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2/2 3 comprendre la cohérence fractale ECOLE

Nas sociedades atuais, a tarefa educativa ocupa um lugar relevante. Inclusive, em alguns momentos, volta-se para o desenvolvimento de ações que estão fora do seu conjunto de responsabilidades, visualizadas como parte de sistema social.

Sem dúvida, quase todas as atividades que se realizam para o desenvolvimento e a convivência social tem um componente educativo explícito ou implícito. Por exemplo, quando se fala de um país democrático, se pensa sempre que o fortalecimento desse tipo de vida se deve basicamente a um processo educativo que se oriente e promova princípios democráticos; quando se pensa em um país saudável, se assume que é a educação que propiciará o desenvolvimento de atitudes e hábitos de higiene e de saúde adequados; ao se desejar um país tecnologicamente desenvolvido, também se espera que educação se encarregue de formar as crianças, os jovens e os adultos que possam levar o país ao sucesso

desse processo tecnológico. Como podemos observar, são muitas as funções e responsabilidades que a sociedade atribui atualmente à educação.

Em sua acepção mais ampla, a educação é uma experiência permanente e cotidiana que terá maior ou menor impacto na sociedade de acordo com seu processo de planificação. Isto implica que é fundamental planejar o processo educativo, para garantir o desenvolvimento dos serviços educacionais conforme as expectativas sociais estabelecidas. Sem dúvida, se a educação é tão relevante para o desenvolvimento da sociedade, não é possível permitir sua organização e desenvolvimento submetidos à estratégias e procedimentos resultantes da improvisação. Pelo contrário, é necessário planejar eficientemente a tarefa educativa, de tal forma que permita uma ação futura capaz de transformar a educação em uma resposta efetiva aos anseios e expectativas sociais.

Neste sentido, se considera que o planejamento, como método de racionalização dos processos e recursos que gera mudanças, permitirá introduzir reformas substanciais e inclusive mudanças estruturais no processo educativo. Se visualiza, assim, o planejamento como um processo institucional intencional, mediante o qual a coletividade busca racionalizar recursos, tomar decisões e levar a cabo a ação educativa prevista, com ótimos resultados.

Assim, se diz que planejar consiste em construir caminhos para transitar para o futuro e não pré-dizer o futuro. Em outros termos, o planejamento implica no estabelecimento de condições para o desenvolvimento de uma série de ações previamente identificadas e priorizadas, na tentativa de atender às expectativas e intenções sociais.

No caso do planejamento educativo, se trata de traçar caminhos a partir de diversos aspectos, como tipo de sociedade e de pessoas que se deseja formar, tipos de ofertas educativas e curriculares, formação de educadores, proposta curricular, etc. Embora o planejamento da educação seja um processo que se conceba e se desenvolva de forma similar a outros processos de planejamento, é importante assinalar algumas características e princípios que são particulares:



O planejamento educativo deve ocorrer no contexto do planejamento global, considerando a realidade econômica e socioeducativa;



O processo do planejamento educativo deve ocorrer a partir de uma visão multidisciplinar, para que haja contribuições de diferentes áreas do conhecimento;



O planejamento de educação realizado em nível central deve ser suficientemente aberto e flexível para permitir sua atualização e adequação a outros níveis;



O planejamento educativo tem uma dimensão política que se identifica com o processo de adoção de decisões do Estado através dos seus órgãos legislativo e executivo. Em outros termos, esta dimensão é a que permite que as alternativas e os planos preparados pelos técnicos se convertam em política, orientação e norma das atividades educativas estatais;



O planejamento educativo se caracteriza por ser um processo metódico e permanente de análise ou diagnóstico da situação real, para identificar as necessidades educativas de uma comunidade ou um país, e determinar ações e meios alternativos para satisfazê-las;



O planejamento educativo tende a oferecer princípios válidos para diversas situações concretas: diversos níveis e modalidades do sistema, grupos diferentes, etc. Por isto, é importante seu caráter aberto e flexível, para permitir atender a variedade de realidades educativas;



O planejamento educativo deve desenvolver-se numa visão participativa, isto é, envolvendo distintos setores da sociedade e os mais variados atores sociais.

Como já assumimos anteriormente, ao planejar a tarefa educativa, se fazem previsões para ações futuras em diversos campos e em diversos âmbitos. Um desses âmbitos é o planejamento didático, que discutiremos a seguir.

O planejamento didático é o nível mais concreto do planejamento educativo. Centra-se especificamente nos processos de ensino e aprendizagem, e no nível da aula, seu responsável direto é o professor. Embora o âmbito do planejamento próprio do professor seja a sala de aula, é essencial que todo educador compreenda este momento em relação aos níveis mais amplos do planejamento curricular, inclusive em relação ao planejamento educativo.

O essencial é que cada educador assuma seu papel de planejador de currículo no nível que lhe corresponde, porém, construindo esse planejamento no marco dos planos mais amplos. Isto implica que quando um docente realiza seu planejamento didático, opera ou concretiza o que foi planejado em níveis mais amplos.

É importante que cada educador conceba esta etapa de sua ação pedagógica como um processo fundamental. Neste sentido, às vezes tem ocorrido uma interpretação restritiva do que seja o planejamento didático, ao identificá-lo como um documento que elabora cada docente e que, muitas vezes, se faz unicamente para atender às normas e aos regulamentos que emergem dos níveis da autoridade administrativa.

O plano, que elabora cada professor ou grupo de professores, deve ser o produto no qual se condensam as decisões e as ações previstas para o cumprimento de objetivos curriculares com um grupo determinado de alunos, numa realidade concreta. Portanto, o planejamento didático vai mais além desse produto. O processo desse planejamento envolve questões, tais como: O que está ocorrendo? O que se deseja fazer? Por que se vai fazer? É um processo vivo, dinâmico, construído no dia-a-dia da escola, onde se tomam decisões individual e coletivamente.

Todas essas questões ajudam o docente a ter clareza da melhor forma de desenvolver uma prática pedagógica efetiva. O planejamento é, portanto, um processo de reflexão que permite ao educador esclarecer idéias, tomar decisões e estabelecer, com fundamentos teóricos e experiências empíricas adequados, o plano didático que orientará o desenvolvimento dos processos de ensino e aprendizagem com seus alunos.

Ao concretizar o planejamento curricular em um plano didático, o docente toma decisões e organiza sua prática pedagógica, considerando: O que ensinar? Quando ensinar? Como ensinar? O que, como e quando avaliar?

Como vimos, o papel e a responsabilidade dos docentes no processo de planejamento requerem que todos possuam os conhecimentos e as competências necessárias para serem bons planejadores dos processos de ensino e aprendizagem.

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