A recolha empírica necessária para a realização da análise quantitativa pressupôs a utilização de um inquérito por questionário administrado online. Vale salientar que, por questões de privacidade, a Universidade do Porto não disponibilizou os endereços de email académico dos estudantes estrangeiros e que a obtenção dos mesmos fez-se através da ferramenta de pesquisa disponível no site da Universidade do Porto. Tratou- se, então, de uma pesquisa feita através do nome dos estudantes – sendo esse um dado que a Universidade do Porto admitiu disponibilizar. Isto é, a pesquisa foi do tipo “um a um” e nem sempre gerou o endereço de email desejado. Por isso, não foi possível enviar o questionário em causa a rigorosamente todos os estudantes estrangeiros da Universidade do Porto. Analisando os referentes ficheiros observou-se que o questionário foi enviado a mais de 95% do total dos estudantes estrangeiros da Universidade do Porto, o que leva a considerar como quase insignificativa a percentagem que não foi incluída, como dito, pela impossibilidade de aceder aos endereços de email. Vale também lembrar que os inquéritos foram enviados para estudantes que pertencem a todas as Faculdades que compõem a Universidade do Porto. Nenhuma das 14 faculdades existentes foi excluída, apesar das dificuldades sentidas no processo de obtenção de dados (a Reitoria da Universidade do Porto facilitou, apesar da longa demora, as listagens de todas as suas faculdades excetuando a Faculdade de Engenharia que foi ulteriormente contactada e que acabou por facilitar os dados num período de tempo mais que louvável). Ao analisar as listagens recebidas observou-se que a faculdade que mais estudantes estrangeiros tem é a Faculdade de Engenharia (para a qual foram enviados 283 questionários). Segue de perto a Faculdade de Letras (com 253 questionários enviados) e, já há alguma distância, a Faculdade de Ciências (com 174 questionários enviados). No outro extremo situam-se a Faculdade de Medicina Dentária (com apenas 11 questionários enviados), a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação e a Faculdade de Farmácia (com apenas 18 questionários cada).
Em suma, o questionário foi enviado a 1164 estudantes estrangeiros (todos inscritos em cursos conferentes de grau) e, apesar do seu reduzido número de itens, foi preenchido por apenas 187 estudantes. Mais concretamente, a taxa de resposta situou-se
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nos 16,1%. Embora baixa, a taxa de resposta não foi considerada uma falha devido à considerável quantidade de inquéritos preenchidos que foi obtida. Aliás, Van Mol, num estudo sobre a mobilidade estudantil na Europa, ao deparar-se com uma taxa de resposta de 10% afirmou: “esta baixa taxa de resposta parece ser uma taxa típica para questionários online” (2010: 4).
Através da abordagem quantitativa pretende-se caracterizar a população estrangeira inscrita em cursos conferentes de grau na Universidade do Porto. Nesta abordagem, a nacionalidade dos estudantes estrangeiros não funcionou como fator determinante da inclusão na amostra pelo simples facto de que as questões ligadas ao contexto europeu que interessa explorar não são mensuráveis e a sua compreensão dificilmente poderia ser alcançada através de uma aproximação quantitativa. Por isso, pela análise dos dados quantitativos deseja-se obter uma leve caracterização do estudante estrangeiro na Universidade do Porto, independentemente da sua nacionalidade. Pelo que foi revisto, uma tal caracterização nunca parece ter sido feita por nenhum estudo focado na migração estudantil.
Além disso, uma caracterização leal da população estudada (estudantes migrantes europeus) feita através de uma abordagem quantitativa não teria sido possível visto que apenas 13% do total dos inquiridos são oriundos de países membros da União Europeia. Ao contar com todos os inquiridos, observa-se uma grande diversidade de nacionalidades, mais exatamente, o questionário foi preenchido por estudantes oriundos de 40 países diferentes.
