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CHAPITRE II : CHOIX TYPE D’EOLIENNE

II.6 conclusion

Em nenhuma outra sociedade, senão na moderna, a palavra desenvolvimento possui um significado tão peculiar e central. Lentamente naturalizada através de pressupostos iluministas, positivistas e liberais, o referido vocábulo, quando reduzido a variável econômica, além de suplantar diversas maneiras de pensar e agir mencionadas anteriormente como o egoísmo, o consumo, o dinheiro, a propriedade privada e a eficiência, constitui-se em um hábito coletivo que, assim

como os outros, transcende qualquer explicação racional e transforma-se em uma crença, em uma ideologia: a ideologia do progresso (SCHUMPETER, 1961; 1964). Sendo um elemento central à manutenção e distinção do sistema vigente, a ideia de inovação, de desenvolvimento econômico e de progresso é consolidada através da empresa, como ilustra o economista brasileiro Celso Furtado:

O traço mais característico do capitalismo na sua fase evolutiva atual está em que ele prescinde de um Estado, nacional ou multi-nacional, com a pretensão de estabelecer critérios de interesse geral disciplinadores do conjunto de atividades econômicas. Não que os Estados se preocupem menos, hoje em dia, com o interesse coletivo. Mas, como tanto a estabilidade e a expansão dessas economias dependem, fundamentalmente, das transações internacionais, e estas estão sob o controle de grandes empresas, as relações dos Estados com essas últimas tenderam a ser relações de poder. Em primeiro lugar, a grande empresa controla a inovação – a introdução de novos processos e novos produtos – dentro das economias nacionais, certamente o principal instrumento de expansão internacional. Em segundo lugar, elas são responsáveis por grande parte das transações internacionais e detêm praticamente a iniciativa nesse terreno; em terceiro lugar, operam internacionalmente sob a orientação que escapa em grande parte à ação isolada de qualquer governo, e em quarto, mantêm uma grande liquidez fora do controle dos bancos centrais e têm fácil acesso ao mercado financeiro internacional (FURTADO, 1974, p. 34-35). Uma das abordagens mais tradicionais acerca da relação entre empresa e desenvolvimento econômico é aquela desenvolvida pelo austríaco Joseph Alois Schumpeter. Ao contrário da noção de crescimento, para esse autor, o desenvolvimento econômico pressupõe uma interrupção abrupta e descontínua na economia de fluxo circular, decorrente do aparecimento de novas combinações “levadas a cabo” pelas “mãos” de um ator até então desconhecido das formas anteriores de organização da produção, qual seja: o empresário. Assim, de maneira mais intensa que Furtado ou qualquer outro economista, Schumpeter defende que o empresário e, consequentemente, a empresa, seriam os únicos responsáveis por promover o desenvolvimento econômico. Por

estas razões e com o objetivo de discutir a última maneira de agir e pensar que, pela perspectiva de Abraham (2006), fundamenta a ideia de empresa, primeiramente, considero necessário realizar algumas elucidações acerca das características do fluxo circular da vida econômica para, depois, apresentar as peculiaridades e implicações do conceito de desenvolvimento econômico sob a ótica Schumpeteriana (1988, 1961, 1968, 1964).

De acordo com Souza (1999), a vida econômica no fluxo circular, apresenta uma tendência para uma posição de equilíbrio, ou seja, a atividade econômica se apresenta de maneira idêntica em sua essência, repetindo-se continuamente, seja no campo da produção, seja no campo do consumo. Assim, o fluxo circular constitui um sistema de equilíbrio geral onde as relações entre as variáveis ocorrem em condições de crescimento equilibrado, uma vez que os períodos econômicos passados parecem governar a atividade do indivíduo e definir o que o mesmo deve fazer (SCHUMPETER, 1968). Além disso, embora para Schumpeter (1988) não exista desenvolvimento econômico dentro de uma economia de fluxo circular, isto não quer dizer que as mesmas coisas aconteçam ano após ano, pois, as variáveis mudam e todos agirão de acordo com essa mudança logo que for percebida (SCHUMPETER, 1988). No entanto, é relevante ressaltar que tais mudanças ocorrem como um papel meramente adaptativo, compatível com as oscilações ocasionais, sazonais ou contínuas da vida econômica e social. Por exemplo, dentro da vida econômica no fluxo circular, a empresa torna-se uma instituição extremamente rotinizada, produzindo sempre os mesmos tipos e as mesmas quantidades de bens e combinando sempre do mesmo modo os fatores necessários à produção (SCHUMPETER, 1988).

