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CONCLUSION : QUEL AVENIR ?

Dans le document La conscience auto-organisatrice (Page 24-27)

Apesar de uma criança ou adolescente poder não ser capaz de ler um texto médico, esse mesmo jovem poderá compreender o que são comportamentos promotores de saúde ou competências de manutenção da saúde no seu ambiente de vida, ou até conseguir participar ativamente na tomada de decisão que respeita à sua situação de saúde/doença ou aos cuidados de saúde a si prestados (Borzekowski, 2009).

Considerando a idade e o estadio desenvolvimental de cada jovem é possível perceber que tipo de informação poderá ser assimilada e compreendida, bem como o tipo de competência de literacia em saúde que cada um será capaz de realizar. O suporte social por parte da família, amigos e profissionais de saúde poderá ser um facilitador no processo de aprendizagem de conceitos mais complexos numa idade mais precoce àquela em que seria suposto integrar esse mesmo conceito. Se os conceitos e comportamentos relacionados com a saúde forem culturalmente relevantes e fizerem parte do ambiente do jovem, este poderá compreender a sua importância e o seu impacto na saúde numa idade anterior à que seria esperada (Borzekowski, 2009).

Atualmente, um jovem que possua competências de literacia em saúde, deverá ser capaz de cuidar de si a nível físico, emocional, social, mental e espiritual. Um jovens com bons níveis de literacia em saúde consegue compreender o conceito de risco, lidar com documentação e impressos relacionados com a saúde, encontrar serviços

de saúde consoante a sua necessidade, dialogar com os profissionais de saúde conseguindo receber respostas que clarifiquem as suas dúvidas, compreender os efeitos e interações dos fármacos e tomar uma posição de advocacia de forma a proteger a sua saúde, a da sua família e a da sua comunidade (Fetro, 2010). Em 1995, foram publicadas as normas que descrevem o conhecimento e competências essenciais que os jovens a terminar o 4º, 8º e 11º ano de escolaridade deveriam ser capazes de saber e fazer. Estas normas providenciaram uma base para o desenvolvimento do currículo da educação para a saúde dos estudantes (Committee on Health Literacy, 2004). As normas definidas oferecem uma visão coerente do significado de se ter literacia em saúde, pois descrevem o conhecimento e competências essenciais para desenvolver literacia em saúde. O conhecimento deverá incluir ideias, assuntos e conceitos importantes e estáveis com vista à promoção de saúde as competências incluem formas de comunicar, raciocinar e investigar que caracterizam uma pessoa com literacia (Joint Committee on National Health Education Standards, 1997).

Estas normas foram trabalhadas de forma a integrar as características de uma boa educação e literacia no contexto da saúde. O jovem com literacia em saúde deverá apresentar quatro características:

- Pensar criticamente e solucionar problemas - Jovens com literacia em saúde deverão ser pensadores críticos e solucionadores de problemas, que conseguem identificar e direcionar criativamente os problemas relacionados com a saúde a vários níveis, quer pessoal, quer coletivo. Devem conseguir utilizar as várias fontes de informação para encontrar dados atuais, credíveis e aplicáveis necessários para a tomada de decisão, aplicando pensamento crítico juntamente com modelos de tomada de decisão com vista a atingir objetivos no contexto de promoção de saúde;

- Apresentar um papel ativo e responsável enquanto cidadão - Estes jovens devem ser cidadãos responsáveis e produtivos, realizando a sua obrigação de garantir que a sua comunidade se mantém saudável, segura e protegida de forma a que todos os cidadãos possam experienciar uma boa qualidade de vida, reconhecendo que esta obrigação começa consigo próprio. É esperado que sejam

jovens responsáveis que evitem comportamentos que ponham em risco a sua saúde e segurança e a de outros, bem como que apliquem princípios organizacionais e democráticos em colaboração com outras pessoas, com o objetivo de manter e melhorar a saúde individual, familiar e comunitária;

- Ser um bom aluno autodirigido - Jovens com uma boa literacia em saúde são indivíduos que conseguem autodirigir a sua aprendizagem, direcionando de forma dinâmica a sua base de conhecimento acerca de prevenção de doenças e promoção da saúde. Utilizam as competências de literacia, numeracia e de pensamento crítico para reunir, analisar e aplicar informação em saúde de acordo com as suas necessidades e prioridades ao longo da vida. Conseguem aplicar também as suas competências interpessoais e sociais nas relações, de forma a aprender com os outros e consequentemente crescer e amadurecer para níveis de

status de saúde mais elevados;

- Ser um comunicador eficaz - Espera-se que estes jovens sejam comunicadores efetivos que organizam e transmitem crenças, ideias e informação acerca de saúde de forma oral, escrita, artística, gráfica e tecnológica, conseguindo criar um clima de compreensão e preocupação pelos outros ouvindo cuidadosamente, respondendo ponderadamente e apresentando uma conduta de apoio que encoraja os outros a expressarem-se. Conscientemente defendem opiniões, políticas e programas do melhor interesse para a sociedade e promovem a saúde pessoal, familiar e comunitária (Joint Committee on National Health Education Standards, 1997).

