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Concept de l’atelier musical en pédopsychiatrie

2. CADRE DE REFERENCE

2.3. C ONTEXTE DU C ENTRE V ALAISAN DE P SYCHIATRIE DE L ’E NFANT ET DE

2.3.1. Concept de l’atelier musical en pédopsychiatrie

Chegou o momento de reencontrar a minha escola, a minha antiga escola, de há 10 anos atrás. Aqui passei bons momentos e muitas experiências como aluno. Ainda mantenho contacto com muitos dos meus colegas de turma desses anos e, tal como eu, eles também ficaram radiantes, ao saber que eu ia voltar como professor.

Em 2009, terminei o meu 9ºano na escola, mas a minha ligação com a mesma não terminou ali, pois, anos mais tarde, quando frequentava o secundário, voltei à escola juntamente com mais dois colegas para visitar alguns professores. E aqui, sim, tinha sido a última vez que tinha entrado na escola, até então.

Após ter estado na escola como aluno e visitante, no dia 5 de setembro, entrava como professor, um papel totalmente diferente. Penso que nunca irei esquecer este primeiro dia pelas fortes emoções, descritas nas expectativas iniciais.

Quando soube que tinha sido colocado na Pêro, fiquei muito feliz, não só pela localização, ou por ter sido lá aluno, mas principalmente por me ser familiar. Tudo era me familiar, a escola, o tipo de alunos, os professores, a comunidade. No fundo, sentia-me literalmente em casa. E, ao longo do ano, esse sentimento foi aumentando. Houve semanas em que passei mais tempo na escola do que em casa.

Foi realmente especial conhecer a escola de outra forma, vendo outra realidade, visto que só a conhecia como aluno. Por estar numa escola que já conhecia, não me fez sentir mais confortável. Até pelo contrário, pelo facto de saber que ia encontrar ex-professores, sentia-me ansioso. Foi muito estranho partilhar os mesmos espaços com professores que tinham sido meus e que agora me chamavam de colega. Igualmente com funcionários que me conheciam desde pequeno e que agora me tratavam por professor. Fui-me habituando a isto, com o tempo. Mas, mesmo no final do ano, continuava a tratar os professores e funcionários como se fosse o Rúben de há 10 anos atrás.

Telheira (uma das travessias da rua do Amial), freguesia de Paranhos, concelho e distrito do Porto, numa zona de implantação de vários bairros sociais, habitada em grande parte por uma população com carência a nível económico, social e cultural. A escola foi fundada em 1970 e, nessa altura, era a única escola preparatória do Porto sem instalações próprias. Em 1987, a escola mudou para as instalações onde se encontra nos dias de hoje. A escola é constituída por quatro blocos, um campo de jogos, recreio, áreas jardinadas e um pavilhão gimnodesportivo (composto por um ginásio e um polivalente) construído em 2002. A escola é sede do agrupamento, que inclui mais três escolas, a EB1/JI São Tomé, a EB1/JI Agra, e a EB1/JI Miosótis, totalizando 936 alunos neste presente ano.

A escola é gerida pelo Diretor, Conselho Geral, Conselho Administrativo e Conselho Pedagógico, sendo o Conselho Geral o órgão com maior poder. Além dos órgãos de gestão, existem os vários departamentos curriculares, pertencendo a Educação Física ao de Expressões, juntamente com as áreas de Educação Visual, Educação Tecnológica, Educação Musical e Educação Especial.

Esta instituição conta com alguns recursos e estratégias de apoio educativo, como o serviço de psicologia, educação especial, apoio a diferentes disciplinas, projeto fénix (ninho), apoios na preparação dos exames nacionais, plano de atividades de recuperação/integração (ARI), projeto Fundação Benfica, aulas de natação na FADEUP, desporto escolar (Basquetebol, Dança e Andebol) e atividades do plano de melhoria TEIP, tendo em conta os seguintes 3 eixos de intervenção: Gestão curricular numa lógica de Autonomia e Flexibilidade; Cultura de Escola e Lideranças pedagógicas; Parcerias e Comunidade.

As dificuldades económicas, a taxa de desemprego ou trabalho precário registadas nos agregados familiares dos alunos que frequentam a escola, fazem com muitos dos alunos beneficiem da ASE, Ação Social Escolar. O contexto social baixo/médio faz com que muitos alunos vivam em dificuldade, no seio de famílias carenciadas e desestruturadas. Este facto, de os alunos não possuírem uma família estruturada, faz com que alguns deles sejam indisciplinados e revoltados. Condicionada por este envolvimento social desfavorável, a realidade

escolar é problemática, o insucesso escolar é elevado, existindo várias faltas disciplinares e suspensões durante o ano letivo. Tendo em conta estas razões a escola está inserida no projeto TEIP (Território Escolar de Intervenção Prioritária), que visa combater o abandono escolar e os problemas sociais, através da transmissão de valores. Ainda neste tema, o PEE (Projeto Educativo de Escola), debruça-se sobre a consciencialização do aluno sobre a importância dos estudos.

Com esta reunião, pude verificar que a turma é composta por alunos com bastantes dificuldades de aprendizagem, aliada a alguma falta de acompanhamento familiar, o que me sensibilizou bastante. (Diário de bordo, 12 de setembro de 2018).

No que concerne à EF, esta tem o seu próprio regulamento, que refere as normas da aula e dos espaços desportivos. No que diz respeito às condições para as aulas, a escola oferece grande variedade de materiais e em bom estado. Outro ponto positivo é que, no máximo, só decorrem duas aulas ao mesmo tempo, e a escola dispõe de 3 espaços de aula, um campo polivalente, um ginásio e ainda um campo exterior. Ou seja, cada turma tem sempre pelo menos um espaço livre só para si.

Em suma, tendo em conta a minha experiência nesta escola, posso dizer que esta reúne todas as condições para um ensino de qualidade, ao nível de todas as disciplinas.

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