III. Etude du convoyeur à bande
5. Conception des paliers à roulements :
Em 1968, havia 573 Casas de Agricultura em São Paulo, as quais eram os órgãos executivos da assistência técnica integral, o mesmo número de Conselhos Agrícolas Municipais, os quais tinham o papel consultivo da Secretaria de Agricultura (SÃO PAULO, 1968 apud MARTINS, 1991, p. 443). Foi criado dentro da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), o Departamento de Orientação Técnica (DOT), o qual possuía dentre as suas Divisões, a Zootécnica e a Veterinária, sendo que a primeira se ocuparia com as seções de Grandes, Médios e Pequenos Animais, Nutrição e Pastagens. A Seção de Veterinária ocupar-se-ia das Zoonoses, Epizootias e da Defesa Sanitária Animal. Como informa o nome de seu departamento, seu objetivo era congregar técnicos nas mais diversas áreas da agricultura.67 A Secretaria de Agricultura organizou no mesmo ano, um calendário oficial para Feiras e Exposições, os quais serviam como método de difusão de tecnologias e resultados (MARTINS, 1991).
Em 1969, subordinada ao Conselho Estadual de Tecnologia da Secretaria de Economia e Planejamento, é criada a Comissão de Tecnologia Agropecuária, a qual tinha, por objetivo, definir a política tecnológica do Estado para diversos setores da economia, inclusive o agropecuário, e coordenar os programas de pesquisa no âmbito tecnológico das instituições do estado. No mesmo ano foi criada a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP), a qual, tinha entre suas competências, alugar seus armazéns frigoríficos para empresas interessadas em utilizá-los para o depósito de produtos agropecuários. À medida que expandia sua rede, diversificava a sua localização (NOBREGA, s.d. apud MARTINS, 1991, p. 432).
No ano seguinte, foi criado o Instituto de Zootecnia, a partir do Departamento de Produção Animal, o qual tinha por função a pesquisa e experimentação para a seleção e aprimoramento das espécies animais de interesse econômico, incluindo a área de pastagens e demais forrageiras (MARTINS, 1991). 68 Dentre as transformações ocorridas na organização e expansão do ITAL, em 1971, iniciam-se os estudos para a construção de uma Usina-Piloto de Carnes e Derivados, a qual foi concluída em 1978. Em 1973, o convênio com a FAO foi
67
Decreto n. 49.475, de 1968 apud Martins (1991, p. 443).
68
prorrogado, de janeiro de 1973 a abril de 1974, o qual suscitou a realização de um levantamento sobre a indústria da carne no Brasil Central Pecuário e no extremo Sul brasileiro, com o objetivo de oferecer programas dentro da Secção de Carnes e Derivados, voltados para as necessidades encontradas nas indústrias, fortalecendo o seu desenvolvimento (TEIXEIRA & TISSELI, 1991).
Em 1974, o ITAL assina convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, com o objetivo de criar o Centro Nacional de Pesquisa e Treinamento de Pessoal em Tecnologia de Carne, o que permitiu que a Usina Piloto de Carne e Derivados pudesse ter seus equipamentos complementados, já que os recursos do Governo Estadual mostravam-se insuficientes para esta necessidade (TEIXEIRA & TISSELI, 1991).
Em 1975, a seção de Carnes e Derivados foi transformada em Centro de Tecnologia da Carne (CTC), o qual segundo Teixeira e Tisseli (1991) foi o primeiro do Brasil e da América Latina a realizar pesquisa em tecnologia da carne, pois mesmo o Laboratório de Carne de Castelar, situado na Argentina, o qual possuía laboratórios modernos, dedicava-se mais à pesquisa básica de carne, sem qualquer envolvimento com o processamento industrial e de produtos derivados. Já o CTC, além da pesquisa básica, destinava-se também à pesquisa aplicada à indústria, desde as pequenas até ás grandes.