Um dos mais importantes aspetos que foi tido em conta pelo questionário refere- se à questão da diferenciação entre a “pura” migração estudantil e a migração “comum” que às vezes pode vestir as roupas da migração estudantil (designar-se-á esta de pseudo- migração estudantil). Ou seja, ao olhar para as listagens dos estudantes estrangeiros que frequentam a Universidade do Porto poder-se-ia cair no erro de pensar que todos as pessoas ali listadas são estudantes migrantes (migraram com o fim supremo de estudar). De facto, pode haver lá estrangeiros já imigrantes em Portugal que escolheram a Universidade do Porto pelas mesmas razões que levam um portuense a escolhê-la. Por isso, foi considerado fundamental na própria elaboração do questionário fazer a separação entre aquilo que no capítulo teórico foi nomeado de “falsa” imigração estudantil e de migração estudantil “por escolha”. Para este efeito, a primeira pergunta introduzida tinha a seguinte forma: “Veio para Portugal para estudar ou já estava a viver cá?”. As respostas confirmaram, além da crescente tendência para a
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internacionalização, o poder cada vez mais forte de atração que Universidade do Porto tem manifestado. Assim como o gráfico 1 mostra, uma maioria mais que significativa de estudantes estrangeiros (78%) vieram para Portugal especialmente para estudar. Estes pertenceriam à categoria da migração estudantil “por escolha” ou à “verdadeira” migração estudantil. Os restantes 22% poderiam ser enquadrados na categoria “falsa” migração estudantil ou pseudo-migração estudantil visto que o seu deslocamento aconteceu por outras razões e não pela procura de uma percurso académico internacional.
Como a migração estudantil é um processo linear que comporta tanto um início como um fim, pretendeu-se, pela utilização do inquérito, vislumbrar o fim deste processo. Por isso, foi criada a pergunta: “Planeia regressar ao seu país de origem quando acabar o curso em Portugal?:
78% 22%
Veio para Portugal para estudar ou já estava a viver cá?
Vim para Portugal por causa dos estudos.
Já estava a viver em Portugal.
Gráfico 1
3%
28%
65%
4%
Planeia regressar ao seu país de origem quando
acabar o curso em Portugal?
Não, permanecerei em Portugal visto que já tenho um emprego cá. Não, permanecerei em Portugal à procura de emprego.
Sim, regressarei ao meu país.
N/R
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Analisando o gráfico 2 observar-se-á que uma percentagem alta de estudantes (65%) planeiam regressar ao país de origem depois de se diplomarem em Portugal. Isto é, para uma maioria significativa de estudantes estrangeiros que frequentam os cursos da Universidade do Porto a migração que estão a atravessar tem o seu fim bem determinado. Ao mesmo tempo, não pode ser ignorada a diferença de percentagem que há entre os estudantes que vieram para Portugal para estudar e aqueles que planeiam regressar (78% versus 65%). Haverá então estudantes que (além dos que já tinham migrado por outras razões) quer viram a migração estudantil como uma porta para migração permanente, quer planeavam, quando migraram, regressar ao país de origem mas entretanto, pela sua experiência em Portugal, decidiram ficar. Para o sustentamento desta suposição vale a pena observar a percentagem significativa (28%) de estudantes que afirmam querer ficar em Portugal à procura de emprego. Na bibliografia sobre migração estudantil existe um discurso conforme o qual a educação internacional serviria, muitas vezes, de porta lateral para a importação de mão-de-obra barata (Lu et al., 2009). Há, ainda, autores que afirmam: “o ensino superior pode ser um caminho para a imigração dos estudantes provenientes de países menos desenvolvidos” (Massey & Malon; Pang & Appleton; cit in Lu et al. 2009: 302). Ao relacionar a alta percentagem de estudantes que planeiam voltar ao país de origem com a baixíssima percentagem (3%) de estudantes que intencionam permancer em Portugal porque já têm emprego cá, torna-se evidente que a questão da migração estudantil vista como porta para a migração permanente não é uma situação recorrente em Portugal . Além disso, a percentagem baixa de estudantes que declaram permanecer em Portugal por já terem emprego está sujeita a duas interpretações igualmente válidas. Primeiro, devido à atual crise económica e às altíssimas taxas de desemprego que Portugal apresenta, é compreensível que um número muito baixo de estudantes estrangeiros tenha conseguido trabalho em Portugal. Segundo, como ser estudante pode ser considerado, por si só, um trabalho a tempo inteiro, os estudantes estrangeiros preferem não trabalhar para que se possam dedicar plenamente ao estudo. O gráfico 3 serve para a confirmação desta hipótese, apresentando uma percentagem muito alta (80,7%) de estudantes que não trabalham enquanto estudam, em oposição a apenas 18,2% que são trabalhadores- estudantes. Esta situação remete para a questão da migração estudantil vista como uma migração de elites. Isto é, podia inferir-se que, se uma percentagem tão alta de estudantes pode “dar-se ao luxo” de não trabalhar enquanto estuda, a migração estudantil, antigamente uma migração de elites, continua a sê-lo. Através do gráfico 4
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observar-se-á que a situação não é propriamente essa. Ou seja, uma parte significativa dos estudantes (43%) gasta por mês, enquanto estuda em Portugal, uma quantia igual ou inferior ao ordenado mínimo nacional.
