2.Dosage des polyphénols totau
3. Teneurs plasmatique en lipides
6.1. Concentrations de malondialdéhyde (MDA) tissulaires
Onde existe autoritarismo, o artista é sufocado. O autoritarismo gera o obscurantismo que favorece o copiador, o bobo da corte e os senhores da estética decorativa.
Plínio Marcos
Em menos de um ano ― de dezembro de 1966 a outubro de 1967―, Plínio Marcos escreve ou finaliza ― e são montadas―, quatro de suas mais significativas obras. Escreve, em 1966, Dois perdidos numa noite suja, cuja estreia paulista se dá no mesmo ano e a carioca em 1967. Em 1967, escreve
Navalha na carne, montada em São Paulo em setembro e no Rio de Janeiro
em outubro desse ano. Finaliza também, ainda nesse ano de 1967, o texto de
Quando as máquinas param, em sua versão definitiva e cuja estreia de dá em
São Paulo em outubro de 1967. E ainda no ano de 1967 escreve e é montado em São Paulo o texto de Homens de papel14.
Dois perdidos estreou em 16 de dezembro de 1966, no Ponto de
Encontro da Galeria Metrópole, na Avenida São Luís, centro de São Paulo. A Galeria Metrópole, seu entorno e ruas adjacentes, era, nessa época, uma referência na cidade, em termos de lazer e cultura. O Ponto de Encontro era uma mistura de livraria, loja de discos, galeria de arte, bar, além de possuir um pequeno teatro de bolso onde eram apresentados textos e montagens fora do grande circuito cultural, textos da envergadura de Zoo Story, de Edward Albee, em cartaz na época da estreia de Dois Perdidos.
14 Há divergência na datação desse texto. O sítio oficial do autor indica o ano de 1968 como o da finalização do texto,
porém, no mesmo sítio a reprodução do cartaz da montagem traz, manuscrita da data de 10/10/67, e o biógrafo Oswaldo Mendes também informa ser 1967 o ano de elaboração desse texto e sua estreia em 12 de outubro de 1967.
Para a apresentação de Dois pedidos, foi cedido um final de semana no Ponto de Encontro e assistiram a estreia apenas cinco pessoas, dentre elas Roberto Freire, psiquiatra, agitador cultural da época e o primeiro grande divulgador da obra de Plínio Marcos, que escreve na revista Sinal:
Quase dez anos os separam15 e a impressão que tenho é de que não se escreveu nada entre ambas. Porque faltou sinceridade, não houve real necessidade de escrever, nenhum outro autor teve bastante coragem de retratar seu mundo, ou seus mundos não possuíam nada digno de retrato. Ver Dois perdidos numa noite suja não é mole. Tem bastante humor para a gente descarregar a vergonha, o medo e a covardia que a honestidade do autor nos provoca. É a peça mais suja e cruel jamais escrita no Brasil. Por isso linda e necessária, importante e verdadeira (apud Mendes, 2009, p. 134)
Ainda por insistência de Roberto Freire, Alberto D'Aversa ― importante crítico teatral da época ― assistiu a peça no dia seguinte e, surpreso e encantado, publica crítica extremamente elogiosa no Diário da Noite, que finaliza afirmando:
Plínio Marcos que já antes desta peça tinha dado suficiente prova de sensibilidade teatral com algumas obras que não tiveram a sorte de serem levadas no palco por veto de censura ou por opacidade de empresários. Este jovem autor não é mais uma promessa; é uma certeza. Vai ser duro tirá-lo de titular. O moço é bom de bola. Dois
perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos, sem dúvida a peça mais
inquietante e viva destes últimos e anêmicos anos de teatro brasileiro. (sítio oficial)
Uma semana depois de sua estreia no Ponto de Encontro, Dois perdidos segue sua temporada, transferida para o Teatro de Arena, já espaço referência
15 Roberto Freire está se referindo a Eles não usam Black-tie de Gianfrancesco Guarnieri, de 1958, texto ícone do
da moderna dramaturgia brasileira, alcançando maior projeção e visibilidade e como consequência, nas palavras de Mendes:
No início de 1967, embalado pela repercussão de Dois perdidos, Plínio concluiu em três noites uma nova peça, Navalha na carne. Retomou Enquanto os navios atracam, que retrabalhada, recebeu novo título, Quando as máquinas param. Escreveu Homens de papel (...) (p. 158)
O momento cultural é propício. Há intensa atividade cultural no eixo Rio- São Paulo, polos de produção e difusão artística. Yan Michalski (1989), analisando a produção teatral do ano de 1967 no Rio de Janeiro, afirma que:
(...) o nome que domina o ano teatral no Rio é o de Plínio Marcos. Seu Dois perdidos numa noite suja estreara em São Paulo em 1966 com uma repercussão apensa relativa. Mas a ótima montagem carioca, (...) , projetou a personalidade de uma voz nova e forte que surgia nos palcos: uma voz que reproduzia o linguajar popular brasileiro com uma autenticidade que até então só Nelson Rodrigues soubera articular; mas que colocava esse linguajar nas bocas de personagens até então ausentes do teatro: marginais, verdadeiros
lumpens condenados a uma precária sobrevivência na periferia da
sociedade, cujo sórdido cotidiano o autor revela com uma exemplar dignidade e notável espírito de observação, jogando-o como um insulto, na cara do espectador bem-pensante. Logo a seguir, o impacto de Dois perdidos repetir-se-ia com Navalha na carne (...) . E se a terceira peça de Plínio mostrada no Rio no mesmo ano, Homens
de papel, não continha as mesmas qualidades, ela permanecia fiel à
peculiar linha temática e formal adotada pelo autor, e que o transformaria, desde logo, no dramaturgo mais proibido e perseguido pela censura. Também em São Paulo, as mesmas peças de Plínio Marcos são montadas em 1967, em produções diferentes das cariocas, além de uma quarta, Quando as máquinas param. (p. 31- 32)
A citação ao lado de Nelson Rodrigues e de Gianfrancesco Guarnieri, já coloca Plínio Marcos no patamar dos grandes dramaturgos brasileiros.