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O panorama de crescimento do setor de engarrafamento de águas encontrado no mundo é refletido no Brasil. A produção do país cresceu 15% no ano de 2008, atingindo o envase de 4.369 bilhões de litros de água mineral.

Os primeiros registros da atividade datam de 1911, com a implantação de indústrias nos Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. O crescimento do setor ocorreu de forma lenta nos anos iniciais do século passado, sendo estimulado na década de 1970, no bojo das regulamentações do governo federal visando o desenvolvimento industrial do país. Após esse período, o crescimento do envase de águas minerais no Brasil tornou-se constante e relevante como se registra na Figura 1.2.

De acordo com o MME (2009), a distribuição das empresas engarrafadoras ocorre em todas unidades federativas do país, exceto no Território de Fernando de Noronha que não possui lavras. São Paulo lidera como maior produtor em 2008, com 18% da produção, seguido de “Pernambuco com 10,4%, Bahia com 8,9%, Rio de Janeiro com 8,5%, Minas

Gerais com 6,5%, Rio Grande do Sul com 5,8%, Paraná e Pará com 4,8% cada, Ceará com 4%, Mato Grosso com 3,4%, Santa Catarina com 3,1% e outros estados completaram a produção em 2008” (DNPM, Sumario Mineral, 2009). Logo, a região Sudeste respondeu

por um terço da produção nacional de 2008.

Apesar do panorama de crescimento mundial e nacional e da representatividade da região Sudeste no envase de águas minerais, a Região tem tido retração na produção ao passo em que as Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte encontram-se em crescimento, como verificado no gráfico da Figura 1.3, elaborado com com base nas informações disponibilizadas no Perfil da Água Mineral do Ministério de Minas e Energia. 4.

25 0 500000 1000000 1500000 2000000 2500000 3000000 3500000 4000000 4500000 1911¹ 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947¹ 1948² 1959² 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008³

Figura 1.2. Gráfico da evolução da produção de água mineral no Brasil (1911 - 2008)

¹ - De 1911 a 1947, Fabrino, A. de O., Ministério da Agricultura, DNPM, 1949, p. 256. ² – ND – de 1948 a 1959, dados não disponíveis. ³ – Dados não revisados. Fonte: Formatado de MME (2009) – Em anexo a tabela de referência (Quadro A.1).

26 0 1000000 2000000 3000000 4000000 5000000 (Produção) S SE CO NE N Brasil (Região) 2004 2005 2006 2007 2008

Figura 1.3. Gráfico da Evolução da Produção Brasileira de Água Mineral e Potável de Mesa por Região (2004 - 2008) – Em milhões de litros

Fonte: MME, 2009.

Figura 1.4. Mapa das Províncias Hidrogeológicas e a localização das concessões de

Lavras5

Fonte: CPRM (2010)

5 Modificação do Mapa das Províncias Hidrogeológicas brasileiras apresentado por Queiroz, 2009, em sua apresentação no 18º Congresso de Águas Minerais. (CPRM, 2010)

27 A Figura 1.4 apresenta o mapa das províncias hidrogeológicas com referências às concessões de lavras do país, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas, onde se destacam as áreas com maior potencial de envase de águas minerais e as áreas onde se verifica o crescimento de produção.

Ao contrário do panorama mundial, onde as transnacionais como “Nestlé Waters, Danone,

Coca-cola Company e Pepsico que, somados, controlam mais de 50% do mercado de água envasada no mundo, aqui no Brasil, participam com apenas 4,14% do mercado” (DNPM,

2009) . O setor brasileiro de envasamento de águas minerais é representado por centenas de empresas de médio, pequeno e micro porte, que, juntas, respondem por cerca de 74,9% de toda produção do país. De acordo com os dados apresentados no Sumário Mineral do DNPM (2009), os 25,10% restantes da produção nacional dividem-se entre sete grandes grupos, que são:6

1º Grupo: Edson Queiroz – Águas Indaiá e Minalba – com 11,5% do mercado nacional. O Grupo iniciou suas atividades com a exploração de fontes de águas minerais no Ceará e, posteriormente, comprou a marca Minalba de Campos do Jordão. Possui vinte e uma fontes de águas minerais distribuídas em quinze Estados.

2º Grupo: Primo Schincariol – Água Schin – com 2,67% do mercado nacional. Abrange os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Bahia e Maranhão e conta com nove fontes.

3º Grupo: Mocellim – Água Ouro Fino – com 2,62% do mercado nacional. O único complexo industrial do Grupo situa-se em Campo Largo, no Estado do Paraná, com fonte de grande capacidade de captação.

4º Grupo: Spal – Água Crystal – com 2,52% do mercado nacional. Pertence ao grupo The

Coca Cola Company e desenvolve atividades na Estância Mineral de Itabirito Ltda, no município de Itabirito, em Minas Gerais. O controle indireto da Spal e da Estância Mineral de Itabirito encontra-se vinculado à join venture Coca-Cola – FEMSA (Fomento Económico Mexicano, S.A. de C.V), com sede no México.

6 Todas as informações das 7 empresas e do grupo Danone foram obtidas através do Sumário Mineral de 2009 elaborado pelo DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral e completados com informações do Relatório Técnido 57 – Perfil da Água Mineral, elaborado pelo MME – Ministério de Minas e Energia (2009)

28 5º Grupo: Flamim – Água Lindoia Bioleve – com 2,51% do mercado nacional. Conta com único complexo industrial, situado no município de Lindoia, em São Paulo.

6º Grupo: Dias D´Ávila7 – com 1,7% do mercado nacional. Tido como o destaque no ano de 2008 através da exploração do Poço Senhor do Bonfim no município de Dias D´Ávila na Bahia.

7º Grupo: Nestlé Waters – Águas São Lourenço, Pureza Vital, Petrópolis e Nestlé Aquarel – com 1,6% do mercado. O Grupo é tido como o maior do mundo no envase e comercialização de água mineral, e responde por oito marcas italianas, dez francesas e oito americanas. Em 1999 iniciou suas atividades no Brasil com a comercialização da água

‘Pure Life’ cujo conteúdo correspondia a “uma água adicionada de sais, fato que gerou uma importante inovação no mercado interno com aparecimento desta nova proposta”,

conforme registro no acervo do MME (2009). A empresa responde pelo envase das águas

Petrópolis, com fonte no município de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, Pureza Vital, envasada nas Águas de Santa Bárbara, em São Paulo, e Águas São Lourenço, com a exploração das fontes situadas no município de São Lourenço, Minas Gerais.

O Grupo Danone, com sede em Paris, começou a investir na exploração de águas minerais no Brasil em 2008, iniciando a produção em 2009 (MME, 2009), no município mineiro de Jacutinga, com a marca Bonafont.

Em 2008 o país já contava com 436 indústrias devidamente instaladas e 417 em plena operação, (MME, 2009)8 segundo dados do Ministério de Minas e Energia (2009). O desenvolvimento do setor de águas minerais no Brasil, em 2009, registrou um crescimento significativo com a entrada no comércio das marcas Pureza Vital e Bonafont, mas ainda mantêm tímida evolução quando comparado aos mercados europeu e norte-americano. No Brasil a necessidade de consumo de águas engarrafadas é ainda pequena em vista da extensão de sua riqueza hidromineral ainda não explorada, e a produção do setor de envase ainda segue o ritmo de consumo de água mineral da população.

7 Não há referencias do nome da água produzida

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