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3.4 Simulations

3.4.3 Comparaison des temps d’exécution

A) Acolhimento

O encontro foi iniciado com uma roda de conversa, na qual o pesquisador informou que estava iniciando uma nova etapa, a unidade III – Laboratórios de experimentos artísticos e estéticos. Foi informado que a metodologia dos encontros dessa unidade seria diferente da dos encontros de exposição e discussão dos conteúdos. A metodologia dos laboratórios de experimentos artísticos e estéticos teve um procedimento experimental em cinco etapas distintas, cada uma com objetivo específico tentando dar conta da proposta de trabalho em Artes Visuais em sala de aula do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental.

B) Atividade de sensibilização

A atividade de sensibilização teve como objetivo aguçar os sentidos a fim de propiciar ao participante a oportunidade de tornar-se mais afetuoso e integrado com sua

atividade artística. Essa ocasião foi pautada em uma atividade de eutonia34, denominada de estiramento contínuo: esse experimento corporal é muito sutil. Foi mediado pelo micromovimento das articulações motoras finas e amplas, inicialmente, em cada parte do corpo separadamente e, em seguida, com o corpo inteiro.

Todos estavam de pé e dispostos em círculo ao som da música “In a sentimental mood”, de Duke Ellington e John Coltrane. A progressão de movimento corporal teve início com a mão direita (mobilizando cada dedo separadamente), braço direito, mão esquerda (mobilizando cada dedo separadamente), braço esquerdo, os dois braços juntos com a parte superior do corpo; pé direito, perna direita, pé esquerdo, perna esquerda, as duas pernas juntas e a bacia; a cabeça e, por fim, todo o corpo.

Após o estiramento contínuo, agora ao som das músicas “Release me” e “Am I that easy to forget”, de Esther Phillips. A recomendação era a de que se continuasse com os movimentos livres, sob a seguinte consigna: “Continuem o movimento continuamente, das articulações finas às amplas, de modo que se permita o deslocamento do corpo em movimento pela sala, objetivando uma interação corporal coletiva”. Os desdobramentos com os corpos em movimento (dança) foram acelerados e gradativamente desacelerados até o fechamento. Esse momento teve uma duração de aproximadamente dez minutos. Ao final, com o movimento lento e quase zerado, foi sugerido que cada um, guiado pelo seu próprio tempo, procurasse sentar em seu lugar, inspirasse profundamente e expirasse lentamente e se pautasse a observar os afetos no corpo provocados pela ação dos movimentos.

Trabalhar cada parte do corpo em separado e depois o corpo todo, simultaneamente, em movimentos livres, é um convite à autopercepção das partes do corpo em detalhe e na totalidade. Segundo Ciornai (1994), as atividades criativas, quando iniciadas com movimentos do corpo no espaço, facilitam a transposição, posteriormente, para elementos como tinta, grafite e/ou giz de cera sobre o papel. Complementa dizendo que a música incentiva esse processo, encorajando-o para a criação. Para concluir, Ciornai (1994, p. 26) leciona: “Desse estágio inicial de mover e transferir os movimentos para o papel, figuras começam a emergir”.

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Eutonia: método de trabalho corporal que faz parte do campo da Educação somática, desenvolvido nas primeiras décadas do século XX pela dinamarquesa Gerda Alexander. Como todos os métodos de Educação somática, é considerado uma pedagogia do movimento que trabalha sobre a percepção, buscando uma ampliação da consciência corporal e uma melhor organização corporal, alcançando, assim, resultados terapêuticos.

C) Experimentação artística e estética

Após sensibilização que propiciou aos participantes em grupo entrar em contato com seus próprios corpos e com os corpos dos outros em movimento, entregou-se uma folha de papel branco (tipo 80k e tamanho A3) a cada um e um lápis grafite 6B. A sugestão dada foi que eles procurassem se sentar de modo confortável na cadeira, fechassem os olhos e, segurando o lápis com a mão, passeassem sobre o papel (dançassem) ao som da música “Body soul”, de Stan Getz, deixando o registro dos rabiscos35. Ao final da música, foi sugerido que abrissem os olhos e entrassem em contato, olhando e observando, com o emaranhado de linhas dos registros realizados.

Figura 4 – Rabiscos feitos livremente de olhos fechados

Fonte: Acervo do pesquisador (2015).

A observação dos rabiscos objetivava a identificação de imagens que se formavam entre as linhas traçadas ao acaso, sem intenção prévia de produzir objetos ou outras representações artísticas. A observação, na perspectiva de análise da relação de figura e fundo entre os rabiscos, levou os participantes a encontrar várias formas, hachurando-as e delimitando-as dentro do emaranhado de linhas curvas e contínuas.

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Figura 5 – Configuração das imagens encontradas nos rabiscos

Fonte: Acervo do pesquisador (2015).

Após a configuração das imagens entre os rabiscos, foi sugerido que transpusessem os desenhos (da folha com os rabiscos) e, livremente, finalizassem a obra usando os materiais que quisessem (giz de cera, lápis de cor, tinta guache, canetas hidrocor, etc.). Com o acabamento final, os participantes foram para a etapa da transposição de linguagem, objetivando o início da trilha de identificação da poética artística pessoal (existencial) através do diálogo entre pesquisador e participante sobre o acabamento final da criação artística.

