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O espectro no I V do composto 3 (pág, 162) evidencia uma banda larga de absorção de estiramento entre 3400-3600 cm"1 característica de grupo hidroxilo, bandas de estiramento de grupo C=C de anel aromático a 1600, 1580, 1490 e 1450 cm"1, semelhantes às bandas observadas no espectro de IV do composto 1 e 2 e uma banda de forte intensidade a 1650 cm"1 que poderá corresponder a um grupo carbonilo conjugado.

Através do espectro no UV (pág. 162) verificou-se a presença de bandas de absorção a 217, 242, 288 e 308 nm (log £ 4,2, 3,6, 3,1 e 3,4 respectivamente), que sofrem um deslocamento batocrómico para 289 e 315 nm (log £ 3,1 e 3,3), provocado pela adição de uma solução metanólica de cloreto de alumínio, irreversível após a adição de uma solução ácida. Este facto poderá indicar a existência de um sistema orío-hidroxibenzoílico [149]:

Resultados e discussão: K. laurina

O espectro de R M N de lH a 200 MHz (pág, 163) revela sinais entre ô 6,9

e S 7,4 (8H) referentes a protões aromáticos. A análise da expansão do espectro nesta região mostra claramente a presença de um multipleto entre 8 7,14 e 7,26 (5H) característicos de grupo fenilo como observado nas estruturas l e 2.

Os restantes protões aromáticos correspondem a um duplo dupleto a Ô 7,35 (IH, J=8,0 e 8,0 Hz) e dois dupletos a ô 6,86 (IH, J=8,0 Hz) e ô 6,76 (IH, J=8,0 Hz). As experiências de desacoplamento mostram que, a irradiação do duplo dupleto a 5 7,35 altera os sinais dos dois dupletos a ô 6,86 e 8 6,76. Este padrão de acoplamento, em conjunto com os valores de deslocamento químico destes protões, revelam a presença de um grupo fenólico 1,2,3- trissubstituído [32]:

6,86 d J=8,0 Hz

6,76 d J=8,0Hz

,35 dd J=8,0 e 8,0 Hz

Na região dos protões alifáticos, o espectro R M N de ]H não mostra sinais de protões olefínicos (~ 5 ppm) mas apenas dois tripletos a 8 2,97 (2H, J=7,0 Hz) e 8 2,59 (2H, J=7,0 Hz) atribuídos a protões benzílicos. Além destes sinais, observa-se um multipleto centrado a 8 1,63 (4H) que, através das experiências de desacoplamento, mostrou acoplamento vicinal com os quatro protões benzílicos. A campo mais alto, ainda se podem observar dois singuletos largos a 8 1,25 e 8 1,28 (12H) correspondentes a protões metilénicos de uma cadeia alquílica, entre dois anéis aromáticos:

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H O ^ ^ ^ ^ C H2 — C H2 (CH2)—CH2—CH2 1,63 n?

1,25 e 1,28 m

Os espectros de RMN de 13C (BB e DEPT, pág. 163) além de evidenciarem um singuleto a 8 175,53 típico de um carbono carbonílico de ácido carboxílico [167], mostram valores de deslocamento químico de grupo fenilo semelhantes ao do composto 1 (ô 142,94 s, 128,39 d, 128,20 d, 125,54

d) e de átomos de carbonos de anel aromático trissubstituído (Ô 163,55 s,

147,64 s, 135,27 d, 122,68 d, 115,82 d, e 110,53 s) [30].

O sinal a Ô 163,55 poderá corresponder a um carbono ligado a um grupo hidroxilo fenólico enquanto que o carbono a 8 110,53 poderá estar ligado a um grupo atractor de electões, neste caso o grupo carbonilo [168]. O singuleto a 8 147,64 deverá ser atribuído a um carbono aromático ligado a um grupo alquilo [168].

Na região dos carbonos alifáticos, além dos dois carbonos benzílicos a 8 36,47 t e 35,97 t, observam-se mais dois valores de deslocamento químico de carbonos adjacentes aos carbonos benzílicos a 8 32,02 t e 31,50 í. Os restantes carbonos metilénicos aparecem como um conjunto de picos sobre- postos entre 8 29,57 e 29,73. Não se observam sinais correspondentes a carbonos metínicos nem metílicos no espectro.

