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Comparaisons avec l’´etat de l’art

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2.4 R´esultats exp´erimentaux

2.4.3 Comparaisons avec l’´etat de l’art

O projeto Educação Popular, Trabalho e Direitos

Humanos foi executado em consonância ao Plano Nacional de

Educação em Direitos Humanos (2007), em especial na

[...] afirmação dos direitos humanos como universais, indivisí- veis e interdependentes e, para sua efetivação, todas as políticas públicas devem considera-los na perspectiva de construção de uma sociedade baseada na promoção da igualdade de oportuni- dades e da equidade, no respeito à diversidade e na consolidação de uma cultura democrática e cidadã.

Educação popular, trabalho e direitos humanos Fernando Bomfim Mariana

Também em acordo com a Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica da CAPES, compreendemos que o processo de formação de professores é imprescindível para que as escolas públicas de Educação Básica sejam instituições aptas a mediar os debates contemporâneos sobre direitos humanos, incorporando a comunidade escolar através de práticas de educação popular e assumindo a co-responsabilidade na comple- xificação da luta pelos direitos humanos. É nesse contexto que se efetivou o projeto no sentido da contribuição para a formação de professores em Direitos Humanos, não apenas “ao preconizar uma formação dos direitos positivados, mas especialmente por possibilitar a compreensão do papel histórico da classe traba- lhadora nos movimentos e nas lutas pelos direitos humanos” (CAPUCHO, 2012, p. 90). O trabalhador docente passa a repre- sentar, assim, uma das categorias fundamentais para a criação histórica anticapitalista e emancipatória socialmente.

As atividades do projeto estiveram divididas em três etapas: 1. Curso de formação em Direitos Humanos; 2. Oficina de Produção de Material Didático em Direitos Humanos; 3. Ciclo de filmes, documentários e debates chamado de “Cinema e Direitos Humanos”.

Na primeira etapa de atividades, os cursos foram minis- trados em observância aos dez eixos estratégicos escolhidos, quais sejam: infância, mulher, adolescência, população idosa, popu- lação privada de liberdade, mulher gestante, orientação sexual, maus tratos a animais, opção religiosa, cultura. Para cada eixo foi indicado um texto para leitura prévia que alimentou o debate de cada sessão, enriquecida em certos momentos pela presença de convidados especialistas em cada tema.

Na segunda etapa de atividades, os participantes priori- zaram a diversidade da natureza dos materiais didáticos que se

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das rodas de conversa. Os materiais didáticos abarcaram músicas, representações pictóricas diversas, jogos teatrais, brinquedos, poesias, narrativas, testemunhos etc.

Na terceira etapa de atividades, foram selecionados 5 filmes e 5 documentários de grande relevância ao tema “Direitos Humanos”, sejam os seguintes:

1. A Morte Inventada, de Alan Minas;

2. O Renascimento do Parto, de Eduardo Chauvet; 3. Vida Maria, de Márcio Ramos;

4. A caça, de Thomas Vinterberg;

5. Morte e Vida Severina, de Afonso Serpa;

6. Persépolis, de Marjana Satrapi e Vincent Paronnaud; 7. O dia em que Dorival encarou a guarda, de Jorge Furtado; 8. O veneno está na mesa, de Silvio Tendler;

9. Criança – a alma do negócio, de Estela Renner; 10. XXY, de Lucia Puenzo.

As sessões de exibição ocorreram em espaços diversos, tais como Casas de Cultura, museus, laboratórios, praças públicas, e outros. Após a exibição das películas, aconteceram debates com a participação de convidados que dinamizaram o evento. Os

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participantes sistematizaram suas impressões através de textos, desenhos, poesias e formas narrativas e artísticas diversas.

Foram realizados dez encontros para cada uma das três etapas de atividades nos espaços acima descritos, bem como em instituições científicas da região. Cada encontro teve carga horária de quatro horas. E a metodologia esteve fundamentada, conforme dito anteriormente, no pensamento crítico de Paulo Freire, em que a dialogicidade no espaço público de discussão é o foco da educação popular. Nesse sentido, todas as ações do projeto estiveram em concordância com a realidade das popula- ções sertanejas participantes das intervenções.

Ressaltamos, ainda, que todas as atividades estiveram orientadas pelas metodologias de trabalho de campo sugeridas por Dulce Whitaker (2002), tais como a pesquisa-ação e os diários de campo artísticos confeccionados pela equipe, e outros elementos da área de conhecimento da sociologia rural. Final- mente, destacamos o aspecto autogestionário da atividade, ou seja, a gestão coletiva dos módulos realizada através do rodízio dos membros da equipe, possibilitando a capacitação de toda a equipe no conjunto projeto. De forma semelhante, o registro fotográfico e audiovisual das atividades foi realizado de forma rotativa por toda equipe, a fim de propiciar maior pluralidade de olhares e subjetividades acerca das temáticas pesquisadas.

As contínuas avaliações do projeto foram realizadas através de reuniões quinzenais de avaliação e (re)planejamento, abertas ao público, enfatizando o compromisso entre membros da equipe e os participantes da atividade na construção coletiva do projeto. Além das avaliações, realizamos o Seminário Terrorismo de

Estado, Direitos Humanos e Movimentos Sociais, entre os dias

02 a 11 de setembro de 2014, com sessões alternadas na Univer- sidade de São Paulo e na Universidade Federal do Rio Grande do

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em 1964 subsidiou e qualificou as discussões e formação de toda a equipe e dos participantes do projeto.

Nas específicas ações de ressignificação artística ancoradas na realidade sertaneja, procedemos uma releitura de renomadas representações pictóricas, desde pinturas consagradas de artistas como Pablo Picasso (obras Mulher chorando e Guernica), passando por cartazes artísticos sobre direitos humanos encon- trados na visita à exposição Poster for Tomorrow (curadoria de Ruth Klotzel), bem como foi lançado mão da livre criação de pôsteres, adesivos e outras expressões plásticas.

Os resultados destas ações específicas propiciaram a produção de materiais didáticos artísticos relacionados à defesa dos direitos humanos, dentre os quais destacamos doze produtos divididos em três eixos:

1. Defesa da Vida e da Liberdade é a Luta Antimilitarista –

pelo desarmamento do sertão e Nenhuma lágrima será derramada no rosto das mulheres pela violência dos homens – sobre a obras Guernica e Mulher Chorando,

respectivamente;

2. Não à pena de morte, Pelo direito ao livre pensamento,

Revolução é igualdade de gênero, Denunciação calu- niosa é crime, Direito à moradia também é um direito humano, Nada justifica o trabalho infantil, Liberdade de expressão é democracia direta e Educação pode mudar o mundo – sobre cartazes de direitos humanos da expo-

sição Poster for Tomorrow;

3. Guarda compartilhada é amor em dobro: cura o coração e

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parental e guarda compartilhada: as crianças e jovens têm direito à liberdade dos afetos – livre criação coletiva.

Além dos produtos acima mencionados, encontra-se em fase de finalização a película Direitos Humanos no sertão

brasileiro, uma compilação de diversos registros audiovisuais

obtidos durante os anos de execução do projeto, e que congrega não apenas as temáticas de direitos humanos debatidas nas três etapas do projeto, mas também cenas diversas do cotidiano da população da região do Seridó – uma população imersa na reali- dade da seca do semiárido e cujos saberes populares tradicionais permitem maneiras diferenciadas de reprodução social e de convívio comunitário.

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