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Compiling Programs

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2. 1 Commands for Program Development

2.2 Compiling Programs

Além da formação cultural e das escolhas dos jornalistas envolvidos numa reportagem, bem como todas as outras rotinas produtivas a que os profissionais estão submetidos, o profissional parece estar atado a outros tipos de questões que também podem influenciar diretamente na qualidade no material que vai ao ar, impedindo um tratamento mais criativo do assunto a ser apresentado.

O jornalista vive contra o relógio, vive contra o tempo. Faz parte da rotina do jornalista ter um deadline, como se falou anteriormente, um horário limite para a entrega do material por conta do horário de fechamento da edição do dia, seja do jornal, do rádio e da TV. O produto

noticioso tem horário para ser exibido ou impresso e faz parte da premissa dos profissionais e das organizações tentar divulgar o quanto antes a notícia para que a população logo tenha a informação, bem como para tentar “furar” a concorrência, soltando a reportagem antes dos outros canais. Essa correria já é habitual nas redações. “Estes (deadlines) e os inexoráveis ponteiros do cronômetro são dois dos mais potentes símbolos na cultura profissional do jornalista” (SCHLESINGER In: TRAQUINA, 1993, p. 177). Mas ao mesmo passo que pode, em alguma forma, ser saudável, estimulando a concorrência e uma apuração rápida dos fatos, o tempo é também um vilão dentro das redações. “Os jornalistas fazem parte de uma cultura cronometrada, na qual a capacidade de vencer o tempo é uma demonstração clara de competência profissional” (SOUSA, 1999, p. 47).

O imediatismo é um conceito ligado as redações já que entre o acontecimento e o momento em que a informação vira notícia e é vinculada existe um espaço de tempo. As notícias são, portanto, perecíveis, e por isso a velocidade, a pressa, a correria contra o tempo é algo naturalizado. O que aconteceu hoje de manhã talvez já não tenha mais o mesmo peso se for divulgado amanhã ou nos dias subsequentes. “O imediatismo age como medida de combate à deterioração do valor da informação. Os membros da comunidade jornalística querem as notícias tão quentes quanto possível” (TRAQUINA, 2005, p. 37).

Cada veículo tem seu tempo, seu próprio deadline. No rádio, é o tempo que o repórter tem para confirmar a informação, conseguir completar uma ligação de celular de onde estiver e esperar o programa noticioso entrar ao ar para que possa dar as notícias, assim que chamado pelo apresentador, no caso da possibilidade de uma entrada ao vivo. No jornal impresso, os repórteres têm até o horário limite do fechamento da edição, que vai variar conforme cada jornal, para que haja tempo hábil do material ser rodado, impresso nas gráficas e posteriormente distribuído para venda nas bancas ou aos assinantes. Na internet, nos sites noticiosos, a informação é instantânea. Após checada, desde que se tenha a disponibilidade de conexão e dos programas próprios para tal, a atualização do fato pode ir sendo feita pelos profissionais a medida em que os fatos vão se confirmando e novos desdobramentos vão se dando. Agora, a TV também tem seu próprio tempo, que será influenciado por uma série de questões, além do limite para a entrega do material, dependendo do horário da edição em que o programa vai ao ar. É preciso levar em conta ainda dentro da definição deste horário limite as questões técnicas: quanto tempo antes do telejornal ir ao ar é necessário para que o material seja devidamente editado e checado, sem correr o risco de que algum erro seja levado ao ar, o tempo necessário para fazer essa devida edição conforme a quantidade de funcionários específicos para esta função, além da estrutura da emissora disponível para tal, tais como computadores, ilhas de

edição. É necessária toda essa estrutura de regulação já que, se o material não chegar a tempo da edição, a reportagem não vai ao ar e todo o trabalho será perdido. Esse é o tempo, a ditadura do telejornalismo. Um processo natural dentro das redações, cada emissora com suas peculiaridades, mas uma rotina já incorporada no dia a dia da profissão.

É o tempo do acontecimento que impõe a reação da cobertura jornalística, que motiva a produção da matéria (reportagem), que provoca a edição ou sua transmissão ao vivo. Esta, por seu turno, impõe um prazo para o fechamento do telejornal. É, ainda, o tempo da exibição da notícia, a recepção por parte dos telespectadores, que vai gerar um outro tempo, o da repercussão da notícia e que pode até provocar novos fatos, alimentando, assim, a cadeia tempo/espaço/acontecimento da semiose telejornalística (LINS, 2008, p. 07).

E, justamente uma das principais características do telejornalismo, o tempo, pode ser considerado também como um de seus principais problemas. O telejornalismo, na tentativa de apreender o fato no momento em que ele ocorre, é refém diariamente dessa pressão.

O jornalismo, sobretudo o noticiário televisivo, ao se deparar com a necessidade imperativa de lidar com os fatos na medida em que estes supostamente acontecem, motivados pela lógica da imediatez, do tempo real e da transmissão ao vivo, e pela necessidade de “dar antes a notícia” proporcionada pela concorrência, utiliza mecanismos de apreensão da realidade com características similares ao conhecimento do senso comum, sem deixar de ser um conhecimento técnico e regulado (MELO, 2008, p. 02).

