SYMBOLE DU NARCISSISME
6. LA CONCEPTION DUALISTE DE L'AME ET LE CULTE DES JUMEAUX
4.2.1.1 Caracterização da flora dos diferentes amendoais
Os resultados do presente estudo relativamente à flora dos diferentes amendoais analisados apontam para uma fitocenose diversificada, resultante de dinâmicas entre diferentes mosaicos e estruturas que rodeiam as culturas e com a interação do homem com diferentes práticas agrícolas (mobilizações e aplicação de produtos fitossanitários). Torna-se evidente que as práticas usadas no combate das plantas consideradas infestantes levaram a um maior desenvolvimento do extrato herbáceo efémero do que dos estratos arbustivo ou arbóreo, dependendo do facto da estrutura da vegetação ou da cultura vizinha, ser ou não cultivada.
A chave para incrementar a agrobiodiversidade funcional do amendoal reside em identificar o tipo de biodiversidade que é desejável manter e / ou melhorar para prestar serviços do ecossistema e, em seguida, determinar as melhores práticas que irão encorajar os componentes desejados da biodiversidade. Existem muitas práticas e projetos agrícolas que têm o potencial de aumentar a biodiversidade funcional e outros que a afetam negativamente. O objetivo deverá ser o de aplicar as melhores práticas de condução da vegetação, como forma de melhorar ou regenerar o tipo de biodiversidade que possa subsidiar a sustentabilidade do ecossistema agrário, fornecendo serviços do ecossistema como a proteção biológica de conservação contra pragas, a par de outros serviços, como a reciclagem de nutrientes e a conservação de água e solo.
A análise fitoestrutural mostra diferenças na organização da vegetação, em relação com o uso do solo envolvente, tendo esses comportamentos fitoestruturais sido mais complexos do que esperado. O efeito mais notório do uso do solo/paisagem envolvente registou-se não só nos estratos arbustivo e arbóreo, sendo que os estratos herbáceos proporcionaram um resultado interessante no que diz respeito ao comportamento revelado pelas espécies perenes. A presença de terrenos não cultivados adjacentes aos amendoais relacionou-se com uma redução no desenvolvimento destes indivíduos no interior das parcelas, em claro contraste com o das áreas envolventes cultivadas. Esta circunstância foi compensada pela maior importância dos estratos arbustivos e arbóreo. Os resultados sugerem, pois, que a diversificação das áreas envolventes do amendoal proporcionara alterações fitoestruturais nas parcelas, o que teve por consequência influir na diversidade do ecossistema agrário.
A existência de uma diversidade de plantas em floração numa exploração é muito importante, e tem uma relação direta, positiva sobre a fauna auxiliar, entre outras funções, em
particular quando a floração dessas plantas não coincide com a da cultura (Altieri, 2005), neste caso a da amendoeira, situação em que constitui uma fonte de alimento suplementar e/ou alternativa para polinizadores e antagonistas dos inimigos da cultura.
Conhecem-se varias espécies de plantas que desempenham um papel importante no incremento das populações de diferentes auxiliares, contribuindo, assim, para o melhor equilíbrio dos ecossistemas agrários.
Em Portugal é muito escassa a informação disponível sobre flora associada ao amendoal; há vários estudos neste âmbito, mas para outras culturas, como a vinha, o olival e os citrinos (Altieri et al., 2004; Altieri et al., 2005; Franco et al., 2006; Ferreira, 2012; Ferreira et al., 2012; Carlos et al., 2013; Gonzalez et al., 2016; Furtado et al., 2016).
No presente estudo, as famílias mais abundantes, com maior número de indivíduos foram Asteraceae, Fabaceae e Poaceae, que são potencialmente interessantes no incremento dos artrópodes antagonistas dos inimigos do amendoal, tendo como exemplo resultados obtidos com outras culturas. Para além destas, poderão também ser interessantes do ponto de vista referido outras famílias presentes ainda que em menor abundância, como: Apiaceae, Brassicaceae, Caryophylaceae, Polygonaceae e Scrophulariaceae.