Por outro lado, Schumpeter (1988), contrariando os economistas mais ortodoxos (RIMA, 1977), parte do pressuposto de que é impossível explicar as mudanças econômicas (o ciclo econômico) somente através das condições prévias das mesmas, e argumenta que, além dessas mudanças contínuas (adaptativas) presentes no fluxo circular, a vida econômica experimenta mudanças descontínuas, ou seja, que alteram seu curso tradicional. Com o objetivo de entender esse último tipo de mudança e de lançar uma abordagem realmente nova à questão do desenvolvimento econômico, Schumpeter (1988, p. 73) propôs a seguinte questão: “como acontecem tais mudanças e quais os fenômenos econômicos que as ocasionam?” A partir desse questionamento, Souza (1999) argumenta que o desenvolvimento econômico em Schumpeter

deriva de mudanças revolucionárias, que alteram de uma vez por todas a situação anterior: Nesse sentido, o desenvolvimento é um fenômeno distinto, inteiramente estranho ao que pode ser observado no fluxo circular ou na tendência para o equilíbrio. É uma mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo circular, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente.

Por se tratar de um processo que se origina a partir de mudanças internas, ou seja, de dentro para fora tais mudanças no canal do fluxo circular aparecem na esfera da vida industrial e comercial, não na esfera das necessidades dos consumidores de produtos finais. Então, é o produtor que, via de regra, inicia a mudança econômica, e os consumidores são educados por ele e ensinados a querer coisas novas, ou coisas que diferem em um aspecto ou outro daquelas que tinham o hábito de usar. A partir desta situação, emerge um processo essencial e constitutivo do capitalismo e, por isso, adotado por toda empresa que queira sobreviver: a destruição criadora, ou seja, a substituição de antigos produtos e hábitos de consumir por novos, assim como, a destruição ou substituição de antigas empresas por novas (SCHUMPETER, 1964; CARNEIRO, 1997; SOUZA, 1999). Para Schumpeter (1964), tal processo, como um todo, jamais para, no sentido de que há sempre uma revolução ou absorção dos resultados da revolução anterior, ambos formando o que é conhecido como ciclos econômicos.

Como é possível perceber, por se tratar de uma mudança descontínua, o desenvolvimento econômico é impulsionado pelo progresso técnico e está intimamente relacionado (dependente) com a geração de inovações. Tais elementos emergem, de acordo com o autor em questão, a partir da introdução ou realização de novas combinações, classificadas de cinco formas, a saber: 1) introdução de um novo bem ou de uma nova qualidade de um bem; 2) introdução de um novo método de produção; 3) abertura de um novo mercado; 4) conquista de uma nova fonte de oferta de matérias-primas ou de bens semi-manufaturados; e 5) estabelecimento de uma nova organização de qualquer indústria (por exemplo, pela trustificação) ou a fragmentação de uma posição de monopólio. Desse modo, para Schumpeter (1988), o desenvolvimento econômico consiste primariamente em empregar recursos diferentes de uma maneira diferente, em fazer coisas novas com eles, em deslocar as combinações antigas, menos produtivas, para combinações novas, mais eficientes.

Com esse objetivo, mas considerando que a obtenção dos meios de produção é um problema especial daquelas organizações que trabalham dentro do fluxo circular (dificuldade em acumular riqueza), caso o indivíduo queira realizar uma nova combinação, deve recorrer ao crédito. De acordo com Schumpeter (1988), ninguém além do empresário necessita de crédito. Para ele é tão claro que o crédito é primariamente necessário às novas combinações, pois tomar emprestado não é um elemento necessário da produção no fluxo circular, uma vez que nesse sistema não há nenhuma fonte tão rica de poupança nem incentivo para se poupar. Destarte, conforme enfatizado acima, buscando desenvolver uma nova combinação e considerando a dificuldade de acumulação oriunda do fluxo circular, a figura do banqueiro, ressaltada por Schumpeter como um elemento de auxílio ao fenômeno do desenvolvimento, torna-se central nesse processo tanto por constituir-se em um intermediário da mercadoria “poder de compra” como por ser um produtor dessa mercadoria. Assim, ele se coloca entre os que desejam formar combinações novas e os possuidores dos meios produtivos (capitalistas) (SOUZA, 1999; RIMA, 1977; HUGON, 1978).

