5. Conception de l’inducteur et de l’induit
5.7. Conclusion du chapitre
Apesar das dificuldades financeiras referidas pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, esta pretende cumprir as propostas eleitorais do seu mandato e apresenta as medidas previstas para o território em estudo.
“Sucintamente e objetivamente, mas com grande pragmatismo em termos financeiros, pois devemos começar por algum lado, as medidas que aponto de momento, na área da cultura e turismo, para as freguesias que evidencia seriam as seguintes:
Lugar Arnelas, freguesia de Olival - apostar no turismo fluvial de recreio e pesca; incremento do turismo gastronómico (sável e lampreia); elaboração de um plano local de zona de proteção ao património arquitetónico edificado com interesse cultural e histórico;
Crestuma - incrementar as atividades desportivas de rio, em particular da canoagem (que geraram já campeões mundiais nos Jogos Olímpicos); turismo fluvial com criação de cais para barcos de recreio; plano de recuperação para a salvaguarda e valorização do património industrial edificado com interesse histórico; publicações históricas para a sensibilização dos recursos locais;
Lever - Aproveitar os recursos da albufeira da Barragem para o desenvolvimento do turismo local em todas as vertentes; plano de recuperação para a salvaguarda e valorização do património industrial edificado com interesse histórico; publicações históricas para a sensibilização dos recursos locais.”
(Delfim Sousa, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia)
Um dos projetos previstos para a área interior do território seria a construção de um passadiço e ciclovia que unisse a ponte D. Luís no centro histórico de Gaia à barragem de Crestuma/Lever. Este projeto chegou a ser aprovado mas, por falta de verbas, não avançou.
“O projeto que existe a nível municipal, das “Encostas do Douro” e da requalificação da orla fluvial de Vila Nova de Gaia desde a ponte da D. Luís até à barragem vai trazer esse desenvolvimento. Quer dizer, está previsto ser feito um passadiço, uma ciclovia, em alguns sítios terá ligações à rede
123
viária. Mas existindo um passadiço entre o que é a área de Crestuma e Arnelas, Arnelas a Avintes, Avintes a Oliveira do Douro, esta área fluvial vai desenvolver.”
(José Ferreira, Ex-Presidente da Junta de Freguesia de Crestuma)
“Não, é por excesso de verbas [a interrupção do início dos trabalhos]. Porque a parte que já fizeram dava para construir tudo até Lever. Portanto, excesso de verbas!”
(Nuno Oliveira, Administrador do Parque Biológico de Gaia)
Este passadiço e ciclovia iriam trazer mais visitantes à zona interior do concelho. Está também projetada a construção de um cais de acostagem em Crestuma.
“Essa é de facto a nossa grande expectativa porque eu (…) gosto muito de ver os barcos a passar mas gostava mais que parassem. E depois todas essas estruturas trazem outras atrás. Se há um cais de acostagem, de certeza que há um restaurante que se quer instalar para usufruir das pessoas que dali vão sair, os cafés que possam existir vão-se modernizar porque têm que dar resposta àquilo que acontece…”
(José Ferreira, Ex-Presidente da Junta de Freguesia de Crestuma)
A Companhia de Fiação de Crestuma e o Parque Botânico do Castelo, enquanto potencial sítio arqueológico, foram os dois recursos mais vezes foram referidos durante as entrevistas. Os entrevistados reconhecem o potencial turístico dos espaços mas os custos e investimentos necessários tornam incerto o futuro dos mesmos.
“O homem tem muitas ideias. (…) Hoje traz uma ideia, amanhã traz outra. (…) Há uma série de ideias que se tem mas depois falta o demais … que é os euros para se poder trabalhar.”
(Manuel Gama, Ex-Presidente da Junta de Freguesia de Lever)
Durante a entrevista, o proprietário da Companhia de Fiação de Crestuma revelou que tem em mente transformar a propriedade numa quinta temática relativa ao século XIX.
124
“Então a ideia era tentar fazer um desenvolvimento que combinasse uma parte agrícola, uma parte industrial, uma parte de turismo, como se a pessoa tivesse ido visitar uma quinta do século XIX, pode ser um museu. Mas isto aqui é enorme (…) mas poderia ter uma área de museu, com arados, tratores e uma parte agrícola dentro desse museu. Ou alguns teares e máquinas têxteis ou carros antigos, (…) talvez um pequeno hotel, a utilização do rio talvez para regatas (…). A ideia é essa.”
(Ricardo Haddad, Proprietário da Companhia de Fiação de Crestuma)
Relativamente ao Parque Botânico do Castelo, este está construído e pensado para receber visitantes embora, dadas as condições naturais, nem sempre tem condições para a dinamização de atividades para todo o tipo de públicos.
“É pequeno, é impróprio para idosos e deficientes como deve ter tido prova, não é, portanto, não me estou a lembrar de outra atividade que lá tenha havido sem estar ligada a arqueologia.”
(Nuno Oliveira, Administrador do Parque Biológico de Gaia)
No entanto, o Parque Botânico do Castelo e o sítio arqueológico associado têm novos objetivos traçados para depois do seu estudo, passando pela criação de uma exposição permanente e pela promoção de atividades relacionadas com o espaço.
“É continuar a investigação e a sua fazer a sua musealização. (…) Ou seja, a sua rentabilização cultural através de um Centro de Interpretação permanente. Sítio espetacular em termos paisagísticos, mas ao mesmo tempo é a humanidade que já o aproveitou. Depois, era agir com diversas atividades.”
(Nuno Oliveira, Administrador do Parque Biológico de Gaia)
Outro projeto que não avançou por falta de verbas foi a construção de uma creche nas instalações da Companhia de Fiação de Crestuma.
“Nós assinámos esse contrato há 3 anos atrás, cedendo por 25 anos ou 30 anos, uma coisa assim, sem nenhum ónus para Lever, desde que fizessem a creche. Já se passaram 3 anos e por falta
125
de recursos eles não fizeram. Vamos ver se agora fazem. Mas pretendemos sim, pretendemos trabalhar conjuntamente com Lever, Crestuma, e com Gaia.”
(Ricardo Haddad, Proprietário da Companhia de Fiação de Crestuma)
Relativamente à Associação Verdegaia, é importante referir a sua intenção em apresentar 3 museus no município, tendo sido a sua proposta apresentada à nova presidência.
“Fizemos um documento com 3 propostas em termos de museologia. Fizemos a proposta da criação do Museu da Cerâmica das Devesas que seria o Museu da Indústria, lá iria funcionar a sede do Museu das Indústrias e começávamos pela Cerâmica das Devesas. (…) O outro museu que a gente propunha era na Serra do Pilar, (…) era fazer ali a história das duas cidades, do Porto e de Vila Nova de Gaia. (…) Depois, havia outro museu que a gente previa que era o Museu do Vinho do Porto.”
(Manuel Laranja Pontes, Fundador da Associação Verdegaia)
6.11 Prioridades para o território de Arnelas, Crestuma e Lever, ao nível dos