Por exemplo, Ferreira (2012) refere as Fabaceae, Brassicaceae e Polygonaceae como sendo importantes para himenópteros, sirfídeos e coccinelídeos. Por outro lado, as Asteraceae são apontadas como interessantes para himenópteros parasitóides, pelo pólen que contêm, mas não pelo néctar, dada a incompatibilidade existente entre a morfologia da armadura bucal destes insetos e a da flor, no que respeita especificamente à localização dos nectários (Nave et al., 2016). Acresce que, segundo Altieri et al. (2004; 2005), na Suíça, campos de beterraba associada com espécies de Asteraceae viram incrementada a atuação de sirfídeos, com consequente redução das populações de afídeos, que foram por eles predadas.
Algumas espécies de Poaceae, família bastante representada no presente estudo, podem ser importantes para os antagonistas dos inimigos das culturas, como por exemplo coleópteros predadores que vivem no solo, por fornecerem habitats que mitigam as temperaturas desfavoráveis que ocorrem durante o inverno. Em Inglaterra, fomentou-se a existência de "bancos de coleópteros", semeando manchas de poáceas no centro de campos de cereais, para criar locais de hibernação para predadores de afídeos dessa cultura. Estes bancos fomentaram o desenvolvimento de populações de Dometrias atricapillus e Tachyporus hypnorum, dois importantes predadores de afídeos dos cereais (Altieri et al., 2004; 2005).
No tocante às Apiaceae, são uma família importante no incremento da proteção biológica de conservação contra pragas por meios de artrópodes, por facultar aos auxiliares envolvidos nesta estratégia de proteção, alimento (na forma de néctar e pólen) e serem hospedeiras de insetos homópteros (afídeos) que lhes facultam meladas. Para além disso podem proporcionar aos referidos auxiliares, abrigo ou refúgio, quando as condições ambientais são desfavoráveis. Estes auxiliares são, em particular, os crisopídeos, coccinelídeos e sirfídeos. Outros insetos, assim como as aranhas, por vezes, usam-nas como local de reprodução ou de dissimulação, para captura de suas presas (Torres et al., 2007; Gonçalves et al., 2011, Nave et al., 2011). Nas espécies de Apiaceae consideradas de interesse referem-se Conopodium majus e Daucus carota, no caso do olival (Gonçalves et al., 2011, Nave et al., 2011) e Torilis arvensis
subesp. purpura, nos citrinos (Franco et al., 2006). Estas espécies de Apiaceae, também foram
identificadas no presente trabalho, mas em menor abundância.
Num estudo, sobre a limitação natural da traça-da-oliveira, Prays oleae (Bernard), (considerada praga-chave do olival), em que se avaliou a flora infestante do olival, com o objetivo de fomentar a atuação do parasitóide Chelonus elaephilus Silvestri e do predador
Chrysoperla carnea (Stephens), identificaram-se como famílias mais representativas:
Asteraceae (com 27 espécies), Fabaceae (com 8 espécies), Brassicaceae e Poaceae (com 7 espécies cada uma), Caryophyllaceae, Geraniaceae e Lamiaceae (com 6 espécies cada uma); por outro lado observou-se o predomínio dos tipos fisiológico: geófitos e hemicriptófitos (Nave et al., 2009). Embora não possamos comparar de uma forma direta, estes dados com os dados obtidos no presente estudo, dado tratar-se de diferentes ecossistemas agrários, regiões e práticas culturais adotadas, pode-se verificar que as famílias mais abundantes coincidem.
Segundo Altieri et al. (2005), uma mistura de plantas das famílias das asteráceas e das apiáceas proporciona pólen e néctar, para os antagonistas dos inimigos das culturas desde que estejam disponíveis no espaço e tempo adequados para os referidos auxiliares
4.2.1.2 Caracterização da flora no amendoal Quinta do Pisco
Como já anteriormente referido, as plantas anuais dominaram no amendoal da Quinta do Pisco. Este resultado poderá ter-se relacionado com o método de proteção contra as infestantes que, no caso, era a mobilização do solo e a aplicação de herbicida na linha.
