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3.3 Search for rapid cosmic-ray flux variations

3.3.4 Comparison to the geomagnetic activity of 8-12 June 1998 82

Na última década do século XX, o jornalismo deu seus primeiros passos na web 1.0 majoritariamente com a reprodução de material noticioso publicado ou veiculado pelos meios de comunicação broadcasting, com pouca ou nenhuma adaptação. Nos Estados Unidos, conforme explica Alves (2006), este procedimento ficou conhecido como shovelware, termo que se tornou pejorativo por indicar certa preguiça e falta de visão das empresas de comunicação perante o que, mais tarde, consolidar-se-ia como um novo meio com características próprias e inovadoras. Vale lembrar que a aglutinação de antigas práticas a novos meios não é novidade: também o rádio absorveu características do impresso e a televisão reproduziu técnicas radiofônicas nos seus primeiros anos de existência.

Com forte influência do modelo adotado pelo impresso, os primeiros sites de notícias costumavam organizar conteúdos de maneira similar aos jornais diários, com homepages hierarquizadas como as capas de periódicos, reprodução de editorias e predominância de textos escritos. Nesta fase, a concepção de multimidialidade, a produção em tempo real e a distribuição espacial em camadas noticiosas consolidadas pelo hiperlink ainda eram práticas distanciadas do cotidiano das redações on-line.

Na primeira década de atividade webjornalística, o ambiente digital era generalizado como uma ferramenta de expansão e distribuição de conteúdos produzidos em outras plataformas, atualizados de acordo com a periodicidade das edições tradicionais. Esta visão foi alimentada por aspectos como o acesso ainda limitado à internet pelo grande público, as conexões lentas e a precariedade inicial do ambiente gráfico da web. Ademais, os primeiros sites de notícias estavam ligados a conglomerados de comunicação cujos enfoques estavam nas mídias tradicionais, fontes garantidas de lucro.

A tendência acompanhou o próprio padrão da web 1.0, marcado pela predominância dos grandes sites; pela baixa intervenção do público sobre o conteúdo da comunicação – predomínio do emissor; pela pouca interatividade entre emissor e receptor; e pelo baixo grau

75 de personalização (BORGES; BUZALAF, 2011). Esta geração da web ainda tateava formas de uso da rede mundial de computadores, que acabara de sair do meio acadêmico para ganhar o grande público e assumir um modelo comercial.

A timidez inicial do webjornalismo conduziu a uma rotina (re)produtiva simplificada, numa clara condução à produção da notícia factual. A maioria das redações contava com poucos profissionais, que dedicavam grande parte do seu tempo ao “empacotamento” de notícias de jornais, de noticiários de rádio e televisão ou de material das agências de notícias. Esta prática pode ser traduzida como uma releitura superficial da função do copydesk: “Empacotar significa receber um material produzido, na maioria das vezes, por uma agência de notícias conveniada, e mudar o título, a abertura, transformar alguns parágrafos em outra matéria para ser usada como link correlato, adicionar foto ou vídeo, e por aí afora” (FERRARI, 2006, p. 44).

Passado o período da simples reprodução e reconhecidas as especificidades da web, o jornalismo inicia uma trajetória mais concreta no ambiente virtual. Neste segundo momento produtivo, as notícias quentes (hot news) começam a ganhar espaço no modelo de portal, evolução do site que reúne conteúdos diversificados, a exemplo de jornalismo, entretenimento, serviços, comércio eletrônico, comunidades, ferramentas de busca e personalização. Conforme explica Ferrari (2006), esta última característica é facilitada por portais verticais, especializados em um único assunto ou em um conjunto de assuntos correlacionados.

Na segunda metade da década de 1990, surgem novas iniciativas na rede. O norte- americano The Wall Street Journal é considerado o pioneiro no jornalismo interativo e personalizado na web. No mês de março de 1995, lançou o Personal Journal, espécie de jornal com conteúdo e formatação personalizados pelo leitor-assinante, de acordo com suas preferências de leitura, e recebido por mensagem eletrônica (FERRARI, 2006). No mesmo ano, o UOL lança o Brasil On-line, primeiro portal em tempo real do país; e em 1996, a empresa põe no ar o portal UOL. Em novembro de 1999, o portal iG inova com o noticiário “Último Segundo”, cuja proposta de atualização contínua nasce na própria rede com redação exclusiva para a internet, algo até então inédito no país (PRADO, 2011).