Joint Committe on National Health Education Standards (1995) criou sete normas de conhecimento e competências essenciais que um jovem deverá atingir para conseguir um excelente nível de literacia em saúde, e que deveriam ser desenvolvidos e atingidos através de programas de educação para a saúde nas escolas:

- Compreender conceitos relacionados com a promoção em saúde e prevenção da doença;

- Demonstrar a capacidade de aceder a informação de saúde válida e a produtos e serviços de promoção de saúde;

- Demonstrar a capacidade de ter comportamentos promotores de saúde e reduzir os riscos em saúde;

- Analisar a influência da cultura, media, tecnologia e outros fatores na saúde; - Demonstrar a capacidade de utilizar competências de comunicação interpessoal para promover a saúde;

- Demonstrar a capacidade de utilizar metas definidas e competências de tomada de decisão para promover a saúde;

- Demonstrar a capacidade de defender a saúde pessoal, familiar e comunitária.

Cada uma destas normas é, de acordo com o Joint Committee on National Health Education Standards (1997), relacionada com os quatro objetivos descritos anteriormente, apresentando-se indicadores de performance que deverão definir os objetivos a atingir pelos jovens em cada um dos estadios (4º, 8º e 11º anos de escolaridade).

Uma revisão sistemática da literatura realizada por Sanders, Federico, Klass, Abrams, & Dreyer (2009) revela que, de acordo com os estudos analisados, a prevalência de níveis baixo de literacia em saúde de adolescentes e jovens adultos varia de 10 a 40%.

Paek, Reber, & Lariscy (2011) referem que, quanto mais frequentemente receberem informação sobre saúde de fontes como os media, pais, amigos e professores, maiores são os seus níveis de literacia em saúde. Já o uso da internet para recolher informação sobre saúde parece estar negativamente relacionado com os níveis de literacia em saúde. Para além disso, as raparigas apresentam níveis de literacia em saúde superiores aos rapazes, bem como os jovens que referem níveis de saúde superiores em relação aos que referem ser menos saudáveis, de acordo com um estudo realizado com 452 jovens a frequentar o 7º ano de escolaridade na Georgia, EUA.

Wu, et al. (2010) avaliaram a literacia de 275 adolescentes canadianos, de ambos os sexos, maioritariamente a frequentar o 10º ano de escolaridade. Concluíram que

os inquiridos que falavam outra língua para além do inglês em casa, apresentavam resultados mais baixos de literacia em saúde. Também os rapazes apresentaram resultados inferiores em relação às raparigas, bem como os adolescentes que imigraram para o país numa idade mais tardia ou que têm outra língua principal para além do inglês.

Com o objetivo de perceber a perceção e experiências dos adolescentes acerca da utilização da internet para procurar informação sobre saúde, Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill (2005b) realizaram um estudo de caráter qualitativo nos EUA e Reino Unido, com base em 26 focus groups, constituídos por adolescentes dos 11 aos 19 anos, de ambos os sexos. O principal objetivo era o de explorar as componentes funcional, crítica e interativa da literacia, através dos desafios vivenciados pelos jovens quando procuraram informação sobre saúde na internet. Os jovens foram questionados, nomeadamente, acerca: de situações passadas em que tivessem utilizado a internet para procurar informação sobre saúde; de que forma a internet modificou as suas atividades de trabalho/estudo e lazer; de como poderá ser utilizada a internet para encontrar informação sobre saúde; do grau de confiança e segurança que têm na informação online; e de desafios que tenham surgido quando procuravam a informação online. Concluíram que os jovens muitas vezes não conseguem procurar a informação sobre saúde adequada, simplesmente porque não conseguem soletrar ou escrever os termos médicos corretamente. Relativamente a esta dificuldade, os jovens sugeriram que um dicionário de termos médicos online poderia ajudar a colmatá-la. Frequentemente, a informação está disponível, mas os adolescentes não conseguem compreender o seu significado (Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005b).

