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Concepciones globales entorno la 2*. lev

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CONCEPCIONES DE LOS ESTUDIANTES

6.2. Concepciones globales entorno la 2*. lev

Depois de analisar os desvios linguístico-textuais dos pré-testes e as reincidências no texto da reescrita, essa seção analisa novamente as categorias propostas por Cagliari (1989) envolvendo suas dificuldades durante a produção de textos escritos para, então, fazer a comparação e constatar se houve ou não progresso. Nos dois primeiros textos foi possível verificar que os alunos tinham diversas dificuldades, sendo a pontuação, a acentuação e os problemas sintáticos as mais recorrentes. Com a reescrita, essas dificuldades foram reduzidas, porém, as indicações de que havia problemas em trechos na reescrita contribuíram para melhora do quadro dos desvios. O último texto mostra o desempenho final dos alunos e a expectativa de melhora com a aplicação da unidade didática.

Do mesmo modo, primeiro traz-se o quadro com o registro da quantidade de ocorrências e em seguida discorre sobre os desvios linguístico-textuais que os alunos tiveram. Segue o quadro:

Quadro 7 – Desvios linguístico-textuais do pós-teste, separados pelas categorias de Cagliari

(1989) Categoria a lu n o 0 1 a lu n o 0 2 a lu n o 0 3 a lu n o 0 4 a lu n o 0 5 a lu n o 0 6 a lu n o 0 7 a lu n o 0 8 a lu n o 0 9 a lu n o 1 0 a lu n o 1 1 a lu n o 1 2 a lu n o 1 3 to ta l Transcrição fonética 2 0 1 2 1 0 0 0 0 0 0 1 0 7

Uso indevido de letras 2 0 4 1 2 2 2 1 1 0 1 2 0 18

Hipercorreção 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Modificação da estrutura

segmental das palavras 2 0 6 1 1 0 0 0 0 1 0 8 1 20

Juntura intervocabular e

segmentação 0 0 1 0 0 1 2 0 1 1 0 1 0 7

Forma morfológica diferente 0 0 0 0 0 0 1 1 0 1 0 0 2 5

Forma estranha ao traçar letras 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 Uso indevido de letras

maiúsculas e minúsculas 0 0 1 3 0 5 0 0 0 0 0 3 0 12

Acentos gráficos 1 0 5 1 1 2 1 0 0 2 2 4 0 19

Sinais de pontuação 10 4 9 7 3 12 3 3 9 7 9 14 7 97

Como é possível verificar, houve melhoras significativas no número total de ocorrências em várias categorias, essas, serão discutidas individualmente na sequência.

4.3.2.1 Sinais de pontuação

De início, já é possível perceber que pela terceira vez seguida, a categoria que mais apresentou dificuldades por parte dos alunos foi a de sinais de pontuação. No primeiro texto, houve um total de 170 registros, seguido de 139 na reescrita, e, no pós- teste, houve 97 registros encontrados. Isso demonstra uma redução bem positiva, pois o número quase caiu pela metade, porém, a quantidade de ocorrências ao se comparar com outras categorias ainda é bem alta.

Assim como aconteceu nos textos anteriores, essas dificuldades deram-se de 3 maneiras, ausência de pontuação, pontuação incorreta (troca) e pontuação em trechos onde não deveria existir. Seguem trechos que respectivamente retratam os desvios nessa categoria: “Com o aumento da tecnologia(sic) o planeta ficou mais limpo” (aluno 05, pós-teste), “você irá ter um porco de estimação,(sic) estou trabalhando de medicina(sic) e adoro meu trabalho” (aluno 02, pós-teste) e “ganho mais ou nenas(sic) 2.999 reais por,(sic) semana” (aluno 03, pós-teste). No primeiro exemplo, o aluno 05 não utilizou a vírgula para separar o adjunto deslocado de sua posição padrão, no segundo exemplo, o aluno 02 utilizou uma vírgula para separar duas frases sem relação, ao invés do acento gráfico do ponto final, e, no último trecho, o aluno 02 efetuou a pontuação para separar “por” e “semana”, locução adjetiva já gramaticalizada.

