Chapitre 3 : Résultats Expérimentaux 81
3.6 Conclusion
Segundo Pereira (2010, p. 208) “o nome vem sendo adotado como forma de identificação dos indivíduos desde os tempos primitivos, quando os povos utilizavam o nome único e individual”. Com o aumento das civilizações a sociedade tornou-se mais complexa e o emprego de complementos ao nome passa a ser de suma importância para evitar o inconveniente da homonímia, e assim individualizar e distinguir as pessoas. Nesse sentido, explica Vieira (2012, p. 4), “devido à multiplicação das tribos, nos povos arcaicos se fez rapidamente a necessidade de agregar ao vocativo pessoal o nome do genitor, facilitando a individualização pela linha direta”.
Conforme as pequenas comunidades sociais foram crescendo e as relações entre os indivíduos tornando-se mais complexas, fez-se necessário a complementação do nome individual por restritivos que melhor caracterizassem o sujeito.
Ainda no mesmo entendimento, França (1975, p.29) afirma que, “entre os hebreus, a princípio, usava-se um único nome: ‘Sther (Ester), Rakhel (Raquel), David (Davi)”. Com o crescimento e a multiplicação das tribos, surgindo muitos indivíduos, passaram a inserir no nome da pessoa o indicativo de sua filiação a exemplo de “Tiago de Zebedeu, filho de Zebedeu”. Esse sistema também foi
adotado pelos árabes, que empregam a palavra ben, beni ou ibn, como se vê em Ali Ben Mustafá (Ali, filho de Mustafá), FaiçalibnSaud (Faiçal, filho de Saud) (MENDEZ, 2018).
Da mesma forma, o costume dos russos, com as partículas vitch ou vicz para os homens e ovna para as mulheres: Nicolau, filho de Alexandre, é chamado de Nicolau Alexandrovitc e Catarina, filha de Pedro, chama-se Catarina Petrovna. Os romenos usam a partícula esco: Filipesco, Popesco; os ingleses acresciam a partícula son: Johnson, Nelson, Stevenson, Richardson, Stephenson. Outras partículas, que no português se assemelham a de moço, filho, júnior, podemos citar: mac, costume irlandês e escocês; von, germânico; ski, polonês (VALÉRIO, 2018).
A cultura grega também apresentava um único nome e individual, não se transmitindo aos descendentes, como exemplo, os históricos Ulisses, Sócrates, Platão, e Aristóteles.
Conforme a sociedade evoluiu em complexidade e número, passou-se a utilizar três nomes, desde que tal indivíduo pertencesse a uma família antiga e regularmente constituída: um nome particular, o outro o nome do pai e o terceiro e último de toda a gens, que era o gentílico.
Os romanos, por sua vez, também adotavam uma denominação mais complexa e que, como afirma Vieira, trazia como vantagem a possibilidade de identificar cada indivíduo perfeitamente. Salvo no caso dos escravos e dos cidadãos humildes, que não pertenciam às famílias mais antigas ou nobres, a constituição do nome dos romanos era como nos ensina Mommsen e Marquardt (2010, p. 207):
Os romanos adotavam um característico personativo, prenomen, que designava a pessoa; o nomen, indicativo de sua gens; e o cognomen apontava a sua família. Alguns pospunham ao seu nome um
agnomen,decorrente de um acontecimento importante de que participava e
que o qualificava.
Isso significa que os romanos adotavam três nomes próprios para designar um indivíduo, quais sejam: “prenome, nome e cognome. Por vezes, utilizando também um quarto elemento, chamado agnome” (FRANÇA, 1975, p.31).Esta forma
de composição do nome próprio foi difundida pela Europa durante a Idade Média, com as conquistas dos romanos, mas deixou de ser adotada após a invasão dos Bárbaros, e consequente queda do Império Romano, retornando o uso do nome simples.
França (1975, p. 31) explana que, ainda nesta época, o Papa Gregório I (ou Gregório Magno), emitiu decreto “segundo o qual se deveriam dar às crianças nomes de santos”. O decreto não foi rigorosamente cumprido, ainda que entre os cristãos. Surgiu, então, a necessidade de um novo sistema de denominação, o nome duplo, que já era adotado pelos integrantes da nobreza, mas que passou a ser amplamente difundido somente nos séculos XII e XIII. Conforme afirma Vieira, “o nome de família foi sendo formado, pouco a pouco, diante da necessidade de individualizar as pessoas”
O aumento da densidade populacional trouxe juntamente consigo a necessidade de identificar os indivíduos com nomes compostos, ou seja, mais de um elemento na sua formação. A atribuição de um “sobrenome” dar-se-ia de acordo com a localidade geográfica a que pertencia, a profissão, animais e plantas que se relacionassem de forma direta com o individuo ou de forma genitiva.
Todos esses fatores da história foram essenciais para que ocorresse a evolução do nome civil da forma como temos hoje, e esse instituto, assim como vários aspectos da personalidade foi arquitetado pelas diversas culturas e costumes da sociedade em que está inserido.
No Brasil, a composição do nome civil segue está mesma lógica, conforme disposto no artigo 16 do Código Civil de 2002: “Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”. Entretanto, afirma Fiúza (2004, p. 168) que “o nome civil é pouco estudado pela doutrina brasileira e, quando é feito o estudo, baseia-se em aspectos estritamente legalistas”.
Segundo pesquisa realizada pelo IBGE em 2010 e descobriu que existem 200 milhões de pessoas com mais de 130 mil nomes diferentes. Nessa pesquisa realizada pelo mencionado instituto, somente são apresentados os nomes cuja
frequência seja superior a 20. Entre os nomes mais populares do País, pode-se destacar: Maria, com 11.734.129 de pessoas registradas; José, com 5.754.529 de pessoas registradas; e Ana, com 3.089.858. Ainda na lista dos dez nomes mais populares do país ainda estão, respectivamente: Antonio (com 2.576.348 de pessoas com o nome), Francisco (com 1.772.197 de pessoas com o nome), Carlos (com 1.489.191 de pessoas com o nome), Paulo (1.423.262 com de pessoas com o nome), Pedro (com 1.219.605 de pessoas com o nome) e Lucas (com 1.127.310 de pessoas com o nome).
Como a grande paixão do brasileiro é o futebol, os nomes de craques não poderiam estar de fora dessa lista. Realizando uma simples pesquisa descobre-se que existem 112 pessoas com o prenome Pelé, 165 Maradonas, 76 Messis, 454 Neymares, 234 Ronaldinhos, e 59.881 Romários.
Nomes consagrados na TV e no cinema também fazem parte da lista: 47 pessoas com prenome Gugu, 57 Xuxas, 130 Chaves, 30 Madrugas, 21 Quicos, 62 Jaspions, 321 Robins, 67 Stallones, 791 Logans e 283 Shakiras. É interessante notar que estão presentes, como Hitler com 188 registros, Sadan com 105 pessoas e Sadam, com 33 pessoas.
A pesquisa também revela períodos em que os nomes são mais populares, por exemplo, o prenome Aparecida, possui 304.024 pessoas, mas seu auge foi na década de 60, depois disso, seu uso só foi reduzindo ao longo dos anos. O mesmo fenômeno percebe-se com o prenome Fátima, com 198.083 registros. Já prenomes como Cauã, com 85.677 pessoas, e Valentina com 14.380 pessoas, só ganharam espaço a partir da década de 90. Essa análise confirma o afirmado anteriormente, isto é, fatores culturais, sociais, políticos, religiosos, históricos, dentre outros, influenciam a popularidade de um prenome civil.