É, então, mais do que óbvio que estudar e viver gastanto menos ou o equivalente ao ordenado mínimo nacional não remete propriamente para uma elite. Uma percentagem muito próxima a essa que, aliás, constitui a maioria dos estudantes (44%), indica que os valores dos gastos mensais situam-se entre o equivalente a um ordenado mínimo nacional e o equivalente a dois ordenados mínimos. Apenas 10% dos estudantes gastam por mês uma quantia compreendida entre 1000 e 1500 euros enquanto aqueles que gastam uma quantia superior a 1500 € formam apenas 2% do total dos inquiridos e são todos de nacionalidade brasileira. Para a identificação de uma potencial elite
Não Sim NR
80,7%
18,2%
1,1% Enquanto estuda na Universidade do Porto tem
também um emprego? Gráfico 3 43% 44% 10% 2% 1%
Quanto é que gasta por mês enquanto está a
estudar em Portugal?
0 - 500 € 500 - 1000 € 1000 - 1500 € mais de 1500 € N/R Gráfico 466
poderiam ser juntados os que gastam entre 1000 e 1500 euros e aqueles que gastam mais de 1500 euros. Ao fazer isso, observar-se-á que mais de metade (61%) são oriundos do Brasil, facto facilmente explicável pelo caráter emergente que o Brasil assume no mapa mundial das economias.
As marcas da presente configuração económica global são visíveis no caso de Portugal também. Por exemplo, no que diz respeito à questão do trabalho, ao relacionar o gráfico 2 com o gráfico 3 observar-se-á uma decalagem entre os estudantes trabalhadores (18,2%) e os estudantes que afirmam querer ficar em Portugal visto que já têm emprego cá (3%). Isto significaria que os restantes (15,2%), estariam a trabalhar apenas para conseguirem sustentar-se durante os seus estudos enquanto apenas os 3% (que pretendem ficar em Portugal por já estarem empregados) desempenhariam funções que, a partida, os satisfariam do ponto de vista profissional de tal maneira para determinar a sua permanência em Portugal.
Ainda relativamente à questão do trabalho e das intenções futuras, haver uma diferença entre aqueles que escolheram Portugal por causa dos estudos e aqueles que planeiam voltar ao país de origem (gráfico 1 e 2) constitui uma ferramenta que ajuda vislumbrar questões ligadas à própria integração sócio-académica destes estudantes. Conforme (Lu et al., 2009: 291): “as vivências no [país de] destino desempenham um papel importante na decisão de ficar ou voltar”. Por isso, a existência de 32% de estudantes que planeiam permanecer em Portugal pode constituir-se como marca de uma integração bem-sucedida.
Relativamente às vantagens económicas trazidas pela internacionalização das universidades, já referidas no capítulo teórico, lembrar-se-á que as quantias apresentadas pelo gráfico 4, sejam elas altas ou baixas, são quantias que não iam ser gastas em território português se a Universidade do Porto não fosse considerada atrativa pelos estudantes estrangeiros.