Por outro lado, os resultados também terão sido condicionados pelas caraterísticas da paisagem envolvente, mais especificamente pelo tipo de uso do solo. No caso da mini-parcela Mp10, a vegetação envolvente (i.e. pomar de macieiras e olival), nas quais as práticas agrícolas
foram as mesmas usadas no amendoal, predominaram plantas herbáceas como Asteraceae, Fabaceae, Poaceae e Scrophulariaceae, e com menor abundância Campanulaceae, Caryophyllaceae, Polygonaceae e Rubiaceae. As três primeiras famílias dominaram em todas as mini-parcelas. As mini-parcelas Mp11 e Mp12, devido à influência da vegetação vizinha, já apresentavam indivíduos do estrato arbóreo (i.e. Quercus rotundifolium, da família das Fagaceae), do estrato arbustivo (i.e. Rubus umbulifera da família das Rosaceae) e plantas perenes (i.e. Cytisus multiflorus da família das Fabaceae). Contudo esta relação não é tão linear, dada à complexidade da estrutura fitoestrutural na cultura e a sua vizinhança, como evidenciado pelo facto de a envolvente de Mp14 ser amendoal e cerejal, e no entanto, apresentar dois exemplares do estrato arbóreo da família das Fagáceas i.e. Quercus rotundifolium. A maior parte dos indivíduos apresentados no presente estudo são espécies identificadas na flora de Portugal (Franco, 1984 a; b; c) e na vegetação natural do Alto Douro Vinhateiro (Ribeiro, 2016), sendo plantas autóctones.
É possível verificar as alterações fito-estruturais que facilitam a resistência, por tanto a adaptação, da vegetação aos fatores ambientais, cuja implicação mais imediata será a de impedir o retorno desta vegetação à situação inicial, prevendo a alteração da mesma, que pode ser explicada por um lado, pelos mecanismos de resistência e resiliência da vegetação e por outro, pela redundância funcional que se verifica entre as comunidades vegetais, entendendo como resistência da vegetação, a resposta que a vegetação tem perante as condições ambientais e as práticas culturais. Esta interação constitui fenómenos fundamentais para compreender a estrutura vegetal dos ecossistemas agrários (Crespi et al., 2003).
4.2.2. Artrópodes
4.2.2.1 Abundância no total da amostra
Das amostras provenientes da amostragem da copa das amendoeiras e do material associado à colheita obtiveram-se 3126 e 1431indivídos, respetivamente. Os mais representativos em ambas amostragens foram: Hemiptera (1104, 559 indivíduos respetivamente), Araneae (376, 309 indivíduos), Coleoptera (258, 227 indivíduos), e Psocoptera (436, 119 indivíduos). Os Hymenoptera e Acari estiveram representados em número significativo apenas na amostragem das árvores, com 83 e 337 indivíduos respetivamente; na amostragem do material associado à colheita, apenas se obtiveram 13 e 18 indivíduos de cada um destes grupos, respetivamente.
Os dados dos dois tipos de amostragem não são obviamente comparáveis quer por se tratar de amostras e datas diferentes quer, sobretudo, por se ter usado um método de amostragem diferente, sendo que no caso do material associado à colheita a perturbação originada justifica a ausência de Dermaptera, Lepidoptera, Neuroptera, Trichoptera e sobretudo parasitóides, que são indivíduos em geral dotados de grande mobilidade.
Araneae, Coleoptera, Diptera, Psocoptera e Hymenoptera também foram as famílias de artrópodes mais abundantes obtidas num estudo efetuado por Pereira (2009) num amendoal de Mogadouro, embora os resultados não possam ser comparados de forma simples com os do presente estudo, não só em virtude de ter sido usada uma técnica de amostragem diferente (no caso a técnica das pancadas) mas também porque os dados estão organizados de forma diferente.
