Mise en forme à l'aide de feuilles de style XSL
IV. Conception modulaire des feuilles de style 1 Introduction
além de várias linhas iniciais da folha terem sido desperdiçadas
Tais cadernos podem comprovar, junto com outros fatos, a persistência do invariante cultural nas escolas. A ferramenta utilizada para a cópia do conteúdo didático não estabelece forma alguma de interação, assim como não promove desafio ao discente, ao contrário, enquadra-o, desastrosamente, a uma estrutura escolar que herdou a forma de organização da escola popular, calcada, como aborda Fino (2000, p. 387), nos seguintes três eixos, “fábrica como modelo estrutral, taylorização como modelo organizacional e burocracia como sistema de controlo do funcionamento e de exercício de autoridade”.
Esse enquandramento se dá de maneira desastrosa porque os tempos são outros. O discente não se ajusta a essa sistemática de ensino e responde com desatenção e com desinteresse pelo que anota em seu caderno, como também o professor já não tem o tipo de autoridade que possuía no passado, uma época marcada por extrema obediência ou inércia do aluno ou, quando não, pela imposição de castigos físicos.
Do meu ponto de vista, quando o uso de um caderno comum é o principal suporte para a construção do conhecimento, o processo educacional está seguindo na contramão do que se espera a uma escola que diz buscar os melhores resultados e
55 desenvolver práticas pedagógicas dinâmicas, eficazes e atuais. O uso que os discentes fazem desse material indica que existe um descompasso entre escola e atualidade. Hoje, parte das pessoas que necessita da escrita prefere agendas eletrônicas, além de que, se faz parte do grupo de indivíduos profissionalmente ativos, utiliza notebooks. No entanto, no ambiente escolar, o caderno prevalece porque, ademais de ser um material consagrado pela tradição, é, relativamente, um bem de consumo de valor irrisório, enquanto que um meio auxiliar moderno é, naturalmente, mais caro e por esse fator esbarra num condicionante relacionado à segurança do próprio aluno.
Atualmente, portar objetos de relativo valor é desfavorável à segurança das pessoas. Portanto, devido à criminalidade, muito frequente na cidade de Fortaleza, qualquer objeto pode ser motivo para roubos, latrocínios, sequestros, entre outros, o que inviabiliza o uso diário, por exemplo, de notebooks pelos alunos.
O Comandante do Colégio, para impedir a ação criminosa contra os alunos, mantém uma prática, iniciada há alguns anos, que consiste em disponibilizar, nas imediações do Colégio, soldados e sargentos monitores para atender os alunos enquanto eles esperam a condução que os levará de volta para casa.
No Guia do Aluno do CMF (2013, p. 35), no item “Procedimentos dos alunos em situações diversas”, temos a orientação a respeito de o aluno evitar trazer ao Colégio objeto de valor, como segue: “-Recomendamos que seja evitado ao máximo que os alunos venham para o Colégio com objetos de valor, como joias, celulares sofisticados, máquinas digitais e outros similares”.
Logo, existe um bem maior a ser cuidado – a vida de cada aluno. Assim, a escrita continua a ser materializada em cadernos. Não há como os discentes fazerem amplo uso dos recursos digitais no cotidiano da sala de aula, com o seu próprio notebook.
No entanto, penso que cabe à escola criar alternativas para desenvolver o processo educacional de maneira que o aluno seja mais participativo, interaja mais e participe na construção do saber de seu grupo, por isso, considero preocupante quando a escola faz uso apenas de materiais consagrados pela tradição. Nesse sentido, reporto-me a Toffler (1973, p. 340) ao afirmar que “... as preleções dominam o ambiente de uma aula. Este método simboliza a velha estrutura hierárquica, de cima para baixo...” e, dessa maneira, concebo o caderno como um dos recursos mais rudimentares que existe e
que caminha em sentido contrário ao estabelecimento da interação no processo educacional. Os alunos necessitam de um ambiente escolar que lhes possibilite aprender de acordo com os novos modelos de arranjos sociais que em muito diferem do modelo fabril.
