CHAPITRE II: Composition cellulaire de la moelle spinale
V. Les cellules épendymaires
2. Composition du canal central et place des cellules épendymaires
Derradeiramente, como quarto processo a ser analisado, a evitação ativa do
aumento de dissonância cognitiva não deixa de ser uma fase antecedente aos
procedimentos que se acabou de apreciar. Afinal, somente estando frustrado o processo
de evitação, é que sobrevirão os mecanismos de defesa contra a absorção da dissonância
oriunda do contato forçado com elementos contraditórios.
Enfim, o que deve ser aqui destacado é simples e de fácil compreensão: se há
uma pressão intensa para se reduzir ou eliminar a dissonância existente, evidente que
concomitantemente a isso haverá também um processo de evitação do seu aumento,
caracterizado pela fuga ativa de contato com elementos possivelmente dissonantes.
437Até porque, não seria lógico lutar pela diminuição de alguma coisa e ao mesmo tempo
permitir que ela se multiplicasse. Assim, quando nos encontramos em tal situação,
“surge uma força em direção a evitar um aumento da dissonância daí decorrente, a
reduzir essa dissonância e até, se possível, eliminá-la totalmente”.
438E basta.
Eis um panorama da teoria da dissonância cognitiva. Importante, antes de se
prosseguir, se fazer uma breve recapitulação do que já se viu.
Partindo-se, então, do princípio de que todos buscam um estado interior de
consonância (coerência) entre os conhecimentos que possuem (cognições), a teoria da
seletivo, servindo perfeitamente para ilustrar essa questão. Observe-se, a propósito, o exame de tais resultados, nas palavras do pesquisador: “Table 6 shows that under these conditions the recall of desirable ratings is much more accurate than the recall of undesirable ratings. This is the first evidence in our work that something similar to repressive forgetting does occur. More important, however, is the fact that this kind of forgetting is not indicated by the three remaining comparisons. Such a state of affairs points to the possibility that special conditions may be requisites for repressive forgetting. On the basis of the analysis of Table 6 one may guess that one condition depends on the attitude of the individual toward the pleasant or unpleasant material. If the individual agrees with or accepts the unpleasant material, then rapid and complete forgetting of this material may not take place.” (WALLEN, Richard. Ego-involvement as a determinant of selective forgetting. The journal of abnormal and social psychology. Boston, v. 37, p. 20-39, 1942. p. 31).
437 FESTINGER, Leon. Teoria da dissonância cognitiva. Trad. Eduardo Almeida. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1975. p. 35.
438
RODRIGUES, Aroldo. Aplicações da psicologia social: à escola, à clínica, às organizações, à ação comunitária. 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1983. p. 79.
dissonância cognitiva explica, em suma, que a presença de dissonância (incoerência)
entre cognições, inevitavelmente origina pressões (conforme sua magnitude) para sua
redução e evitação do seu aumento, visando a retomada daquele estado “harmonioso”.
Dividida em quatro processos principais (mudança de elementos cognitivos
envolvidos em relações dissonantes; desvalorização de elementos cognitivos envolvidos
em relações dissonantes; adição de novos elementos cognitivos que sejam consonantes
com a cognição existente; e, evitação ativa do aumento desses elementos dissonantes),
e três técnicas específicas para os casos de contato forçado com cognições dissonantes
(percepção errônea, invalidação e esquecimento seletivo), sugere, então, como se está
inclinado a agir em diversas situações cotidianas.
439É dizer que inexoravelmente os conhecimentos (repita-se, opinião ou convicção
sobre si mesmo, comportamento ou meio ambiente) pressupõem correlação quando
decorrentes um do outro. Logo, quando há situações de inevitável incoerência entre
ambos (frustrada a natural evitação desta circunstância), se age (involuntariamente e
voluntariamente) de forma a reduzir ou eliminar essa contradição, a fim de se recuperar
o “status” de congruência plena que tanto é favorável.
Não se pode deixar de notar, à luz de tal teoria, que no âmbito da cognição e do
comportamento humano, crer que se tem razão (autoconvencer-se disso), é mais
importante do que, de fato, a ter. Afinal, a preocupação está sempre voltada ao
(re)estabelecimento da consonância cognitiva, justificando-se até mesmo a prática de
ações estúpidas e aparentemente irracionais.
440-441439 FESTINGER, Leon. Teoria da dissonância cognitiva. Trad. Eduardo Almeida. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1975. p. 232-234.
440
ARONSON, Elliot. O animal social: introdução ao estudo do comportamento humano. Trad. Noé Gertel. São Paulo: IBRASA. 1979. p. 103.
441 A respeito disso, veja-se o exemplo (declaradamente exagerado, mas útil) dado por Elliot Aronson também com cigarros. “Suponha que você é você é vice-presidente de uma grande fábrica de cigarros. Você está colocado numa situação de máximo compromisso com a idéia de fumar cigarros. Seu trabalho consiste em fazer anúncios e vender cigarros para milhões de pessoas. Se é verdade que fumar cigarros dá câncer, então, num certo sentido, você é parcialmente responsável pela morte de um grande número de pessoas. Isso produzirá uma grande dose de dissonância: sua cognição “eu sou um ser humano decente” será dissonante com sua cognição “eu estou contribuindo para a morte prematura de um grande número de pessoas”. Para reduzir essa dissonância você tem que refutar a prova que sugere uma ligação causal entre o cigarro e o câncer. Além disso, a fim de que você se convença de que é uma boa pessoa, de moral inabalável, tem que ir tão longe, para demonstrar que não acredita nas provas, a ponto de fumar muito. Se sua necessidade for grande, você pode até ter êxito no trabalho de convencer a si próprio que o cigarro faz bem. Assim, para você se convencer que é uma pessoa boa, inteligente e correta, pratica uma ação estúpida e prejudicial à sua saúde. Esta análise é tão fantástica que chega a ser quase inacreditável: quase.” (ARONSON, Elliot. O animal social: introdução ao estudo do comportamento humano. Trad. Noé Gertel. São Paulo: IBRASA. 1979. p. 104).