Mantendo a análise ao nível da sustentantabilidade económica dos estudantes estrangeiros, foi contemplada a questão dos apoios financeiros vindos através de canais institucionais. Por isso, foi introduzida a pergunta: “Tem alguma bolsa ou algum tipo de ajuda financeira do seu país de origem para conseguir estudar em Portugal ou está a suportar todos os custos dos seus estudos?”. Os resultados mostram um nível inquietante de estudantes que não usufruem de nenhum tipo de apoio financeiro (63%), acontecimento esse, capaz de justificar a alta percentagem de estudantes que gastam por mês um montante igual ou inferior ao ordenado mínimo. Em relação à origem das
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bolsas recebidas, a percentagem é praticamente igual, assim como se pode observar no gráfico abaixo:
A quantidade de estudantes com bolsa do estado português é igual àqueles que beneficiam de uma bolsa do seu país/da União Europeia. Está situação é capaz de se tornar surpreendente, se tomada em conta a contensão económica que tem colonizado todo o sistema educativo português e nomeadamente a sua vertente social. Não deve ser esquecido o facto de que a existência de uma bolsa de estudos pode estar, às vezes, na base do próprio impulso migratório. Sendo assim, não será descartada a probabilidade que uma maioria dos 36% dos estudantes que estão a estudar com apoios institucionais tenham migrado mesmo devido à existência da bolsa. No caso dos estudantes que têm uma bolsa do estado português, a escolha do país é facilmente compreensível. No caso dos outros estudantes, cujos apoios vêm dos seus países de origem ou da União Europeia, Portugal pode ter sido escolhido como destino pelo custo de vida relativamente baixo, pelo menos se comparado com outros países ocidentais.
Em relação ao custo de vida, contemplar-se-á, com a ajuda dos próximos dois gráficos, uma situação que parece estar a contribuir muito para o aumento da atratividade que na Universidade do Porto se tem verificado . Isto é, se forem analisados alguns países com tradição na migração estudantil, ver-se-á que os seus custos de vida são completamente diferentes do custo de vida que Portugal apresenta. Por exemplo a França, a Inglaterra, a Alemanha, os Estados Unidos e mesmo a Itália, não são países nos quais seja propriamente possível viver com uma quantia mensal inferior a 500 €.
18%
18% 63%
1%
Recursos financeiros
Tenho uma bolsa do meu país / da União Europeia
Tenho uma bolsa do Estado português.
Estou a suportar (sozinho ou com a ajuda da família) os custos dos estudos em Portugal.
N/R
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Mas, os estudantes estrangeiros em Portugal, além de conseguirem viver com valores mensais consideravelmente baixos ainda se “demasiam” escolhendo residências muito bem localizadas.
Assim como o gráfico 6 mostra, uma maioria significativa (63,6%) dos estudantes estrangeiros moram na própria cidade do Porto. Outra maioria dos restantes moram no distrito do Porto enquanto apenas 5,9% do total dos inquiridos moram em distritos diferentes e, portanto, mais longínquos. É digno de ser sublinhado também o facto de que, fora os “sortudos” que moram na própria cidade do Porto, as próximas percentagens mais altas (9,6%, 8,6%, 6,4%) juntam estudantes que moram em cidades ligadas ao Porto pela rede do metropolitano, situação que as torna em lugares de residência com um certo grau de privilégio (Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Maia).
Relativamente à maioria dos estudantes que moram na própria cidade do Porto, o gráfico 7 aparece como ilustrativo. Foi entendido como importante realizar a distribuição por freguesia dos estudantes que moram na cidade do Porto tendo em conta não se trata de uma cidade que ajunte num único campus todas as suas faculdades e estas estão, de uma certa forma, espalhadas pela cidade. Neste quadro, apareceu como útil compreender, já que uma maioria dos estudantes têm o privilégio de morar na cidade na qual estudam, se o seu privilégio é ainda maior , estendendo-se até à proximidade espacial entre a sua residência e a faculdade que frequentam.
Voltando a juntá-los à questão dos gastos mensais, os resultados voltam a ser surpreendentes. Isto é, embora a Universidade do Porto não tenha um campus que inclua todas as faculdade que a formam, observa-se que 50% das faculdades são localizadas na freguesia de Paranhos (7 faculdades de 14). É portanto relevante, mais uma vez, a percentagem alta de estudantes que vivem tanto na cidade do Porto como na freguesia de Paranhos (30,3%). Segue-se de perto a freguesia de Cedofeita (com 21,8%), Massarelos (10,9%) e Santo Ildefonso (8,4%), três freguesias que podem corresponder àquilo que geralmente é percecionado como “centro da cidade”. Haveria, então, ao lado daqueles que têm o privilégio de morar a distâncias mínimas das suas faculdades, outros estudantes cuja localização central permite proporcionar o caráter turístico inerente a qualquer experiência estudantil-migratória. Voltando a relacionar os níveis dos gastos mensais com o conforto permitido e comparando o Porto com outras cidades dos já referidos países com tradição na migração estudantil, dificilmente é que poderiam ser encontrados, com os mesmos gastos ou com gastos próximos, os mesmos níveis de liberdade de escolha em termos de conforto residencial. Ou seja, seria possível
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morar no centro de Paris ou de Londres com a mesma quantia utilizada para morar no centro do Porto?