Nesses novos arranjos sociais estão inseridas todas as formas de interação, que permitem os indivíduos socializarem os mais diversos fatos da existência. Portanto, reforço a ideia de que, na área da educação, a interação é um acontecimento significativo para que ocorra a aprendizagem. Ademais, a aprendizagem é praticamente determinante da dependência que o ser humano possui de outros indivíduos. As conquistas de uma criança, por exemplo, só são possíveis por meio da ação ou do acompanhamento de um adulto ou de uma outra criança com etapas mais adiantadas de desenvolvimento. Nesse sentido, estão os estudos de Vygotsky. O referido autor faz uma associação entre a história individual e a história social a qual considero nortear o que penso sobre a importância da interação. Vygotsky (2007, p. 33) sustenta que:
Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social (VYGOTSKY, 2007, p. 33).
Por meio de uma percepção da presente história social, constato o papel da tecnologia. Essa tecnologia tem alterado progressivamente o modo de vida das pessoas a ponto de, em alguns casos, ocorrer a preferência, por exemplo, pela interação virtual. Naturalmente que esse tipo de interação, afetando todas as áreas humanas, ganha espaço mais privilegiado em alguns setores do que em outros. Um exemplo dessa preferência que poderia servir de modelo de interação à escola de hoje se dá na área da saúde. Nos dias atuais, encontram-se pacientes que preferem o atendimento virtual, conforme constatado na divulgação de pesquisas realizadas pela Cisco IBSG (Internet Business Solutions Group) e divulgada no site http://convergecom.com.br/tiinside/08/03/2013/ maioria-dos-estudos-pacientes-prefere-atendimento-medico-virtual-revela-estudo/#.UX 6Pqzoxkg. (Acesso em 16 abr. 2013):
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A empresa ouviu 1.547 usuários e profissionais de saúde de dez países, entre os quais o Brasil. A preferência pelo acesso virtual foi manifestada por 74% das pessoas consultadas. Assim, o relatório contradiz a ideia de que a interação presencial é sempre a preferida para a experiência de cuidado de saúde. No Brasil, o porcentual de pessoas que dizem estar abertos ao atendimento médico virtual é ligeiramente superior ao dos demais países envolvidos no estudo: 76%.
(Retirado do site http://convergecom.com.br/tiinside/08/03/2013/maioria- dos-estudos-pacientes-prefere-atendimento-medico-virtual-revela-estudo/#.U X6Pqzoxkg. Acesso em 16 abr. 2013).
Parece-me fácil de compreender que o virtual ganhe espaço, em especial, no Brasil, um país cuja população demonstra interesse pela internet. A mesma empresa, Cisco, (por meio do site http://olhardigital.uol.com.br/produtos/digital_news/noticias/ pesquisa_da_cisco_estudantes_afirmam_que_internet_e_tao_importante_quanto_o_ar (acesso em 16 abr. 2013) divulga que os brasileiros são grandes adeptos do uso da internet: “65% dos estudantes e 61% dos profissionais consideram a internet um recurso essencial. Este índice é bastante superior à média mundial: 49% dos estudantes e 47% dos profissionais a consideram fundamental, ou algo "bem próximo a isso".
Instigada pelos dados acima e na intenção de verificar qual o envolvimento dos jovens com o mundo virtual, resolvi questionar os alunos do Ensino Médio do CMF, a fim de saber quantos deles são impelidos ao uso da tecnologia. Um uso específico para interagir com outras pessoas ou realizar alguma atividade virtual, mesmo em situação em que são proibidos de utilizar aparelhos celulares ou smart phones, como durante as aulas regulares.
Tais alunos não fazem parte do grupo pesquisado, mas acredito que, ao conhecer melhor suas atitudes, posso ter uma previsão de comportamento futuro dos atuais alunos do 6º Ano.
Essa crença deve-se ao fato de os alunos fazerem parte do grupo estudantil do CMF. Esse grupo, de uma forma ou de outra, cria sua identidade, seja por meio do uso de um vocabulário específico, com gírias e outros termos entendidos por eles, seja pela postura e comportamento.
Dessa maneira, lancei às quatro turmas do 2º Ano existentes no Colégio e para as quais leciono a Disciplina de Literatura, o seguinte questionário:
MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO
DECEx – DEPA
COLÉGIO MILITAR DE FORTALEZA (Es M CE / 1889)
CASA DE EUDORO CORRÊA
Prezado aluno do 2º Ano do Ensino Médio
A fim de obter dados quantitativos sobre questões afetas à minha pesquisa de Doutoramento, solicito que responda as questões abaixo:
1. Você troca mensagens com outras pessoas durante as aulas? ( ) Sim ( ) Não
2. Caso sua resposta tenha sido “Sim”, você acredita que isso interfere em sua atenção durante a aula?
__________________________________________________________________
3. Qual motivo que o (a) leva a utilizar esse tipo de interação durante as aulas? É comum interagir com outras pessoas durante alguma aula específica?
