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1.6.1. Específicos

A partir do problema de pesquisa apontado, define-se como objetivo específico deste estudo:

 Reconhecer no estado da arte, um panorama de práticas didáticas que visam promover o desenvolvimento da habilidade de visualização espacial por meio do raciocínio geométrico projetivo.

Entretanto, diante da motivação inicial deste trabalho, advinda da experiência didática em contextos de ensino técnico e superior, se busca também refletir sobre a própria prática, ampliando o significado deste estudo e apoiando futuras atuações da autora. Neste sentido define-se também como objetivo específico:

 Contextualizar estas práticas em relação às experiências prévias da autora enquanto docente, discente e pesquisadora.

1.6.2. Geral

O objetivo geral deste estudo define-se pelo intuito de:

 Apoiar a prática docente de desenho de atividades didáticas para o desenvolvimento da habilidade de visualização espacial por meio do raciocínio geométrico projetivo.

1.7. Estrutura da dissertação

Este estudo organizou-se a partir de dois momentos principais: um momento de revisão de práticas didáticas que apoiam o desenvolvimento da visualização espacial a partir do raciocínio geométrico projetivo; e outro de contextualização das práticas identificadas em relação às experiências prévias da autora como discente, docente e pesquisadora em disciplinas da área.

Este capítulo introdutório teve por objetivo apresentar: o contexto que motivou o desenvolvimento da pesquisa a partir das inquietações advindas das experiências da autora; o contexto nacional que envolve o ensino da representação gráfica e as mudanças que vem sofrendo (de natureza curricular e tecnológica); a delimitação do tema da pesquisa envolvendo a conceituação do que se entende neste momento por habilidade de visualização espacial e sua relação com o raciocínio geométrico projetivo; e por fim, a pergunta central da pesquisa, objetivo geral e objetivos específicos definidos.

Os capítulos 2, 3, 4 e 5 a seguir referem-se ao primeiro momento desta dissertação: Parte I - revisão de práticas didáticas. Apresentam respectivamente: o método empregado; dados preliminares e instrumento; desenvolvimento; e resultados obtidos.

Os capítulos 6 e 7 referem-se ao segundo momento da dissertação: Parte II – contextualização de experiências prévias da autora. Apresentam

respectivamente: descrição das experiências identificadas; e análise contextualizada em relação aos resultados obtidos na Parte I.

2. MÉTODO

Fórum de investigação, fundamentação teórico-metodológica e etapas

Uma exploração bibliográfica preliminar em fóruns nacionais de produção acadêmica na área da representação gráfica contribuiu para a percepção sobre o considerável volume de estudos publicados. Entre estes, também parece expressivo o número de publicações em que os docentes apontam as dificuldades dos estudantes quanto à visualização espacial e relatam suas experiências didáticas. Exemplos são os estudos de Rosa, Ulbricht e Simioni (1996), Rodrigues (1996), Silva, Barcia e Schmitt (2001), Silva et al. (2003), Seabra e Santos (2005), Lima, Haguenauer e Cunha (2007), Seabra e Santos (2009), Pereira, Duarte e Lopes (2011), Buery et al. (2011), Eymar et al. (2013), Rêgo e Carreiro (2015) e Teixeira et al. (2015). Outros tantos estudos poderiam ser igualmente citados aqui ampliando a ilustração do volume de estudos desta natureza e, também, a permanência destes ao longo dos últimos quase vinte anos1.

Dessa forma, entendeu-se adequado que um estudo que busca conhecer as práticas didáticas empregadas pelos docentes para apoiar o desenvolvimento de visualização espacial se desse a partir de uma pesquisa bibliográfica.

Vasconcelos (1996), Silva e Fialho (1998) e Góes (2012), cujos trabalhos são referidos a seguir, também realizaram estudos na área de ensino de representação gráfica e empregaram a pesquisa bibliográfica em seus estudos.

Vasconcelos (1996) buscava identificar as discussões principais que envolviam o ensino de desenho na época. A autora realizou estudo tendo como

base os anais do 11° Simpósio de Geometria Descritiva e Desenho Técnico que ocorreu em 1994. Essa autora relatou ter revisado as publicações realizadas no âmbito deste evento nacional, conhecido como Graphica, buscando a identificação de correntes de reflexões; situação que definiu mediante o aparecimento de semelhantes questões em pelo menos três (3) artigos.