Assim como ocorreu no pré-teste e também na reescrita, a predominância dos desvios de pontuação ocorre devido a sua ausência, seguido das trocas, geralmente de pontos por vírgulas e vice-versa e, no caso mais raro de todos, pontuação onde não há necessidade. Esse comportamento leva a crer que os alunos compreendem que há pontuação nos textos, porém, não dominam o momento para aplicar essa pontuação, principalmente em orações coordenadas assindéticas, mas isso também ocorre em orações coordenadas sindéticas. A troca de pontos por vírgulas mostra que os alunos ainda não possuem uma noção ampla de coesão e de coerência de seus textos e muitas vezes acabam por simplesmente fazer uma sequência de orações uma após a outra, pontuando majoritariamente com vírgulas para separá-las, mesmo tratando de ideias ou assuntos distintos. Alguns alunos, quando o assunto muda de

forma bem nítida, costumam fazer novos parágrafos, utilizando o ponto no final do parágrafo anterior corretamente para então iniciar um novo. Segue o exemplo transcrito na íntegra:

[...] sala de jantar, um espaço para animais, a casa do meu sonho, e minha melhor amiga sendo minha vizinha.

O planeta está maravilhoso, menos poluído por conta da evolucão. Resumindo, o planeta mudou muito. Te mandei essa carta para contar como está sendo aqui em 2050.

Um beijo

Erika Sandrim (aluno 08, pós-teste)

O aluno 08 demonstrou bem o uso de pontuação, principalmente o da vírgula. Os pontos finais de cada parágrafo foram todos empregados corretamente em seu texto, sendo esse caso bastante comum na maioria das produções dos 13 alunos, mostrando que eles conhecem alguns dos empregos do sinal gráfico do ponto e os executam corretamente. Apesar disso, os desvios de pontuação ocorrem e eles dão- se majoritariamente na hora de separar as orações, quase sempre por troca de pontos por vírgulas.

4.3.2.2 Uso indevido de letras

Outra categoria que teve bastante ocorrências foi a do uso indevido de letras. Surpreendentemente essa categoria não havia sido uma das que os alunos tiveram maiores dificuldades nos pré-testes e nem na reescrita, mas ao comparar o pós-teste com o pré-teste, o número de ocorrências aumentou ao invés de diminuir, respectivamente de 12 para 18. Durante a reescrita, houve apenas 4 registros, mostrando que as indicações dos problemas no meio das palavras fizeram os alunos refletirem e sanar grande parte dos desvios, porém, para o pós-teste, houve mais ocorrências.

Essa categoria, segundo Cagliari (1989), trata das trocas de letras consoantes, sendo essas trocas ocorrendo quando um aluno escolhe uma letra que representa o som, mas graficamente a representação é com outra letra. Essas trocas podem ser conferidas nos seguintes trechos: “Está puchado(sic) cuidar de animal?” (aluno 07, pós-teste), “o planeta ficou mais limpo e organisado(sic)” (aluno 05, pós-teste) e “nós comemos lagostas, suchi(sic), salmão, polvo e crocta” (aluno 04, pós-teste). Em todos os exemplos, as letras trocadas remetem diretamente ao mesmo som que as letras

realizam na fala, sendo que no primeiro exemplo há a troca do “x” pelo “ch”, no segundo “z” pelo “s” e, no último, “s” por “c”.