__________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________
Tabela 01 - Questionamento realizado com alunos do 2º Ano do Ensino Médio do CMF sobre a troca de mensagens virtuais durante as aulas regulares
Como resultado desse questionamento, cheguei ao seguinte resultado:
INTERAGEM VIRTUALMENTE NÃO INTERAGEM
61(sessenta e um) 54 (cinquenta e quatro)
Tabela 02 – Distribuição do efetivo de alunos entre os que, virtualmente, interagem e os que não interagem durante as aulas
59 As causas apontadas pelos discentes que afirmaram utilizar meios para interagir durante as aulas foram:
CAUSAS QUANTIDADE DE ALUNOS
- Aulas cansativas, monótonas, “chatas”, teóricas, que não atraem a atenção.
27 (vinte e sete)
- Sono. 01 (um)
- Para falar com o namorado. 01 (um)
- Assunto que não pode ser resolvido em outro momento.
14 (quatorze)
- Para saber o que está acontecendo no mundo enquanto se está trancada em sala de aula.
01 (um)
- Falta de interesse. 03 (três)
- Já sabe a matéria que está sendo ministrada. 01 (um)
- Necessidade de interagir já que na sala tem que ficar calado.
04 (quatro)
- É divertido falar com quem gosta. 01 (um)
- A tecnologia faz parte da vida de todos. 01 (um)
- Aulas desinteressantes e que podem ser estudadas em casa.
01 (um)
- Necessidade de pesquisar ou de tirar dúvidas com outros colegas.
03 (três)
- Discutir com os colegas assuntos da turma 01 (um)
- Não responderam. 02 (dois)
Tabela 03 – Efetivo de alunos distribuído de acordo com as causas que julgam determinar a troca de mensagens virtuais durante as aulas
INTERFERÊNCIA NA AULA QUANTIDADE DE ALUNOS
Acreditam que interfere na aula. 24 (vinte e quatro)
Às vezes pode interferir. 01 (um)
Interfere um pouco. 05 (cinco)
A interferência vai depender de qual seja a Disciplina.
01 (um)
Depende do tempo utilizado. 01 (um)
Acreditam que não interfere. 28 (vinte e oito)
Não respondeu. 01 (um)
Tabela 04 – Efetivo de alunos distribuído de acordo com o julgamento que fazem sobre a interferência da troca de mensagens durante as aulas
Quanto à disciplina que favorece a utilização de meios para as trocas de mensagens, obtive o seguinte resultado:
DISCIPLINA EM QUE OS ALUNOS TROCAM
MENSAGENS VIRTUAIS QUANTIDADE DE ALUNOS
Instrução Militar 01 (um)
Orientação Educacional 01 (um)
Biologia 01 (um) História 02 (dois) Química 04 (quatro) Geografia 05 (cinco) Literatura 02 (dois) Inglês 01 (um)
Independe da Disciplina 10 (dez)
Não nomearam a disciplina, apenas a julgaram como desinteressante, de que menos gostam, entre outros qualificativos
41 (quarenta e um)
Não responderam 02 (dois)
Obs.: Alguns alunos destacaram mais de uma disciplina, por isso a quantidade de alunos supera o número de alunos que utilizam a interação virtual.
61 Diante desses resultados, acredito que as metodologias tradicionais de ensino não estão atingindo mais os alunos e que estes estão dando preferência ao virtual. Com a apuração do efetivo de alunos que pratica a interação virtual durante as aulas, obtive um dado que, no mínimo, deve promover algum tipo de reflexão. Segundo os regulamentos dos Colégios Militares, o aluno deve manter um determinado comportamento. O Regulamento Interno dos Colégios Militares (RICM), por exemplo, estabelece certas condutas discentes que, ultimamente, não estão sendo atendidas pelos discentes. Esse regulamento, em seu Capítulo III, que trata “Dos deveres e direitos dos alunos”, diz em seu Art. 103: “Os deveres e direitos dos alunos, além dos constantes no R-126, em seus artigos 45 e 46 e em normas que regulam situações específicas, são os preconizados nos diversos títulos do presente RICM, complementados pelo que especifica este artigo”. Ademais encontramos em seu § 1º: “São deveres do aluno do CM”: “I - cumprir os dispositivos regulamentares, normas e determinações superiores”.
