Études phytochimiques de Sandwithia guyanensis et Sagotia racemosa
8.2 Composés d'intérêt de Codiaeum peltatum .1 Description de la plante.1 Description de la plante
1.3.2.1.1. Predisposição
A suscetibilidade ao desgaste erosivo apresenta uma grande variabilidade entre indivíduos. Esta variabilidade ocorre quer a nível da composição dos tecidos dentários como a nível da composição salivar e composição da pelicula adquirida(Akkus et al., 2017; Lussi et al., 2008), a qual é formada por proteínas salivares, protege o tecido dentário diluindo e neutralizando as substâncias ácidas encurtando os episódios erosivos (Hannig et al., 2014).
A película adquirida é então uma camada proteica que se forma rapidamente (alguns minutos(Hannig, 1999)) em superfícies dentárias quando removida após escovagem, ou dissolução química. Sugere-se que cresça até chegar a um equilíbrio entre adsorção de proteína e de-adsorção(Rosan et al., 2000) sendo que a sua atividade enzimática é detetável logo nos seus estágios iniciais(Lendenmann et al., 2000).
A película adquirida pode proteger contra a erosão, atuando como uma barreira de difusão ou uma membrana seletiva que evita o contato direto entre os ácidos e a superfície do dente, reduzindo a taxa de dissolução da hidroxiapatite(Cheaib et al., 2011). Quando comparamos a pelicula dentária de pacientes que sofrem de erosão dentária, estes apresentam metade do volume de proteínas presentes normalmente em indivíduos saudáveis(Carpenter et al., 2014). De entre as várias proteínas constituintes destacamos as mucinas. Estas, como já referido, aderem à superfície dentaria inibindo a desmineralização e permanecendo na pelicula mesmo após um ataque erosivo(Cheaib et al., 2011; Delecrode et al., 2015).
Assim a diminuição não só de mucinas, mas também de Proline Rich Proteins (PRP) e estaterinas, que atuam mantendo o meio salivar supersaturado com iões de
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cálcio é um potencial causador de erosão dentária(Carpenter et al., 2014; Jarvinen et al., 1991; Lussi et al., 2008; Rytömaa et al., 1998). Esta diminuição pode ser provocada por vários fatores como já referido anteriormente sendo os mais estudados a idade, medicação, radiação da cabeça e pescoço e Síndrome de Sjögren.
Finalmente também devemos ter em consideração a anatomia e localização das peças dentárias. Assim após o estímulo erosivo, diferentes zonas na cavidade oral recuperam o seu pH salivar em tempos diferentes. Nos dentes molares esta recuperação é mais lenta do que por exemplo nas superfícies palatinas dos incisivos superiores talvez devido à morfologia dentária que retém o liquido agressor durante mais tempo(Millward et al., 1997). Numa lesão erosiva esta eliminação deverá ser ainda mais demorada amplificando o efeito erosivo(Lussi et al., 2008).
Devemos considerar também os movimentos dos tecidos moles na duração do efeito erosivo na cavidade oral. Tem sido considerado a ação da língua como fator importante na lesão erosiva devido aos seus movimentos mecânicos após o amolecimento inicial da peça dentária(Lussi et al., 2008).
1.3.2.1.2 Refluxo gastro esofágico
O refluxo gastro esofágico, definido como o relaxamento involuntário do esfíncter esofágico inferior que permite a subida do ácido presente no suco gástrico, é uma patologia relativamente comum a nível mundial(Dundar et al., 2014). Nesta condição o suco gástrico vai para a cavidade oral podendo permanecer tempo suficiente para causar lesões erosivas e, frequentemente estes episódios ocorrem quando o fluxo salivar é reduzido como por exemplo durante o período noturno(Dundar et al., 2014; Ranjitkar et al., 2012).