Apesar de vários casos com trocas que não alterarem o som das palavras, há também casos de troca que o som é alterado, como podem ser vistos nesses exemplos: “moro com meu filho e espoça(sic)”(aluno 06, pós-teste) e “mão(sic) posso esqueser”( aluno 12, pós-teste). No primeiro exemplo o aluno 06 troca a letra “s” pelo “ç”, sendo que há uma regra que auxilia o aluno, pelo menos na questão sonora, que a letra “s” entre vogais tem o som de “z”, mas nada além disso. No segundo exemplo ocorrem dois casos de trocas, o primeiro deles na palavra “mão”, uma troca das letras “n” por “m”, porém essa troca se encaixa em outra categoria, a de modificação da estrutura segmental das palavras devido a um problema no estilo caligráfico, pois a troca não tem suporte no som. A palavra pertinente do segundo exemplo é “esqueser”, essa sim, sendo um uso indevido de letras, pois há uma troca da letra “c” pela letra “s”. Essa troca também não é tão incomum por parte dos alunos, porém, existe na norma padrão da língua portuguesa uma regra que pode auxiliar os alunos nessa situação de modo que evitem o erro, a regra de que a letra “s” situada entre duas vogais passa a tornar o mesmo som da letra “z”.

4.3.2.3 Modificação da estrutura segmental das palavras

Como mencionado acima, no mesmo trecho que exemplificava o uso indevido de letras do aluno 12, havia um outro desvio linguístico-textual encontrado, o desvio que abrange a terceira categoria com mais registros de ocorrências no pós-teste, trata- se da modificação da estrutura segmental das palavras. Para essa categoria houve melhora em relação ao pré-teste, o qual teve 29 ocorrências, 09 para a reescrita, e, para o pós-teste, os alunos apresentaram ao todo 20 casos registrados. Dois alunos tiveram vários desvios, sendo eles o aluno 03 com seis registros e o aluno 12, com oito. Somente esses dois alunos representaram mais da metade dos desvios totalizando 14 casos, sendo os outros seis registros divididos entre outros cinco alunos com um desvio cada, exceto o aluno 01, com duas ocorrências, mostrando que o número de desvios por alunos é baixíssimo.

Cagliari (1989) comenta que para esta categoria de modificação da estrutura segmental das palavras, por vezes, os alunos não dominam o uso de certas letras na escrita ou também fazem uma grande aproximação da letra ouvida para a letra escrita. O aluno 03 parece se encaixar nessa descrição, pois faz trocas de letras “m” por “n”

como pode ser visto no seguinte exemplo: “ganho mais ou nenas(sic) 2.999”. Além disso, o aluno 03 registra um caso de supressão na palavra “automaticamente”, sendo que ele escreveu “automatcamente”. Neste último exemplo, o aluno suprime a letra “i” após a letra “t”, porém, ao realizar a leitura da palavra escrita pelo aluno, sua pronúncia não é alterada drasticamente.

Um caso curioso que deve ser comentado é o que ocorre com o aluno 01. Durante o cabeçalho e também no corpo de sua carta, o aluno 01 escreveu que em 2050 estaria morando fora do Brasil, mais precisamente em Hollywood. Por se tratar de uma palavra estrangeira, sua fonética e escrita são bem distintas da língua portuguesa e, devido a isso, o aluno 01 escreveu “Hiolliudy” no cabeçalho e “Holiudy” no corpo de sua carta, claramente fazendo modificação da estrutura segmental das palavras. Esse desvio também pode ser considerado transcrição fonética, pois o aluno 01 aproxima a pronúncia de “Hollywood” para a escrita com os fonemas da língua portuguesa. Outro caso curioso é com o aluno 04 no uso na palavra “tecnologia”. O aluno 04 escreveu “tecnotogia”, porém, esse desvio de modificação estrutural da palavra pode ter acontecido por uma desatenção ao traçar a letra “l” tornando-a um “t”, ocasionando o desvio na estrutura da palavra.