Esses alunos que estão entre os de mais idade do colégio exemplificam, na fala de Gimeno Sacristán, a “fissura do processo educacional”, em especial, na escrita de uma das alunas que fez a seguinte afirmação: “até em aula nas quais é terminantemente proibido o uso de celular, a gente dá um jeitinho. A aula varia de acordo com o interesse específico do aluno, mas é muito comum o uso de celular sim, inclusive com jogos ou outros aplicativos”.
Esclareço que, segundo as Normas dos Colégios Militares, em todas as aulas é “terminantemente proibido o uso do celular”, conforme o que está estabelecido no Anexo E – Relação de faltas disciplinares, do RICM, em seu item 36 que diz: “–Utilizar sem devida autorização telefones celulares e/ou aparelhos eletrônicos nas atividades escolares, nas instruções ou em formaturas, perturbando o desenvolvimento das atividades”.
Diante disso, penso que uma alternativa para reverter esse “descumprimento das normas do CM” é o professor aliar a tecnologia às metodologias pedagógicas. O aluno sente necessidade de ser agente ativo em seu meio; um livro didático ou um caderno não atendem às aspirações de comunicação, interação e apego ao virtual, comuns aos
jovens, logo, nesse contexto, o docente necessita ser um mediador de novas situações de aprendizagem.
Lévy (1996, p. 11) sustenta que, além da informação e da comunicação, o movimento de virtualização atinge “os corpos, o funcionamento econômico, os quadros coletivos da sensibilidade ou o exercício da inteligência. A virtualização atinge mesmo as modalidades do estar junto, a constituição do ‘nós’: comunidades virtuais, empresas virtuais, democracia virtual...”
Considerando-se esse panorama social, penso que a interação entre os alunos pode ser beneficiada com a modalidade virtual. O mundo virtual pode ser visto pelos alunos como uma forma de livrá-los da exposição direta frente a colegas e ao professor. Os risos, os comentários, o enfrentamento dos olhares são questões complicadas porque os indivíduos não são conduzidos a pensar no como se processa a arte de aprender. Para o indivíduo aprender alguma coisa, necessita explorar materiais, ideias, levantar hipóteses e, permeando todo esse processo, está o erro. Errar, a meu ver, tem sido considerado um dos pecados da humanidade e, por consequência, existe o tabu normalmente relacionado com o fato de não se dominar algum tipo de saber, em especial, os transmitidos nos bancos escolares.
Esse não domínio do conhecimento é um problema que a própria escola registrou, em sua história, por meio de artifícios usados para envergonhar o “mau aluno”. Exemplo disso foram as orelhas de burro colocadas nos discentes, os castigos físicos e os xingamentos que o expunham frente aos colegas de classe, como afirma a pedagoga Jussara de Barros, da Equipe Brasil Escola, no site http://educador.brasilesco la.com/orientacoes/a-escola-mudou.htm (acesso em 15 abr. 2013): “Não muito distante, tínhamos uma escola coercitiva, que feria os princípios éticos e morais, que agredia fisicamente e moralmente os alunos através de castigos, puxões de orelhas, orelhas de burro, xingamentos, dentre várias outras ações agressoras”.
O tempo passou e as regras disciplinadoras, presentes na escola tradicional, foram extirpadas em favor de um respeito aos direitos da criança e do adolescente. No entanto, isso não se converteu em resposta favorável à questão do fracasso escolar, por consequência, tanto a escola quanto a família buscam, continuamente, alternativas para tentar resolver o problema do baixo desempenho do aluno, mas sem encontrarem
63 fórmulas que sirvam como meio para um estudo sobre os processos envolvidos no ato de aprender.
Com o relaxamento das normas disciplinadoras e a contínua constatação de insucesso escolar, o discente ou responde à situação com apatia, ou com rebeldia e, o caso que deveria estar relacionado com a necessidade de aplicação de uma nova metodologia pedagógica, passa a ser tratado como doença ou algum tipo de transtorno que acomete o discente. Nesse sentido, há uma pesquisa da Unicamp, cujo trecho, retirado do site http://www.labjor.unicamp. br/midiaciencia/article.php3?id_article=509 (acesso em 15 abr. 2013), cito abaixo:
Várias crianças são diagnosticadas com uma enfermidade para justificar seu mau desempenho escolar. Dislexia, hiperatividade, déficit de atenção, déficit do processamento auditivo e deficiência mental são os nomes mais comuns dados ao problema. Porém, o “diagnóstico” feito pelos educadores está correto em menos de 10% dos casos. Isso é o que aponta o trabalho dos pesquisadores do Centro de Convivência de Linguagens, vinculado ao Laboratório de Neurolinguística da Unicamp. (Retirado do site http://www.labjor.unicamp.br/midiaciencia/article.php3?id_article=509. A- cesso em 15 abr. 2013).