Ao analisar o gráfico 8, que contempla os esquemas de habitação nos quais os estudantes se encontram inseridos, revelar-se-á uma outra marca do conforto residencial que os estudantes estrangeiros têm no Porto, mesmo com poucos recuros.
A maioria dos estudantes (41%) responderam: “Moro num quarto alugado mas divido a casa ou o apartamento com os outros inquilinos”. Este esquema é um dos mais comuns na vida estudantil, por isso, o facto de ser maioritário não gera nenhum tipo de admiração mas apenas confirma uma realidade geralmente conhecida. Aquilo que realmente admira é a alta percentagem de estudantes (39%), quase igual à maioria, que
0,5% 0,5% 0,5% 0,5% 1,1%1,1%5,9% 6,4% 8,6% 9,6%
63,6%
1,6%
Distribuição geográfica dos estudantes estrangeiros por cidade de residência
Gráfico 6 0,8% 1,7% 2,5% 3,4% 4,2% 5,9% 8,4%10,9% 21,8% 30,3% 5,0%
Residentes no Porto - distribuição por freguesias
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moram sozinhos numa casa ou num apartamento. Por consequência, ao lado da possibilidade de morar na cidade na qual se estuda e da oportunidade de morar na freguesia que concentra o maior polo universitário, haveria também o privilégio de ter à sua disposição uma casa inteira! Relacionando isto com os gastos mensais dos estudantes, poderia concluir-se que o custo de vida da cidade do Porto é uma das mais valiosas “armas” que a Universidade do Porto tem. É uma “arma” que a Universidade do Porto podia utilizar na competição com as suas homólogas de países que historicamente têm constituído pólos de receção de estudantes estrangeiros.
Tendo em conta a posição mundial de Portugal, visto como ex-império, era espetável que uma maioria significativa dos estudantes estrangeiros que a Universidade do Porto atrai fossem oriundos das antigas colónias. Assim como o gráfico 9 ilustra, trata-se, sim, de uma maioria, embora com percentagens bastante próximas entre as duas situações. 39% 5% 41% 9% 6%
Enquanto estuda no Porto, em que tipo de esquema está a morar? Moro sozinho numa casa ou num apartamento.
Moro num quarto alugado e o senhorio mora na mesma casa ou apartamento.
Moro num quarto alugado mas divido a casa ou o apartamento com os outros inquilinos. Moro numa residência universitária.
N/R
Gráfico 8
59% 41%
Relação com a Língua Portuguesa
português - língua materna português - língua não- materna
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Ter, entre os estudantes estrangeiros, 41% de não-falantes nativos de português vem confirmando a crescente atratividade que a Universidade do Porto foi adquirindo no mercado educativo mundial. A reflexão sobre a língua feita por Tremblay (2001: 110) retrata muito bem esta questão:
“A análise geográfica dos fluxos migratórios estudantis sugeriu que, de facto, enquanto as barreiras linguísticas parecem ser um obstáculo na atracção dos estudantes para os países cujas línguas são pouco usadas a nível internacional, os países onde o ensino se dá em línguas historicamente ou economicamente importantes (inglês, francês, alemão) são caraterizados, pelo contrário, por uma propensão muito maior para receber estudantes estrangeiros.”
Sendo assim, o facto de conseguir atrair uma percentagem relativamente alta de estudantes estrangeiros, oriundos de países que não têm o português como língua oficial, revela a existência de certos aspetos que tornam a Universidade do Porto atraente do ponto de vista dos estudantes estrangeiros. A importância destes aspetos parece ser bastante alta tendo em conta que eles se mostram capazes de compensar o “handicap” linguístico que Portugal apresenta no quadro do mercado educativo global.
No que diz respeito à língua, vista como elemento determinante da integração sócio-académica dos estudantes estrangeiros, foi considerado importante identificar o nível de conhecimento da Língua Portuguesa que os próprios estudantes consideram ter. É imprescindível que se tenha em conta que a medição do nível de português é feita pelos próprios estudantes e, por isso, está sujeita a altos graus de subjetividade. Aquilo que um estudante considera ser um nível elementar de português, pode corresponder, de