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2.1 Apport dans l’ergonomie de travail

2.1.2 Conception virtuelle

Resgatando os propósitos deste trabalho, esta pesquisa examinou o seguinte problema de pesquisa: o que significa para novas gerações de empreendedores incorporarem e

executarem propósitos de sustentabilidade em seus projetos empresariais nas incubadoras de empresas universitárias? Para responder a esta questão, o presente estudo se propôs a analisar

o sentido de desenvolver projetos empresariais sustentáveis para empreendedores vinculados a incubadoras universitárias. A intenção foi compreender como esta nova geração de empresários compreende e materializa os objetivos da sustentabilidade nos projetos que conduzem. Além disso, pretendeu-se também discutir o papel da incubadora universitária na formação socioambiental da nova geração de empreendedores.

Para atender aos objetivos propostos, foi conduzido um estudo qualitativo interpretativo básico em quatro incubadoras universitárias, sendo duas universidades públicas e duas privadas, situadas no Estado de São Paulo. A pesquisa foi realizada com treze empreendedores cujas empresas incorporam ações socioambientais, se enquadrando nas categorias de pré-incubação, incubação e pós-incubação. Também foram realizadas entrevistas com os coordenadores das respectivas incubadoras, o que permitiu compreender a existência, o alcance e a natureza dos esforços da incubadora para fomentar ações socioambientais nos projetos dos incubados.

Como apontado por Leff (2009), a discussão de como as empresas vem incorporando medidas socioambientais nos seus processos produtivos teve destaque devido à crise ambiental que cresceu a níveis alarmantes no cenário mundial. Com isso, as organizações passaram a se preocupar com a racionalização de recursos não renováveis e começaram a promover e estimular a reutilização dos recursos naturais (OLIVEIRA, 2009). Essa natureza de iniciativa apareceu com recorrência nos discursos dos empreendedores participantes da pesquisa uma vez que buscaram desenvolver produtos e serviços com redução de impacto ambiental, minimizando a utilização dos recursos naturais, como por exemplo, a empresa geradora de ozônio, que utiliza o ar para produzir o ozônio e o resíduo que devolve ao meio ambiente é o oxigênio. Cabe pontuar, contudo que, como foi possível observar ao longo deste trabalho, as iniciativas se limitaram, sobretudo, à dimensão ambiental.

Em relação ao propósito de entender como os empreendedores compreendem sustentabilidade e a incorporam em seus projetos, os resultados obtidos levam a crer que estes empreendedores incubados orientam-se, sobretudo, pelo conceito disseminado pelo Relatório

de Brundtland no desenvolvimento do seu produto ou serviço, isto é, o ideal de satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas necessidades foi repetidamente reforçado nas suas narrativas. Também mencionam as dimensões econômica, social e ambiental, remetendo-se a ideia do triple

bottom line (ELKINGTON, 1998). Embora autores defendam que existem outras dimensões

da sustentabilidade que devem também ser observadas, tais como a espacial, cultural, política e institucional (BARBIERI; CAJAZEIRA, 2009 e SACHS, 1993), em nenhum momento os entrevistados fizeram referência a essas dimensões como norteadoras de atitudes sustentáveis em seus negócios.

Mas durante as entrevistas foi ficando claro que sustentabilidade se remete nas falas dos empreendedores à noção de valor, mencionada pelos entrevistados em associação com a ideia de ética, honestidade e de um pressuposto de responsabilização das empresas pelos atos que encerram. Trata-se daquilo que os gestores, no discurso, valorizam, isto é, dão valor. Outra concepção que atravessou as narrativas dos empreendedores foi à ideia de que sustentabilidade se trata de um ideal de conduta que parte de uma lógica de não agressão ao ambiente e mitigação de ações sustentáveis, em especial, as ambientalmente corretas. Reforçando-se aqui que a conduta de redução de impacto foi muito mais veemente nos discursos do a que a de mitigação, o que releva uma tendência mais reativa do que proativa por parte destes empreendedores. Os discursos também associam, por vezes, sustentabilidade à capacidade de desenvolver tecnologias verdes. Neste caso, tal conceito se vincula à ideia de gerar soluções inovadoras. Por vezes, estes três enfoques transitam nos discursos de um único empreendedor, por vezes, se considera sustentabilidade apenas como uma questão de conduta ou de criação de tecnologia. Como se viu nas análises, tais concepções vão ter impacto direto na forma como as empresas incorporam princípios de sustentabilidade, que se limitam, mais do que tudo, à oferta de produtos e serviços considerados adequados ao meio ambiente. Se, de um lado, tal esforço é louvável, por outro, não dá indícios de que os empreendedores da “geração sustentável” estão revendo pressupostos de gestão tradicional ou propondo novos formatos empresariais.

O enfoque do tripé da sustentabilidade nas organizações pesquisadas se concentra nos pilares econômico e ambiental. A dimensão social, quando aparece, se dá a reboque das ações ambientais, como consequência da medida ambiental. Não se constatou nas falas dos empreendedores propostas de impacto social como eixo central ou primário das empresas. Tal constatação se assemelha aos resultados obtidos por Dalmoro (2009), que realizou uma pesquisa em uma incubadora de empresas no Rio Grande do Sul com quatro empresas

incubadas, concluindo que o pilar da sustentabilidade que mais se destacou nas empresas foi o econômico, uma vez que o olhar do empreendedor, mesmo aqueles que possuem um discurso de empresa preocupada com questões socioambientais, é norteado pela sustentabilidade econômica do negócio. Mais uma vez, se, de um lado, o argumento econômico é legítimo e defensável, de outro, aponta para o fato de que há uma hierarquização de importância e valor de cada dimensão do tripé da sustentabilidade, o que coloca em xeque a noção de equilíbrio que o conceito de sustentabilidade propõe.

