Ao analisar as entrevistas, buscamos encontrar as categorias listadas e classificá-las para traçarmos um panorama dos elementos revelados pelos professores conteudistas em seu processo de elaboração dos materiais. As categorias buscadas nas entrevistas dos professores sobre a estrutura dos materiais foram hipertextual e linear. O que podemos afirmar as concepções de XAVIER (2009, p. 118) afirma que: “o hipertexto se diferencia, essencialmente, do texto impresso por hospedar e exibir em sua superfície formas outras de textualidade, além da modalidade escrita da linguagem. Ele acondiciona outros modos de enunciação, tais como as imagens em vídeo, ícones animados e sons, todos interpostos ao mesmo tempo na tela”. Contudo, o hipertexto pensado no material didático de EaD deixará evidente que a forma linear/textual deixa-o obsoleto.
Para tanto, verificamos que 100% dos sujeitos entrevistados (professor autor/conteudista) informaram que tiveram uma concepção de material didático de forma hipertextual/rizomática, trazendo imagens, figuras, fluxogramas, vídeos, textos complementares entre outros, garantindo um “material rico” (discurso deles) para o aluno. Assim, podemos encontrar na transcrição das entrevistas, as categorias consideramos inicialmente adequadas para o material didático em EaD.
Quadro Ilustrativo 16: Falas dos Sujeitos com relação a sequência adotada na produção dos materiais didáticos
fazer uma leitura fora do caderno e colocamos um “bonequinho” dizendo “fica a dica!””
Sujeito P3 “Sim. Na verdade, colocamos uns links de fácil acesso, relacionados a
legislação...”
Sujeito P4 “... esse material multimídia ajuda bastante, além de indicação de links e
vídeos, tutoriais também. Nesta área nossa a internet ajuda muito, mas, às vezes, o aluno não sabe ter este perfil de ajuda, daí compete ao professor de ajudá-lo a ter este perfil fazendo a “ponte”
Sujeito P11 “... com isso trabalho também figuras, fotos, vídeos, filmes para agregar um
pouco e tirar um pouco da monotonia do caderno físico que poderia desestimular o aluno.”
Sujeito P15 “ No caderno contemplo de forma hipertextual que remete a links, texto etc...
e que além dele existe as outras ferramentas. A inserção de texto também é importante além do caderno, que é importante estimular ao debate a construção do conhecimento a troca de ideias na internet.”
Sujeito P16 “Eu procuro utilizar vídeos bem atuais, explicações de uso de calculadoras de
matemática financeira, alguns vídeos bastante didáticos, com uso também de planilhas eletrônicas de forma simples e didática.”
Sujeito P17 “...fazer algo mais multimídia, então tento lincar com vídeos, com livros e
textos, sites e por ai vai.”
Sujeito P20 “... eu quis trazer para o aluno conteúdo o mais diverso possível e trazer um
conteúdo que tenha outras mídias, um filme, um vídeo, algo que tem na lei, o que se tem mais novo nos jornais, então já trouxe isso. Na atualidade do mercado que tem sido feito a mais.”
Fonte: O Autor (2013)
Como podemos perceber nas falas dos sujeitos no quadro anterior, os sujeitos entrevistados em 100% revelaram ter feito materiais didáticos para EaD de forma hipertextual onde acrescentaram links, vídeos, imagens, fluxogramas, textos complementares de forma ao aluno construir seu conhecimento de forma não-linear, perfazendo as concepções de materiais em “mapa” conforme FILATRO (2008). Surgem como modelos não-hierarquizados, fazendo o aluno como sujeito ativo no processo educacional e que é muito positivo para uma educação profícua.
Para encontrarmos as categorias relacionadas com a estrutura dos materiais Observamos nas entrevistas as seguintes concepções dos sujeitos quanto à sequência adotada para a produção de materiais didáticos conforme foram apresentados nas entrevistas que podemos considerar como adequadas:
Quadro Ilustrativo 17: Falas dos Sujeitos com relação aos critérios de produção que adotaram no material didático de forma adequada.
Sujeito P5 “ ... tento trazer exemplos práticos, sobretudo, bastantes vídeos do “YouTube” com
gestores de recursos humanos […] eu busquei trazer várias imagens de como fazer “tal coisa” […] Trago também textos complementares, no qual tive cuidado, e trouxe alguns, estamos já em um período que o aluno não para mais para ler, visto que, todos estes “mediatismos” que as tecnologias tem trazido, estão bloqueando a minha habilidade de parar, sentar e ler.”
Sujeito P6 “Tenho videoaulas, trago propostas para discussões, através de fóruns, chats, pesquisa
“in loco” deles em seus ambientes. É! Uso estas ferramentas!