Combinando os dados retirados dos espectros no IV, UV de RMN de lH

e 13C, pode concluir-se que o composto 3 possui a estrutura:

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. O H

«YyVs

Como o espectro de RMN de 13C não permitiu determinar o número de carbonos da cadeia alquílica, devido à aglomeração de sinais dos carbonos metilénicos, recorreu-se à espectrometria de massa para determinar o número de grupos metilénicos entre os anéis aromáticos. O espectro de massa mostrou o pico do ião molecular de m/e=354 que, em conjunto com os espectros de RMN de *H e 13C, indica a fórmula molecular C23H30O3 e a estrutura do composto 3 corresponde a:

. O H

H O

X ^ V ^

Do espectro de massa poderá salientar-se o pico base de m/e=91, atribuído ao ião tropílio obtido pela cisão [J do grupo fenilo [19] e o pico de m / e 152 correspondente ao fragmento devido ao rearranjo McLafferty do anel orfo-hidroxibenzóico [154] (Fig.l3,pág. 69)

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iTN«

H

m/e=152

Fig. 13- Formação do fragmento m/e=152 obtido por espectrometria de massa de impacto electrónico.

5.1. 3.2 Acido 2-hidroxi-6-(12-fenildodecil)-benzóico (4)

O espectro no I V do composto 4 (pág, 163) é quase sobreponível ao espectro do composto 3, sendo as bandas de absorção de estiramento entre 3400-3600 cm"1 características de grupo hidroxilo, bandas de estiramento de grupo C=C de anel aromático a 1600, 1580, 1490 e 1480 cm"1 e uma banda de forte intensidade a 1650 cm"1 que poderá corresponder a um grupo carbonilo conjugado.

Tanto o espectro de R M N de *H a 200 MHz (pág, 163 ) como o espectro de R M N de 13C (pág. 164) são quase coincidentes com os do composto 3, revelando valores de deslocamento químico típicos de derivado de ácido anacárdico. As Tabelas 1 e 2 (pág. 70 e 71) permitem, comparar os valores de deslocamento químico de protão e carbono entre os compostos 3 e 4.

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.OH

"XT

CH2 CH2 ^^~ • ( C H2 )— ( C H2)m— ( C H2)m + 2

Tabela 1 - Valores de 5 de *H dos compostos 3 e 4.

*H composto 3 (/, Hz) composto 4 (/, Hz) H-4 735, dd (8,0 ( :8,0) 735, dd (8,0 e 8,0) H-2"-H- 6" 7,14-7,26, m 7,16-7,25, m H-3 6,86, d (8,0) 6,87, dd (8,0 e 1,0) H-5 6,76, d (8,0) 6,77, dd (8,0 e 1,0) 2 H-1" 2,97, í (7,0) 2,97, f (7,0) 2Hm+2 2,59, f (7,0) 2,59,t (7,0) 2 H-2', 2 Hm+1 1,63, m 1,59, m (CH2)m 1,28 e 1,25, si 1,26, si

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Tabela 2- Valores de 8 de 13C dos compostos 3 e 4.

'C composto 3 composto 4 COOH 175,53 175,59 C-2 163,57 163,59 C-6 147,64 147,79 C-l" 142,94 142,93 C-4 135,27 135,38 C-3", C-5" 128,39 128,36 C-2", C-6" 128,20 128,16 C-4" 125,54 125,51 C-5 122,68 122,73 C-3 115,82 115,86 C-l 110,53 110,46

c-r

36,47 36,43 C-m+2 35,97 35,98 C-2' 32,02 31,99 C-m+1 31,50 31,48 C-m 29,73 e 29,57 29,69 e 29,53

A única diferença significativa entre os compostos 3 e 4 relaciona-se com os seus espectros de massa. O espectro de massa do composto 4 mostra, apesar da semelhança do padrão de fragmentação com o composto 3, a massa molecular relativa de 382 u.m.a.. Esta diferença corresponde a mais dois grupos metilénicos na cadeia lateral correspondendo o composto 4 ao ácido 2-hidroxi-6-(12-fenildodecil)-benzóico.

