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C. Classification hybride

4. Systèmes CBIR à base de grilles

4.3 Conception de plateforme CBIR basée sur Globus

Outra medida importante para a descrição da amostra é a ocorrência e distribuição de enunciados simples (compostos de apenas uma unidade entonacional/informacional) e complexos (compostos de mais de uma unidade entonacional/informacional) e sua relação com a tipologia da interação. As características apresentadas na seção anterior já indicam que os monólogos devem ser compostos por enunciados (e estrofes) mais longos, além de possuírem um maior número de sequências complexas do que os textos dialógicos (conversações e diálogos). O gráfico 5.3. ilustra a proporção de enunciados simples e complexos em cada um desses dois grupos.

Gráfico 5.3 - Proporção de enunciados simples e complexos em textos dialógicos e monológicos

Verifica-se que no grupo dialógico 62% dos enunciados são simples, contra 38% de enunciados simples no monológico. A comparação entre enunciados complexos mostra exatamente o oposto, 38% no dialógico e 62% nos textos monológicos.

enunciados simples enunciados complexos

monólogos % 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 38,0% 62,0% diálogos e conversações % 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 62,0% 38,0%

Além disso, é interessante acrescentar que, nas interações monológicas, é muito comum haver diversos enunciados simples do tipo “hum hum //” (ou equivalentes) por parte do interlocutor, que simplesmente representam um sinal de acompanhamento de quem escuta o texto. Considerando-se somente os enunciados simples preenchidos por “hum hum”, verificamos que esses representam 11% de todos os enunciados simples nos textos monológicos, contra apenas 2% nos dialógicos (diálogos e conversações somados).

Os resultados mostrados até agora mostram que os textos monológicos apresentam uma incidência bem menor de enunciados simples do que os dialógicos. Ao contrário, a porcentagem de enunciados complexos (aqueles que têm outras unidades entonacionais/informacionais além do Comentário) é superior nos monólogos. Uma decorrência dessa característica é que monólogos tem, proporcionalmente, menor número de enunciados do que os dialógicos. Naturalmente, considera-se que os textos de ambas as tipologias têm tamanhos (em número de palavras) comparáveis.

Se considerarmos os valores médios de unidades entonacionais por enunciado agrupando conversações e diálogos em uma única macro-tipologia dialógica (valores isolados já apresentados na Tabela 5.1), observa-se que cada enunciado do tipo dialógico possui uma média de 1,62 unidades entonacionais, enquanto nos monológicos a média é de 2,94 unidades entonacionais por enunciado (estão sendo consideradas apenas as unidades concluídas). Se verificarmos a média de unidades entonacionais considerando apenas o universo dos enunciados complexos, a diferença aumenta: enunciados complexos de textos dialógicos tem, em média, 2,49 unidades entonacionais, enquanto os enunciados complexos dos textos monológicos tem uma média de 3,9 unidades entonacionais.

Proporcionalmente, a média de unidades entonacionais por enunciado em textos dialógicos equivalente a 56% da média dos monológicos, ou seja, a tipologia monológica tem pouco mais que o dobro de unidades entonacionais por enunciado que a dialógica (em média). Se apenas os enunciados complexos de cada tipologia forem considerados, vê-se que a média de unidades entonacionais por enunciado complexo nas tipologias dialógicas é 64% da média dos textos monológicos. Mesmo considerando apenas enunciados com mais de uma unidade entonacional, a média dos monológicos ainda supera a dos dialógicos. Além disso, a diminuição da diferença entre as tipologias explica-se devido à diferença quantitativa de enunciados simples que existe entre elas.

A diferença entre enunciados simples e complexos não é a única medida importante para diferenciar a complexidade informacional dos enunciados. É possível fazer uma diferenciação em pelo menos três categorias:

1) Enunciados complexos formados unicamente por uma unidade de Comentário (ou duas ou mais unidades de Comentários Múltiplos) e uma ou mais unidades dialógicas: COM / CMM + ALL / CNT / DCT / EXP / INP / PHA.

2) Enunciados complexos que contém, além do Comentário, pelo menos uma unidade informacional textual (podendo ou não apresentar também unidades dialógicas): COM / CMM + TOP (APT) / APC / PAR / INT (+) (ALL / CNT / DCT / EXP / INP / PHA).

3) Estrofes, ou seja, enunciados complexos que contém dois ou mais comentários ligados (podendo ou não apresentar outras unidades textuais e/ou dialógicas): COB-COM (+) (TOP (APT) / APC / PAR / INT / ALL / CNT / DCT / EXP / INP / PHA).

Se estamos tratando de complexidade textual, o primeiro tipo de enunciado complexo apresentado deve ser considerado o mais parecido com os enunciados simples. Isso porque as unidades de auxílio dialógico (como os fáticos, conativos, alocutivos e expressivos), são unidades de regulação da interação dirigidas ao interlocutor, as quais não contribuem para a composição do texto propriamente dito. Consequentemente, essas unidades não tornam a estruturação textual do enunciado mais complexa (não originam fenômenos de subordinação ou encaixamento, por exemplo).

Uma forma de aferir isso é comparar a ocorrência desse tipo de enunciado complexo (descrito em 1) em situações monológicas (que costumam ter enunciados textualmente mais complexos) e dialógicas (diálogos e conversações), conforme mostrado na Tabela 5.2. Vemos que os enunciados que contém, além do Comentário (COM ou CMM), apenas unidades dialógicas representam 24% do total dos enunciados complexos da amostra. Pode-se notar ainda que não há uma diferença real entre diálogos e conversações quando se trata da distribuição desses enunciados (47% e 40%, respectivamente). Por outro lado, a proporção de tais enunciados é muito maior nas duas tipologias dialógicas (87%) do que na tipologia monológica (13%).

Tabela 5.2 - Distribuição de enunciados e padrões ilocucionários complexos com apenas unidades dialógicas, proporções em relação à frequência absoluta e ao total de enunciados complexos

Tipologia

Complexos com somente unidades dialógicas %

Complexos totais

Complexos c/ somente unid. dialógicas em relação a todos os complexos

Total 552 100% 2334 24%

Dialógicos 481 87% 1717 28%

Conversações 219 40% 821 27%

Diálogos 262 47% 896 29%

Monológicos 71 13% 617 12%

A distribuição dos enunciados complexos como definidos em 1 (COM/CMM + auxílios dialógicos), em termos de proporção relativa nas tipologias dialógicas e monológica é mais semelhante à distribuição observada para os enunciados simples do que para os complexos (Gráfico 5.3). Se observamos a incidência desse tipo de enunciado complexo sobre o total de enunciados complexos, observamos que, nas tipologias dialógicas, ela é mais que o dobro (28%) do que na monológica (12%).

Fica evidente que uma das características das interações dialógicas é ter uma alta porcentagem de unidades dialógicas, que cumprem uma função pouco significativa quando há pouca interação entre os interlocutores, como ocorre nos monólogos. Essa questão será aprofundada mais tarde, mas, por enquanto, é importante afirmar que um enunciado complexo que, além da unidade de Comentário (unidade ilocucionária), contém apenas unidades de auxílios dialógicos não pode ser considerado um enunciado de estrutura informacional complexa.

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