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Segundo a Lei nº 10.098 (2000), acessibilidade significa dar a pessoa condições para alcançarem e utilizarem, com segurança e autonomia, os espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, as edificações, os transportes e os sistemas e meios de comunicação. As regras de pessoas portadoras de deficiência a edificações, espaços, mobiliário e equipamentos urbanos também estão descritas na norma ABNT NBR 9050 (2015).

Existe uma diversidade de móveis e ambientes para pessoas com necessidades especiais, mas sempre dando mais atenção para pessoas cadeirantes. Uma das especificações para a cozinha é a altura livre da pia, de 73 cm entre o piso e a superfície inferior, a profundidade inferior livre mínima de 50 cm para garantir a aproximação da pessoa em cadeira de rodas. Os cantos devem ser arredondados, podendo usá-los como apoio, e os ambientes devem ter uma área de circulação com 1,2 m, permitindo um giro de 180 graus da cadeira de rodas (ABNT NBR 9050:2015).

Figura 16 - Adaptações para cadeirante

Fonte: ABNT NBR 9050 (2015).

Em cômodos como quarto e cozinha, é recomendado deixar os móveis afastados da parede. Exemplos disso são a cama e a mesa. Mantê-las junto à parede, oferece o risco de

dificultar a transferência da pessoa para os móveis, tornando o processo nada prático ao deficiente físico (Figura 17).

Figura 17 - Ambiente acessível para portadores de necessidades especiais

Fonte: Acesso Irrestrito. Disposição dos moveis (2014).

A melhor opção de mobiliários para casa que tem alguém com necessidades especiais são móveis menores, como poltronas sem braços, por exemplo, pois ocupam menos espaço e deixam mais área livre para circulação. Outra ideia são os móveis com rodinhas, que facilitam o manuseio, no momento de removê-los do caminho. As bancadas das cozinhas devem ser abertas na parte inferior, para possibilitar a utilização pelo cadeirante, seja para preparar se alimento ou para se alimentar (Acesso Irrestrito, 2014).

Gurgel (2007, p. 18) fala da importância de conhecer o usuário do ambiente a ser projetado, suas necessidades, características, bem como entender suas expectativas. E para definição desse perfil, são necessárias entrevistas e. sem dúvida, visitas ao local a ser projetado. Com esse levantamento de dados, é possível observar as características do indivíduo e suas necessidades.

No caso dos deficientes visuais, é necessário deixar áreas de circulação livres de objetos, para que eles não corram riscos de acidentes, e as superfícies dos mobiliários podem ser escritas em braille ou texturas diferenciadas para facilitar a identificação. Para Gil (2000, p.

24) as mãos são os olhos das pessoas com deficiência visual. O uso das mãos como instrumento de percepção deve ser intensamente estimulado, incentivado e aprimorado.

2.3.3 Iluminação

Para Gurgel (2011), a iluminação é um dos mais importantes elementos de um projeto, pois, como as cores, pode atuar na emoção, na psique, no humor, no estado de espirito. Pode alterar a atmosfera de um ambiente pelo simples toque no interruptor. O importante num projeto de iluminação é que ele seja funcional, prático, criativo e flexível.

Segundo Iida (2003), a eficiência luminosa de uma fonte de luz depende da quantidade de radiação que ela emite dentro da faixa visível, que geralmente está associada à energia gasta durante a emissão das ondas. Essa eficiência luminosa de uma fonte é expressa em número de unidades de luz emitida por uma unidade de energia gasta.

Conforme Gurgel (2011), num mundo em que os problemas relacionados à energia são cada vez maiores, a utilização de luz natural é um importante fator a ser considerado e explorado. Utilizá-la ao máximo num projeto tornou-se “politicamente correto” num mundo globalizado.

Os níveis de iluminância para iluminação artificial em ambientes internos são definidos, segundo a NBR 5413 (1992). São divididos de acordo com a classe de tarefa a ser desenvolvida, e podem ser observados na tabela abaixo:

Tabela 4 – Iluminâncias por classe de tarefas visuais

Fonte: NBR 5413 (1992).

Logo, para cada tipo de tarefa apresentada, há três diferentes tipos de iluminância. O uso adequado de iluminância especifica é determinado por três fatores, a idade dos usuários, a velocidade e precisão, e a refletância do fundo da tarefa. De acordo com a tabela a seguir.

Tabela 5 – Fatores determinantes da iluminância adequada

Fonte: NBR 5413 (1992).

O procedimento é o seguinte:

 Analisar cada característica para determinar o seu peso ( -1, 0 ou +1);  Somar os três valores encontrados, algebricamente, considerando o sinal;

 Usar a iluminância inferior do grupo, quando o valor total for igual a -2 ou -3; a iluminância superior, quando a soma for +2 ou +3; e a iluminância média, nos outros casos.

Para cada tipo de local ou atividade, três iluminâncias são indicadas, sendo a seleção do valor recomendado feita da seguinte maneira:

Das três iluminâncias, considerar o valor do meio, devendo este ser utilizado em todos os casos.

