O processo de ensino aprendizagem precisa levar à busca da interpretação e compreensão do mundo físico por meio de conhecimentos socialmente relevantes, que façam sentido e que estejam integrados à vida do estudante (BRASIL, 1999). Os Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio orientam que:
O aprendizado deve possibilitar ao estudante a compreensão tanto dos processos químicos em si quanto da construção de um conhecimento científico em estreita relação com as aplicações tecnológicas e suas implicações ambientais, sociais, políticas e econômicas (BRASIL, 1999, p. 31).
As aplicações tecnológicas estão presentes na sociedade, são utilizadas por estudantes e precisam fazer parte dos conteúdos trabalhados em sala de aula. O uso indevido de tecnologias como celular, smartphones e outros tem sido objeto de discussão entre os educadores. Os estudantes usam celular em sala de aula para ouvir música e também para estarem conectados por meio das redes sociais. Vicent (2005) discute que as tecnologias estão fora de controle e que para não nos tornemos refém, precisamos dominá-las conhecendo seu funcionamento.
Postman (1994, p. 14) aponta que o “avanço tecnológico pode ser uma benção ou um fardo” e que sempre modifica totalmente o ambiente onde está inserido. O uso indevido de tecnologias por parte dos estudantes na escola tem sido um problema para os professores que precisam refrear o uso dessas tecnologias em sala de aula, especialmente porque em muitos estados brasileiros a utilização para fins não pedagógicos é crime.
No entanto, as contribuições das tecnologias para o ensino não devem ser negadas. Não se podem esquecer as potencialidades que aparelhos celulares, smartphones e outros equipamentos tecnológicos oferecem para o uso em sala de aula. Esses equipamentos tecnológicos oferecem a possibilidade de se utilizar vídeos, áudios, textos em um único equipamento. Usar tecnologias que os estudantes possuem fácil acesso pode contribuir para a construção e troca de significados. Essas tecnologias estão presentes no cotidiano da sociedade moderna, sendo assim, as relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, podem ser o ponto de partida para metodologias e conteúdos a serem tratados no processo de ensino aprendizagem em Química que levem o estudante a se motivar a se tornar um sujeito ativo no processo de busca de conhecimento.
O uso do aparelho celular poderia ser esse elemento motivacional, contextualizador, informativo e uma ferramenta para aulas de Química, minimizando os prejuízos educacionais (divergência da proibição do uso) dessa tecnologia. A incorporação das tecnologias da informação e comunicação (TICs) amplia as possibilidades de incorporação da música no cotidiano das pessoas.
Com a invenção das válvulas a vácuo, fundamentais para o desenvolvimento do rádio, da televisão, do computador e do telefone, novas opções para ouvir, transmitir e divulgar a música foram criadas (BENCHIMOL, 1995).
Após a invenção do microchip (por volta da década de 70-80), novas tecnologias de comunicação são criadas e o celular, no início da década de 80, entra em cena e, hoje, é muito utilizado pelos adolescentes para comunicação e também para ouvir música. Ele está presente em todos os espaços, inclusive no ambiente escolar (BENCHIMOL, 1995). Atualmente, por meio de Lei no Paraná é permitida a utilização de aparelhos tecnológicos no ambiente escolar apenas para fins pedagógicos, no entanto, não é um impedimento para os estudantes, por não ser possível fiscalizar efetivamente a utilização, ouvir músicas e se comunicar (enviar mensagens) durante as aulas.
No entanto, para que haja uma reflexão por parte dos estudantes, que querem continuar usando seus equipamentos em sala e dos professores contrários ao seu mau uso, torna-se necessário usar estratégias que transformem informação em conhecimento, além de levar os estudantes a refletirem sobre o uso que fazem da tecnologia. A construção dessa reflexão por parte dos estudantes tem chance de ocorrer quando eles conhecerem o funcionamento desses equipamentos, quais os benefícios do uso, quais os riscos e consequências para suas vidas. As estratégias de ensino precisam ser pensadas e elaboradas de tal maneira que permitam a discussão e reflexão sobre o uso dessas tecnologias.
Ao considerar a importância das tecnologias para o ensino, sobretudo para o ensino de Química, e que naturalmente os estudantes usam o celular para escutar músicas e usam indevidamente durante as aulas, torna-se importante conhecer as percepções dos estudantes e dos professores sobre o impasse relativo à aceitação ou proibição do uso desses equipamentos.
Entre os objetivos desse trabalho de mestrado está a construção de práticas para o ensino de Química, que relacione Química e Música, preferencialmente utilizando recursos tecnológicos (aparelhos que reproduzam ou que produzam áudio). Para que esse objetivo pudesse ser alcançado, realizou-se uma pesquisa (questionário com questões abertas), detalhada no capítulo 3, com professores de Química do ensino médio, com a intenção de conhecer as possibilidades em usar tecnologias (celular) para trabalhar conteúdos de Química na visão desses profissionais. Também foram aplicados questionários a estudantes de Química do ensino médio para conhecer como utilizam o celular.
Muitas vezes os professores não utilizam recursos tecnológicos por falta de conhecimento. Oliveira e Morais (2008) discutem sobre a necessidade de os professores utilizarem recursos pedagógicos e tecnológicos para que o estudante perceba a importância da ciência em suas atividades cotidianas, possibilitando uma aproximação com os conteúdos das disciplinas ditas difíceis.
Objetivou-se, também, nesse trabalho, a construção de um banco de dados com informações de práticas e recursos que a música possibilita ao ensino de Química por meio da disponibilização desses dados por via digital que possa ser acessada por diferentes equipamentos tecnológicos (computador, notebook, smartphone e outros).
Entendendo que as tecnologias da informação, principalmente a internet, se constituem de um meio rápido, eficiente, bem aceito e cada vez mais acessível ao público, espera-se como resultado a divulgação do estudo realizado por meio de uma página da internet.