No CTC, todos os aspectos da obtenção da carne, desde o embarque do animal na região de produção, envolvendo o manejo pré-abate, atordoamento, abate, processamento de carne e comercialização, são alvos de pesquisa. As atribuições definidas para o CTC, quando da sua implantação, foram: o fornecimento de resoluções técnicas, às dificuldades encontradas no setor de carnes brasileiro, dentre elas a composição de estoques e comércio de carne congelada; assistência técnica aos órgãos federais no processamento da carne e controle de qualidade na elaboração de embutidos; desenvolver informações sobre qualidade de carcaça, com o objetivo de elevar a racionalidade do comércio de carnes e o melhoramento animal; treinamento de recursos humanos para suprir a necessidade de mão de obra especializada em tecnologia da carne e outras (TEIXEIRA & TISSELI, 1991).
Desde a sua implantação, o CTC desenvolveu pesquisas direcionadas a beneficiar o setor produtivo na área de avaliação de carcaças; análise dos impactos das linhagens e da alimentação na composição corporal de bovinos e suas carcaças; efeitos da desossa quente e estimulação elétrica de carcaças; utilização do sangue animal na produção de plasma desidratado; processamento de carne suína pré-rigor; separação mecânica de carne de frango; desenvolvimento de produtos estáveis à temperatura ambiente entre outros. Para Teixeira &
Tisseli (1991), na década de 1990, o CTC era considerado a unidade de pesquisa mais versátil e com melhores instalações disponíveis em instituições governamentais do País.
Segundo Silva, Fonseca e Martin (apud DULLEY, 1988 apud MARTINS, 1991, p. 474-475), o fato de o sistema de pesquisa do estado de São Paulo não ter passado para uma situação de empresariamento, ou, de não ter seus institutos transformados em empresas, gerou o seguinte resultado em pesquisas agropecuárias relativamente ao restante do país: entre 1927-1977, 62% foram realizadas por São Paulo, e na década de 70, seriam 38%, em virtude do crescimento da atividade nos demais estados. Especificamente em relação ao produto final da pesquisa agropecuária, ou seja, o artigo científico, os autores constataram que a contribuição de São Paulo, no âmbito nacional, por década e em termos percentuais, foi o seguinte: década de 30, 97%; década de 40, 66%; década de 50, 71%; década de 60, 79%; e década de 70, 38%.
Dentro do II Plano de Desenvolvimento Nacional, a Secretaria de Agricultura de São Paulo agiu visando a modernização das explorações, atuando em programas de reprodutores; vacinas, antígenos e soros; defesa sanitária e tecnologia na produção do gado de corte. Dentro do PRONASA, a Secretaria atuou em 452.566 propriedades, combateu a raiva em 151 municípios, com 309 focos em propriedades (MARTINS, 1991).
Durante o Governo de Franco Montoro, ocorreu o Programa de Defesa Agropecuária e, especificamente em relação ao combate à febre aftosa, suscitou a visita a 1.010 propriedades, onde o vírus estava presente e o exame clínico de 27.100 animais. No trabalho realizado em relação a peste suína, 1.000 animais foram analisados e 900 foram vacinados. A brucelose bovina atingiu 1.470 propriedades, sendo realizados 24.200 exames sorológicos, e isolados 1050 animais. Também, no combate à raiva herbívora, 103 municípios foram atendidos, sendo que 1.300 animais foram examinados e 10.200 foram vacinados, 2.050 morcegos foram tratados (MARTINS, 1991).
Já o Programa de Produção de Bens e Serviços tinha entre seus principais projetos a produção de sêmen, transferência de embrião e a produção de vacina anti-febre aftosa com veículo oleoso (MARTINS, 1991).
O Programa de Controle Higiênico Sanitário de Rebanhos Bovinos colocava que, o reduzido desfrute e produtividade dava-se por problema higiênico sanitário dos bovinos em pequenas e médias propriedades e assim buscava-se enfrentá-lo. O Programa de Inseminação Artificial visava possibilitar que pequenas e médias propriedades melhorassem a qualidade
genética de seu rebanho, sem que precisassem adquirir reprodutores selecionados (PROGRAMAÇÃO CATI, 1988/1989, 1990 apud MARTINS, 1991, p. 555-556).