Além das novas combinações e do crédito, existe ainda um terceiro elemento, descrito por Schumpeter (1988), necessário para o desenvolvimento econômico: o empresário. Ao caracterizar como empreendimento a realização de novas combinações, Schumpeter denomina de empresário aquele indivíduo cuja função é realizá-las. Esse conceito é amplo e restrito ao mesmo tempo. Amplo porque, em primeiro lugar, chamam-se de empresários todos que preenchem a descrição realizada anteriormente, mesmo que sejam empregados dependentes de uma companhia, como gerentes, membros da diretoria etc., e, ainda, não é necessário que ele esteja permanentemente vinculado a uma empresa individual. Por outro lado, o conceito é mais restrito do que o tradicional ao deixar de incluir todos os dirigentes de empresas, gerentes ou industriais que simplesmente podem operar um negócio estabelecido. De qualquer forma, independente do tipo de indústria, alguém só é um empresário quando efetivamente realizar novas combinações e perde esse caráter no momento em que tiver montado o seu negócio, quando dedicar-se a dirigi-lo, como outras pessoas dirigem seus negócios. Neste caso, torna-se raro alguém permanecer sempre como empresário bem como é raro um homem de negócios nunca passar por um momento em que seja empresário. (SCHUMPETER, 1988)

É preciso reforçar a especificidade do conceito de empresário para Schumpeter. Segundo ele, como as invenções que não são levadas à prática são economicamente irrelevantes, a função do empresário não necessariamente consiste em descobrir ou criar novas possibilidades, mas sim em assumir as responsabilidades no momento em que sem ele as possibilidades estão “mortas”. Portanto, é mais pela vontade do que pelo intelecto que os líderes cumprem a sua função, mais pela autoridade, pelo “peso pessoal” do que por idéias originais. Ademais, ao romanticamente tentar justificar, através do individualismo e de outros hábitos coletivos, os motivos que orientam a ação do empresário, Schumpeter fornece um argumento que contribui para naturalizar a busca pelo progresso (através do desenvolvimento e da inovação) em nosso mundo. Segundo ele, para além do resultado financeiro em si, o comportamento do empresário orienta-se, antes de tudo, pelo desejo de fundar um “reino privado”.

[...] o que pode ser alcançado pelo sucesso industrial ou comercial ainda é, para o homem moderno, a melhor maneira possível de se aproximar da nobreza. Sua fascinação é especialmente forte para as pessoas que não têm nenhuma outra chance de atingir distinção social [...] Há então o desejo de conquistar: o impulso para lutar, para provar-se superior aos outros, de ter sucesso em nome não de seus frutos, mas do próprio sucesso. Nesse aspecto, a ação econômica torna-se afim do esporte — há competições financeiras, ou melhor, lutas de boxe. O resultado financeiro é uma consideração secundária, ou, pelo menos, avaliada principalmente como índice de sucesso e sinal de vitória, cuja exibição mui frequentemente é mais importante como fator de altos gastos do que o desejo dos bens de consumo em si mesmos [...] Finalmente, há a alegria de criar, de fazer as coisas, ou simplesmente de exercitar a energia e a engenhosidade (SCHUMPETER, 1988, p. 98-99).

Partindo dos argumentos e elementos precedentes, é possível compreender a essência do desenvolvimento econômico e do progresso na sociedade moderna. Pontualmente, a economia capitalista não é e não pode ser estacionária, nem pode estar simplesmente se expandindo de maneira uniforme. Alterando entre períodos de prosperidade e depressão, ela é incessantemente revolucionada, de dentro, por novos

empreendimentos, isto é, pela introdução de novas mercadorias ou novos métodos de produção ou ainda novas oportunidades comerciais, em sua estrutura industrial. Para Schumpeter (1964), quaisquer estruturas existentes e todas as condições econômicas estão sempre em processo de evolução. Cada situação está sendo alterada, antes que tenha tido tempo de se firmar. Por esta razão, progresso econômico, na sociedade capitalista, significa, sempre, tumulto. Nesse tumulto, complementa o autor, a competição trabalha de maneira completamente diferente do caminho que seguiria num processo estacionário, embora perfeitamente competitivo. As possibilidades de lucros pela produção de novos artigos ou pela produção mais barata de artigos antigos estão se materializando, constantemente, e exigindo novos investimentos. Estes novos artigos e novos métodos competem com os velhos artigos e métodos, não em termos iguais, mas com vantagem decisiva, que pode acarretar a morte dos últimos. Assim se processa o progresso na sociedade capitalista, ou seja, destruindo para criar, explorando/falindo para lucrar. Pois como diz Zizek:

O estado “normal” do capitalismo é o da revolução permanente de suas próprias condições de existência: desde o começo, o capitalismo “apodrece”, é marcado por uma contradição mutilante, pela discórdia, por uma falta de equilíbrio imanente: é exatamente por isso que ele se modifica e se desenvolve sem parar - o desenvolvimento incessante é sua única maneira de resolver reiteradamente, de entrar em acordo com seu desequilíbrio fundamental e constitutivo, a “contradição”. Longe de ser restritivo, portanto, seu limite é o próprio impulso de seu desenvolvimento. Nisso reside o paradoxo característico do capitalismo, seu último recurso: o capitalismo é capaz de transformar seu limite, sua própria impotência, na fonte de seu poder quanto mais ele “apodrece”, quanto mais se agrava sua contradição imanente, mais ele tem que se revolucionar para viver. (ZIZEK, 1996, p. 329).

Entretanto, apesar de amplamente relacionados à democracia e à liberdade (ver crítica de Przeworski, 1993), é preciso reforçar que a ideia de progresso e de desenvolvimento é uma construção moderna e extremamente restrita a uma pequena parcela da população. Assim, ao contrário do que se imagina, a premissa da universalização do

desenvolvimento econômico e do estilo de vida praticado nos blocos dominantes para todas as nações, cidades e indivíduos não passa de uma estratégia ideológica essencial à manutenção do status quo. Mesmo não negando-o por completo, Furtado (1974) oferece importantes subsídios à crítica da forma como o desenvolvimento econômico vem sendo praticado. Segundo esse autor, ao assentar-se no progresso técnico e na ênfase no curto prazo, tal processo não passa de uma prolongação do mito do progresso dentro do qual se criou a atual sociedade industrial, uma vez que se tal proposta se tornasse realidade, ou seja, se todas as nações apresentassem os mesmos padrões de desenvolvimento dos países industrializados, experimentaríamos processos irreversíveis de degradação do mundo19.

Detalhando esta questão, Furtado (1974) sugere que a hipótese de generalização do desenvolvimento, no conjunto do sistema capitalista, das formas de consumo que prevalecem nos países cêntricos, não tem cabimento dentro das possibilidades evolutivas aparentes desse sistema. Para ele, é essa a razão fundamental pela qual uma ruptura cataclísmica, num horizonte previsível, carece de fundamento. Em outras palavras, o

19

De fato, os argumentos de Schumpeter parecem ir ao encontro de tal proposta. Segundo esse autor, a sobrevivência do sistema capitalista, a longo prazo, torna- se ameaçada pelo surgimento dos seguintes fatores: (1) ambiente – o sistema capitalista distribui poder político a segmentos da sociedade que não procuram a maximização do lucro, a força motriz do capitalismo. Desse modo, aumenta a força dos intelectuais, homens treinados para criticar, os quais, chegando ao poder, trabalhariam contra as estruturas capitalistas vigentes; (2) saturação – com o declínio do crescimento demográfico, a elevação do estoque de capital e a exaustão dos recursos naturais, a humanidade atingiria a saciedade. Com as necessidades econômicas plenamente satisfeitas, não haveria motivação para o crescimento econômico; (3) obsoletismo da função do empresário – a inovação tornando-se rotineira, a liderança empresarial ficaria substituída por executivos altamente treinados e bem remunerados. Com o declínio da função empresarial, deteriora-se a posição da burguesia industrial e financeira, eliminando-se o elo entre crédito e inovação; (4) destruição da camada protetora – a pequena produção, que forma a camada protetora sobre a qual assentam-se as grandes unidades produtivas, tenderia a desaparecer. A marginalização dos antigos pequenos empresários e a população envolvida teria seu reflexo nas urnas, afetando a estrutura política nacional e o futuro da grande empresa; e, (5) desaparecimento do espírito de propriedade – grandes empresas substituiriam o proprietário tradicional por uma infinidade de pequenos acionistas, com inte- resses variados e disseminados e preocupados apenas com o curto prazo (SOUZA, 1999).

interesse principal do modelo que leva a essa ruptura está em que ele proporciona uma demonstração cabal de que o estilo de vida criado pelo capitalismo industrial sempre será privilégio de uma minoria. O custo, como já dito, em termos de depredação do mundo físico, desse estilo de vida, é de tal forma elevado que toda tentativa de generalizá-lo levaria inexoravelmente ao colapso de toda uma civilização, pondo em risco as possibilidades de sobrevivência da espécie humana. Para Furtado (1974), essa é a prova de que o desenvolvimento econômico – a idéia de que os povos pobres podem, algum dia, desfrutar das formas de vida dos atuais povos ricos – é irrealizável. Por isso, cabe afirmar que a idéia de desenvolvimento econômico e de progresso é um simples mito ou, especificamente neste caso, um hábito coletivo socialmente construído.