Tobias Peucer teria escrito a primeira tese de jornalismo de que se tem notícia. Sua obra de 1690 chamada Os relatos jornalísticos, trata de algumas características da profissão. Em um dos trechos, Peucer (2000 apud Sousa, 2004, p. 05) vai dizer que “as notícias são ainda relatos precipitados, sujeitos a pressão do tempo, que se limita somente a uma simples exposição”. Ou seja, nos primórdios das pesquisas em jornalismo já se percebia o fator tempo como característica e também como problema das rotinas produtivas.

Com o horário limite estabelecido para o fechamento das edições, os jornalistas se veem atados a parar a captura de informações e a apresentar a história até o ponto em que conseguiram produzir, quando ela realmente precisa ir ao ar naquela determinada edição. O público irá assistir as informações recolhidas até esses horários limites, já que a notícia factual de TV é algo rapidamente deteriorável. Sousa (1999) vai afirmar, diante dessa realidade, que

Os jornalistas seriam membros de uma cultura cronometrada, teriam uma espécie de cronomentalidade que os faria até associar a classificação de notícias ao factor tempo e a perspectivar a capacidade de vencer o tempo como a demonstração mais clara de competência profissional” (SOUSA, 1999, p. 07).

Portanto, o fator tempo é tratado dentro das redações como eixo central de toda a problemática quando se fala em rotinas de produção. É uma relação natural de urgência com o relógio. E quanto menor for tempo de escolha do jornalista, quanto mais próximo ele estiver do

deadline, maior será a influência da organização sobre ele. Mas a preocupação que se quer tratar

aqui é que essa correria contra o tempo acabe por afetar a qualidade da notícia que vai ao ar na televisão, dando margem a erros e a informações incorretas.

A rapidez exige decisões instantâneas, separação imediata do material, triagem de algumas informações básicas e emissão a ritmo de blitzkrieg. Jornalistas tornam-se assim, funcionários de uma linha de montagem acelerada em que rapidamente selecionam, segundo padrões viciados e imutáveis, sempre os mesmos enfoques, as mesmas caracterizações. O jornalismo se torna uma máquina de produzir sempre o mesmo, qualquer que seja o conteúdo diferente do dia a dia (MARCONDES FILHO, 2009, p. 81).

Pesquisadores apontam a questão da pressão do tempo, tão naturalizada nas redações, como causa de outros tipos de problemas que vão incidir diretamente nas reportagens de TV. Para Rouchou (2003), a preocupação está com relação as entrevistas, a conversa com a pessoa que poderá dar informações importantes ao repórter. É a arte do ouvir que acaba comprometida. “A pressa dos fechamentos impede que as entrevistas sejam trabalhadas pelo repórter como uma conversa que aponta para diversas possibilidades e não apenas àquela que motivou o entrevistador” (ROUCHOU, 2003,p. 02).

Para Sylvia Moretzsohn (2002), a problematização sobre o fator tempo parte da correria do trabalho de apuração e a produção jornalística em detrimento a falta de reflexão dos textos e do material que posteriormente vai ao ar. “É uma controvérsia: um jornal se faz de pensamento, é a história de seu tempo, mas os jornalistas não têm tempo para pensar” (MORETZSOHN, 2002, p. 164).

O jornalista não tem tempo para pensar, ironia supostamente depreciativa reveladora de um sentido de urgência que estabeleceria uma contradição aparentemente insolúvel entre reflexão e ação. Há um duplo objetivo nessa crítica: demonstrar que a falta de tempo para pensar revela um pensar automatizado expresso na orientação ideológica das reportagens (MORETZSOHN, 2007, p. 31).

Ainda segundo Moretzsohn (2002), tanto fascínio pela instantaneidade gera o chamado “fetichismo pela velocidade”, o que pode aumentar a chance do erro, da informação mal apurada, da divulgação de algum fato incorreto. Com tanta correria, nem sempre é possível fazer a checagem completa antes da divulgação, o que põe em risco a qualidade da reportagem, do noticiário como um todo e a credibilidade dos jornalistas. “Chegar na frente torna-se mais importante do que dizer a verdade” (MORETZSOHN, 2002, p. 120).

O tempo incide, ainda, no texto e no tipo de reportagem. O limite de tempo de cada reportagem e do programa total do telejornal vão moldar de que forma será a construção da matéria. Com mais tempo – duração – disponível, a reportagem poderá ser mais longa, melhor editada, poderá ter mais trechos de entrevistas, uma pós-produção com efeitos, músicas, que valorizem a edição final. Com o tempo mais curto, as reportagens são, necessariamente, mais curtas. O limite de tempo e espaço levam ao corte natural de adjetivos, frases melhor escritas, dando lugar a um texto resumido, e às vezes, simples demais.

Sob o controle do relógio e obcecados pelo novo, pelo imediatismo, pela pressão da hora do fechamento, os jornalistas e as empresas jornalísticas, muitas vezes, se esquecem de que, o como e o por que numa matéria são importantes para que o telespectador possa compreender melhor o mundo que o cerca (VIZEU, 2006, p. 24).

Encontrar um equilíbrio entre a pressão, as rotinas, o deadline, o tempo disponível, a emoção do que vê e ouve, o fato em si, seus próprios pontos de vista é um desafio constante, diário, sobretudo para um jornalista de TV.

No próximo capítulo se discutirá o fenômeno da repetição – primeiro, ele próprio - depois, atrelado à comunicação, à TV e ao telejornalismo. Serão constatadas, ainda, algumas noções da incidência dessa repetição nos modos de construção jornalísticos.

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