3. Taxonomy
3.2. Definitions, types and strictest requirements
3.2.2. Reliability
3.2.2.2. Component Reliability
Após cotejarmos nossa proposta de estudo e análise com os territórios da comunicação, o passo seguinte foi submeter essa proposta às interfaces do processo comunicativo.
As mensagens, para Santaella (2001), funcionam sempre como centros irradiadores para múltiplas direções na medida em que nelas ficam marcas: de suporte, de contexto e de sujeito. Dentro destes aspectos, buscamos, em relação a obra de Luiz Gonzaga, um vasto material capaz de revelar as nuances da cultura sertaneja, seguindo os passos dos componentes desse processo. Os suportes utilizados por Gonzaga, a importância do contexto no qual sua obra está inserida e principalmente as marcas indicadoras do sujeito dentro de sua arte, nas suas relações com o povo brasileiro, de Norte a Sul do País.
Desta forma, procuramos, então, ver as interfaces provocadas por essas marcas das mensagens, em relação aos outros elementos do processo de comunicação e a sua conseqüente aplicação em nossa pesquisa.
2.1.2.1 Interfaces das mensagens com seu modo de produção
Aqui, a interface dos conteúdos produzidos por Gonzaga, nos apontaram para dois pólos, diametralmente opostos, e que o compositor utilizou com maestria: de um lado a cultura popular e seus formatos típicos (festas populares, cantorias de feiras, improvisos de pé de parede) e a cultura de massa, tendo no rádio o seu principal suporte.
2.1.2.2 Interfaces das mensagens com o contexto
O contexto no qual se produz à cultura nordestina, está eivado de componentes sociais importantes para o entendimento e a interpretação do cotidiano aí instalado. Analistas da comunicação, Freire (1977), por exemplo, sempre consideraram em seu processo de abordagem filosófica, histórica e comunicacional, a importância do contexto em suas análises, ressaltando que, sem ele (o contexto) as investigações não têm razão de ser.
2.1.2.3 Interfaces dos meios com o contexto
O contexto na obra de Gonzaga, pôde ser claramente definido pelo espaço sertanejo e a espacialidade do Nordeste, ou seja, a região como um campo de forças. Em relação a esse contexto, foi o rádio o meio de maior penetração, na época, que permitiu a difusão, em massa, da obra de Luiz Gonzaga.
2.1.2.4 Interfaces das mensagens com o sujeito produtor
Nesse território, buscamos as indagações sobre o papel de Gonzaga como codificador, sua competência comunicativa, na utilização de seus formatos populares, seu conhecimento dos elementos e regras da comunicação, dentro da cultura popular nordestina, bem como a sua forma de agir quer com a pessoalidade , quer com neutralidade, no ato enunciativo e sua visão ética da ação comunicativa.
Uma vez que a comunicação tem conseqüências, ela necessariamente envolve questões éticas, fundamentadas na noção de escolha, o mais das vezes política, e filosofia de vida. Por isso, a ética está diretamente ligada ao sujeito da comunicação (SANTAELLA, 2001, p.94).
Nesta interface, vale salientar a filosofia de vida, característica do Sertão nordestino, seus usos e costumes, valores, sentimentos expressos pelos atos comunicativos praticados pelo homem dessa região, em seu cotidiano.
2.1.2.5 Interfaces dos meios com o sujeito produtor
Luiz Gonzaga não era proprietário de nenhuma emissora de rádio, ou de qualquer outro meio de comunicação. Portanto, foi fácil descartar a questão da propriedade econômica do meio. O domínio de Gonzaga, nesse sentido, dava-se pelo conhecimento que tinha da arte de tocar sanfona, de apresentar-se em shows populares e, depois, em programas de auditório, no Rádio e gravações de discos. Sua atuação se deu em nível da relação de artista, contratado ora pelas gravadoras, ora pelas estações de rádio. Sua obra foi produzida, de forma imune às pressões e influências da indústria cultural. Sua atuação como comunicador, teve origem e manteve-se, além do rádio, no contato direto com o público do Sertão, em espaços públicos, tais como feiras populares circos mambembes, praças, comícios políticos etc. Esse formato de apresentação, Gonzaga levou para o rádio e utilizou em suas apresentações em programas de auditório com muito êxito.
2.1.2.6 Interfaces do contexto com o produtor
Aqui nos valeram muito os conceitos de territoriedade e transitoriedade, ou seja, situar o espaço e seus deslocamentos, sua dinâmica, seu movimento.
Sujeito e contexto, ou seja, homem e terra, em visão e forma de abordagem deste trabalho de pesquisa. Terra no sentido de campo, lugar, espaço de relações sociais. Sujeito em relação, como tarefa objetiva do próprio homem, nos seus atos de produzir conhecimento e cultura, gerado pelo processo de comunicação
2.1.2.7 Interface da mensagem com sua recepção
A mensagem, na obra de Luiz Gonzaga, é a expressão da sua própria recepção, inclusa nos seus conteúdos, ou seja, uma mensagem que retratou o próprio povo sertanejo. Sabedor disso, a temática abordada por Gonzaga sempre foi extremamente popular, voltada para a representação do cotidiano do Sertão nordestino.
2.1.2.8 Interface dos meios com a recepção das mensagens
Nessa interface, foram pesquisadas as injunções sócio-econômicas, políticas, e mesmo éticas por que passam os meios de comunicação para atingirem seus receptores. (SANTAELLA, 2001)
Gonzaga teve a clarividência de buscar no rádio o suporte principal para a difusão da sua música e, conseqüentemente, a cultura nordestina.
2.1.2.9 Interface do contexto com a recepção
Nesta interface, Gonzaga insere a cultura sertaneja no âmbito nacional e, com isso, insere sua audiência, representada por nordestinos espalhados pelo país inteiro, no contexto maior da cultura brasileira.
2.1.2.10 interface do sujeito produtor com a recepção das mensagens
Nesta interface, fica claro que o modo de comunicação de Gonzaga interativo, observado pela forma como se apresentava em shows, programas de auditório, comícios políticos, feiras populares, circos, como já registramos anteriormente, salientando que compositor e intérprete inseria em suas apresentações uma espécie de ancoragem, quando interpretava os famosos causos de seu repertório, a exemplo de “Sá Marica Parteira,” que analisaremos em capítulo especialmente dedicado a essa forma de