Em relação ao aluno 12, os desvios de modificação da estrutura segmental das palavras ocorreram majoritariamente pelas trocas das letras “m” e “n”. Analisando todos os textos desse aluno, os desvios apresentados por ele podem não ser resultado de um problema de distinção do som que faz cada letra, muito menos da modificação da estrutura das palavras, mas sim da sua própria caligrafia, pois novamente o aluno 12 teve casos de trocas entre as letras “a” e “o”. Assim como na reescrita, essa troca, apesar de tratar-se de vogais, não ocorre pelo som, pois essas letras produzem sons muito diferentes em conjunto com consoantes. Esse problema de estilo caligráfico parece também estar associados às trocas das letras “m” por “n” de alguma forma. Apesar disso, o estilo caligráfico do aluno não é de difícil compreensão. Segue uma imagem da caligrafia do aluno 12:

Como pode ser conferido, a caligrafia do aluno 12 não é de difícil compreensão, porém, o aluno faz trocas entre as letras “m” e “n” e também entre as letras “o” e “a”. Essas trocas podem ocorrer devido à pressa de escrever ou simplesmente por costume de seu movimento motor. Uma possível explicação para que as trocas permaneçam é que o aluno parece não fazer uma releitura do seu texto antes de entregá-lo, pois, como mencionado acima, não demonstra ter dificuldades na compreensão do som e sim na hora de registrar as letras com sua caligrafia.

4.3.2.4 Forma estranha ao traçar letras

Ao ser abordada a questão das letras e da caligrafia, parte-se de imediato então para a categoria seguinte, a de forma estranha ao traçar letras. Nessa categoria não houve muitos registros novamente, apenas dois casos e curiosamente referentes à mesma palavra por parte do aluno 03, o mesmo que apresentou o único problema desta mesma categoria no pré-teste. Seguem duas imagens que demonstram os dois problemas no pós-teste:

Figura 6 – Forma estranha ao traçar letras do aluno 12

Figura 7 – Forma estranha ao traçar letras do aluno 12

Nessas duas imagens, o aluno 12 refere-se à mesma palavra, porém, devido ao seu estilo caligráfico, fica incompreendida qual é exatamente a palavra que ele está utilizando. Olhando profundamente, a primeira letra aproxima-se de um “c” e as duas últimas, ao comparar com outras palavras do seu texto sugerem ser as letras “a” e “s”, porém, as três letras do meio da palavra não são possíveis de serem identificadas, deste modo, não é possível formar exatamente a palavra pretendida pelo aluno.

Fazendo um adendo sobre a questão da caligrafia, ela é, geralmente, bastante cobrada no Ensino Fundamental, pois durante o processo de alfabetização e

letramento a prática da caligrafia exercita a prática da escrita de textos e isso permite com que o aluno associe os fonemas das palavras com os grafemas respectivos. Outro ponto a ser mencionado sobre a caligrafia é que os estilos caligráficos dos alunos variam muito. A grafologia, ciência que estuda os sistemas da escrita manuscrita, registra diversos padrões e formas das letras, porém, não há muitas pesquisas científicas na área sobre os estilos caligráficos dos alunos.

Vidal (1998) discorre sobre a caligrafia a partir registros de Marques (1936) realizados nos anos 30. A autora constata que a boa escrita caracteriza-se como a escrita clara, legível, rápida, elegante e com certa liberdade de sua execução. Ela só poderia ser realizada através da técnica da caligrafia muscular, baseada em movimentos ritmados do antebraço. Deste modo, a clareza em conjunto com legibilidade são os itens essenciais para os alunos terem uma boa caligrafia, porém, é preciso entender que cada professor tem sua própria tolerância do que considera legível ou claro, atuando com mais ênfase ou sendo mais clemente no que diz respeito a caligrafia de seus alunos.

4.3.2.5 Hipercorreção e Forma morfológica diferente

Retornando às categorias de análise, não houve novamente casos de hipercorreção por parte dos alunos, sendo o único caso registrado nas três produções apenas o do aluno 06 no seu pré-teste quando o aluno, apoiado pelo som da palavra, escreveu “gostão” ao invés de “gostam”. Outra categoria que teve poucos registros foi a de forma morfológica diferente, com o total de 5, repetindo o mesmo número da reescrita e sendo levemente menor do que no pré-teste, com o total de 7. O aluno 13 fez duas ocorrências em seu pós-teste, as quais podem ser conferidas nos seguintes trechos: “é como se tivesse(sic) na lua.” E “Agora eu estou num(sic) acampamento” (aluno 12, pós-teste). Nos dois casos, o aluno escreve abreviando palavras, sendo elas “estivesse” no primeiro exemplo, por estar se referindo justamente ao verbo “estar” e não “ter”, e “em um” no segundo exemplo, porém, neste último, a expressão correta deveria ser “a um”. Essas abreviações podem ocorrer devido à forma dialetal que a região onde o aluno situa-se possui.