A tendência inovadora da produção noticiosa na internet continua sua ampliação, embora sofra percalços impostos pelo estouro da bolha digital nas bolsas de valores mundiais, em fins de 1999 e começo do ano 2000. Naquela ocasião, inúmeras empresas on-line sentiram os efeitos da especulação publicitária na rede e decretaram falência. A crise marca o início da

76 segunda fase da WWW: a web 2.0 (termo cunhado por Tim O’Reilly), que impulsiona a interatividade entre emissor e usuário, numa reconfiguração de papéis.

A tônica dessa geração pode ser resumida nos seguintes atributos: ruptura do predomínio do pólo de emissão, criação de canais de informação e conversação independentes das fontes formais, alto grau de envolvimento e personalização por parte dos usuários, alto grau de articulação coletiva, coincidência “proposital” entre as ferramentas de comunicação e as formas de participação (BORGES; BUZALAF, 2011, p. 9).

Apesar dos cortes de investimentos e do enxugamento das redações de webjornalismo logo após o estouro da bolha .com, a rede mundial de computadores volta a se fortalecer em poucos anos. Desponta mais madura e articulada economicamente, com reflexos diretos na implementação de projetos de comunicação mais sólidos.

Se a primeira fase da web é dedicada à publicação de informações pelos responsáveis por grandes sites, a segunda enfoca a cooperação por meio de redes sociais, blogs, conhecimento coletivo e jornalismo participativo. A popularização de Sistemas de Gerenciamento de Conteúdos, o aumento da velocidade da conexão e a convergência midiática também passam à linha de frente na web 2.0. O discurso fluido e a instantaneidade do tempo real articulam novas alternativas do fazer jornalístico amparadas pela organização em redes de informação e pela distribuição em fluxo contínuo.

Para Primo (2007, p. 2), a web 2.0 “[...] caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo”. Refere-se, então, a uma combinação de técnicas informáticas, estratégias mercadológicas e processos de comunicação mediados pelo computador.

A produção 2.0 de conteúdo atualiza a relação com o público, alçado ao posto de produtor coadjuvante, no caso de portais jornalísticos institucionalizados, e protagonista, quando considerados sites pessoais, redes sociais e iniciativas de jornalismo-cidadão. O internauta passa a interatuar no ciberespaço e demonstrar sua capacidade produtiva com diferentes graus de interferência, forçando o jornalismo a inserir o usuário direta ou indiretamente no processo produtivo da notícia. Neste ponto, vale a pena observar que o modelo participativo pode estimular ações coletivas de aprofundamento e contextualização informativa, características associadas à qualidade da notícia.

Cabe advertir, contudo, que o trabalho conjunto não significa a construção de discursos legítimos, igualitários e polissêmicos, capazes de suprir as necessidades de todo o

77 grupo social. Como lembra Primo (2007), a organização grupal tanto pode revelar múltiplas vozes quanto mascarar confusões, erros de informação e relações de poder.

Porém, quando se discute o trabalho aberto e coletivo online, não se pode pensar que a regulação seja eliminada ou desnecessária, nem que as relações de poder dêem lugar a relações sociais absolutamente planas e estáveis. A rigor, dos desequilíbrios depende a evolução e o aperfeiçoamento do trabalho coletivo (PRIMO, 2007, p. 6).

A dinâmica (inter)ativa do público impõe ao jornalismo uma releitura de suas atividades, traduzida em segmentação de conteúdo, uso de ferramentas participativas e diversificação de fontes de informação. Paralelamente, os avanços tecnológicos da segunda geração da web fortalecem o uso de recursos multimidiáticos, efetivado pela integração de diferentes plataformas de mídia; qualificação espacial baseada em hiperlinks; e formação da memória por meio de bancos de dados.

Em meio a este cenário, surge uma proposta de jornalismo 3.0, conduzido pelo que seria a web 3.0. Esta concepção é abordada por Borges e Buzalaf (2011, p. 9) ainda no campo das ideias: “[...] os computadores passarão a entender de semântica, eles compreenderiam o significado das palavras que usamos na rede. Fariam associações de ideias a partir delas”. Em suma, tratar-se-ia de uma internet dotada de inteligência e capaz de vincular-se ao usuário, promovendo um alto grau de personalização. Esta discussão, entretanto, distancia-se do objetivo deste trabalho, cujo foco está centrado no cenário atual de produção jornalística.

A anatomia da web e as formas concomitantes de atuação jornalística aqui abordadas não pretendem dissociar as gerações da WWW umas das outras, como se retratassem etapas finalizadas. Na verdade, as características coexistem, misturam-se e interagem de maneira contínua e inacabada. Significa que o ambiente web ainda está em evolução e busca caminhos para consolidar seu papel perante a sociedade mediada por computador.