O valor mais alto, das três iluminâncias, deve ser utilizado quando:

a) a tarefa se apresenta com refletâncias e contrastes

bastante baixos;

b) erros são de difícil correção; c) o trabalho visual é crítico;

d) alta produtividade ou precisão são de grande importância;

e) a capacidade visual do observador está abaixo da média (NBR 5413, 1992).

Tabela 6 – Iluminância indicada para cada ambiente

O valor mais baixo, das três iluminâncias, pode ser usado quando: a) refletâncias ou contrastes são relativamente altos;

b) a velocidade e/ou precisão não são importantes;

c) a tarefa é executada ocasionalmente (NBR 5413, 1992).

Segundo Gurgel (2011), a correta escolha e a combinação desses aspectos da iluminação poderão resultar no sucesso ou no fracasso do projeto. Para cada tipo de espaço, devem ser propostas soluções diferentes de iluminação, pois para cada tarefa ou atividade desenvolvida no espaço uma solução será mais apropriada.

Como já citado no projeto, existe uma variação de deficientes visuais, alguns com cegueira total e outros não. Portanto, para os que têm alguma visão, é importante que, no ambiente que eles irão utilizar, tenha claridade. Logo, é preciso ter mais quantidade de lumens.

2.3.4 Cores

Segundo Iida (2003), a cor é um retorno subjetivo a um estimulo luminoso que penetra nos olhos. O olho é um instrumento integrador de estímulos. Ele nunca percebe um estímulo isolado, mas um conjunto integrador de estímulos simultâneos e complexos, que interagem entre si, desenvolvendo uma imagem, que pode ter características diferentes daqueles estímulos, quando considerados isoladamente.

Existem estudos comprovados da influência das cores sobre o estado emocional, a produtividade e a qualidade de trabalho. O homem apresenta diversas reações a cores, que o podem deixar triste ou alegre, calmo ou irritado. O vermelho, o laranja e o amarelo sugerem calor, enquanto o verde, o azul e o verde-azul sugerem frio. Cores avermelhadas sugerem alegria e satisfação. O preto, quando usado só, é depressivo e sugere melancolia (IIDA, 2003).

Ainda segundo Iida (2003), as cores também possuem diferentes simbologias, associações e superstições, que variam de acordo com a cultura e região. Um exemplo, a cor preta no ocidente significa luto, mas na China é o branco.

A cor é, sem dúvida alguma, a mais importante ferramenta da qual o designer de interiores dispõe. Possui a capacidade de transmitir instantaneamente a atmosfera e o estilo e de criar efeitos visuais. Também é um dos primeiros aspectos percebidos em um ambiente. As pessoas podem não mencionar o esquema cromático de um projeto, mas, certamente, comentarão que determinado ambiente é muito acolhedor, cálido, convidativo, limpo, espaçoso, elegante ou intimista – impressões diretamente provocadas pelas tonalidades de cor utilizadas (GIBBS, 2014).

Entender as cores e suas características é, sem dúvida, fundamental para o sucesso de um projeto de interiores. Seguem alguns significados das cores, segundo Gurgel (2011):

 Azul: está ligado à lealdade, ao respeito e à responsabilidade. Esverdeados aliviam o estresse e a tensão, podendo ser aplicados em locais de trabalho. Presentes em salas de reunião, ajudarão a acalmar a comunicação e a fala entre as pessoas. São repousantes e exóticos e podem ser também ligeiramente estimulantes. Tons escuros e acinzentados podem induzir à introspecção, e também à tristeza. Azul em tons pastel acalma e aumenta visualmente os ambientes, como a maioria desses tons, pois refletem grande quantidade de luz. É ideal em dormitórios e ambientes para relaxar.

 Violeta e roxo: estão ligados à sensibilidade, à intuição, à espiritualidade e à sofisticação, além de ajudarem no desenvolvimento da percepção. Violeta estimulará o lado artístico das pessoas. Em matizes fortes podem deprimir. Tons escuros e fortes podem ajudar a criar uma atmosfera de refúgio e introspecção. Violetas claros em ambientes onde se desenvolverão tarefas dinâmicas, desencorajam o trabalho físico, podendo até gerar desinteresse pelo mundo em que vivemos. Lavanda é delicada e tranquila. Pode ajudar a elevar a autoestima, pode ser usada em closets e salas de vestir. Em dormitórios refresca e tranquiliza.

 Vermelho: não é ideal para ambiente onde as pessoas permanecerão por longo período de tempo. Além de estimulante, está ligado à agressividade. Pode tornar um ambiente opressivo, estressante e irritante, além de diminuir visualmente suas dimensões. Faz com que as pessoas se sintam poderosas. Podem também ajudar a fazer com que percam a noção de tempo. Em salas de reunião atuará no plano racional das pessoas, mas cuidado, pode aumentar a agressividade entre elas. Vermelhos são estimulantes de apetite, mais do que o laranja e o amarelo.

