Chapitre 3. Composition et structure des poudres de phosphocaseinate natif (PPCN)
3.1 Composition des caséines du lait et les modèles d’organisation micellaire
Embora possamos comprovar um movimento crescente, desde a década de 1980, dos governos brasileiros em oferecer mais e melhores condições de atendimento aos problemas de saúde das mulheres, incluindo melhorias de condições infra-estruturais e de elevação da expectativa de vida, infelizmente, a qualidade da assistência a essa parcela da população ainda é motivo de queixas e insatisfação constantes, no atendimento de suas necessidades de saúde e de gênero.
Desde a última década, em meio à crescente preocupação dos organismos internacionais para eliminar as desigualdades de acesso aos bens e serviços de saúde, têm sido intenso o movimento, através de conferências, seminários e outras mobilizações que tem enfocado, principalmente, a qualidade da atenção à saúde da mulher sob a ótica de gênero, respeitando as peculiaridades nacionais. Os problemas ligados à manutenção dos estereótipos de gênero nas políticas públicas e nos currículos na área da saúde, as questões socioeconômicas, a discriminação de gênero, a falta de autonomia e as inadequações da assistência culminam na necessidade de intervenções e da inserção da perspectiva de gênero nas políticas públicas, na área de saúde (NASCIMENTO, 2000; NASCIMENTO, 2002).
As discussões teóricas desenvolvidas, em diversos espaços, sobre tema tão relevante, têm enfatizado a necessidade de explicitar o próprio conceito de indicadores de gênero pelos serviços assistenciais de saúde.
Sob essa ótica, os indicadores de gênero podem ser entendidos como instrumentos capazes de explicitar resultados das relações desiguais nesse âmbito, nos vários setores sociais ou aspectos da vida. Tanto podem ser quantitativos como qualitativos, sendo construídos pela conjunção de variáveis que permitem uma aproximação com o conhecimento de algo que nem sempre pode ser captado por meio de números.
Esses indicadores, ao estarem condicionados, para sua efetivação, às qualidades dos dados obtidos, dependerão de recursos não só para a avaliação mas também para o
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seguimento e monitorização dos cuidados de enfermagem necessários, englobando as facilidades ou empecilhos para a promoção da emancipação das mulheres, sejam elas usuárias do serviço ou profissionais de enfermagem.
Antes de iniciar qualquer trabalho, Moser e Levy (1986) apud (WILLIAMS, 1999) recomendam dois aspectos muito importantes para uma estratégia de entrada com enfoque de gênero: primeiro fazer um julgamento com base na informação de como as necessidades práticas e estratégicas podem ser alcançadas nas condições socioeconômicas e políticas de um determinado momento e lugar; segundo, avaliar o acesso das mulheres às instituições de saúde e se estas instituições podem ser utilizadas para alcançar algumas ou todas as necessidades práticas e estratégicas específicas.
Além disso, para um planejamento que contemple o desenvolvimento de um julgamento informado e de uma avaliação acurada, é necessário que o corpo de profissionais da instituição melhore tanto a sua compreensão sobre a determinação e o modo de funcionamento das relações e necessidades de gênero como identifique as causas de subordinação e das barreiras que impedem sua eliminação (MOSER, 1995).
Para facilitar a operacionalização dos indicadores, seguimos a indicação de Nascimento (2000, 2002), classificando-os em duas categorias: Indicadores práticos e estratégicos de gênero.
• Os Indicadores Práticos de Gênero da Enfermagem (IPGE) são construídos a partir das variáveis concretas que permitem uma resposta imediata às necessidades apresentadas e que mediante os cuidados de enfermagem e a organização das práticas assistenciais será possível se alcançar a humanização da assistência e a elevação da auto-estima das mulheres (NASCIMENTO, 2000; NASCIMENTO, 2002).