Estes episódios ocorrem sem envolvimento do sistema nervoso autónomo, e por isso não existe um aumento do fluxo salivar concomitante, existindo um intervalo de tempo em que o ácido gástrico atua sobre a superfície dentária antes que a
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diminuição do pH na cavidade oral provoque o aumento do fluxo salivar mas o seu efeito na remineralização do esmalte após um ataque erosivo é controversa(Hara et al., 2006; Jager et al., 2011).
Mesmo em situações em que existe um aumento substancial do fluxo salivar imediatamente antes do refluxo, como nos doentes bulímicos em que existe envolvimento do sistema nervoso autónomo, este não é suficiente para minimizar os danos causados por esta condição(Lussi et al., 2008; Moretto et al., 2015; Saksena et al., 1999).
A investigação nesta área devia ser idealmente baseada em estudos in vivo, mas a medição correta da perda de tecido dentário é dificultada pela baixa precisão dos instrumentos disponíveis (West et al., 2011).
1.3.2.1.3 Hábitos Alimentares
Os hábitos alimentares são dos fatores mais importantes no despiste da etiologia de lesões erosivas. Ao considerarmos este fator não só o tipo de alimento ou bebidas acídicas que consumimos é levado em conta, mas também a quantidade, frequência e modo de consumo.
Ao considerarmos a evolução dos padrões de consumo alimentar ao longo dos
anos com o aumento do consumo de bebidas acídicas como a Coca-cola® ou o
consumo de medicamentos como a aspirina(Slining et al., 2013) verificamos que existe uma correlação entre o modo de consumo destes potenciais produtos erosivos, por exemplo no tempo que permanecem na cavidade ou o modo de deglutição dos mesmos, com os dentes afetados(Cheng et al., 2009).
Por exemplo o risco de erosão dentária ao beber uma bebida acídica é menor se esta for feita rapidamente uma vez que o tempo de exposição das superfícies
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dentárias às bebidas acídicas é menor do que se bebermos um gole prolongado em que a bebida permanece na cavidade oral( Cheng et al., 2009).
Para minimizar este risco ao consumirmos este tipo de bebidas é aconselhável então que esta seja bebida rapidamente de modo a diminuir o tempo de ação erosiva da mesma(Cheng et al., 2009; Johansson et al., 2002). Naturalmente o volume e a frequência de tomas diárias também deve ser reduzidas(Dugmore et al., 2004).
Finalmente devemos estar conscientes de que o consumo destas bebidas gaseificadas afeta não só os tecidos dentários como também materiais restauradores utilizados em Medicina Dentária(Maganur et al., 2015).
1.3.2.1.4. Medicamentos e suplementos dietéticos
Alguns medicamentos e suplementos dietéticos (principalmente, comprimidos de vitamina C) são potencialmente erosivos se estiverem na forma de comprimidos mastigáveis ou bebidas efervescentes. Outros medicamentos podem ter como efeito secundário a hipossialia a qual indiretamente poderá aumentar o potencial erosivo de outros agentes. Entre estes encontramos antidepressivos, benzodiazepinas, diuréticos e anti-hipertensivos entre outras(Mohammed, 2014; Villa et al., 2016).
Por outro lado, rebuçados acídicos têm sido utilizados como estimulantes da secreção salivar e devido ao seu baixo pH podem provocar o aumento de lesões erosivas(Lussi et al., 2012).
Para contrariar este potencial erosivo fabricantes como a Dentaid® têm
colocado na sua composição flúor e cálcio amorfo entre outros constituintes(Tenovuo et al., 2008).
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1.3.2.1.5. Higiene Oral
A escovagem dentária normal não possui efeitos nocivos sobre os tecidos dentários hígidos. No entanto superfícies dentárias amolecidas por exposição a produtos ácidos, são vulneráveis à abrasão por ação da escovagem dentária (Lussi et al., 2008). Isto, no entanto, não é motivo para evitar a escovagem. Alguns estudos indicam que é aconselhável bochechar com um elixir com flúor após o estímulo(Magalhães et al., 2009). Além disso a escovagem dentária é um veículo de uptake de flúor, útil na prevenção de lesões dentárias(Carvalho et al., 2015).