C.2 Liaison SyncClass / UML
2.1 Comparatif des techniques d’expression des dépendances structurelles
Nirlando Beirão Somos nós, os Simpsons - e os Simpsons somos nós. No nonsense de sua cacofonia absurda - há quem diga: surreal -, eles estão sempre exprimindo, nas entrelinhas, a melhor lição desse acelerado, ensurdecedor mundo globalizado: se a mediocridade pode ser silenciosa, a cretinice é sempre espalhafatosa.
É pura filosofia, aquela família tão certinha e tão disfuncional. Tanto que há quem venha interpretar suas neuras e seus insights à luz de Schopenhauer, Marx, Heidegger, Miguel de Unamuno e Roland Barthes (Os Simpsons e a Filosofia, de Aeon Skoble, Mark Conard e William Irwin, editado no Brasil pela Madras).
Quando se tenta analisar o balbuciante Bart, bad boy de comédia, pateta sem escrúpulos, é Nietzsche quem lhe vem ao encalço. Nietzsche falou na "comédia da existência" - em que a maldade é tão premeditada que vontade e representação se desencontram. Até em sua maldade visceral, Bart é ingênuo e crédulo.
Aristóteles, por sua vez, entende muito de Homer, o pater familias, "clássico exemplo de um bobão antiintelectual", enquanto Marge, a mãe, é um prato feito para Kant, em sua honestidade, bom senso e pragmatismo deitados sobre o mundo empírico de reações imediatas em que prevalece a autonegação, incorrigível que é Marge na ânsia de servir mais aos outros do que a si mesma.
E Lisa, a filha ginasiana? Naquele retrato multicolorido do antiintelectualismo americano que é Springfield e que são os Simpsons, ela vive em preto e branco seu isolamento afetivo, encastelada em dilemas socráticos. Lisa deixa, assim, todo mundo perplexo: afinal, é para rir dela ou para admirá-Ia?
In: Carta Capital, 19/9/2007. 10. UEPG (2008) Quais são os propósitos do autor do texto acima ?Some as proposições corretas.
(01) Ressaltar a força imperativa da metáfora dos Simpsons. Se Springfield representa o planeta, os Simpsons representam a humanidade.
(02) Valorizar os padrões estéticos e culturais americanos.
(04) Criticar o acelerado mundo globalizado, com sua mediocridade, competição e frustração. (08) Evidenciar que nenhuma família é tão universal e representativa quanto os Simpsons.
(16) Demonstrar que uns traços em quadrinhos podem trazer, em imagem e subtexto, muito mais do que nossa vã filosofia pode alcançar.
Nas duas questões selecionadas, nota-se o privilégio dado à reflexão. Na primeira pergunta, o aluno deve reconhecer no texto lido características da estética literária em referência, deve refletir sobre a forma de um texto e avaliá-lo de acordo com o contexto de produção. Já a segunda questão requer uma compreensão geral e ampla do texto, contudo, essa compreensão necessita da reflexão sobre o conteúdo do texto.
A partir de todos os questionários e avaliações analisadas compreendeu-se que a escola está caracterizada por buscar excelência acadêmica, desde a infraestrutura oferecida até a formação contínua dos profissionais da educação. A gestão pedagógica parece ser bem consolidada, já que não aparecem, nas respostas, problemas relacionados a desrespeito. Contudo, os alunos destacam aspectos conflituosos no decorrer das aulas, contrapondo as vozes da diretora e das professoras.
Tornou-se perceptível que há, no colégio EPSA, a seleção de professores com muita experiência. Essas profissionais expõem valores e conceitos bem consolidados, seja por mostrar consciência de suas ações e concepções, seja pela orientação de um profissional de assessoria interna ou externa, ou também pela determinação de fatores externos como provas e avaliações de vestibular. Nota-se que cada professora tem bem definido para si o objetivo do seu trabalho, o que pode sugerir como se configura cada segmento dentro da escola.
Ao comparar as respostas dadas nos questionários, pode-se caracterizar uma diminuição das aulas destinadas à Língua Portuguesa em cada segmento (7 aulas no ensino fundamenta 1; 6, no ensino fundamental 2; e 5, no ensino médio), o que sugere um trabalho mais intenso nas séries iniciais, enfocando as habilidades de leitura e escrita.