Os indicadores práticos de gênero voltados para a assistência ou o cuidado são direcionados para as atividades da ação instrumental, mas não se reduzem a elas, como refere Nascimento(2000,2002). No campo da saúde, a satisfação das carências e interesses, criadas social e culturalmente, corresponde à legitimidade das reivindicações da clientela, ainda que essa apresente uma certa alienação das suas necessidades essenciais. Essas necessidades são dependentes de condições materiais e imateriais, presentes nos processos de vida, na sua especificidade e em determinados contextos naturais/sociais e não podem ser satisfeitas através do acesso às riquezas, aos serviços, à fama ou ao poder (HELLER; FEHÉR, 1998).
Não sendo as necessidades naturais e permanentes, não devemos olvidar de considerar a construção social dos indivíduos e a realidade sociocultural dos diferentes grupos
sociais. As carências e a sua satisfação são traduzidas em demandas sociais, relacionadas às questões de classe, como já havia enfatizado Molyneux (1984), sendo as mulheres de baixa renda as que mais vivenciam as inadequações. Portanto, é importante a valorização das necessidades, de modo a possibilitar o engajamento das pessoas em processos de autodeterminação. Os indicadores práticos, para o atendimento às necessidade essenciais, podem em certas circunstâncias estar a serviço de processos emancipatórios, mas necessariamente podem não alcançar esse resultado, pois não desafiam a posição de subordinação das mulheres, embora possam ser originários deles.
Em certo sentido, o atendimento às necessidades práticas deve ser visto dentro do contexto das necessidades estratégicas, pois o alcance dos indicadores práticos pode contribuir para o alcance dos indicadores estratégicos.
• Os Indicadores Estratégicos de Gênero da Enfermagem (IEGE) são formulados a partir de variáveis com base na análise da subordinação das mulheres na sociedade e objetivam contribuir para superar essa subordinação, pois desafiam a natureza da relação das mulheres com os comportamentos androcêntricos e suas implicações para a saúde. Incluem a promoção do processo de autonomia, a autodeterminação e a participação das mulheres, em suas relações com os serviços assistenciais, sendo que seu alcance pode ajudar as mulheres a desfrutar de maior eqüidade na assistência e na vida (NASCIMENTO, 2000; NASCIMENTO, 2002).
Os indicadores estratégicos de gênero vão além dos práticos, podendo conter a remoção das formas institucionalizadas de discriminação, a promoção de processos que correspondam a bens de valores universais, como liberdade e vida, cuja satisfação pressupõe relações humanas baseadas na eqüidade e no mútuo reconhecimento dos sujeitos da ação (usuárias e profissionais).
Para o desenvolvimento de uma assistência mais igualitária, humanizada e com eqüidade de gênero, é necessário desenvolver pensamento e ações das mulheres ― usuárias e profissionais de enfermagem ― de caráter transformador, habilitando-as, enquanto participantes, a explorar as questões, compreender a dinâmica de sua sociedade, aplicando o conceito de gênero na sua prática cotidiana. Reconhecemos, contudo, que o alcance desses indicadores estratégicos requer um planejamento a longo prazo e mudanças comportamentais. A utilização e a construção de indicadores de gênero, sejam eles práticos ou estratégicos para a assistência ou cuidado, pressupõem o desenvolvimento, pelas profissionais de enfermagem, de um conhecimento aprofundado e contextualizado a respeito da vida das
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mulheres assistidas e das características das relações de gênero a que estão submetidas, para não caírem no risco de reforçar atitudes que aprofundem a subordinação feminina (NASCIMENTO, 2000; NASCIMENTO, 2002).
Na construção desses indicadores de gênero no espaço da saúde, é importante que a informação seja coletada diretamente junto às usuárias ou profissionais, com base em formulações teóricas de gênero. Devemos, além de identificar as variáveis que promovem ou contribuem para as inadequações, compreender as razões que embasam esse processo e quais ações e medidas devem ser tomadas para seu enfrentamento. Importante, também, que seja valorizada a autonomia das participantes, estimulando o engajamento das usuárias e sua percepção enquanto sujeitos da ação, ao lado da construção de uma nova inter-relação entre elas e as profissionais de enfermagem, como um caminho para a valorização e atendimento às necessidades expressas, refletindo os indicadores dessas ações.