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5.1. 3. 3. Ácido 2-hidroxi-6-(8Z-pentadecenil)-benzóico (5)

O espectro no IV do composto 5 (pág. 164) evidencia uma banda larga de absorção de estiramento característica de grupo hidroxilo entre 3200-3600 cm-1, bandas de estiramento de grupo C=C de anel aromático a 1600, 1580 cm"1 e uma banda de forte intensidade a 1650 cm"1 que poderá ser atribuída a um grupo carbonilo conjugado.

O espectro no UV (pág. 164), mostra bandas de absorção a 206 e 303 nm (log £ 4,7 e 3,7 respectivamente), que sofrem um deslocamento batocrómico para 303 e 312 nm (log E 4,7 e 3,5 respectivamente) provocado pela adição de uma solução metanólica de cloreto de alumínio. Este deslocamento mantém-se irreversível após adição de uma solução ácida indicando a presença de um sistema orfo-hidroxibenzoílico [149] semelhante aos dos compostos 3 e 4.

O espectro de R M N de *H a 200 MHz (pág, 165) revela sinais referentes a três protões aromáticos entre ô 6,8 e ô 7,4. A análise da expansão do espectro nesta região evidencia três duplos dupletos a Ô 7,36 (IH, J=8,0 e 8,0 Hz), ô 6,87 (IH, J=8,0 e 1,0 Hz) e ô 6,75 (IH, J=8,0 e 1,0 Hz). Tendo em conta os valores de deslocamento químico dos três protões aromáticos, as multiplicidades e o padrão de acoplamento, sugere-se a presença do anel 1,2,3-trissubstituído [30,32] como encontrado no composto 3

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6,87 d d J = 8 , 0 e 1 , 0 H z ^ H

7,36 dd J=8,0 e 8,0 Hz

6,75 d d J=8,0e1,0Hz

Por analogia com os dados referentes aos compostos 1 e 2, os protões olefínicos a 8 5,35 e as constantes de acoplamento de aproximadamente 9 e 5 Hz, sugerem a presença de uma ligação dupla com configuração eis. Além deste sinal, observa-se um tripleto a ô 2,98 (2H, J=7,5 Hz), e dois multipletos centrados a ô 2,01 (4H) e a Ô 1,60 (2H), correspondentes a protões metilénicos adjacentes aos protões olefínicos e benzílicos respectivamente. A campo mais alto surge um singuleto largo a 6 1,27 (-16H) e um tripleto a S 0,87 (3H, J=7,0 Hz) este último atribuído a um grupo metilo terminal.

Os dados até agora analisados sugerem uma estrutura análoga às estruturas dos compostos 3 e 4 diferindo apenas na cadeia lateral insaturada e no grupo metilo terminal.

f

,60 m ,5,35 dd J~9 e 5 Hz

r r v

,1,27 s HOv ^^^0H2—CH2 ( C H2) ~ C H2 C = C CH2 (CH2)—CH3 2,98 í J-7,5 Hz / 1,27 s ) 2,01 m 0,87 f J=7,0 Hz ^ 73

Resultados e discussão: K. laurina

Os espectros de RMN de 13C (BB e DEPT, pág. 165) confirmam não só a presença do ácido orfo-hidroxibenzóico [30,32] idêntico aos compostos 3 e 4 (ô 175,37 s C=0, 163,60 s, 147,65 s, 135,27 d, 122,68 d, 115,82 d, e 110,49 s) como também a ausência de outro anel aromático no composto 5.

O sinal de deslocamento químico a ô 129,84 é atribuído aos dois car- bonos olefínicos. A configuração eis da ligação dupla foi deduzida através dos mesmos argumentos usados para os compostos 1 e 2, baseados nos valores de deslocamento químico dos carbonos alílicos a 8 27,20 [153]. Os restantes valores de deslocamento químico dos carbonos alifáticos (Ô 36,47 í e õ 32,01 t, 31,78 í, 30,92 f, 29,73 t, 28,99 f, 22,66 t) são característicos de uma cadeia lateral alquílica insaturada e o valor a ô 14,09 é referente a um grupo metilo terminal [169].

Além do pico de m/e=152, correspondente ao ião formado pelo rearranjo de McLafferty a partir do ácido 2-hidroxibenzóico, o espectro de massa ainda mostra o pico do ião molecular a 346 u.m.a..

