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Constantin Arapis

5.3 The Specification of Temporal Properties

5.3.7 Component Constraints

O uso da leitura implica a apropriação do sistema alfabético, mas também as aprendizagens específicas dos alunos no que concerne à aquisição dos componentes do sistema fonológico da língua e as suas interrelações. Tudo isto implica que o aluno deve

distinguir (de forma empírica) as relações entre consoantes e vogais e a correspondência entre fonema / grafema.

Em Língua Portuguesa, a correspondência fonema / grafema não é unívoca, ou seja, nem todo o fonema corresponde a um grafema e vice/versa, estabelecendo um número grande de possibilidades de representação. Essas regras de correspondência são variadas. Há poucos casos de relações entre fonemas e grafemas simples e regulares no sistema alfabético da Língua Portuguesa, como por exemplo, os fonemas /b/, /f/, /p/, /t/, /v/ representam os grafemas b, f, p, t, v. Porém, o fonema /s/ é um dos exemplos que é representado por vários grafemas como: “s”, “ss”, “c”, “ç”, “x”.

Tendo em conta o número de possibilidades de representação escrita apontadas na Língua Portuguesa é que se deve procurar metodologias adequadas de alfabetização. As metodologias de alfabetização devem garantir à criança a apropriação de dois domínios de conhecimento: (i) a aprendizagem da linguagem que se usa ao escrever (compreensão e produção dos diferentes géneros textuais) que por linguístas como Batista, Silva, (2007) é tratado por Letramento e (ii) a aprendizagem da notação escrita: (sistema de escrita alfabética) a Alfabetização. 88

A aprendizagem da língua escrita envolve processos específicos, requer ensino sistemático porque não se aprende o sistema de escrita alfabética da mesma forma e requer uma metodologia de trabalho que esteja ao ritmo de aprendizagem dos alunos. Aprender a ler em Português, em Cabo Verde, requer, ainda, um tempo de exposição à língua por ser uma língua Não Materna. Neste âmbito, quanto ao ensino e à aprendizagem do Português, concretamente ao ensino da leitura, o método utilizado, em Cabo Verde, é um método misto (analítico – sintético) de versão globalística que usa a frase como unidade linguística como ponto de partida e como ponto de chegada. Por exemplo, a leitura inicia-se com o estudo de uma frase. A frase é analisada e dividida em palavras, extrai-se de uma palavra-chave o grafema que se quer fazer sobressair. De seguida juntam-se, de novo, as palavras para formar a mesma frase.

A professora inquirida deixou transparecer nas respostas dadas e na observação dos

planos de aula que o objectivo traçado corresponde sempre a apresentação de um

fonema e a sua representação em grafema. Tanto o fonema, como a sua representação,

estudado dentro de uma frase de onde se selecciona uma palavra-chave que os alunos identificam antes de passar para o grafismo do mesmo na mesma aula.

A professora assegura que quando apresenta aos alunos novas palavras ou um novo texto para ler, faz sempre uma leitura em voz alta para servir de modelo e assegurar uma boa qualidade de leitura quanto à entoação, a articulação e à pronúncia das palavras. Como trabalho de casa para ajudar no apoio à leitura, a professora diz que manda fazer cópia de pequenas frases (esta actividade é muitas vezes utilizada erradamente como tarefa de apoio à leitura, na medida em que a cópia e a leitura são duas actividades diferentes, e, a cópia não é um exercício que proporciona ao aluno o treino de linguagem que a leitura requer). Os alunos realizam a leitura de imagens, ou seja, é dado ao aluno uma imagem e ele interpreta-o como o entende, através de frases que vai construindo.

Quanto à frequência com que proporciona aos alunos actividades relacionadas com a leitura:

Quase

nunca Cerca de uma vez por semana Cerca de duas vezes por semana Quase todos os dias

1. Aprender o nome e o valor das letras X

2. Aprender o reconhecimento global de

palavras X

3. Ler silenciosamente na aula X

4. Ouvir a leitura em voz alta dos colegas

para toda a classe X

5. Ouvir a leitura em voz alta dos alunos para pequenos grupos ou pares X

6. Ouvir a leitura do professor (em voz) X

7. Aprender vocabulário novo a partir de

textos X

8. Aprender vocabulário novo através de

outras estratégias X

9. Fazer jogos de leitura (p. ex. formação de frases a partir de palavras misturadas)

X

11. Dramatizar histórias lidas X

12. Dramatizar histórias ouvidas X

13. Ilustrar o que se leu X

14. Ler outros textos que não os do

manual escolar X

15. Fazer resumos orais de textos lidos X

16. Preenchimento de lacunas em frases X

17. Inventar histórias a partir de imagens X 18. Ir à biblioteca ler livros X

19. Fazer jogos que pressuponham a

leitura prévia de pequenos textos X

20. Criar textos X

Fig. 2 - Frequência de actividades relacionadas com a leitura (Viana, 2002)

A professora indicou como actividades que desenvolve quase todos os dias os alunos: • aprender o nome e o valor das letras,

• aprender palavras,

• escutar a leitura em voz alta feita pela professora,

• aprender vocabulário novo através de outras estratégias. • preencher lacunas em frases,

• ler o texto,

• ilustrar a leitura com desenhos.

A professora nomeou como actividades desenvolvidas cerca de duas vezes por semana: i) Ler silenciosamente na aula; ii) fazer jogos de leitura (estes jogos consistem na decomposição e composição de palavras e de frases a partir de pequenos textos). Como actividades desenvolvidas uma vez por semana apontou a dramatização de histórias lidas ou contadas. Afirmou que nunca utilizam programas de computador.

A professora diz que os alunos, ainda que com alguma dificuldade, já fazem resumos orais muito curtos e criam pequenas histórias a partir de imagens. Ela revelou que os alunos apresentam grandes dificuldades na criação de textos e quase nunca fazem jogos que pressupõem a leitura prévia de pequenos textos.

Analisando as respostas dadas pela professora, poderemos ser induzidos a pensar que os alunos já possuem alguma competência no âmbito da iniciação da leitura. Mas será que, na prática diária da leitura, os alunos já conseguem reconhecer e ler as palavras e frases estudadas? Será que os alunos já lêem decifrando os significados? Já têm uma

consciência daquilo que estão lendo? Estas e outras questões serão analisadas ao longo deste trabalho.