4.2.2.2 Análise comparativa da abundância (N) e riqueza (S), da entomofauna do amendoal, nas diferentes datas de amostragem
a) Análise comparativa da abundância
O número total de indivíduos obtidos, foi maior na data de 20 agosto comparativamente às outras datas de amostragem para os grupos tróficos: fitófagos, predadores, parasitoides, omnívoros, assim como para os grupos taxonómicos: Araneae, Coccinellidae, Chalcidoidea, Cicadellidae e a espécie Monosteira unicostata.
Este resultado concorda, de uma forma geral, com os obtidos num estudo efetuado também em amendoeira, no Nordeste de Portugal, para avaliar a diversidade de artrópodes predadores. O estudo em causa, mostrou que nos dois anos que decorreu, os artrópodes mais abundantes foram Araneae, seguidos Coleoptera (dos quais os obtidos em maior número foram Coccinellidae), Formicidae, Neuroptera, Heteroptera e Dermaptera. O pico de abundância de Araneae, Coccinellidae e Formicidae ocorreu entre meados de agosto e inicio de setembro. Neste estudo também se apresentam dados do Tingidae Monosteira unicostata, cujas populações atingiram os níveis mais elevados em agosto e setembro (Benhadi-Marin et al., 2011). Dados idênticos aos destes autores foram obtidos por Bolu et al. (2008), na Turquia.
Os nossos resultados também não diferem muito dos obtidos num outro estudo, efetuado na cultura da oliveira, no Planalto Mirandês. Neste caso os artrópodes predadores mais abundantes pertenceram à ordem Araneae e às famílias Formicidae e Coccinellidae; a ordem menos representada foi a Neuroptera. Os picos de abundância ocorreram em julho e finais de
agosto para a ordem Araneae, em agosto e meados de setembro, para os Formicidae e Coccinelidae e em início de junho e finais de setembro para os Neuroptera (Santos et al., 2009). Num estudo efetuado num amendoal conduzido em agricultura biológica em Espanha (Cieza e Murcia), os artrópodes fitófagos representaram 90% das capturas efetuadas, os predadores e parasitóides representaram, 4% e 2% respetivamente, e os restantes artrópodes representaram 4% das capturas. Dos fitófagos, os mais representativos foram os ácaros, os hemípteros, os cicadelídeos e os afídeos, por ordem decrescente. Os predadores estiveram representados pelas ordens: Neuroptera, Hemiptera (Anthocoridae e Miridae), Araneae, Phytoseiidae e Coleoptera, enquanto os parasitóides estiveram representados por Hymenoptera, da família dos Chalcidoidea (Marcotegui et al., 2011).
No presente trabalho, o grupo funcional mais representado foi o dos fitófagos (1239 indivíduos), seguido dos detritívoros (553 indivíduos), dos indeterminados (489), dos predadores (453), dos parasitóides (229) e dos omnívoros (156). Nos predadores dominaram as aranhas (376 indivíduos coletados), que são predadores generalistas que podem exercer o papel de antagonistas de pragas da amendoeira. A ordem Coleoptera, esteve representada por 47 indivíduos da família dos Coccinellidae (predadores especializados em uma variedade de presas, designadamente ácaros fitófagos da família Tetranychidae). Os outros grupos amostrados, presentes em menor abundância, incluíram Heteroptera (Anthocoridae e Miridae), Neuroptera e Dermaptera, predadores generalistas podem contribuir para a regulação natural das principais pragas do amendoal. Os parasitóides - importantes antagonistas de inimigos do amendoal - estiveram representados por 193 indivíduos da ordem Hymenoptera.
Os Formicidae, representados por 108 indivíduos, e incluídos no grupo funcional dos omnívoros, podem desempenhar papeis ecológicos importantes como predadores, mutualistas e engenheiros do ecossistema que atuam no ciclo de nutrientes e enriquecimento do solo. Como predadores generalistas, as formigas consomem não só uma ampla variedade de artrópodes, como as meladas excretadas por afídeos, o que poderá ter sido a razão pela qual estavam presentes nas amendoeiras.