A partir da constatação de existirem apenas métodos de ensino e o fato de se atribuir ao fracasso escolar o motivo de uma doença parece-me estar correlacionado à indagação de Papert (2008, p. 87), advinda da constatação de que existem apenas métodos de ensino: “[...] essas disciplinas suprem o que se acredita ser necessário para formar um professor competente. E quanto aos métodos de aprender? Que disciplinas são oferecidas aos que desejam se tornar aprendizes competentes?”
Sobre tal situação, Papert (2008, p. 94) faz uma analogia com os tabus sexuais, assunto esse sobre o qual, via de regra, as pessoas não tecem comentários, não questionam e nem expõem seus pensamentos. Como a questão da aprendizagem envolve a intimidade do indivíduo no que se refere à competência de entender, de compreender e de agir sobre fatos, qualquer desvio de uma considerada “normalidade” é algo grave. Sobre isso, defende o mencionado autor:
Os tabus contemporâneos são relacionados a diferentes aspectos da mente. Os mais relevantes aqui, entre muitos outros que restringem nossa intimidade, se mostram sob a forma de uma relutância muito comum em não permitir que outras pessoas percebam quanta confusão permeia nosso pensamento. Ninguém gosta de parecer “ignorante” ou “burro”, ou simplesmente errado (PAPERT, 2008, p. 94).
Das considerações expostas, compartilho com Brazão (2008) a ideia de que um novo contexto de aprendizagem pode surgir com os alunos ao utilizarem computadores, porque essas ferramentas, na fala do mencionado autor (2008, p. 31), “permitem dar mais flexibilidade e transdisciplinaridade na abordagem de temáticas, percursos de aprendizagem autónomos, a partir do acesso directo a fontes de informação e à pluralidade cultural do mundo, do ponto de vista do aluno”.
Dessa maneira, acredito que a ferramenta computador pode ser significativa para o trabalho de unir conhecimentos e constituir-se, assim, uma alternativa para reduzir a tão fragmentada experiência instituída pelas metodologias de ensinar; metodologias tais consagradas e incorporadas à cultura da escola. Uma cultura que aplica a tecnologia ao ensino, enquanto que as metodologias que a aplicam na aprendizagem precisam ser desvendadas, já que, por serem únicas e específicas, são existentes apenas no interior de práticas pedagógicas que, a meu ver, não serão abarcadas pelos documentos oficiais da escola.
2.5 A inovação pedagógica frente às questões curriculares da escola
Primeiramente, penso ser significativa a lembrança de que o currículo, entre outros conceitos que o abarquem, é a identidade de um sistema escolar. O nascedouro dessa identidade está ancorado em questões variadas de afirmação do poder. Uma escola é reconhecida pelo trabalho que realiza. O desenvolvimento desse trabalho é acrescido de outras práticas existentes no interior de cada sala de aula e, portanto, melhor identificáveis por meio de pesquisas etnográficas e não no que está previsivelmente relatado nos documentos de currículo. Esses documentos determinam o quanto de carga horária os alunos devem ter de cada disciplina; que essas disciplinas
65 sejam variadas e que, por suas denominações, carreguem a conotação de que visam, de acordo com uma formação ampla e modernizada de temas, ao preparo do qual o aluno possa necessitar futuramente. No bojo dessa documentação, já que a escola tem assumido funções antes exercidas pela família, é de interesse comum dos pais que existam, também, normas e regulamentos disciplinadores, excetuando-se, naturalmente, qualquer forma de assédio moral ou de castigo físico.
Prosseguindo, constato que toda escola se esforça na construção de uma autoimagem idealizada. Parece-me, ainda, que necessita possuir um histórico de bons resultados. Na construção desse histórico são disputados, por exemplo, os números de alunos que obtiveram aprovação em concursos para ingresso às Universidades, em