Conjugando toda a informação fornecida pelos espectros no IV, UV, RMN de 1H e 13C, anteriormente descritos, o composto 5 deve possuir a fór- mula molecular C22H34O3 em que o valor de m+n é igual a 8.

A única dúvida na estrutura do composto é a posição da ligação dupla. Na ausência de picos característicos devidos aos fragmentos formados pela quebra da ligação na posição fi à dupla ligação, no espectro de massa, os únicos dados disponíveis para uma tentativa de localizar a posição da ligação dupla são os valores de deslocamento químico do espectro de RMN de 13C.

Como a cadeia lateral do composto 5 contém a ligação dupla e o grupo meïtilo terminal, usaram-se compostos modelo derivados dos ácidos gordos insaturados [170] e comparam-se os valores de deslocamento químico dos seus carbonos com os do composto 5 (Tabela 3, pág. 76). A escolha destes compostos modelo foi baseada não só na configuração eis da ligação dupla, mas também no número de grupos metilénicos entre o grupo metilo

Resultados e discussão: JC. lamina

mitoleico (11), quatro no ácido linoleico (12), três no acetato de cis-7- dodecenilo (13) e dois no acetato de a's-8-dodecenilo (14).

10 11 12 12 8 7 .OAc 9 8 12 13 ,OAc 14 75

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Os valores mais baixos de deslocamento químico dos carbonos do grupo metilo terminal dos compostos 12,13, e 14 (5 13,8; 13,6 e 13,3) e dos carbonos alílicos do composto 13 (S 26,6) bem como os valores bastante altos dos carbonos alílicos dos compostos 12 e 14 (S 27,9 e 28,7), permitiram optar pelos compostos 10 e 11.

Tabela 3 - Valores de 5 de 13C dos compostos 10,11,12,13 e 14.

comp.10 comp. 11 comp. 12 comp. 13 comp. 14

C-l 180,3 180,3 180,2 64,1 64,1 C-2 34,0 34,2 33,8 28,2 28,2 C-3 24,5 24,6 24,4 25,5 25,4 C-4 29,0 29,1 28,9 28,5 28,7 C-5 29,0 29,1 28,9 29,2 28,7 C-6 29,3 29,1 28,9 26,6 29,2 C-7 29,5 29,7 29,4 129,4 26,8 C-8 27,0 27,2 27,9 129,7 129,4 C-9 129,6 129,8 129,6 26,6 129,4 C-10 129,8 130,2 127,7 31,6 28,7 C - l l 27,0 27,2 25,3 22,0 22,5 C-12 29,5 29,7 127,7 13,6 13,3 C-13 29,3 29,1 129,8 - - C-14 29,0 31,9 27,9 - - C-15 29,0 22,7 28,9 - - C-16 31,8 14,1 31,1 — - C-l 7 22,7 - 22,4 — - C-18 13,9 - 13,8 — —

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Embora os valores de deslocamento químico dos carbonos alílicos e do grupo metilo terminal do composto 5 (8 27,20 t e 14,09 q) sejam mais próxi- mos dos do ácido palmitoleico (11) (ô 27,2 e 14,1) do que do ácido oleico (10) (8 27,0 e 13,9), a opção por cinco ou sete grupos metilénicos entre a ligação dupla e o grupo metilo terminal para o composto 5 não foi decisiva devido à semelhança dos valores de deslocamento químico dos restantes carbonos.

Para confirmar a localização da ligação dupla, recorreu-se à preparação do derivado tiometilado, seguido de análise por CG-MS (pág. 157 e 158)..

. Tiometilação do composto 5

O EM-IE do derivado tiometilado do compostro 5 mostra um pico significativo com valor de m/e=396 referente à descarboxilação e adição de 94 u.m.a.. Os restantes picos do espectro com valores de m/e=251 e m/e=145, são os picos mais intensos e referem-se aos fragmentos (A+) e (B+).

A Fig. 14 (pág. 78) mostra o padrão de fragmentação do composto 5 tiometilado, o qual confirma a posição da ligação dupla em C-8'.

Os compostos 1, 2, 3, 4 e 5 isolados neste trabalho são derivados dos ácidos anacárdicos, cardóis e cardanóis contendo uma cadeia n-alquilfenílica, excepto o composto 5 com uma cadeia alquílica.

