• Aucun résultat trouvé

Une comptabilité analytique simple, une productivité suivie mais en évolution variable selon les secteurs

Dans le document Evaluation de la convention (Page 86-99)

3.3 U NE ENVELOPPE BUDGETAIRE DIFFICILEMENT RESPECTEE , AVEC UN SUIVI DE PRODUCTIVITE MIS EN PLACE , MAIS DES RESULTATS

3.3.2 Une comptabilité analytique simple, une productivité suivie mais en évolution variable selon les secteurs

O pós-estruturalismo é o nome que se dá ao movimento filosófico que teve início na Europa, em 1960, com influências em diversas áreas do conhecimento. Seus principais pensadores foram Jacques Derrida, Gilles Deleuze, Jean-François Lyotard, Michel Foucault e Júlia Kristeva. Em linhas gerais, pode-se conceituar o pós-estruturalismo como um conjunto de teorizações que mostram como os limites do conhecimento podem ser atravessados e revertidos em relações revolucionárias (WILLIAMS, 2013). Neste estudo, conforme delimitado, nos ateremos aos referenciais teóricos de Gilles Deleuze e Félix Guatarri, sem prejuízo da utilização secundária e pontual de autores como Antonio Negri, Michael Hardt, Michel Foucault entre outros, que também partilham da mesma tradição intelectual.

Vertentes pós-estruturalistas implicam um pensamento crítico sobre os postulados tidos como verdades, como essências, visando demonstrar que os sensos inatos da própria consciência e sua relação com as coisas não podem ser separados de contextos mais amplos. É um processo de pensamento (WILLIAMS, 2013). A proposta de uma análise de conjuntura pós- estrutural está em ressaltar a importância de um olhar crítico para o método em si. Trata-se, além de um exercício de resistência a modelos únicos das ciências, de conhecimento científico, de sugestionar uma abertura do pensamento que permita um melhor aproveitamento da aplicação do método da análise conjuntural, uma complementação ao que já existe.

Quando Deleuze pensa em “estrutura”, afirmará que o estruturalismo teria substituído a noção de essência pela noção de sentido, ou seja, toda estrutura é determinada por e para alguma coisa (DELEUZE, 2006). A estrutura seria um aglomerado de relações múltiplas e singulares, dinâmicas e sempre em movimento, que funcionaria como a condição para a transformação das coisas (WILLIAMS, 2013). O estruturalismo seria a linha de pensamento que condiz com a gênese dessa estrutura, ou seja, quando essas relações estão alinhadas, acoplam-se, acomodam-se. Pensa-se a realidade em conformidade com a estrutura.

Todavia, ao se pensar nessa lógica, para Deleuze (2006), seria impossível determinar uma ordem de causalidade linear entre a estrutura e seus acidentes, suas fraturas, seus acontecimentos. Afinal, se para o estruturalismo o “acontecimento” possuiria uma roupagem prévia e pré-determinada que o remeteria às suas amarras, para a visão pós-estrutural o “acontecimento” é algo que reflete as instabilidades da estrutura, compostos de linhas de fuga que perpassam aquela realidade, eventos de multiplicidade e devires diferenciados. O pós- estruturalismo caracterizaria o “acontecimento” como aqueles momentos de ruptura, de relações desalinhadas, de acontecimentos anormais, de coisas que fogem aos limites estruturais.

Isto é, “estruturalismo e pós-estruturalismo trabalham com relações, mas essas relações não se dão entre coisas e ideias, mas entre diferentes séries de outras relações” (WILLIAMS, 2013, p. 90).

Quando se pensa em movimentos e manifestações sociais, é preciso entender que “por mais modesta que seja uma reivindicação, ela apresenta sempre um ponto que a axiomática não pode suportar” (LAPOUJADE, 2015, p. 27), ou seja, um acontecimento. O acontecimento quando pensado como categoria do social representa o momento em que singularidades, em determinado contexto, sentem a necessidade de protestar “por eles mesmos”, isto é, quando os corpos partem ao exercício de uma ação que possibilite levantar seus próprios problemas, caracterizando as situações particulares, pois “toda reivindicação se torna a reivindicação de uma multiplicidade ou de um povo” (LAPOUJADE, 2015, p. 28), sobre as quais se busca uma solução geral.

E este ponto que a axiomática não pode suportar, o acontecimento, em um modelo estrutural, é remetido ao conhecido. Enquadra-se esse acontecimento desconsiderando sua natureza acontecimental, pensando-o como consequência de uma causa estrutural pré-formada (luta de classes, capitalismo etc.). O acontecimento é visto pelo viés estrutural a partir do que Deleuze chamará de princípio da razão suficiente ou princípio transcendental, advindo da vertente kantiana. Segundo este princípio, existe um ‘fundamento’, que é a base de tudo ou o que se apresenta como tal; é a terra, o solo, sobre o qual irá se construir todo o resto. Em seguida, viria o “princípio transcendental”, que irá distribuir essa terra, esse solo segundo as exigências do fundamento, e é este princípio transcendental que desempenha o papel de “princípio da razão suficiente”. É ele quem irá selecionar as pretensões, distribuir o direito e conferir legitimidade às reivindicações (LAPOUJADE, 2015).

