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Comparaison du taux d’amélioration entre le cas de modélisation GMM et le cas modélisation GMM-

Chapitre III Compensation de la variabilité du canal

III. 4.2.6) Le cas d’apprentissage avec téléphone fixe et test avec téléphone mobile :

III.5) Comparaison du taux d’amélioration entre le cas de modélisation GMM et le cas modélisation GMM-

Poucos temas conseguem nos fascinar de maneira tão vívida como a angústia. Geralmente, acolhemos ideias, estudamos seus conteúdos e refletimos a partir deles, cumprindo uma necessidade- válida-, que se coloca em nosso cotidiano; mas algumas ideias, nos chamam ao seu estudo, como um convite irrecusável diante do seu poder de atração, é exatamente esse o caso da angústia, temática presente em várias obras, com as mais distintas tonalidades e abordagens. É pelo estado angustiado de Boécio que a Filosofia vem encontrá- lo93, é para apaziguá-lo de um sentimento tão arrebatador que Ela o consola. Pois para Ela “[...] não é lícito deixar caminhando sozinho um discípulo seu [...]” (BOÉCIO, 1998, p.08), por isso o socorre em seu momento de aflição, cessando-lhe os queixumes.

Agostinho sentiu a angústia como o fogo vivo que queima, mas que também possui o poder de cauterizar a ferida. Em sua trajetória de dúvidas, a angústia se apresentou como a força capaz de tragá-lo para os mais profundos abismos94, “[...] „o abismo chama por outro abismo‟ [...]” (AGOSTINHO, 2009, p.337), mas as trevas que estavam em seu caminho, foram iluminadas através da fé e da redenção: “[...] Fomos outrora trevas; agora, porém, somos luz do Senhor [...]” (AGOSTINHO, 2009, p.337, grifo do autor), ou melhor, “Somos lamparina que há de ser estrela” (AGOSTINHO, 2009, p.337). Os anseios que sempre o acompanharam, foram aplacados em seu encontro com a fé.

Partindo para uma perspectiva já secularizada, pensando não mais apenas o aspecto negativo da angústia, Heidegger problematiza a questão como a condição do ser no mundo:

[...] a angústia se angustia como ser-no-mundo lançado; a angústia se angustia por poder ser no mundo. Em sua completude, o fenômeno da angústia mostra [...] a presença como ser-no-mundo que existe faticamente

92EURÍPIDES. Medeia. Trad. Trajano Vieira. São Paulo: Editora 34, 2010, p.57.

93“[...] ei-lo aqui, prostrado/ [...] Com a nuca curvada sob o jugo/ E vergado ao peso do corpo/ [...] obrigado a fixar os olhos no chão [...]” (BOÉCIO, 1998, p.06).

94“[...] são como abismos profundos. Mas, porque o Vosso Espírito „pairava sobre as águas‟, a Vossa misericórdia não abandonou a nossa miséria [...] a alma nos perturba [...]” (AGOSTINHO, 2009, pp.336-337).

[...] A presença é um ente em que, sendo, está em jogo seu próprio ser [...] o ser [...] se projeta para poder-ser mais próprio [...] É na angústia que a liberdade de ser para o pode-ser mais próprio e, com isso, para a possibilidade de propriedade e impropriedade mostra-se numa concreção originária e elementar [...] (HEIDEGGER, 2009, pp.192-193, grifo do autor).

O ser, em sua existência fática, percebe a angústia como a possibilidade de confirmação do seu ser-no-mundo, possibilidade e movimento rumo ao tornar-se; o que não significa concreção, mas antes, a liberdade de poder-ser.

Sartre, também associa a angústia à ideia de liberdade; para o filósofo francês, a angústia se configura como “[...] a captação reflexiva da liberdade por ela mesma [...]” (SARTRE, 2011, p.84), o que significa dizer que é a partir da angústia que dotamos nossas atividades de significado, a angústia precede a decisão, é através da angústia e da relação que estabelecemos com ela, que decidimos agir ou não; pela angústia nos relacionamos de forma livre com o mundo circundante, pois “[...] é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade [...] é na angústia que a liberdade está em seu ser colocando-se a si mesma em questão [...]” (SARTRE, 2011, p.72). A angústia possui assim, um papel decisivo para a compreensão da nossa própria liberdade.

O autor nos fornece um exemplo prático da sua concepção da participação e, importância da angústia para a compreensão do homem em sua realidade; compreensão enquanto ser livre:

[...] os valores estão semeados em meu caminho na forma de mil pequenas exigências reais, similares aos cartazes que proíbem pisar na grama [...] existem concretamente despertadores, cartazes, formulários de impostos, agentes de polícia, ou seja, tantos e tantos parapeitos de proteção contra a angústia. Porém basta que a empresa a realizar se distancie de mim e eu seja remetido a mim mesmo porque devo me aguardar no futuro, descubro-me de repente como aquele que dá ao despertador seu sentido, que se proíbe, a partir de um cartaz, de andar por um canteiro ou gramado, aquele que confere poder à ordem do chefe [...] enfim, aquele que faz com que existam os valores, cujas exigências irão determinar sua ação, Vou emergindo sozinho, e, na angústia frente ao projeto único e inicial que constitui meu ser, todas as barreiras, todos os parapeitos desabam, nadificados pela consciência de minha liberdade [...] eu decido, sozinho, injustificável e sem desculpas [...] Na angústia, capto-me ao mesmo tempo como totalmente livre e não podendo evitar que o sentido provenha de mim. (SARTRE, 2011, pp. 83-84). É pela angústia que nos relacionamos com a possibilidade de concreção, a partir da angústia interagimos no mundo imprimindo algo que só pertence a nós mesmos, a nossa capacidade de interpretação, julgamento e ação, a nossa responsabilidade diante do agir.

A angústia atravessa praticamente toda a tradição intelectual, mas é na Filosofia e na Literatura Contemporânea, que a sua discussão se desvela de maneira proeminente:

Heidegger, Sartre, Cioran95, Camus, em suma, uma serie de pensadores passam a problematizar a querela como algo importante para a atividade intelectual, pois a concebem como uma relevante experiência humana. Podemos pensar, sem prejuízo de generalizações, que de certo modo, a angústia e suas questões puderam assumir lócus tão privilegiado, a partir do auxílio daqueles que abriram o caminho para o pensamento existencial, Soren Kierkegaard e Fiódor Dostoiévski.

Kierkegaard e Dostoiévski retiraram a angústia do seu espaço periférico e a trouxeram para o centro das suas obras. O autor dinamarquês dedicou um escrito inteiro para a querela, mas também podemos percebê-la como um elemento forte do seu pensamento em seu conjunto. Dostoiévski nos apresentou personagens, que expõem a todo o momento o sentimento de angústia diante da existência e, em Memórias do Subsolo, vemos o operar da angústia de modo potente. Assim, ainda no século XIX, a angústia fora vislumbrada pelos autores, como algo que se relaciona intimamente com a possibilidade e a liberdade.

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