O composto 1 é descrito pela primeira vez, enquanto que os compostos 2, 3, 4 e 5 foram isolados do óleo das sementes de Knema elegans após conversão em ésteres acetilmetílicos e a sua separação por HPLC (coluna de fase reversa) [27]. O composto 4 foi também isolado de espécies de Knema

furfuracea [30] e Knema tenuinervia (Myristicaceae) [32], enquanto que o

composto 5 foi isolado do óleo da casca de castanha de caju (Anacardiaceae) [34-36].

Resultados e discussão: K. laurina HO, SCH3 SCH3 (CH2) C H - - C H ( C H2) - — C H3 m+n=12 m/e=396 (A+) + S C H3 II H °v^/^ v ^ '( C H 2 )7 C H

XX

m/e=251 (B+) r SCH? H C — ( C H2)5 CH3 m/e=145

V.

SHCH3 H C = ( C H2) — CH3 m/e=97

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5.1.4. 2,4-Diidroxi-6-(10-fenildecil)-acetofenona (6)

A análise do espectro no IV do composto 6 (pág. 166), não mostrou grande diferença com os dos compostos 3, 4 e 5 evidenciando uma banda larga de absorção de estiramento característica do grupo hidroxilo entre 3200- 3600 cm"1 e bandas de estiramento de grupo C=C de anel aromático a 1590, 1490 e 1450 cm"1. No entanto, a banda de forte intensidade, que poderá corresponder a um grupo carbonilo conjugado, é encontrada a menor frequência a 1620 cm"1, relativamente a 1650 cm"1 para os compostos 3,4 e 5.

O espectro no UV (pág, 166), mostra bandas de absorção a 203 e 276 nm (log £ 3,3 e 2,7 respectivamente) que, em meio alcalino, sofrem um deslo- camento batocrómico para 209 e 332 nm (log £ 4,4 e 3,0 respectivamente), indicando a presença de grupo hidroxilo fenólico. A formação de um quelato, após adição de cloreto de alumínio, estável em meio ácido, é indicativa da existência de um sistema orfo-hidroxibenzoílico [149].

O espectro de RMN de *H a 200 MHz (pág, 166), mostra um singuleto largo a 8 13,18 (2H), um multipleto entre ô 7,15 e 7,30 (5H) e um singuleto largo a 5 6,27 (2H). Após adição de D20 apenas desaparece o sinal a 8 13,18.

Este: facto não só mostra que este sinal pertence aos grupos hidroxilo fenólico, devendo um deles estar em ponte de hidrogénio intramolecular com o grupo carbonilo na posição orto, mas também que o singuleto largo a 8 6,27 poderá corresponder a dois protões aromáticos especialmente protegidos.

Os valores de deslocamento químico entre 8 7,15 e 8 7,30 (5H) são, sem dúvida, pertencentes a um grupo fenilo análogo ao dos compostos 1,2, 3 e 4.

A ausência de protões de grupo metoxilo no espectro de RMN de *H faz supor que os dois protões aromáticos, com valor de deslocamento químico a 8 6,27, deverão situar-se no anel fenólico de acordo com as estruturas parciais:

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O H •*/»

Na região alifática do espectro, os protões metilénicos da cadeia alquílica saturada são observados como :

- dois tripletos correspondentes a protões benzílicos a ô 2,78 (2H, J=7,4 Hz) e ô 2,59 (2H, J=7,4 Hz), um multipleto a ô 1,59 (4H) e um singuleto ô 1,29 (~ 12H) referente a protões metilénicos. Além destes sinais, a presença de um singuleto a S 2,62 (3H), sobreposto ao tripleto a 5 2,59, pode através do seu valor de deslocamento químico, corresponder à presença de um grupo meti lo ligado a um carbono sp2 não protonado.

A ausência de sinais de protões olefínicos contribui para eliminar a hipótese da ligação deste grupo metilo a uma ligação dupla. Consequen- temente, o grupo metilo poderá estar ligado a um anel aromático ou a um grupo carbonilo. A opção pela segunda hipótese foi baseada na comparação dos valores de protões metílicos do composto 6 com os do composto modelo 15 [171]:

Resultados e discussão: K. laurina 0

=^c^

C

?

3 2,60, s OH y 2,35, s 15

Como se pode observar, a diferença entre o valor de deslocamento químico do grupo metilo ligado a um anel aromático (ô 2,35) e dos protões metílicos ligados ao grupo carbonilo (8 2,60 ppm) é muito significativa.