O interessante sobre esses dois casos, bem como os casos anteriores, é que há sempre supressão de letras, em especial a letra “e”, quase sempre ligada à letra “s” ou “m”. Esse encontro entre as letras aparenta ser difícil para falantes, sendo realizada a sua supressão. No caso do aluno 10, no trecho “comprar uma piscina de

chão para ponhar(sic) na casa”(aluno 10, pós-teste), claramente trata-se da categoria de forma morfológica diferente, pois a palavra em questão substitui, não uma letra, mas a palavra inteira “colocar”, sendo pouco utilizada no sul do Brasil, onde os falante preferem justamente a palavra “ponhar”. Analisando todas as palavras que ocorreram nessa categoria, fica evidente que ela traz da fala, por meio de um dialeto regional, palavras reduzidas em comparação com as palavras originais.

4.3.2.6 Transcrição fonética

No que remete à transcrição fonética, houve apenas 7 registros nos textos finais dos alunos. Se comparado com o pré-teste, com 12, houve melhora de cerca de 40%, porém, houve mais casos do que na reescrita, a qual apresentou apenas 4. Segundo Cagliari (1989), a transcrição fonética ocorre pela transferência da língua falada para a escrita, sendo, segundo o ator, algo bastante comum. Apesar do que diz Cagliari (1989), as ocorrências por parte dos alunos do 5º ano demonstram que são poucos casos que eles realmente fazem essa transferência, sendo que os desvios mais numerosos se enquadram em outras categorias, apesar de que algumas delas também terem relação com a questão dos sons da língua falada.

Como já foi comentado acima, o aluno 01 realizou duas transferências fonéticas devido ao fato de utilizar uma palavra estrangeira (Hollywood) e escrever conforme os grafemas equivalentes aos fonemas da língua portuguesa. Além disso, houve outros casos, por exemplo, do aluno 03 que escreveu “Minha vida de juíza é boua(sic)” (aluno 03, pós-teste), sendo que a palavra “boua” possui um acréscimo da vogal “u” devido à transferência da fala. Ocorreu o mesmo com o aluno 04, sendo duas ocorrências em um único trecho: “A tecnotogia(sic) aumento(sic) muito maís(sic), para o bem”(aluno 04, pós-teste). O primeiro desvio de transcrição fonética ocorre com a palavra “aumento”, sendo uma supressão da vogal “u” no final do verbo, vindo diretamente da fala, o que não é incomum ouvir as pessoas fazendo essa supressão para palavras no pretérito perfeito terminadas com essa letra. O segundo desvio ocorreu com a palavra “maís”, sendo que o aluno 04 reforçou o som com um sinal de acentuação indevido. Pelo contexto, o aluno pretendia claramente usar a palavra “mas”, porém, adicionou a vogal “i” novamente de forma transcrita da fala. Essas transcrições da fala para a escrita mostram que os alunos sabem do que estão falando, porém, na hora de utilizar o código escrito da língua portuguesa associam sons que já estão com variações na língua falada e o carregam para a escrita.