O planejamento de cada série comprova tal organização. O Ensino Fundamental 1 parece promover um trabalho de formação do leitor, enfoca o uso da biblioteca, a escolha dos livros, a interação criança e livro, enfim, o processo de letramento, o que se aproxima do PISA. Já o ensino fundamental 2 enfoca um trabalho de aprofundamento da competência leitora, há uma preocupação com as habilidades de leitura que o aluno precisa dominar para ler textos diversos. Por fim, o Ensino Médio relaciona todo o processo desenvolvido em prol de uma formação literária mais clássica, exigida pelos grandes vestibulares do país e não diretamente com o sistema de avaliação internacional PISA.
A análise das questões, entretanto, revela o privilégio dado aos textos contínuos. Isso fica evidente tanto no Plano de Ensino, como nas questões das provas em geral e não apenas nas que estão exemplificadas nesse texto. Por isso talvez a professora 2, na resposta dada ao questionário, mencione possíveis dificuldades dos alunos no que se refere à leitura de mapas,
por exemplo.
Provavelmente, não significa que a escola nunca realize esse trabalho de leitura de gráficos, mapas e similares, sobretudo, nas disciplinas que envolvem tais temas como Geografia, Matemática, Ciências, História. Contudo, a inserção mais efetiva de textos não contínuos no planejamento de Língua Portuguesa, o ensino das estruturas e formatos específicos desses gêneros poderia contribuir para resultados ainda melhores em avaliações como o PISA.
A partir dessa descrição, podemos observar que o 9º ano e a 3ª série do Ensino Médio estão voltados a uma preparação para o vestibular e para o ENEM. Isso pode ser comprovado pela seleção da matriz de referência do ENEM como objetivo do planejamento, pela elaboração das questões das provas, que enfoca textos literários e questão de vestibular e pela fala das professoras, que revelam sua preocupação com os resultados acadêmicos.
Tal proposta parece induzir a uma espécie de treinamento do aluno para realização de avaliações, o que, de certa forma, explicaria, parcialmente, o bom resultado no PISA. Não podemos afirmar com certeza absoluta, mas a proposta deixa evidente que o letramento em leitura é foco no 5º ano, mas no 9º ano e na 3ª série, o enfoque recai para o vestibular e para ENEM. O que, de fato, se interliga com as necessidades das escolas particulares, cujo desejo das famílias, na maioria das vezes, é o ingresso do filho em boas universidades.
Não se pode generalizar tal resultado para todas as instituições particulares que obtêm bons resultados em avaliações como o PISA ou o ENEM. A questão merece ser enfocada a partir de tendências que ainda comprometem a qualidade de ensino, foco desta investigação. Com relação à leitura e à escrita, tanto as concepções docentes quanto as práticas pedagógicas observadas nos questionários e nas atividades analisadas revelam que as efetivas condições de trabalho do professor parecem favorecer a aprendizagem restrita e o limitado uso da língua.
Em uma proposta excessivamente voltada apenas às avaliações externas, a tendência é promover um ensino artificial, marcado pelo exercício mecânico da leitura e da escrita em prol de uma única atividade humana: o vestibular, quando o interessante seria inserir a multiplicidade de atividades humanas permeadas pela linguagem.
A prática pedagógica e a dinâmica do ensino de leitura e escrita ficam circunscritas ao formalismo das lições insípidas, repetitivas e pouco significativas, comprometendo o interesse e a motivação do aluno para aprender. O prazer da leitura e a descoberta da escrita como fator de ação social parecem não ser considerados. A leitura e a escrita aparecem apartadas da sua razão de ser, desvinculada das práticas sociais de uso. Ensina-se a ler e a escrever, mas não a
gostar de ler e escrever; não a ser um efetivo usuário da língua escrita. O aluno é ensinado a ler e a escrever, mas não há investimento na formação do leitor crítico e do escritor ativo.
Há dois aspectos fundamentais que interferem na qualidade do ensino no que se refere às práticas de letramento: o reducionismo da concepção de língua e linguagem, ao ser tratada apenas como código; e o estreitamento da prática pedagógica, concebida fora das práticas reais de uso da língua.
Ensinar as práticas de leitura e escrita é mais do que ensinar a ler e a escrever corretamente; é garantir ao sujeito a oportunidade de se aventurar na língua para libertar o pensamento e compreender o mundo. A aprendizagem está estreitamente vinculada ao contexto sociocultural do sujeito, pois pressupõe um ativo processo de reflexão a partir do qual o estudante lida com as informações e delas se apropria por diferentes vias. Entende-se, assim, que as práticas pedagógicas serão mais legítimas quando aproximarem, de fato, a escola e a vida.