Por fim, após caracterizar e discutir cada uma das maneiras de agir e pensar que sustentam a empresa como instituição, encerro esta seção com um quadro resumo (Quadro 1) contendo a descrição de cada traço, as categorias relacionadas e os principais autores utilizados à compreensão dos mesmos. Depois de apresentar o referido quadro, na seção seguinte discorro acerca do processo de empresarização do mundo.

Traços que fundamentam a empresa Objetivo central do traço Desdobramentos , elementos e implicações Principais autores O individualismo e a invenção da realidade econômica Analisar as origens e os reflexos da centralidade da categoria econômica em nosso mundo. •Autonomização da esfera econômica; •Supremacia do aspecto econômico;

•Lucro como modo de vida; •Egoísmo; •Individualismo; •Divisão do trabalho (solidariedade orgânica). DUMONT, 2000; POLANYI, 2000; SOLÉ, 2000; MAUSS, 1974; SMITH 1996; DURKHEIM, 1999. O mito fundador da escassez Discutir as implicações da paradoxal relação entre a incessante busca por satisfação individual e a ideia de desejos (necessidades) ilimitados. •A ênfase no ter (mercadorias); •Construção de necessidades ilimitadas (insatisfação); •Dinheiro como um mediador das relações sociais; •Consumo como elemento de participação/distin ção social; •Produtos tratados como signos. SAHLINS, 1978; BAUDRILLAR D, 1995; VEBLEN, 1980; SLATER, 2001; CAMPBELL, 2001; SIMMEL, 1998. Racionalismo, Racionalidade e Burocracia Examinar como diversos elementos se enfrentam e se combinam para consolidar a burocracia como modelo de referência para toda organização •Predomínio da racionalidade formal; •Ação social referente a fins; •Cálculo utilitário de consequências; •Dominação racional-legal; •Ênfase na eficiência; •Burocracia. WEBER, 2004a; WEBER, 2004b; WEBER, 1978; KALBERG, 1980.

social. Propriedade privada, Apropriação e Exploração Discutir a natureza e as consequências da propriedade privada •Ênfase na propriedade privada (apropriação dos meios de produção); •Privatização do mundo (indivíduos, natureza e objetos); •A propriedade impede a liberdade, a igualdade e a democracia; •Assalariamento; •Mais valia. PROUDHON, 1975; PRZEWORSKI, 1993; LOCKE, 2003; MARX, 1996; ENGELS, 2007. Inovação, Desenvolviment o e a Ideologia do Progresso. Analisar a centralidade e as peculiaridades da noção de desenvolviment o (econômico) e a crença no progresso •Economia no Fluxo Circular; •Mudanças descontínuas; •Novas combinações (Inovações); •Destruição criativa; •Crédito; • Empresários; • A fé e o mito do desenvolvimento. SCHUMPETER, 1988; SCHUMPETER, 1961; SCHUMPETER, 1968; FURTADO, 1974.

Quadro 1 - Resumo da discussão teórica sobre os traços da modernidade que sustentam a empresa

2.3 REPENSANDO A EMPRESA E O PROCESSO DE

EMPRESARIZAÇÃO DO MUNDO

De acordo com Marx (1982), os economistas têm um modo peculiar de proceder. Para eles há apenas duas espécies de instituições, as artificiais e as naturais. As instituições do feudalismo são artificiais e as da burguesia (as modernas) são naturais. Nesse ponto, continua o

autor, os economistas se parecem com os teólogos, quando distinguem dois tipos de religião. Toda religião, que não é a sua própria, é uma invenção dos homens, a sua própria, no entanto, origina-se de uma relação divina. Assim, ao reforçarem que as atuais relações de produção são naturais, os economistas defendem que, por não sofrerem a influência do tempo, tais relações se tornam, acima de tudo, eternas (ahistóricas) (MARX, 1982).

As palavras de Marx fornecem importantes elementos à compreensão da tendência a naturalização e a consequente perpetuação das instituições modernas, em especial, da empresa. De uma maneira geral, em decorrência de um lento e amplo processo de universalização e internalização da ideologia moderna, uma das concepções mais disseminadas e defendidas acerca das origens da empresa é aquela que

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