Apesar do acesso massificado à internet e fontes de informação eletrónicas, os jovens continuam a referir um défice de competências par a pesquisar informação válida e fidedigna sobre saúde, bem como para avaliar essa mesma informação (Stellefson, et al., 2011). Outro dos obstáculos apontados pelos jovens diz respeito à seleção dos sites fidedignos que contêm a informação pretendida, perante a grande quantidade de resultados disponíveis quando um termo ou tema é procurado num motor de busca. Páginas com informação fidedigna, bem como as que contêm opiniões e relatos pessoais, são referidas pelos jovens como

importantes, mas deverão permitir perceber de que tipo de informação se trata. Para além disso, devem possibilitar que adolescentes de várias idades consigam aceder sem dificuldade à informação (Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005b).

Os jovens inquiridos por Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill (2005a) referem que a informação que procuram e encontram na internet já lhes permitiu modificar e melhorar alguns comportamentos, nomeadamente em relação à alimentação (dietas mais saudáveis e equilibradas) e exercício físico, bem como diminuir comportamentos de risco, como a utilização de substâncias potenciadoras de desempenho físico e intelectual. Os adolescentes referem que, por norma, consultam a internet numa primeira tentativa de recolher informação sobre determinado tema, sendo que procuram depois um profissional de saúde se considerarem necessário.

Diversos estudos foram já realizados em vários países, com vista a medir os níveis de e-literacia em saúde de adolescentes, utilizando para o efeito a eHealth Literacy

Scale (eHEALS).

Um estudo realizado por Norman & Skinner (2006a), autores da escala, permitiu compreender os níveis de e-literacia em saúde de adolescentes canadianos. Foi utilizada uma amostra de 664 adolescentes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 13 e 21 anos, provenientes de 14 escolas secundárias de uma cidade canadiana e que frequentavam na altura do estudo entre o 9.º e o 11.º ano de escolaridade. Foram encontrados valores mais elevados de e-literacia em saúde no sexo masculino (t726=2,236, p=0,026). Para além disso, não se detetaram

alterações significativas nos valores de e-literacia em saúde tendo em conta a idade dos participantes, nem em relação à tecnologia de informação utilizada (internet, televisão, mensagens telefónicas, e-mail, pager, telemóvel). A e-literacia em saúde parece também não estar relacionada com a auto perceção sobre o estado de saúde, não sendo considerada um fator preditor do nível de saúde percebido ao longo do tempo, na amostra utilizada (Norman & Skinner, 2006a).

A e-literacia em saúde de 183 adolescentes que frequentavam o 6.º, 7.º e 8.º anos de escolaridade no estado do Michigan, nos EUA, foi avaliada num estudo em que

se realizou uma intervenção com vista à sua promoção. A amostra apresentou um valor médio de e-literacia em saúde de 3,44 (=0,58). Depois de realizado um programa de promoção de e-literacia em saúde aos participantes, composto por três sessões, o valor médio subiu 0,14 (=0,63) (Hove, Paek, & Isaacson, 2011; Paek & Hove, 2012).

Em termos europeus, um estudo realizado na Holanda, utilizando uma amostra estratificada de 88 participantes da região de Twente, bem como o instrumento eHEALS, revelou que os mesmos apresentavam um valor médio de e-literacia em saúde de 3,45 (=0,74). Os valores de e-literacia em saúde encontrados diminuem com a idade e aumentam com a escolaridade dos participantes. Apesar disto, estas diferenças não são estatisticamente significativas. Já com o número de horas diárias de uso da internet parece existir uma correlação positiva, estatisticamente significativa, sugerindo uma influência positiva do tempo gasto em utilização da

internet na e-literacia em saúde (Drossaert, Van Der Vaart, & Van Deursen, 2011).

Ghaddar, Valerio, Garcia, & Hansen (2012) realizaram um estudo num agrupamento escolar do Texas, que inclui cinco escolas, duas das quais, com formação na área da saúde. Foi utilizada uma amostra de 261 estudantes, com idades compreendidas entre os 14 e os 20 anos de idade, a frequentar do 9º ao 12º ano de escolaridade, sendo que 58% dos indivíduos frequentavam as escolas com formação em saúde. A amostra compreendia elementos de ambos os sexos, sendo que a maioria eram hispânicos (86%). Avaliada a e-literacia com recurso à eHEALS, foram encontrados níveis adequados de e-literacia em saúde, percebendo-se um valor médio de 3,83. Apesar disto, 37% dos indivíduos apresentaram níveis de e-literacia limitada. Níveis mais elevados de e-literacia em saúde foram encontrados nos indivíduos a frequentar as escolas com formação em saúde, e de forma global, a frequentar os anos letivos mais elevados.

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