é maximizar o seu lucro, atrelado à venda dos produtos turísticos no Brasil. Com os contratos fechados em dólares, o lucro em reais do operador de receptivo toma o seguinte formato, sendo Q(p2) é a quantidade vendida em

função dos preços em internacionais, p1 são os preços em reais, p2 os preços

internacionais e C (Q(p2)) o custo do operador que é formado pelos custos fixos e pelos

custos variáveis em função da quantidade vendida no mercado internacional e CF os custos fixos,

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Lucro = Q(p2)p2×E – C (Q(p2)) – CF (f. 5.7)

O preço de venda é estipulado em dólares (moeda internacional) mas convertido para reais na apuração do lucro em reais do operador, portanto a função lucro deste agente carrega o termo p2×E referente ao câmbio da moeda internacional para a moeda

local. É o agente em questão que decide o câmbio a ser atribuído aos preços internacionais no momento do apreçamento do produto, ou seja, o prêmio de risco da incerteza do patamar cambial futuro (no momento da realização do serviço), pois o preço recebido pelo produto vendido terá que ser convertido em reais para cobrir os custos da firma neste momento futuro. Este prêmio de risco vai carregado no preço do produto, e afeta a quantidade demandada em função do patamar de preço estabelecido no fechamento dos contratos. Esta quantidade não varia ao longo do contrato em vigência, no caso de preços fixados em dólares, mas o tamanho da demanda no curto prazo será dado em função do nível de câmbio escolhido pelo formador de preços.

Se os contratos fossem fechados diretamente com o mercado internacional em reais, o lucro do operador de receptivo seria,

Lucro = Q (p1/E) p1 – C (Q (p1/E)) – CF (f. 5.8)

Neste caso vemos que o câmbio não afeta mais a receita auferida pelo operador brasileiro, condicional a uma determinada quantidade vendida. Mas o preço doméstico influencia diretamente na quantidade vendida, já que a decisão de compra do cliente externo vai depender do nível de preços da moeda brasileira frente ao mercado internacional. Ou seja, este agente deixa de ter o risco direto de câmbio, mas fica exposto ao patamar no qual a moeda nacional irá se estabelecer e a reação do mercado externo a este. Se o real desvaloriza, o produto brasileiro exportado fica mais barato, e afeta positivamente a quantidade vendida, se a moeda nacional valoriza, este mesmo produto apresenta-se mais caro em termos de troca internacionais, e pode acarretar em menor quantidade vendida.

Não é, portanto, fácil determinar se este arranjo institucional é melhor do que o atual. O cliente atacadista tem maior capacidade de absorver o risco cambial do que o fornecedor, por exemplo, sem afetar tanto seu lucro, já que uma parte maior dos seus custos está atrelada ao câmbio. No entanto, esse novo arranjo institucional pode aumentar a volatilidade de sua receita.

No primeiro arranjo, temos, R=Q(p2)p2×E , o que implica em,

1 p ) (p Q p ) (p Q R E dE dR 2 2 2 2 = × = E E (f. 5.9)

Enquanto no segundo, R =Q(p1/E)p1, donde,

=ε × × − = × − = E E E E E 1 1 2 2 2 1 2 1 2 2 p p ) (p Q )p (p ' Q p ) (p Q p )p (p ' Q R E dE dR , (f. 5.10)

onde ε é elasticidade da demanda do serviço que pode ser bem alta no caso do serviço de turismo.

Ou seja, mesmo com essa transmissão de risco entre os agentes, o operador de receptivo brasileiro não estaria mais exposto ao risco do câmbio de cada operação realizada, mas ainda enfrentaria o risco da variação na quantidade vendida em função do nível de troca da moeda nacional frente ao mercado internacional.

Aqui vemos que o momento no tempo no qual cada agente está envolvido é fundamental na análise efetuada neste trabalho, principalmente pelo fato dele estar ou não diretamente envolvido na escolha de incerteza. Quer dizer, se o risco é inerente à sua escolha de compra ou apreçamento, ou se já é um fato embutido no produto, momento no qual a única escolha seria consumir ou não.

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