• Aucun résultat trouvé

Comparing Different Files

Dans le document Editing sun® (Page 183-195)

Chapter 8 Manipulating Files

8.1. Comparing Different Files

Para Hall (2014) o sujeito é de forma inevitavelmente performativo. A performatividade, sendo regras ditadas pela heterossexualidade, cria binários e padrões, através de ações consistentes que garantem a identidade do sujeito. Vale ressaltar novamente que para Butler (2001) o indivíduo não representa seu gênero de forma voluntária, trazendo à tona aquilo que ele gostaria como escolha de identidade, mas a performatividade é oriunda das normas que vem antes do agente, sendo a construção do gênero uma imposição: “Quando era criança, ganhava brinco de ouro. […] minha mãe sempre arrumou a gente […] por que era feminino” (EVA). Eva cresceu sendo normatizada pelo o que a mãe achava que a representaria como feminino, adornando as filhas com brinquinhos e pulseirinhas que ela acreditava que era feminino e deixaria suas filhas mais femininas.

As joias também se encaixam dentro de um padrão preestabelecido que torna o modelo da joia para cada binário, sendo as joias masculinas “[…] mais pesadas, quadradas e grossas […] (LUA). “[…] o cordão do homem é mais grosso, maior, grandão. […] a pulseira é mais grossa […] (GIL). “A joia masculina é mais pesada […]” (DUDA). “[…] A (joia) masculina é mais grosseira” (IAN) e as joias femininas são “mais fininhas, mais delicadas” (LUA). “[…] cordão mais fino” (GIL). “[…] uma peça mais delicadinha [...]” (DUDA). São diferentes normas que moldam o sujeito e até mesmo as características dos objetos, classificando-os dentro do binário masculino e feminino da heteronormatividade.

Mas a performatividade em si não é um ato isolado. Butler (1985) diz que é um conjunto de ações repetidas – performance – que dão vida ao gênero. O modo e o modelo – visto no parágrafo anterior – como se usa as joias está ligado a performatividade e performance. O uso de um brinco, tido como algo feminino pode não expressar, de forma isolada o gênero feminino: “Tem coisas que são bem características que você não vê uma pessoa com certa orientação sexual usando, por exemplo, brinco. Tem homens que não tem essa influência, mas usam brincos” (EVA). A performance no uso das joias é perceptível na visão

dos sujeitos entrevistados, pois ao serem questionados os motivos do uso de joias e se ela influencia no gênero e o que buscam ao utilizar joias, obtivemos as seguintes respostas:

A feminilidade. Gosto por isso. […] a joia é um complemento, algo a mais para expressar minha feminilidade. A joia tem que ser feminina, mais delicada. Ela me ajuda a externar minha feminilidade, ser mulher. […] a joia em si não influencia, mas a pessoa usa para marcar (EVA).

Para Eva, embora a joia não expresse totalmente seu lado feminino, ela acredita que através do uso de joias ela consiga reforçar seu gênero, sua feminilidade. Ainda na fala de Eva, vimos que a joia em si também não influência, mas serve para marcar. A joia por si só, como uma performance, não é capaz de dar vida ao gênero, mas em conjunto com outras performances, tem-se a concretização da performatividade feminina, o que também vimos com Duda. Ao trocar o modelo da joia, ela poderá expressar um outro gênero, ou talvez gerar uma certa confusão nas pessoas, pois, sendo ela (DUDA) “abrutalhada”, acredita-se que usando joias mais pesadas irá performar outro gênero. Por isso Duda prefere joias mais delicadas – performance – que em conjunto com outras performances irá performatizar o gênero feminino “delicado”:

Eu sou mais assim, adepta a peças mais delicadas, finas. As joias tendem a expressar o meu gênero. Então, eu uso joias mais delicadas para mostrar minha delicadeza. Quando uso prata, eu vejo que as pessoas notam e interferem com meu gênero. […] a joia reforça o gênero (DUDA).

Para Ian, o estilo de vida da pessoa – o meio social – também irá interferir no modelo e no modo de usar joias. O sujeito entrevistado também não vê a joia como um fim único na construção da identidade de gênero, mas vê sim a joia como um complemente, uma das performances necessária para se reforçar o gênero que a pessoa deseja expressar.

Uma peça mais grosseira remota um gênero diferente do que você é. Igual o homem, se ele coloca uma coisa muito delicada, está associado ao estilo de vida. […] a joia é um acessório para expressar, mas ela não é tudo. Eu posso não estar com joias, mas posso passar

meu gênero, embora, a joia possa reforçar sim meu gênero. A joia em si não é um fator e si, é um complemento […] (IAN).

Ainda dentro da questão de performance e performatividade, observou-se que há várias características nas joias que a remetem ao gênero feminino ou ao gênero masculino. Essas características são construídas ao longo do tempo dentro da esfera social, como já foi visto antes e que aqui parece perdurar no contexto de vida dos entrevistados.

Acontece quando tem muita pedraria. Quando são umas joias mais retas ou fosca, então não tem tanta coisa assim não, mas em questão de pedras, ela fica mais feminina. Se é uma coisa muito, no sentido de marcar demais, aquilo acaba sobressaindo, por ser muito marcante, então aquilo pode influenciar sim. Mas quando é uma coisa mais discreta, normal, dentro do limite, não influencia (FILÓ).

Mais uma vez o modo de utilização e o modelo das joias são performances essenciais para a construção dos gêneros, que dentro de um contexto e com outras performances, são capazes de construir o gênero. Sendo assim, a joia de forma isolada, não é capaz de expressar o gênero do sujeito, mas é uma peça de fundamental importância, que vem sendo moldada e construída de diversas formas ao longo do tempo para ajudar os sujeitos a performar o gênero no qual é regido.

Eu acredito que ajuda sim, porque, é visível você olhar para uma pessoa, tipo eu assim, estou toda vestido de menino (figura 7), se eu colocasse uma bermudinha de mulher e um cordãozinho feminino, não ia ficar legal, ia ficar meio estranho, a pessoa ia ficar sem saber o que ela está vendo, se é ou se não é, então eu acredito que tanto a joia quanto a roupa ajudam. Então, quando uso as minhas joias as pessoas percebem o gênero que quero passar (GIL).

Figure 7. Perfil de Gil

A performatividade são as regras discursivas que regulam o gênero e se repetem a todo momento e sendo o conjunto de elementos - joias, roupas e etc. – apresentado por Gil as performances. Se algo está fora dos padrões dentro da heteronormatividade, pode-se usar a própria fala de Gil, “[...] não ia ficar legal, ia ficar meio estranho, a pessoa ia ficar sem saber o que ela está vendo, se é ou se não é [...]”. Os sujeitos, portanto, tendem a performar dentro daquele binário em que se encaixam, fazendo uso dos objetos – joias – da forma como a norma daquele binário exige, buscando no final de tudo a identificação e o reconhecimento do seu gênero. É o que veremos no próximo tópico, tendo a identificação como objetivo central dentro do consumo de qualquer objeto. Se as normas discursivas levam o sujeito a performar e construir seu gênero, o sujeito busca, por fim, ser identificado como gênero masculino ou feminino, muito embora, essa identificação seja repleta de normas e regras e não acontece de forma voluntária.

Dans le document Editing sun® (Page 183-195)