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Findings and recommendations

3. compliance with sections 37 and 38 of the Financial Administration Act

Os Anais da Assembleia do Estado do Rio Grande do Sul e os jornais A Federação, Correio do Povo e O Pampeiro trazem informações confirmando que o monumento foi erigido com a intenção de demonstrar o reconhecimento a Júlio de Castilhos por seus feitos como grande político.

Além disto, os defensores da construção do monumento intencionavam “manter a memória sagrada de Júlio de Castilhos”71, seguindo o

70 Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/ Lista_Bens_Tombados_

pelo_Iphan_%202015.pdf . Acesso em 22.06.2015.

71 Ata da sessão extraordinária da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul do dia 31 de novembro de 1903, p. 33.

costume do início do século XX de construir monumentos públicos logo após a morte do homenageado (LEAL, 2003).

Naquela oportunidade, seus correligionários pensaram que seu nome ficaria imortalizado uma vez que, “após extintas as paixões” [sentidas por Júlio de Castilhos tanto pelos apoiadores quanto pelos inimigos políticos], ele seria “superiormente julgado como homem extraordinário”, “os pósteros o reconheceriam como patrício insigne” e “as gerações porvindouras louvarão por certo aquelles que por certo souberam cumprir o seu dever”72. Décio

Villares, ao escrever sobre o significado da estátua do “Velho”, refere-se a Júlio de Castilhos como “um velho de longas barbas” a quem os anos não abalariam, mas sim “augmenta-lhe o vigor e o prestigio” (VILLARES, s/d., p. 21).

Esses relatos históricos indicam que a função para a qual o monumento foi construído tinha por objetivo ser um testemunho do [daquele] presente, construído após a morte e com a intencionalidade de manter a memória viva de Júlio de Castilhos. Daí a construção de forma grandiosa, com valor de comemoração, estético e de arte, pois no local eram realizados rituais para homenagear o morto.

Os rituais costumavam ser tão grandiosos quanto o próprio monumento. Para isto, eram realizadas caminhadas que terminavam em frente ao monumento onde então eram feitos os discursos e as homenagens. Também ocorriam homenagens em frente ao Mausoléu localizado no Cemitério da Santa Casa.

Duas reportagens publicadas no Jornal Correio do Povo, na sessão “Há um século no Correio no Povo”, mostram dois destes rituais de homenagem a Júlio de Castilhos. A publicação do dia 12 de março de 2017, disponível no Correio do Povo on line, refere:

Correio do Povo do dia 29 de junho de 1909 noticiava:

Como nos annos anteriores, os amigos e co-religionarios do dr. Julio de Castilhos irão hoje, dia do seu anniversario natalício, cobrir de flores o seu tumulo. O Club Julio de

72 Frase escrita na reportagem do jornal A Federação, Edição n. 21 do dia 24/01/1913.

Disponível em Biblioteca Nacional Digital: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib =388653&pasta=ano%20191&pesq=inauguração%20do%20monumento. Acesso em 20.02.2017

Castilhos e o Centro Republicano, por seus presidentes, coroneis Marcos de Andrade e Antenor de Amorim, ali collocarão bouquets de flores73[grifo nosso].

No dia 25 de outubro de 2017 a mesma sessão do Jornal Correio do Povo publica que há 100 anos foram comemorados os 14 anos de morte de Júlio de Castilhos, cujo cortejo se iniciou na Praça Senador Florencio [atual Praça da Alfândega], sendo:

(...) uma comemmoração cívica, organizada pelo Centro Republicano Julio de Castilhos, em homenagem á memoria de seu patrono no decimo quarto aniversário do seu passamento. Desde cedo começaram a afluir à praça Senador Florencio, ponto marcado para a reunião, representantes das diversas classes sociais, membros do partido republicano, funcionários públicos federais, estaduais e municipais e muitas outras pessoas. Naquelle local já se achavam o Coronal Marcos de Andrade, chefe do Partido Republicano local e a commissão do Centro Republicano.

(...)

As 9,30 horas, após organizado, desfilou o extenso préstito, pelas ruas dos Andradas, Marechal Floriano, Duque de Caxias, descendo a praça Marechal Teodoro, onde se acha levantado o Monumento daquelle político Rio Grandense.

(...)

Ao passar o cortejo pela residência do Dr Borges de Medeiros, presidente do estado, este se lhe incorpou acompanhado por seu oficial de gabinete, Dr. Zeferino Ribeiro, chegando o cortejo ao monumento que já se achava rodeado pelos professores e alumnos dos colegios elementares Fernando Gomes, Souza Lobo, Grupo escolar Voluntários da Pátria, Nossa Senhora das Dôres, Gymnasio Julio de Castilhos, Instituto Parobé, fez uso da palavra o Dr. Pelagio de Almeida, em nome da Assembleia dos Representantes, o qual analysou, longamente, a ação política do Dr Julio de Castilhos e a sua obra constitucional.

(...)

Finda a oração do representante da Assembleia, que a assistência applaudiu calorosamente, discursou o escritor Rio Grandense Sr. Alcides Maia, representando o sentir do “Centro Republicano” (Correio do Povo, quarta-feira dia 25.10.2017) [grifo nosso].

73 Disponível em Correio do Povo: . http://www.correiodopovo.com.br/jornal/ A114 /N272

É preciso destacar que a pesquisa de campo mostrou que o aspecto funcional do monumento se alterou. Atualmente os usos não estão mais vinculados aos rituais de comemoração à memória de Júlio de Castilhos. Seu testemunho pode ser histórico, nos casos em que as pessoas reconhecem a importância histórica do homenageado, mas a memória, quando existe, é uma memória artificial ou memória prótese (NORA, 1993), pois construída através de estudos específicos deste período da história ou de informações recebidas de forma genérica e informal. Conforme será narrado no próximo capítulo, o monumento não se caracteriza mais como lugar de memória. Atualmente pode ser considerado como um lugar de história, como objeto de valor artístico ou mesmo como um objeto invisível.

5. PROCESSOS DE INTERAÇÃO COM O MONUMENTO A JÚLIO DE