-Eu gosto muito de utilizar vídeos do “YouTube” e estudos de caso de outras situações, de outros educandos que fizeram, também tem as redes sociais, apesar de ter muitas coisas, que parece ser bobagem, mas encontramos, “fan page” e grupos que possam estar relacionados ao tema trabalhado.”
Sujeito P8 “...eu procuro colocar muitos vídeos e links , artigos interessantes e ter uma
linguagem com ele muito próxima, por ser algo virtual também, ao que deixa a informalidade falar mais alto, procuro não ser muito formal, mas também não tão informal, visto que penso, de que tenho educandos de todas as idades e realidades possíveis, eu procuro mostrar a atração da disciplina de uma maneira que ela fique agradável, e não como se ele estivesse lendo uma enciclopédia ou um livro que ele pegasse na prateleira de uma biblioteca.”
Sujeito P11 “... trouxe também figuras, fotos, vídeos, filmes, para agregar um pouco tirando a
monotonia do caderno físico que poderia desestimular o aluno”
Fonte: O Autor (2013)
Percebe-se que entre os sujeitos citados no quadro anterior, todos revelam uma concepção hipertextual e rizomática com imagens, vídeos, textos, links a vídeos e outros textos, assim sendo, são materiais esperados de modo a quebrar a linearidade que os livros nos trazem.
Vamos abordar a seguir as concepções dos sujeitos quanto à sequência adotada por eles na produção de materiais didáticos conforme foram apresentados nas entrevistas dentro de uma proposta inadequada, na qual consideramos as seguintes categorias: linear e hierarquizada. Esta linearidade e hierarquização do material ao ser concretizado trará aos educandos uma concepção de aprendizagem tradicional e uma referência da produção do professor como única verdade em suas escritas.
Quadro Ilustrativo 18: Falas dos Sujeitos com sequência adotada por eles na produção de materiais didáticos de forma inadequada.
Sujeito P7 “Eu trouxe textos complementares nas atividades, vídeos coloquei na formatação da disciplina, para contribuir com aquele conteúdo.”
Sujeito P10 “ quando não tenho materiais dos treinamentos que uso na organização na minha empresa, eu vou buscar os livros e vamos partir da bibliografia de cada trabalhar os conteúdos de forma a atender o que foi solicitado e o material contemplo com a vivência prática das organizações, não adianta é só trazer a visão teórica didática do livro ou conteúdo programático sem fazer uma ligação disso na empresa, visão organizacional, então eu sempre vou uma ligação do que está no conteúdo e como funciona isso na organização e como se funciona na empresa.”
Sujeito P12 “... Identifico o que é mais relevante nesta disciplina, no meu caso, tenho com uma disciplina rica em conteúdo, mas o que seria mais relevante pra ser apresentado nas quatro competências, procurar extrair ao que poderá ser mais significativo para ter formações mais ricas e que poderá extrair deste conteúdo de uma forma geral. É de fato e de direito no material didático ser contemplado em conteúdo a parte bibliográfica assim como estudos de casos, trazendo para a nossa realidade dentro do estado de Pernambuco.”
Sujeito P14 ... eu, considero meu material, bastante linear, mas também tem muita coisa, embora não posso dizer que é um hipertexto, é mais linear, por conta da disciplina ser muito teórica.”
Sujeito P15 “ Sempre penso que a base fundamental é a interação do aluno com o material e que tem que ser um material que estimule, incentive e estimule a construção e a ele aprender cada competência...”
Sujeito P7 “... uso tabelas que possam tornar o assunto de forma mais leve e gráficos que possam mostrar uma compreensão que possa mostrar aquilo que está sendo abordado.”
Fonte: O Autor (2013)
Como podemos observar no quadro anterior, apesar de alguns sujeitos informarem que trouxeram links, vídeos, entre outros, para seu material didático, podemos perceber em seu
discurso uma concepção bastante linear na produção dos seus materiais, alguns deixam bastante explícito que sua produção foca apenas o conteúdo, como uma proposta estruturada de garantia da formação dos educandos. Outros sujeitos entrevistados apresentam a questão de forma menos clara, mas os elementos das categorias linear e hierarquizada estão presentes. A seguir, estaremos efetivamente, recorrendo a estes materiais para analisar a diferença do discurso e a prática destes professores autores/conteudistas. A partir desta linearidade nos seus respectivos materiais, professores deixam de contemplar um material que provoque autonomias nos educandos. À medida, que eles trazem uma proposta linear, o mesmo estará tolhendo seus educandos aos diálogos que não é favorecido nas discussões apontadas por PALANGE (2009) que afirma que a educação deverá ter significados na vida do educando, analisando previamente o que deverá ser contemplado de forma criteriosa na concepção de promover propostas de atividades que contemplem as competências e habilidades previamente determinadas pelo desenho do curso ao serem elaborados.
5.4.2 Análises dos materiais didáticos a partir dos exemplares da produção dos