Neste estudo o método envolveu análise de todos os artigos desta edição do Graphica dentro dos subtemas propostos pelo evento. Assim, Vasconcelos (1996) descreveu suas impressões sobre os estudos publicados em cada um dos três subtemas. A autora dedicou-se mais intensamente a dois deles: o que se refere às questões epistemológicas; e o que se refere às questões decorrentes do desenvolvimento tecnológico-computacional. Com relação a esse último, apontou a identificação de duas correntes: uma que vislumbrava nos recursos gráfico- computacionais a possibilidade do surgimento de “softwares educativos” que proporcionariam “melhor visualização em três dimensões” e dinamicidade; outra que se inclinava “a ver o advento da computação gráfica como instigador de um novo processo pedagógico” (VASCONCELOS, 1996, p. 403).

Em um terceiro subtema a autora identificou estudos que revelavam: “a importância da utilização de maquetes e objetos concretos como recurso para o ensino de desenho”; o destaque atribuído ao estímulo do estudante a “raciocinar, criar, descobrir, compreender, construir”; a importância da “integração do ensino de desenho com outras áreas do conhecimento, ou com o mundo real, concreto”; e a “falta de uma base de conhecimentos de desenho nos alunos egressos do primeiro e segundo graus” (VASCONCELOS, 1996, p. 401 e 402).

Assim, este estudo informa sobre as questões que estavam sendo discutidas no âmbito da pesquisa acadêmica de ensino de desenho na ocasião do Graphica de 1994.

Outro estudo envolvendo pesquisa bibliográfica foi realizado por Silva e Fialho (1998). Esses autores realizaram uma pesquisa na qual objetivavam a “análise, classificação e descrição dos progressos propiciados pelo impacto das novas pesquisas sobre a representação gráfica” (SILVA e FIALHO, 1998, p. 233). A base de dados deste estudo também envolveu os anais do Graphica, embora,

neste caso, tenha sido estruturado também a partir de outras fontes. No estudo de Silva e Fialho (1998) foram analisados os eventos Graphica de 1994 e 1996. A partir deste recorte temporal, os artigos de interesse foram estudados e apresentados de forma descritiva.

Por fim, o estudo de Góes (2012) que teve como objetivo a construção de um esboço de conceito para a Expressão Gráfica, também se configura como uma referência de pesquisa bibliográfica neste contexto. Essa autora também empregou os anais dos eventos Graphica e utilizou como método de estudo dos artigos a técnica de análise de conteúdo de Laurence Bardin2.

Góes (2012) realizou leituras flutuantes reunindo as palavras-chave indicadas nos resumos dos artigos para o período de eventos compreendido entre 2000 e 2011. Recorte que, em um segundo momento restringiu-se aos anais de 2007, 2009 e 2011. A autora catalogou os artigos encontrados, realizando uma organização sistematizada dos documentos. Nesta organização, registrou: títulos; autores; palavras-chave; níveis de ensino; recortes que buscavam identificar qual a intenção do estudo e quais recursos tinham sido empregados; além de elementos de expressão gráfica.

Góes (2012) revelou que essa organização sistematizada permitiu, após a análise de todos os artigos, a estruturação de dez (10) grupos ou categorias. Neste estudo, a organização dos grupos foi estabelecida de forma que nenhum artigo se enquadrasse em mais de uma categoria. Os estudos foram relatados por ano a partir das categorias estabelecidas. O estudo de Góes (2012) culminou com a análise dos dados e a definição do esboço de conceito (objetivo da pesquisa) para a Expressão Gráfica.

Esses estudos citados, realizados por Vasconcelos (1996), Silva e Fialho (1998) e Góes (2012), são referências para a sistematização do método de pesquisa bibliográfica cuja bases de dados definem-se pelos anais dos eventos Graphica.

2 A análise de conteúdo é um método direcionado a análise de comunicações, aplicável à diversas

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