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Esta subcategoria versa sobre o que foi tratado nas anteriores, trazendo algumas amarras na compreensão da produção de sentidos subjetivos enquanto trajetória de vida destes sujeitos.

Compreender que é a partir do lugar que ocupamos hoje enquanto sujeitos que temos condições de projetar o futuro, seja para desejar que ele seja absolutamente inverso ao presente, ou para que seja uma continuidade do mesmo, traz à tona a necessidade de relembrar a que condições presentes têm acesso estes sujeitos? De que maneira o processo de escolarização, que é constituinte também das trajetórias de vida destes sujeitos, se conecta ao presente e às vivências socioculturais destes alunos?

Assim, tentarei na costura tecida com os trechos das entrevistas, pontuar indicadores destas perspectivas futuras apresentadas por estes alunos.

Inicio por Heleno, que pretende como perspectiva futura trabalhar fora do país, por ter mais condições de acessibilidade. Ao referir que talvez trabalhe fora do país, relata que não saberia dizer qual, pois nunca viajou para o exterior. [...] O pai já esteve no exterior na

Alemanha e na Espanha. Acredita pela experiência do pai que possa ser mais fácil trabalhar

fora do país, pois nestes países tem acessibilidade; [...] sobre os planos para o futuro só falei

As aspirações de futuro do Heleno dizem respeito à sua construção simbólica do lugar que ocupa na sociedade. Este aluno pretende cursar arquitetura e planejar prédios e lugares com acessibilidade, e acrescenta que aqui no Brasil a acessibilidade é muito ruim. Percebe-se que as perspectivas futuras dizem respeito a uma prática inclusiva, já que estes planos futuros seriam mais sociais que individuais.

Neste caso específico, o planejamento de futuro foi pouco explorado com a mãe, já que o prognóstico de vida deste aluno é chegar à fase adulta de no máximo 21 anos. Então, a fala da mãe é no sentido do desejo de ver seu filho formado, como no trecho da entrevista citado abaixo:

[...] e eu falei “pois é, e depois vem o vestibular”, eu disse, “ainda, e continua” eu falei pra ele, não é só fazer o vestibular e passei, depois tem que estudar, fazer a faculdade pra poder ser né...(pausa) [...]o pai dele já estava falando pra ele “não filho, se tu não quiser”, ai eu falei “não, ele vai fazer faculdade, vai terminar e vai ter pelo menos o diploma pra dizer que ele fez”, se ele vai trabalhar na área ou não vai pra mim não importa, mas eu quero ver ele formadinho, independente do que ele quer ser, ele não sabe se é arquitetura, se não é arquitetura, se é administração, se não é administração, vamos ver, acho que é no começo agora eles são muitos, não são ainda maduro pra saber. Ah ele diz “ah eu quero também mãe”,e ele também quer, eu disse “não vai nas pilhas do teu pai” e ele “não mãe, eu quero, eu quero” e eu falei “se tu quer, então quer, se não quiser também não tem problema” eu falei pra ele, tu que sabe, quer depois ir pra fora, fazer um curso, eu disse “mas não esquece que a mãe vai junto”, risos, companheira, risos, comidinha quentinha em casa te esperando, risos.

Os sentidos produzidos por este aluno estão permeados pelas vivências e pelo lugar que a família ocupa na construção destes significados.

Para a família do Giordano as perspectivas futuras também são semelhantes ao desejo e apelo social das outras mães, embora haja uma preocupação sobre as possibilidades que o filho terá de viver sozinho.

[...] Sinceramente, não sei, não sei, eu depois que fiquei doente eu só penso no hoje, hoje eu acordei e consegui ensinar mais uma coisa e consegui deixar ele mais forte, durmo, acordei, ensinei mais alguma coisa e assim eu vou, que é difícil, eu vejo minha filha em abril está se formando, aí tem o Giordano com dezoito, que eu peço muito a Deus que eu consiga a ver ele encaminhado, porque ele tem uma base muito boa, entendeu, só que assim a gente não sabe os outros eu, a gente deu a base boa pra ele, mas como é que vai ser com os outros, então a gente tem que dar, eu, eu quero tempo pra ensinar pra ele a ele lidar com os outros, dele não achar que todo mundo é ruim, tem gente legal.

As perspectivas de futuro do Giordano estão atreladas às aprendizagens da escola e às experiências de vida, visto que o aluno relata que pretende cursar psicologia, pois quer entender melhor porque algumas pessoas são diferentes das outras, e poder, assim, ajudar

quem não consegue lidar sozinho com suas dificuldades. Diz que vai ao psicólogo e gosta, mas que se não fizer psicologia, fará faculdade de games.

Para a família do Cristiano, as perspectivas futuras são mais imediatas que dos outros sujeitos da pesquisa. A família tem o desejo de que o mesmo conclua seu processo de escolarização, e possa ser reconhecido por isso, pelo esforço e dedicação que empenha nesta jornada, o que está explícito na fala desta mãe:

[...] Cristiano faz a tua parte, estuda, e o resto tu procura da melhor forma possível quando tu não for muito pra ti tu procura deletar porque a sociedade não é perfeita, não existe seres perfeitos, sempre vai existir discriminação ao preconceito, seja pela inclusão, seja pela cor, seja pela classe social, vai continuar existindo, e agente tem que só se fortalecer, procurar dar o melhor, mas assim ó, a construção é do Cristiano, é do Cristiano. É das intervenções que outros professores fazem e basicamente é dele, dele, porque se ele não quisesse eu não conseguiria absolutamente nada, não adianta pagar professor particular, eu não adiantaria investir no Cristiano, se ele não quisesse ele não cresceria, é dele, esse mérito eu sempre digo, filho, um dia que tu receber um certificado no colégio, de primeiro lugar [...].

Para o aluno, as perspectivas futuras são bastante semelhantes aos demais alunos, pretende concluir o ensino médio e ingressar na graduação ou mesmo num curso técnico, revelando ter interesse em estudar quiropraxia.

Parece que estes alunos construíram imagens de si, que buscam ajustamento na inclusão social, suas demandas acabam sendo aquelas “criadas” pelo processo de escolarização, onde o entendimento sobre os sujeitos não é singular, mas sim homogêneo tal qual está referido na próxima categoria.

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