A acetilação do composto 6 (pág., 167) foi efectuada para confirmar a existência de dois grupos hidroxilo fenólico e determinar as suas posições no anel aromático. A análise dos espectros de RMN de lH (Tabela 4 pág. 82) do

composto original e do seu derivado acetilado mostra, a presença de dois singuletos a 8 2,28 (3H) e 2,25 (3H) correspondentes a dois grupos metilo de grupos acetoxilo ligados a núcleo aromático. Observa-se também um deslocamento para campo mais baixo do singuleto largo referente aos protões aromáticos de 8 6,27 para 8 6,86. A diferença de deslocamento químico de 0,59 ppm indica que estes protões estão situados em posição orto relativamente aos grupos hidroxilo fenólicos sofrendo um efeito parama- gnético após acetilação.

Pelo contrário, os protões metílicos (8 2,62, s) e benzílicos (8 2,78, í) foram deslocados para campo mais alto, para 8 2,46 e 2,59 respectivamente, o que indica claramente que um grupo carbonilo está em posição orto aos grupos hidroxilo fenólico e benzílico, apoiando a estrutura de 2,4-dii- droxibenzoílo para o composto 6.

b

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Tabela 4- Valores de ô de lH do composto 6 e derivado acetilado.

H composto 6 (J, Hz) Deriv. acetil (J, Hz) A ppm

2 OH 13,18, s, 1 - H-2"- 6" 7,15-7,30, m 7,16-7,27, m H-3, 5 6,27, s, 1 6,86, s, 1 ArCH2 2,78, f, (7,4) 2,59, Í, (7,4) ArCH2 2,59, f, (7,4) 2,54, t,(8,0) COCH3 2,62, s 2,46, s 2 (CH2) 1,59, m 1,59, m 6 (CH2) 1,29, s, 1 1,25, s, 1 OC:OCH3 - 2,28, s OCOCH3 - 2,25, s

Os dados de RMN de 13C (BB e sequência DEPT, pág. 166) do composto 6 também corroboram a existência da estrutura 2,4-diidroxibenzoílo, através da piresença de seis valores de deslocamento químico dos carbonos de um grup>o fenilo tetrassubstituído C-2 (165,68 s), C-4 (161,42, s), C-6 (147,89 s), C-l (115,04 s), C-3 (110,92 d) e C-5 (101,56 d), enquanto que, na estrutura, 2,6-diidroxibenzoílo, que é simetricamente substituída, os carbonos aromá- ticos evidenciam apenas quatro sinais [172,173].

Nestes espectros ainda se observa a presença de um sinal corres- pondente a carbono carbonílico de cetona a 8 204,51, e os sinais de carbono de grupo fenilo C-l" (142,84 $), C-2" e C-6" (128,32 d), C-3" e C-5" (128,16 d), e C-4" (125,50 d), dos carbonos benzílicos (36,25 t e 35,90 í) e carbonos adjacentes (32,16 t e 31,42 t). O valor de deslocamento químico do carbono metílico do grupo metilcetona a 8 32,03 do composto 6 é bastante mais alto do que o correspondente carbono metílico de uma acetofenona (16) (8 26,3)

0,59 0,19

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26,3

137,3

16

Este facto poderá ser devido à presença do grupo hidroxilo em posição

orto ao grupo carbonilo, formando com este ponte de hidrogénio intramo-

lecular.

Devido à sobreposição dos vários sinais entre ô 29,63 e 29,33, não foi possível determinar o número de carbonos metilénicos da cadeia que liga os dois anéis aromáticos.

O espectro de massa de baixa resolução indicou a massa molecular relativa de 368 u.m.a., o que equivale a uma cadeia lateral com dez grupos metilénicos. Além da massa molecular relativa, observa-se um pico de m/e==166 típico de rearranjo McLafferty [154] (Fig. 15), e dos picos de m / e =151 e m/e=123, referentes à perda do grupo metilo e carbonilo respectivamente.

°^c^

C H 3

HO.

.CH,

OH m /e= 166

Fig. 15- Formação do fragmento m/e=166 obtido por espectrometria de massa de impacto electrónico.