Segundo informações de 1985, de 27 explorações, a carne bovina encontrava-se em quarto lugar em termos de formação de renda e representava o quarto principal cultivo em relação à área ocupada, com 10,4 milhões de hectares com pastagens (CAMARGO FILHO, 1990 apud MARTINS, 1991, p. 562). Entre os anos 1987 e 1990, setenta por cento da população bovina, de um total de 11 milhões, foi atendida durante a Campanha de Combate à Febre Aftosa (RELATÓRIO DE ATIVIDADES – 87/90, 1991 apud MARTINS, 1991, p. 559).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No primeiro capítulo desta dissertação, demonstrou-se que a pecuária bovina, introduzida no Brasil em 1534, cumpriu importante função complementar à produção do açúcar no Nordeste, fornecendo tração e carne, e que o gado ocupou o sertão, e que prestou o mesmo suporte à atividade mineratória na região central do país. Também se viu que o charque foi um importante produto econômico no Ceará, escoado a partir do centro econômico da Capitania do Recife, e que abasteceu tanto o estado da Bahia, quanto do Rio de Janeiro, as tropas de sertanejos e financiou e abasteceu as embarcações recifenses, que atuaram no comércio ultramarino escravagista. Porém, seguidas secas no quarto final do século dezoito, dizimaram o rebanho, e a atividade charqueadora transferiu-se para o Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul, que tinha gado solto desde que os jesuítas espanhóis, seus introdutores na região, foram expulsos, e que tinha na exportação do couro, lucrativa renda, obtido por grupos de caçadores de diversas procedências, que abatiam o gado, retiravam o couro e desprezavam a carne, teve a partir da introdução do conhecimento adquirido pelos nordestinos, o crescimento da produção do charque no início do século XIX. Uma pequena parcela do charque gaúcho era exportada para as Antilhas e Cuba, sendo a sua maior parte destinada a abastecer a mão de obra escrava utilizada no cultivo do café no Brasil. O mesmo mercado também, era atendido pelos charques uruguaio e argentino, que além de serem mais competitivos em função do modo de produção empregado, o capitalista, entravam livres de tarifas no mercado nacional, já que era do interesse do Império, que o custo de alimentação dos escravos fosse reduzido.
No segundo capítulo, viu-se que no final da primeira década do século XX, foi iniciada a construção do primeiro frigorífico no Brasil, na cidade de Barretos, em São Paulo. Em seguida, e rapidamente, os capitais de origem inglesa e estadunidense instalaram frigoríficos em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, movimento este acelerado com o início da Primeira Guerra Mundial. Após o primeiro envio de carne frigorificada em 1914, o rebanho brasileiro quase foi dizimado, tal foi o elevado número de animais abatidos para exportar carne. O governo precisou estabelecer políticas que garantissem a capacidade do rebanho, de reproduzir-se e manter-se.
No terceiro capítulo, demonstrou-se que a mesma situação voltou a ocorrer em função do grande volume exportado para os países envolvidos na Segunda Guerra Mundial,
comprometendo desta vez, o abastecimento das grandes cidades brasileiras, já que a urbanização era maior. Getúlio Vargas, utilizando-se da declaração de Estado de Guerra, passou a regular o número de animais abatidos por estabelecimento, o período em que esses abates deveriam ocorrer e qual o volume a ser entregue nos principais centros consumidores. Utilizando-se desse controle, começou a obrigar que as primitivas charqueadas que desperdiçavam boa parte da rês, já que não possuíam equipamentos capazes de preparar seus subprodutos, começassem a instalar esses equipamentos ou seriam impedidas de funcionar.
Em 1950, na tentativa de superar a baixa oferta de carne bovina, foi implantado, como parte do Plano SALTE, o Plano de Interiorização dos Frigoríficos. O objetivo era evitar que o gado tivesse que caminhar, vários dias, desde o sul de Mato Grosso, ou de Minas Gerais ou de Goiás, para ser abatido em São Paulo, emagrecendo, expondo-se à febre aftosa e aumentando o tempo de produção até estar pronto para ser abatido, aproximando os frigoríficos das zonas pecuárias, competindo com as charqueadas destas áreas e mantendo a renda no próprio local de produção. O parque frigorífico expandiu-se para os estados fornecedores de gado, mas a produção de carne permaneceu insuficiente, frente ao crescimento populacional e a demanda exportadora.
