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O perfil térmico da amostra foi caracterizado por DSC e TG/DTG, de- monstrado na Figura 7. A curva de DSC mostrou um único pico endotérmico que corresponde a um evento de fusão no intervalo entre 263.17 e 268.17 ºC (Tpeak = 265.28 ºC e 4Hfusion = -124.95 J g−1), de acordo com o intervalo descrito na literatura para o polimorfo A (269 ± 2 ° C), que é o único dos polimorfos que apresenta apenas um único pico endotérmico (USP., 2011a; DINNEBIER et al., 2000; CSD. Cambridge Structural Database, 2000), su- gerindo que a amostra analisada se refere ao polimorfo A.

A determinação da perda de massa de uma substância em certos inter- valos de temperatura pode ser utilizada para avaliar o comportamento térmico da amostra, permitindo a determinação da temperatura de decomposição do composto (MAXIMIANO et al., 2010).

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Figura 7: Caracterização do estado sólido da TEL através do DSC e TG/DTG

A partir das curvas TG/DTG pode-se observar que a perda de massa, relacionada a degradação do composto, inicia após o evento de fusão ser com- pletamente concluído. A TEL começa a se decompor acima de 300 º C, de acordo com a literatura (DINNEBIER et al., 2000), mas especificamente no intervalo de temperatura de 383-452 º C, em apenas uma etapa, totalizando 86% de perda de massa (ponto médio= 419.64 ºC; início= 383.31ºC ; final= 452.67 ºC ). Desta forma, a estabilidade térmica da TEL foi evidenciada até 380 ºC.

A pureza da TEL foi determinada por DSC utilizando a equação de vant’t Hoff. A determinação de pureza do fármaco através de metodologia ter- mogravimétrica é recomendada pela Farmacopéia Americana(USP., 2011c). Este método é baseado na equação de van’t Hoff, o qual representa um mé- todo rápido e preciso para este tipo de análise. Este método baseia-se no fato de que a presença de pequenas quantidades de impurezas em uma amostra é capaz de diminuir o ponto de fusão característico do composto e ampliar a sua faixa de fusão (BRASIL., 2003). O controle de qualidade de fármacos tem um papel importante na garantia da qualidade de matérias-primas e formula- ções farmacêuticas, estando diretamente relacionado com a segurança destes insumos farmacêuticos. Os três atributos principais de qualidade de fármacos são identidade, potência e pureza.

A determinação da pureza de matérias-primas é extremamente impor- tante fisiologicamente, uma vez que a presença de impurezas, tais como pro- dutos de síntese, e os produtos de degradação estão diretamente relacionados com os efeitos colaterais do fármaco (GOROG, 2008).

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As amostras de TEL analisadas a uma taxa de aquecimento de 2 ºC/min, mostrou pureza estimada em 96%.

Os estudos cinéticos isotérmicos são mostrados na Figura 8.

Figura 8: Curvas TG isotérmicas de TEL obtidas em 300, 310, 320, 330 e 340 º C, sob atmosfera de nitrogênio com uma taxa de fluxo de 50 mL min−1

Os resultados demonstraram perda de massa em função do tempo. Foi observado que a curva isotérmica de 340ºC necessita de menos tempo para perder 5% de massa (41.49 min) em relação a menor temperatura empregada de 300 ºC (79.95 min). Assim, evidenciou-se que quanto maior a temperatura utilizada, menor será o tempo necessário para atingir a mesma perda de massa de 5%.

3.4 DRX

A técnica de difração de pó é comumente empregada na identificação de rotina e na determinação da pureza relativa de materiais cristalinos (USP., 2011c). O padrão de difração de Raio-X da TEL, é mostrado na Figura 9, apresentando picos predominantes em 2θ : 6.7, 14.18, 15.00, 22.25 e 24.96º, o qual reflete caracter cristalino do fármaco, de acordo com as análises por Raio-X descritas na literatura (ZHANG et al., 2010b; KANE; KUCHEKAR, 2010).

A existência de polimorfos é de grande importância para o desenvolvi- mento de formas farmacêuticas, uma vez que o estado sólido do fármaco (ar- ranjos moleculares e hábito cristalino) como polimórfico, solvato ou amorfo representa um impacto significativo na solubilidade, taxa de dissolução, bi- odisponibilidade e estabilidade das formulações farmacêuticas (GENARO, 2000; ANSEL; POPOVICH; ALLEN, 2000). De acordo com Cambridge Structural Database a TEL possui quatro polimorfos descritos na literatura:

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SONKEM, XUYHOO, XUYHOO01 e XUYHUU (CSD. Cambridge Struc- tural Database, 2000). Nas análises por DRX da TEL foi observado que o padrão de difração da amostra apresenta similaridade com o polimorfo XUYHOO01/ Polymorph A (DINNEBIER et al., 2000; CSD. Cambridge Structural Database, 2000), sem desvio ou o aparecimento de novos picos, o que confirma que a amostra analisada é o polimorfo A, a forma estável da TEL.

Figura 9: Difração de Raio-X de pó da TEL

3.5 MEV

A análise morfológica de fármacos é uma maneira fácil de monitorar e detectar mudanças relacionadas com variações no processo de síntese de cris- tais ou até mesmo em processos farmacêuticos (MAXIMIANO et al., 2010). A fotomicrografia da TEL foi obtida com uma ampliação de 1000x e pode ser observada na Figura 10. Como pode ser observado, a TEL é caracterizada por longos cristais aciculares (em forma de agulhas), os quais são característi- cos do Polimorfo A (DINNEBIER et al., 2000), de acordo com os resultados previamente observados através de DRX.

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Figura 10: Fotomicrografias MEV da TEL (ampliação de 1000x)

Dentre as técnicas de caracterização, o IV e outras técnicas modernas, tais como Raman, espectroscopia de ressonância magnética nuclear (RMN) de hidrogênio e de carbono-13 (RMN 1 H e 13 C), espectrofotometria de ultravioleta-visível (UV-VIS) e espectrometria de massa (MS) são reconheci- dos como os principais recursos para identificação e elucidação estrutural de substâncias orgânicas (USP., 2011a; LOPES; FASCIO, 2004). Deste modo, a fim de gerar os dados complementares e mais concisos, IV, Raman, RMN e MS foram utilizados a fim de identificar a amostra.

3.6 IV

O espectro de absorção IV de uma substância, quando comparado com a referência, propicia, possivelmente, a evidencia mais conclusiva da identi- dade de uma substância química (USP., 2011c).

Esta análise fornece informações sobre os grupos funcionais, os quais estão presentes na estrutura da substância, permitindo diferenciar as subs- tâncias através de sua estrutura química. Assim, esta técnica é amplamente utilizada para elucidar estruturas de substâncias orgânicas (BRASIL., 2003; RIBEIRO; SOUZA, 2007).

O espectro IV da TEL, Figura 11 A e B, mostraram bandas caracte- rísticas de alongamento C-H aromático em 3059 cm−1, modos vibracionais

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de estiramento alifático C-H em 2956 cm−1, de ácido carboxílico COOH em 1694 cm−1, vibrações de flexão e estiramento em C=C aromático em 1600 cm−1, flexão C-H aromática em 1461 cm−1, flexão -OH e estiramento C=O do ácido COOH em 1381 cm−1, e vibração do anel 1,2 do benzeno disubsti- tuído em 740 e 758 cm−1. Resultados semelhantes para a análise de TEL por IV foram anteriormente descritos na literatura (KANE; KUCHEKAR, 2010).

Figura 11: Espectro IV (A e B) da TEL e Espectro Raman da TEL (B)

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