A distinção entre Indicadores Práticos e Estratégicos de Gênero da Enfermagem “funciona mais como uma estratégia, uma demarcação de limites entre uma assistência puramente humanizada e necessária para manter a saúde”, devendo além disso, “propiciar a crítica social, a partir da promoção de valores de emancipação ou autodeterminação” (NASCIMENTO, 2002, p. 137).
A assistência de enfermagem orientada pelos indicadores de gênero é um recurso útil para promover a crítica à atenção descontextualizada, autoritária e descomprometida, que observamos em muitos serviços assistenciais de saúde e aponta para a promoção de processos de autovalorização, auto-estima, autonomia e participação das mulheres em situações de atendimento, implicados no exercício de cidadania.
A definição clara dos esforços para melhorar a qualidade da atenção, com base nas necessidades de gênero, tem como alavanca inicial a identificação de onde se situam as iniqüidades para, em seguida, priorizar esforços de mudança. Além disso, o diagnóstico inicial das necessidades de saúde sob a perspectiva de gênero é fundamental, servindo como parâmetro para futuras avaliações.
Para a construção dos indicadores, é preciso que as categorias distintas — usuárias e profissionais — sejam abordadas, em conjunto, não de maneira independente, tendo como coluna vertebral a relação de gênero e o atendimento dessas necessidades. Mediante essa afirmativa, reiteramos a necessidade de novos estudos que complementem essa proposta, tendo as profissionais de enfermagem como sujeito para construção dos indicadores práticos e estratégicos de enfermagem que assistam a mulher no período puerperal.
Infelizmente, ainda se mantém a crença de que somente a equipe de saúde tem o monopólio dos conhecimentos necessários, supondo serem as usuárias ignorantes, incapazes de encontrar soluções para si mesmas e para seus problemas de saúde, tornando-as pessoas dependentes, passíveis e meras receptoras. Para nos contrapormos a essa posição, devemos ter atitudes e comportamentos diferentes, procurando envolver as usuárias e a comunidade, estimulando-as a participar no cuidado de sua própria saúde, reconhecendo seus próprios saberes e práticas, que trarão como resultado um aumento da ‘produção coletiva’ de saúde (MATAMALA; MAYNON, 1996).
Para Matamala; Maynon, (1996, p. 109),
parece que se teme o processo de empoderamento verdadeiro, sem entender que o fortalecimento do bem-estar, desenvolvimento e democracia, passa inevitavelmente pela apropriação de poder por parte da sociedade civil, com especial ênfase naqueles setores que sofrem desigualdades, como é o caso das mulheres.
Matamala e Maynon (1996) entendem que os indicadores de gênero medem iniqüidades específicas e/ou contribuem com o sistema de cuidado da saúde, para manter ou desconstruir o sistema inequitativo de gênero. Com base nessas reflexões, como os conteúdos abordados não refletem questões relativas a temas profundos da construção de gênero (duros), classificamos os elementos para a construção dos indicadores como brandos, ao comportarem conteúdos superficiais da construção de gênero, mas igualmente úteis, pois superpõem os aspectos de humanização do cuidado aos aspectos de gênero.
Independente de reconhecermos que sua implementação depende de fatores de ordem econômica, cultural e política entre outros, encorajamos as mulheres a indicarem o que elas destacavam como mais importante no atendimento de suas necessidades, objetivando o alcance de uma assistência acolhedora, educativa e valorativa, de acesso livre, segura, confortável, compartilhada com os familiares, baseada nas necessidades das mulheres.
A valorização qualitativa da identificação e da análise das necessidades das mulheres do nosso estudo alicerçou a construção das categorias e, a partir destas, selecionamos as variáveis, mediante as quais demos visibilidade aos elementos que subsidiarão a construção dos indicadores de gênero, para a assistência à mulher no período puerperal.
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5.3 ELEMENTOS DE SUBSÍDIOS PARA A CONSTRUÇÃO DOS INDICADORES