Tal ordem de priorização fica mais evidente nos relatos ao apontarem a dificuldade que tem em equilibrar as três dimensões da sustentabilidade. Diante disso, a rigor, estas empresas não podem ser consideradas sustentáveis, já que não conseguem desenvolver simultaneamente os três pilares do desenvolvimento sustentável (ELKINGTON, 1998). Mas se tal dificuldade é comum e até mesmo esperada, a justificativa dos empreendedores merece um olhar cuidadoso. O comportamento dos consumidores, dos fornecedores, da concorrência, acaba se tornando justificativa para o desequilíbrio. Atribuem a dificuldade que vem enfrentando na adesão dos seus produtos e serviços sustentáveis, em grande parte, às questões culturais, ao fato de que as pessoas não estão dispostas a pagar por produtos sustentáveis; que estes ainda não possuem preços de mercado acessíveis a todas as classes sociais; além do fato de que muitas empresas não possuem interesse em investir em produtos e serviços sustentáveis que não vão lhes trazer ganhos financeiros em curto prazo, entre outros fatores. Enfim, argumentos concretos, mas relacionados somente a fatores extrínsecos à organização, que podem estar à serviço de certo imobilismo.

Defendem que o que tem os ajudado a manterem-se atuando no mercado é o vinculo que possuem com as incubadoras universitárias. Desde que o empreendedorismo ganhou força no Brasil, as incubadoras tem desempenhado um papel importante na consolidação destes pequenos empreendimentos, pois proporcionam às empresas incubadas recursos que sozinhas não teriam condições de custear, como consultorias, compartilhamento de equipamentos, entre outros (LAHORGUE, 2004). Essas facilidades foram consideradas pelos empreendedores como primordiais para o seu negocio. Dizem-se conscientes de que se não fosse todo este apoio recebido pela incubadora, não teriam condições de custear um contrato de locação e se desenvolverem. Este desenvolvimento é tanto no sentido de desenvolver o produto, como também no desenvolvimento pessoal do empreendedor. Entretanto, se o investimento em formação e desenvolvimento não parece ser o foco central das incubadoras, mesmo no que se refere a questões básicas em gestão de negócios, muito menos o é no que se refere a promover ou alavancar a implementação e desenvolvimento de ações sustentáveis nas

empresas incubadas, que pareceu inexistente. Para manterem-se competitivos e atualizados no mercado que atuam, os empreendedores, individualmente, buscam seus caminhos de aprendizagem, promovendo seu autodesenvolvimento por meio da participação em workshop, feiras e palestras.

Se há um movimento para que a universidade assuma seu papel em fomentar sustentabilidade (UNESCO, 2001), tanto a partir da revisão dos projetos pedagógicos e dos currículos das distintas áreas de formação, como na gestão do campus, as incubadoras universitárias não podem se furtar da sua participação neste processo, caso contrário, perderão a chance que tem de dar uma contribuição significativa. Pelo que se observou na pesquisa, a questão da sustentabilidade socioambiental está longe de ser uma preocupação dos coordenadores das quatro incubadoras pesquisadas e sequer parece ser objeto de inquietação ou de alguma medida a ser tomada a curto ou médio prazo.

De toda forma, não há dúvida que, mesmo em diferentes estágios (pré-incubação, incubação e pós-incubação), os entrevistados guiaram seus negócios considerando de alguma forma questões de sustentabilidade. Mas isso porque seus produtos e serviços acabam minimizando impactos ambientais, com exceção para o caso dos empreendedores que tem por finalidade promover uma conscientização socioambiental em pequenas empresas, ou da empresa que visa facilitar o acesso da população a informações e serviços ambientais de qualidade. Isso não significa que suas realizações não sejam relevantes. O que chama a atenção é que tais iniciativas tem um cunho bastante pragmático, pouco calcado em um ideário de empresa que rompa com a lógica tradicional de ver e fazer os negócios em um contexto de sustentabilidade.

Por fim, espera-se que os resultados possam ter contribuído para se compreender o sentido que sustentabilidade vem assumindo para a nova geração de empreendedores e para repensar o papel da incubadora, sobretudo a universitária, neste processo. Acredita-se que as considerações aqui apontadas podem de alguma forma inspirar os responsáveis pelas incubadoras para que revejam suas iniciativas de apoio e formação de empreendedores que não se limitem a pensar sustentabilidade somente do ponto de vista do produto ou serviço que oferecem. E que possam, até mesmo, repensar qual é o seu papel num contexto de crescente discurso em prol da adesão das empresas a princípios de sustentabilidade.

Quanto às limitações do estudo é importante ressaltar que a pesquisa ficou concentrada no Estado de São Paulo, sendo assim, não é possível extrapolar o que foi encontrado para os outros estados. Trabalhou-se fundamentalmente com incubadoras de grandes universidades, que atendem a classe média e alta, não contemplando incubadoras de empresas não

universitárias que podem ter um perfil distinto e gerar uma diferença nos resultados encontrados. Outra limitação foi a falta de acesso aos planos de negócios das incubadoras, que poderia ter contribuído para entender melhor as propostas dos empreendedores. Sugere-se, assim, que estudos futuros possam atender a estas lacunas, especialmente analisar os projetos de empreendedores vinculados a outras incubadoras universitárias com o objetivo de averiguar se os resultados aqui obtidos podem ser observados em âmbito nacional.

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