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Com base no espectro de massa e em conjunto com os espectros de IV, UV, RMN de ^ e d e 1 3C, foi possível atribuir ao composto 6 a fórmula molecular C2 4H3 203 correspondente ao 2,4-diidroxi-6-(10-fenildecil)-ace-

tofenona, agora descrito pela primeira vez.

Resultados e discussão: K. taurina

5.1. 5. (-)-7-Hidroxi-3', 4'-metilenodioxiflavana (7)

O espectro no IV do composto 7 (pág. 167) evidencia uma banda larga de absorção de estiramento característica de grupo hidroxilo entre 3200-3600 cm"1, bandas de estiramento de grupo C=C de anel aromático a 1620, 1500 e 1490 cm"1, e uma banda de forte intensidade a 1250 cm"1 de estiramento da ligação C-O.

A natureza fenólica do composto foi evidenciada pelo espectro de UV (pág 167) que mostra um deslocamento batocrómico das bandas de absorção a 208 e 284 nm ( log £ 4,0 e 3,5 respectivamente) para 215 e 289 nm (log £ 4,0 e 3,5 respectivamente), após adição de uma solução metanólica de hidróxido de sódio [149].

O espectro de RMN de ]H a 200 MHz (pág. 168) revela na zona aromática a presença de um multipleto entre ô 6,4 e 7,0 (6H). A análise da expansão desta região, mostra que estes protões aparecem como três duple- tos a 8 6,93 (J=8,0 Hz), S 6,92 (J=2,0 Hz), a 8 6,80 (J=8,0 Hz), dois duplos dupleto a S 6,87 (J=8,0 e 2,0 Hz), a 8 6,40 (J=8,0 e 2,0 Hz) e um singuleto largo a 8 6,38. Tanto as experiências de desacoplamento como o espectro bidimensional (COSY) mostram que apenas o protão a 8 6,93 está acoplado com o protão a 8 6,40. Não foi possível verificar o acoplamento entre os restantes protões devido aos deslocamentos químicos muito próximos.

Na região dos protões alifáticos verifica-se a presença de um singuleto 8 5,96 (2H) característico de protões do grupo metilenodióxido e um singu- leto largo a 8 4,85, que desaparece após adição de D20, atribuído ao protão do

grupo hidroxilo fenólico.

O sinal do grupo metilenodióxido, juntamente com os valores de deslocamentos químicos e constantes de acoplamento dos protões aromáticos

Resultados e discussão: K. laurina

levam a sugerir a estrutura parcial referente a um anel metilenodioxifenilo [175,176]:

6,92 d J=2,0 Hz

6,80 d J=8,0 Hz 6,87 dd J=8,0 e 2,0 Hz

Os restantes protões aromáticos devem pertencer a um anel aromático trissubstituído contendo o grupo hidroxilo fenólico [175,176].

HO.

6,40 dd J-8,0 e 2,0 H2

6,38 s

6,93 d J-8,0 Hz

Além dos sinais referentes aos grupos metilenodióxido e hidroxilo fenólico na região dos protões alifáticos, ainda se observa um duplo dupleto a 8 4,96 (IH, J=9,8 e 2,8 Hz) e dois multipletos entre S 2,65 e 2,98 (2H) e entre 8 1,92 e 2,21 (2H).

Resultados e discussão: K. laurina

A expansão do espectro na região entre Ô 2,65 e 2,98 mostrou que estes protões aparecem como dois duplo duplo dupletos a ô 2,90 (IH, J=16,0; 10,6 e 6,0) e ô 2,71 (IH, J=16,0; 4,7 e 3,5 Hz). Como se observa na (Fig. 16), as experiências de desacoplamento e o espectro bidimensional (COSY) mos- traram que o duplo dupleto a ô 4,96 está acoplado com o multipleto entre 5 1,92 e 2,21 e este, por sua vez, está acoplado com os duplo duplo dupletos a ô 2,90 e 2,71. Os valores da constante de acoplamento do duplo dupleto a ô 4,96 (J=9,8 e 2,8 Hz) sugerem uma posição adjacente a um grupo metilénico com acoplamento axial-axial e axial-equatorial.