Entretanto, essa forma de interpretação da realidade é circular e, consequentemente, sem propriedade, como irá afirmar Deleuze. O fundamento embora possa se confundir com o princípio transcendente em alguns momentos de perfeita adequação, não será jamais igual a ele, pela razão de que não estamos tratando de conceito estáticos. O princípio transcendental está a todo tempo se modificando, na tentativa de conseguir abarcar as necessidades e diferenças provenientes do fundamento, porém, ele nunca conseguirá abarcar essas multiplicidades. O fundamento quando emana suas características diferenciais, que seriam captadas pelo princípio da transcendência, já não é mais o que era, de modo que, quando pelo princípio da transcendência tentasse “organizar” o fundamento, suas medidas não corresponderiam mais às medidas desta nova temporalidade fundamental.

Dessa forma, o acontecimento pensado como categoria do social, por um viés pós- estruturalista, está em compreender que por trás das reivindicações, das pretensões sociais existe um fundamento dinâmico, e não apenas uma causalidade histórica estática ou dialética, o que, para Deleuze, é um sinônimo de falso movimento. De modo que não há como se pretender analisar um acontecimento pensando-se apenas na oposição entre gênese e estrutura, devendo-se levar em consideração a noção de “empirismo transcendental”, traduzida como uma perspectiva sensível, capaz de ultrapassar a exterioridade entre condições e condicionado (DELEUZE, 2006).

Partindo da funcionalidade do método da análise de conjuntura como algo que possibilite reconhecer e identificar o funcionamento de “acontecimentos”, nada mais coerente do que desenvolvê-la através do viés teórico pós-estrutural, interpretando o acontecimento como uma categoria do social, o que irá permitir observar os elementos que fogem à lógica da normalidade estrutural, não ignorando que hajam relações entre condições econômicas, sociais e políticas que contribuam para sua ocorrência.

O método da análise de conjuntural tradicional permite explicar a emergência de determinadas relações estruturais; porém, deixa de lado a existência de um pano de fundo que contém outras relações. Faltam ferramentas que permitam olhar a estrutura e o acontecimento do modo como se apresentam: em movimento, compostos de relações (“alinhadas” ou “destacadas”) em constante modificação, ou usando o termo deleuziano, em constante “processo de atualização”.

Deleuze descreve o real como um plano de imanência, composto por multiplicidades, as quais implicam elementos virtuais (linhas de fuga/ruptura) e elementos atuais (linhas molares e moleculares). Uma percepção atual (em nível concreto) estaria cingida em uma nebulosidade de elementos virtuais (à medida que sua velocidade/brevidade os mantêm sob um princípio de inconsciência) distribuídos em circuitos moventes (DELEUZE, 1996). Dessa forma, Deleuze chamará o movimento dinâmico da estrutura de “processo de atualização”; por ele, relações estruturais ideais (virtuais) se tornam expressas em partes e espécies atuais. A estrutura exprime o atual. E assim, olhar para o atual sem considerar as relações não estruturais e virtuais que o compuseram, ou que o impeliram a transformações inéditas, é realizar uma análise incompleta do acontecimento (WILLIAMS, 2013). Isto implica a impossibilidade do dualismo de complementação entre estrutura e conjuntura. Tudo o que há é o plano de imanência e os seus acontecimentos.

A fim de evitar dúvidas, não é correto pressupor que haveria uma virtualidade pré- formada apenas aguardando por seu momento de atualização. As virtualidades são marcadas

justamente por um caráter multifacetado e imprevisível, no sentido de que não há uma correspondente identitária, fixa e imutável a que se remeter. Isso significa que o processo de atualização só se opera por divergência, e não por identidade. As virtualidades estão em constante movimento, conglobando-se, modificando-se, mantendo-se, extinguindo-se, e todas as variações relacionais que se puder pensar (DELEUZE, 2006).

Uma análise de conjuntura pós-estrutural permite observar o “acontecimento” e os demais elementos que compõem uma análise de conjuntura do modo como se apresentam, naquela temporalidade, com todas as suas imperfeições e pontos inexplicáveis, rasgando as roupagens estruturais impostas pela análise de conjuntura tradicional. Permite, ainda, uma reflexão crítica a respeito da virtualidade que compõe o “acontecimento”, complementando a visão da análise de conjuntura tradicional que toma como base apenas os elementos atuais já agenciados pelos mecanismos de poder. A partir de uma análise de conjuntura pós-estrutural não mais se torna homogêneo, se unifica, mas se olha para as multiplicidades tais como elas se apresentam.

Dans le document Evaluation de la convention (Page 86-99)