O início de 1970, apresentado no quarto e último capítulo, foi marcado por nova tentativa de superar o “problema da carne”. Agora, o Governo Federal buscava implantar o RIISPOA em todos os estabelecimentos de abate e colocá-los sob Inspeção Federal; eliminar os que não realizavam aproveitamento completo da rês; sonegavam impostos; e forneciam ao consumidor um produto sem garantia de qualidade. Esse processo, que ficou conhecido como federalização, estabeleceu um dos parques frigoríficos de abate dos mais modernos do mundo, capaz de produzir carne de qualidade elevada e de ser habilitado à exportar para os mercados consumidores mais exigentes.
Paralelamente, o governo iniciou a implantação de uma série de programas de desenvolvimento nas fronteiras agrícolas, com o objetivo de aumentar a participação dessas no Produto Interno Bruto, através, dentre outros meios, do aumento da área ocupada por pastagem mais produtiva, formação de aguadas, aquisição de reprodutores e matrizes. Esses projetos vigoraram até a década de 1980, e é possível verificar seus efeitos no Censo Agropecuário de 1985, o qual demonstra terem sidos alcançados os objetivos iniciais. A expansão da pastagem plantada, principalmente da braquiária, gênero que melhor se adaptou aos solos do cerrado e amazônico, tornou possível o aumento da lotação por hectare e uma menor perda de peso durante o período de estiagem anual.
O estado de São Paulo, que desde a segunda década do século XX, estabeleceu para si a missão de ser o maior produtor de carne e de melhorar o gado nacional, investiu na seleção animal, tanto importando reprodutores, quanto criando estações de monta, e promoveu a disseminação de um gado mais selecionado tanto na pecuária paulista, quanto nos estados fornecedores para suas invernadas: Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Pelo menos, durante cinco décadas, o gado criado e recriado nesses estados foi abatido, em sua maioria, em São Paulo.
Consciente dos benefícios de sua localização geográfica, em relação aos principais centros de consumo e fornecedores de gado, da estrutura portuária de Santos e da necessidade de fazer a ligação ferroviária entre os frigoríficos e o porto, São Paulo foi capaz de exportar carne bovina para o estrangeiro, sendo o principal estado brasileiro a fazê-lo durante todo o século vinte, e abastecer Rio de Janeiro, Minas Gerais e estados do Nordeste. A primazia de ter a instalação dos frigoríficos detentores do que havia de mais moderno em tecnologia de abate e processamento, foi aproveitada pelo estado, que investiu em pesquisa e combate sanitário animal, e que passou a partir da segunda metade do século passado, a investir também, em pesquisas relativas à alternativas de alimentação do gado no período de estiagem, tanto em formas de conservação do alimento, quanto em possibilidades diferentes de campos agrostológicos. Todas essas ações fizeram da pecuária paulista, importante atividade econômica para o estado e de vanguarda.
O que se conclui neste trabalho é que, apesar dos avanços na legislação e na fiscalização para modernização da cadeia, buscando um produto que atendesse a condições sanitárias adequadas, e da criação de frigoríficos extremamente modernos, de nível internacional, ainda existe uma maioria de estabelecimentos que continua desperdiçando os subprodutos da rês; contaminando o meio ambiente; fornecendo um produto com higiene e sanidade desconhecidas; sonegando impostos; e gerando perdas econômicas.
Além disso, o modelo da pecuária verificado no país, praticado pela maior parte dos pecuaristas, ainda é de baixo investimento e de baixa inserção de progresso técnico, uma vez que permanece a lógica da produção extensiva.
Há ainda que investir-se na formação dos inspetores e auxiliares de inspeção após a aprovação em concurso público, tanto para que lhes seja incutida uma consciência ideológica da importância social de seus trabalhos, quanto para, o aperfeiçoamento de seus conhecimentos sobre a inspeção obtidos na graduação.
Recomenda-se também, que o consumidor brasileiro passe a receber informação sobre a carne bovina, seus cortes, as diferenças de maciez entre animais de diferentes idades e raças, e as vantagens da carne embalada á vácuo, a qual é produzida dentro da indústria, em condições de higiene adequada, e que seu tipo de empacotamento propicia aumento da maciez. A mudança na escolha do consumidor, pode ser a alavanca para algumas mudanças acima preconizadas.
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