4,96 dd J=9,8 e 2,8 Hz Á 2,90 ddd J=16,0; 10,6 e 6,0 Hz

A S M

H Hr * / " " H 1,92-2,21 m 2,71 ddd J=16,0;4,7e3,5Hz

Fig. 16- Valores de 8 de *H do anel pirânico.

O valor de deslocamento químico a ô 4,96 sugere a presença de um protão metínico ligado a um grupo retirador de electrões.

Este valor é típico de um protão oximetínico, enquanto que o valor dos deslocamentos químicos dos duplos duplo dupletos a 5 2,90 e 2,71 poderão ser atribuídos a protões benzílicos. Com base nestes dados e o teste de Gibbs negativo [177] podem propôr-se, nesta fase, duas estruturas alternativas para o composto 7:

Resultados e discussão: K. laurina

Embora o ponto de vista biogenético favoreça a estrutura 7-hidroxi- flavana, a eliminação do derivado 6-hidroxilado é também baseada nos valores de deslocamento químico dos protões H-8 e H-5 pois o H-8 deveria aparecer como um dupleto a ô 6,40.

O espectro de RMN de *H do derivado monoacetilado (pág. 168) (OCOCH3, 8 2,28, s), confirmou o padrão de substituição dos anéis aromá- ticos da estrutrutura 7-hidroxiflavana, devido aos deslocamentos químicos sofridos por esses protões após acetilação. Como se pode observar na Tabela 5 (pág. 89), enquanto que os protões do anel metilenodióxifenilo não sofreram nenhuma alteração, o duplo dupleto a 8 6,40 e o singuleto a S 6,38 do composto original, são deslocados para campo mais baixo a ô 6,60 (A=0,20 ppm) e 8 6,62 (A=0,24 ppm) respectivamente, indicando a sua posição or to ao grupo hidroxilo fenólico. O dupleto a 8 6,93 (J=8,0 Hz) sofreu um deslocamento menor para campo mais baixo (A=0,14 ppm) aparecendo a 8 7,07 no espectro do derivado acetilado, corroborando a sua posição meta em relação ao grupo hidroxilo fenólico. Os valores de deslocamento químico dos protões metilénicos do anel pirano mantêm-se inalterados.

Resultados e discussão: K. lamina

Tabela 5 - Valores ô de *H do composto 7 e derivado acetilado.

*H composto 7 (J, Hz) Deriv. acetil (J, Hz) Appm

H-5 6,93, d (8,0) 7,07, d (8,0) 0,14 H-2' 6,92, d (2,0) 6,92, d (2,0) H-6' 6,87, dd, (8,0 e 2,0) 6,87, dd (8,0 e 2,0) H-5' 6,80, d (8,0) 6,81, d (8,0) H-6 6,40, dd (8,0 e 2,0) 6,60, dd (8,0 e 2,0) 0,20 H-8 638, s 6,62, s 0,24 - O C HrO - 5,96, s 5,97, s H-2 4,96, dd (9,8 e 2,8) 4,96, dd (9,8 e 2,8) OH 4,85, s 1 ~ H-4 ax. 2,90 ddd (16,0: 10,6 e6,0) 2,80-2,96, m H-4 aq. 2,71 ddd (16,0; 4,7 e 3,5) 2,80-2,96, m H-3 1,92-2,21, m 2,06-2,18, m OCOCH3 ~ 2,28, s

Os sinais encontrados no espectro de RMN de 13C (BB e DEPT pág. 168 ) evidenciam, além do átomo de carbono do grupo metilenodióxido a ô 101,04

t, doze carbonos aromáticos (ô 155,79 s, 154,90 s, 147,60 s, 147,20 s, 135,58

s, 130,12 d, 119,57 d, 114,04 s, 108,16 d, 107,97 d, 106,69 d, e 103,50 d), seis dos quais são característicos de grupo metilenodioxifenilo [176]:

108,16 d .147,60 s \ 106,69 d

T^

O' 147,20 s 89

Resultados e discussão: K. laurina

A assinalação dos átomos de carbono do anel fenólico foi baseado nos valores de deslocamento químico dos carbonos do composto modelo 17 [178]:

OH 103,4 d. HO. 154,8 s — S \ \ 107,8 d 130,0 d O C H3 k ) V ^ - 2 4 , 6 f S 119,1 s ^ - 3 0 , 1 f 17

Além destes sinais no espectro de BB, a campo mais alto, observam-se