Figura 6 – Resultado final das imagens encontradas nos rabiscos 1

D) Transposição de linguagem

A transposição de linguagem, com o intuito de potencializar o contato do participante com o seu processo artístico e com o resultado final, pautou-se na escrita de dois textos, o primeiro de cunho subjetivo, norteado pela seguinte consigna: Como foi vivido o processo do experimento de criação artística e estética? Nesse texto, os participantes relataram como foram vividos seus processos durante toda a experiência artística, desde o acolhimento, passando pelos rabiscos, até o acabamento do resultado da configuração final.

[...] A sensibilização foi importante para o ato de criar e perceber-se a si próprio e o que desejamos transmitir. A música foi fundamental para o relaxamento. E a atividade que foi proposta foi complementar e estimulante. Só lamento que o tempo foi curto para descobrir e aperfeiçoar as imagens. Gostei muito de desenhar e pintar ouvindo música. (P4).

[...] experiência maravilhosa, poder fugir do tradicional. Sentir-me livre, ousada e única. Sentir e observar cada parte do meu corpo e me movimentar de maneira livre me fez sentir viva e agradecida por poder desfrutar desses momentos felizes [...] a experiência da expressão livre foi melhor ainda, pois até hoje me achava sem a menor noção para o desenho. Percebi que dentro de mim existe algo muito especial acerca da Arte. Amei transpor o desenho e criar algo só meu, que me identifica e faz fluir algo subjetivo e transcendente. No desenho que vi em meio aos rabiscos, pude perceber uma mulher segurando um filho, imediatamente pensei em minha relação com minha filha. (P5).

[...] A experiência da sensibilização foi relaxante e divertida. Nela, senti como que se eu voltasse à infância com aqueles movimentos corporais livres e despreocupados. Tive uma sensação de liberdade [...] Fazer o desenho dos rabiscos de olhos fechados e ao som de música também despertou em mim uma sensação de liberdade por não haver também preocupação com a técnica, mas foi algo que partiu de mim. (P7).

O segundo texto, de cunho objetivo, deveria focar os aspectos do resultado final: “Descrever de modo objetivo a configuração das imagens do resultado final (da própria obra)”. Nesse texto, os sujeitos fizeram uma descrição com todos os detalhes dos elementos da obra final, nomeando as imagens, a cor, o volume, a forma, a dimensão das formas, as semelhanças e as diferenças.

[...] no lado direito da composição, tem umas pessoas e, dentre elas, o chapeuzinho vermelho, um senhor com bigode, uma senhora, uma mulher de gorro, um rapaz triste com uma capa, uma dançarina azul, um ladrão com máscara negra [...] no meio, um ser etéreo, um fantasma cinza [...] ao lado esquerdo, os animais, um louva-a-deus, três pássaros (um azul, um verde e outro dourado), um lobo escuro, um hipopótamo rosa saindo da caverna, um elefante azul com enfeites amarelo ‘indiano’. (P4). (Ver imagem da figura 6).

Figura 7 – Resultado final das imagens encontradas nos rabiscos 2

Fonte: Acervo do pesquisador (2015).

O autor da figura anterior, descreve-a textualmente assim:

[...] Minha composição é feita com apenas duas cores: vermelho e laranja. Essas duas cores são pintadas sobrepostas, juntas ao mesmo tempo. No centro, existe uma figura de uma mulher segurando uma criança. A figura da mulher não é pintada, só contornada, e há um detalhe: a mãe é contornada de vermelho e a criança é pintada de laranja. (P5). A composição posterior representa elementos essenciais da natureza de forma quase pueril.

Figura 8 – Resultado final das imagens encontradas nos rabiscos 3

Essa obra é assim descrita por seu criador:

[...] as imagens estão ligadas à natureza. Tem imagens de dois peixes pequenos, uma árvore e um pássaro. Um dos peixes é bem maior que os outros dois. Uma das aves está voando. A árvore parece balançar ao vento. Percebo ondas como se fossem águas e outros traços que lembram grama. Minha composição é uma paisagem: lago, peixes, árvore na margem do lago e aves voando em volta da árvore. (P7).

Devido ao horário do encontro, a transposição de linguagem teve sua continuação, juntamente com a avaliação dialógica e reflexiva, no encontro seguinte. Como a turma já estava acostumada a fazer um fechamento, o qual era denominado por todos como avaliação dialógica e reflexiva, os participantes avaliaram o encontro/formação, relatando suas experiências durante o processo do experimento artístico no laboratório de experimentação artística e estética.

Consideramos inovador e surpreendente, pois todos nós conseguimos realizar uma obra artística singular, única, sem imitações; Esta simples técnica nos propiciou uma oportunidade incrível de criar, de expor nossa personalidade de uma forma bem singular e artística; Sentimo-nos mais especiais e representados depois de conhecer este modo de desenhar; Achamos que esta metodologia nos leva a romper com os padrões existentes. Estou falando das reproduções de modelos. (DIÁRIO DE CAMPO).

Ao realizar o fechamento, solicitou-se que os indivíduos qualificassem a poética do encontro em uma palavra. Estes foram os vocábulos: superação, diversão, liberdade, prática, descobrimento, originalidade, autoconhecimento, grupo, cores e movimento.

Figura 9 – Horizonte 4

A densidade de palavras que compõem o horizonte fala por si só.

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