 Rosa: tons de rosa são femininos e podem estimular o afeto nas pessoas. Os tons mais quentes evitam a apatia e podem ser utilizados em objetos para aquecer um ambiente frio. Rosa e pêssego ajudam na comunicação em as pessoas. Magenta vai encorajar a introspecção e pode ajudar a induzir mudanças, é viva e dramática. Cerejas acinzentados são elegantes e quentes.

 Laranja: ligado à intelectualidade, ao aconchego, ao movimento e à ação. É antidepressivo. Tons escuros estão ligados à sensação de desamparo e insegurança. Terracota, canela, caramelo e mel são quentes e energéticos, mas podem diminuir o tamanho dos ambientes. Pêssego, damasco e laranja são delicados e aumentam a

sensação de bem-estar. Em salas de estudo ou trabalho ajudam a acelerar o raciocínio. Devem ser utilizados em livings ou salas de tevê, pois os tons laranja são otimistas e elevam o espírito. Estimulam a socialização, criatividade e divertimento.

 Amarelo: cor da infância, alegria e riqueza, estimula criatividade e intelecto. Ajuda a digestão e a comunicação entre as pessoas, bem como a prevenir a depressão. Variantes de creme, podem ser utilizados em qualquer ambiente. Utilizado em demasia pode deixar as pessoas egocêntricas. Ambientes pequenos e escuros ganham luz com o amarelo, mas se utilizado com muito branco pode gerar insegurança. Não é ideal em quartos de dormir, pois ajuda a estimular o funcionamento do cérebro. Os mais vibrantes podem ser utilizados em ambientes que não recebem muita insolação. Amarelos ligeiramente alaranjados são sofisticados. Ouro, bronze e mostarda são cores quentes, ativas, ricas, sofisticadas e elegantes.

 Verde: é equilíbrio, harmonia, honestidade, estabilidade, confiabilidade, caridade, compaixão e esperança. Considerada uma cor que “baixa a tensão arterial”, é confortante e antiestressante, estimulando o silêncio e relaxamento. Ambientes onde são tomadas grandes decisões podem certamente utilizar o verde em sua composição, pois este acentua o equilíbrio e não favorece as discussões. Tons pastem podem ser utilizados em salas de relaxamento, espera, estudo e reunião. Evite-os em áreas para atividades dinâmicas. Tons escuros podem exprimir força e estabilidade. Pistache, verde-maçã e lima estão ligados a frescura, a pureza, a limpeza e a brisa.

 Preto: sóbrio, masculino, impessoal e sofisticado. Em exagero, tende a deprimir. Absorve a luz diminuindo o tamanho dos objetos.

 Branco: é inocência, fé, pureza, claridade, alegria e higiene. Um ambiente todo branco pode deprimir. O branco pode criar uma atmosfera impessoal, hostil e monótona. Aumenta a vida dos matizes escolhidos, bem como o tamanho dos objetos e dos ambientes.

 Cinza: está ligada à sabedoria e à idade, também ao medo, à negatividade, ao estresse e à fadiga. Tons claros são menos tristes. Funcionam bem quando utilizados numa composição ao lado de cores quentes.

Para os usuários do ambiente, o contraste entre as cores é importante, pois alguns deles têm baixa visão, o que significa que conseguem ver algumas cores e luz. Portanto, o contraste facilita na mobilidade deles.

2.3.5 Gesso

A utilização do gesso para fazer rebaixo de teto nas cozinhas, faz com que o ambiente fique mais moderno e cria várias possibilidades de iluminação, contribui também de forma positiva para valorizar a decoração do ambiente, deixando o espaço sofisticado e proporcionado uma sensação de leveza e maior amplitude.

Segundo Gibbs (2014), o gesso é um material utilizado no acabamento de tetos e paredes, sua superfície lisa é excelente para fazer a aplicação de tinta ou papel de parede. É especialmente resistente e estabelece uma forma sutil de introdução de diferentes texturas e padrões decorativos em um ambiente.

O gesso apresenta algumas desvantagens, pois quando entra em contato com a água pode se dissolver, o que impossibilita a utilização em áreas externas. Pode ser usado em áreas internas úmidas, desde que não tenha o contato direto com a água.

Algumas vantagens do gesso:  Rapidez na aplicação;

 Facilidade na utilização para execução de projetos com detalhes;  Recebe bem todos os tipos de pintura e acabamento;

 A manutenção é simples;

 Paredes com divisórias de gesso não mais leves, e podem ser usadas em apartamentos sem mudar a estrutura do mesmo.

 É ótimo isolante térmico e acústico;

 É uma boa opção para construções, pelo fato de ser moldável, facilita para inclusão de iluminação, fazer sancas e detalhes.

A figura 18 representa o rebaixo do gesso com a iluminação embutida, da mesma forma que foi proposta a execução do projeto da cozinha.

Figura 18 – Cozinha com teto de gesso rebaixado

Fonte: Decorando casas, 2016

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