Os fitófagos (1239 indivíduos), representam os possíveis inimigos do amendoal. A abundância dos antagonistas observados no presente trabalho também poderá ter-se relacionado existência de secreções de néctar extra-floral, que são comuns em Prunus spp. (i.e. amendoeira, pessegueiro e cerejeira). Estas secreções podem atrair algumas espécies de aranhas, formigas e coccinelídeos, uma vez que podem fornecer alimento suplementar e
aumentar assim, a sobrevivência, fecundidade e longevidade, dos antagonistas em causa (Benhadi-Marin et al., 2011).
b) Análise comparativa da riqueza
Relativamente à riqueza de artrópodes colhidos nas diferentes datas, verificou-se que foi maior em 20 agosto comparativamente às outras datas para os grupos funcionais fitófagos, predadores, parasitóides, omnívoros e para a ordem Araneae e famílias Coccinellidae, Chalcidoidea e Cicadellidae. Para o grupo trófico indeterminado foi maior em 22 julho e para os detritívoros 18 outubro.
Em termos globais, a análise dos resultados obtidos comparativamente aos obtidos nos diferentes estudos mencionados anteriormente, indica que, de uma forma geral, a variação do número de espécies depende do local e das condições edafo-climáticas de cada região onde se encontra a cultura, do tipo de cultura e da especificidade alimentar de cada espécie.
Por exemplo, num estudo realizado em três culturas do noroeste português, a oliveira, o castanheiro e amendoeira, sobre a abundância de espécie de coccinelídeos, os autores verificaram que o amendoal não tinha nenhuma espécie dominante, apresentando uma maior uniformidade de espécies de coccinelídeos, seguida do castanheiro e oliveira A diversidade das comunidades de coccinelídeos foi maior no castanheiro, seguido da oliveira e da amendoeira, o que poderia refletir a diversidade de presas. No amendoal, as espécies das tribos Scymnini,
Coccinellini e Stethorini foram as mais abundantes, o que poderá ter estado relacionado com o
tipo de pragas que atacam esta cultura. Assim, entre outras pragas, o aranhiço-amarelo (T.
urticae), a monosteira (M. unicostata) e os afídeos, como B. amygdalinus e M. persicae Sulzer
são potencialmente as principais presas dos coccinelídeos. Além dos afídeos, a existência de secreções de néctar extra-floral na amendoeira pode constituir outra razão para a presença de espécies como A. bipunctata e C. septempunctata. Os resultados do estudo mostram que diferentes culturas hospedam comunidades de coccinelídeos relativamente diferentes, na sua relação com o tipo de presas presentes na cultura (Santos et al., 2012).
4.2.2.3 Análise comparativa da abundância (N) e riqueza (R), da entomofauna do amendoal nas diferentes parcelas
No conjunto das seis parcelas, o número de artrópodes colhidos apresentou o maior valor de abundância na parcela 4.P e o menor valor na parcela 1.P. Estes resultados estiveram muito provavelmente relacionados com a envolvente das parcelas, considerando que a parcela 4.P tem como vegetação vizinha o pinhal e cerejal, enquanto a parcela 1.P tem solo mobilizado e nu (sem vegetação); assim, a inexistência de vegetação correspondente ao último caso poderá estar associada à menor abundância de artrópodes, pois estes não têm onde se refugiar e obter alimento nos momentos críticos. Vários estudos mostram a importância, na abundância de artrópodes presentes nas culturas, assim como no incremento da sua atuação na limitação natural de pragas, da existência de infraestruturas ecológicas na sua proximidade (Burgio et al., 2006; Ferreira et al., 2012; Franco et al., 2012; Gonçalves et al., 2014;2015; Sousa et al., 2015). De igual modo, o facto de os predadores, designadamente da ordem Araneae e família Coccinellidae, terem sido mais abundantes em 3.P comparativamente a 1.P poderá ter-se devido ao facto de a vegetação vizinha de 3.P ser constituída por uma floresta de eucaliptos e cupressáceas, giestas e estevas, capazes de proporcionarem abrigo, refúgio e alimento para estes artrópodes, enquanto em 1.P, não existiam essas condições, devido à ausência de vegetação.