4.3.2.7 Juntura intervocabular e segmentação

Sobre a juntura intervocabular e segmentação, uma quantidade similar de desvios em relação ao pré-teste foi registrada. No primeiro texto, 8 casos foram encontrados, reduzindo para apenas 1 no texto da reescrita e, para o pós-teste, 7 ocorrências foram registradas. Algumas destas ocorrências podem ser conferidas nos seguintes exemplos: “até de mais”(aluno 03, pós-teste), “porisso(sic) e(sic) chamado lelé” (aluno 06, pós-teste) e “Como você está após tantos anos que agente(sic) não se vê?” (aluno 07, pós-teste). No primeiro caso, a palavra “demais” foi separada em duas devido às suas sílabas. O aluno pode ter pensado que por existirem as palavras “de” e “mais” a expressão “demais” deveria ser escrita separada. Nos outros dois casos houve juntura, sendo “porisso” uma das expressões escritas de modo incorreto mais difundidas em redes sociais ou até mesmo avisos em estabelecimentos. Essa juntura tem bastante chances de ser realizada na escrita devido também à fala, uma vez que a palavra “por” possui a letra “r” na coda da sílaba, sendo a palavra seguinte, “isso”, iniciada por uma vogal (“i”), deste modo, na língua falada, a junção dessas duas palavras produz um fonema bastante oportuno ao combinar as letras “r” com “i”. Assim, não é tão incomum uma juntura na escrita também por parte dos alunos.

4.3.2.8 Uso indevido de letras maiúsculas e minúsculas

A categoria de uso indevido de letras maiúsculas e minúsculas também traz bons resultados. De 49 registros no pré-teste, 13 na reescrita, apenas 12 foram encontrados no pós-teste. O aluno 06 teve um total de 5 ocorrências, sendo que 3 casos foram por letras minúsculas ao invés de maiúsculas e 2 por maiúsculas sem a necessidade. Seguem os trechos: “eu(sic) estou lindo igual nunca”, “O planeta ficou muito limpo aqui em paris(sic)” e “A tecnologia almentou(sic) Muito(sic)” (aluno 06, pós-teste). No primeiro exemplo, o aluno inicia o corpo de sua carta com a primeira palavra com letra minúscula, no segundo, o aluno escreve um substantivo próprio em minúsculo e, no terceiro, o aluno escreve o advérbio de intensidade em maiúsculo sem motivo algum. Nesse último exemplo específico, parece que o aluno tem a tendência de escrever a letra “m” em maiúsculo sem razão aparente, pois em outro trecho (“e Muito(sic) gostosa)”, ele volta a cometer o mesmo desvio. Ao retornar ao pré-teste, o aluno 06 teve 15 desvios com essa categoria e muitas das palavras que o aluno escreveu indevidamente em maiúsculas iniciavam com a letra “m”, sendo outro

sinal que o aluno, de algum modo, escreve com comportamento peculiar, sendo especulado um problema motor que o aluno talvez possuía no seu estilo caligráfico. Para ficar claro, problemas motores na escrita ocorrem quando o aluno precisa afinar sua capacidade escrita e não consegue. Silva e Beltrame (2011) comentam que o desenvolvimento da motricidade fina possui relação forte com a boa aquisição da escrita, ou seja, alunos que tem dificuldades na escrita possuem grandes chances de não terem sua motricidade fina desenvolvida.

O aluno 04 foi outro dos alunos que demonstrou escrever algumas palavras também com as iniciais em letras maiúsculas, todas no mesmo trecho, segue: “Beijos Amiga(sic), eu Te(sic) Amo(sic)” (aluno 04, pós-teste). Diferente do aluno 06, o qual não apresenta motivo para tal comportamento, o aluno 04 parece ter feito propositalmente esse uso indevido de letras maiúsculas e minúsculas para dar destaque na sua frase. Isso se intensifica por uma razão com, aparentemente, duas justificativas. A primeira delas ocorre devido o Aluno 04 utilizar, após a construção de sua frase, um símbolo de coração, isso mostra que o aluno 04 realmente quis destacar esse trecho de sua carta. A segunda é que esse destaque é reforçado com o fato dele ter usado o símbolo do coração não ser incomum, uma vez que na era digital, os aplicativos tanto de e-mail quanto de interação em mídias sociais possuem recursos