No que respeita aos parasitóides, designadamente aos Chalcidoidae, a sua maior abundância em 6.P comparativamente às outras parcelas amostradas poderá ter-se devido ao facto da vegetação vizinha desta parcela ser constituída por culturas agrícolas (mancha de olival, macieiras, pessegueiros e cereal), para além de vegetação espontânea, disponibilizando- lhes maior abundância de alimento (e.g. néctar e pólen) e eventualmente hospedeiros.
A maior abundância do grupo dos indeterminados em 5.P, cuja vizinhança era um cerejal, poderá ter-se relacionado com eventuais melhores condições facultadas por esta cultura para o desenvolvimento de populações destes organismos.
b) Análise comparativa da riqueza
O facto de o número de morfotipos de parasitóides ter sido superior em 6.P comparativamente a 2.P poderá ter-se relacionado com a presença, na vizinhança de 6.P, de áreas cultivadas nas quais existia também vegetação espontânea, enquanto na vizinhança de 2.P existia apenas uma pequena mancha de rosmaninho e pontualmente silvas e giestas.
No caso dos predadores, em particular dos Araneae e Coccinellidae, verificou-se que 1.P tinha um menor número de morfotipos do que 3.P, o que poderá ter-se relacionado com o
facto de 1.P ter na vizinhança solo mobilizado/ nu e 3.P ter floresta de eucaliptos e cupressáceas, e flora espontânea.
4.2.2.4. Análise da diversidade da entomofauna do amendoal nas parcelas em estudo, medida pelo índice de Shannon-Wiener
No conjunto, a maior diversidade de artrópodes observada em 5.P comparativamente às outras parcelas, poderá ter-se relacionado com o facto desta parcela ter na sua vizinhança um pomar de cerejeiras e vegetação espontânea.
No caso dos detritívoros e dos predadores a maior diversidade observada na parcela 3.P. terá estado associada com a proximidade da mata de eucaliptos e cupressáceas, assim como de vegetação espontânea (giestas, estevas, madressilvas).
Os parasitóides (e especificamente os Chalcidoidea), assim como os omnívoros e indeterminados, apresentaram maior abundância e diversidade nas parcelas próximas de áreas agricultadas (isto é, olival, pomar de macieiras e cereal, no caso de 6.P) e pomar de cerejas (no caso de 5.P). A parcela 2.P, que tinha na sua proximidade solo mobilizado / nu, apresentou menor abundância e diversidade de parasitóides (especificamente Chalcidoidea) e omnívoros.
Os fitófagos, predadores (especificamente aranhas e coccinelídeos) e detritívoros apresentaram maior abundância e diversidade nas parcelas que tinham na sua vizinhança diversidade de vegetação, isto é 3.P e 4.P, em especial a primeira (floresta de cupressáceas e de eucaliptos, e vegetação autóctone arbustiva baixa: madressilva, giestas e estevas).
Os indeterminados apresentaram maior abundância e diversidade na parcela 5.P comparativamente a outras parcelas, provavelmente em relação com a existência, na sua proximidade, do pomar de cerejeiras e plantas espontâneas.
4.2.2.5 Comparação da composição da entomofauna do amendoal, entre parcelas, pelo método de Morisita-Horn
a) Total dos grupos tróficos
A análise dos resultados relativos ao conjunto dos grupos tróficos evidencia a semelhança entre as parcelas 1.P e 2.P. que foram aquelas onde a abundância e diversidade desses grupos foram menores. A esse facto não terá sido alheio a escassa/nula diversidade de vegetação existente na vizinhança dessas parcelas, isto é solo mobilizado/nu no caso de 1.P e
uma mancha de rosmaninho e alguma presença de giestas e silvas, no caso da parcela 2.P. O inventario florístico realizado nas parcelas em causa mostrou o predomínio de plantas vivazes