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sim, compreender e explicar a dinâmica das relações sociais que, por sua vez, são depositárias de crenças, valores, atitudes e hábitos. Trabalham com a vivência, com a experiência, com a continuidade e também com a compreensão das estruturas e instituições como resultado da ação humana objetiva. Ou seja, desse ponto de vista, a linguagem, as práticas e as coisas são inseparáveis (2000a, p. 24).

Nesta pesquisa será dada ênfase à metodologia dialética, porque, de acordo com Demo (1985), é uma metodologia específica das ciências sociais porque é a mais fecunda para analisar os fenômenos históricos (MINAYO, 2000b, p. 86).

A análise dos resultados centrou-se na metodologia de análise de conteúdo (BARDIN, 2008) que, segundo a autora, é

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis

inferidas) destas mensagens(2008, p. 44, grifo da autora).

5.2 Procedimentos de coleta de dados

Considerando que na abordagem qualitativa se trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes (MINAYO, 2000a), que se expressam através da linguagem e na vida cotidiana, e que esta pesquisa tem como enfoque as representações sociais, privilegiou-se a entrevista como procedimento para coleta dos dados.

No estudo das representações, a entrevista, como um procedimento de coleta de dados, é defendida por diversos autores, entre eles Sá, que afirma: “ainda com relação à coleta de dados por meio de entrevistas, é uma noção bastante difundida a de que o material discursivo do qual se queira extrair as representações deve ter sido produzido pelos sujeitos da forma mais espontânea possível” (1998, p. 89).

Nesse sentido, a entrevista, no estudo das representações sociais, é de grande importância, considerando que estas se constroem na comunicação e na interação entre membros de um grupo.

O que torna a entrevista instrumento privilegiado de coleta de informações para as ciências sociais é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos (sendo ela mesma um deles) e ao mesmo tempo ter a magia de transmitir através de um porta-voz, as representações de grupos determinados, em condições históricas, sócio-econômicas e culturais específicas (2000b, p. 109-110).

Os diversos tipos de procedimentos de coleta de dados usados em pesquisas qualitativas, de acordo com Triviños (2006), são a entrevista estruturada, a semi-estruturada e a entrevista livre ou aberta. No entanto, segundo o mesmo autor, são as entrevistas semi- estruturadas e livres as mais importantes para este tipo de investigação.

Ainda segundo o autor, “[...] para alguns tipos de pesquisa qualitativa, a entrevista semi-estruturada é um dos principais meios que tem o investigador para realizar a Coleta de Dados” (2006, p. 145-146).

Triviños define a entrevista semi-estruturada como:

[...] em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar da elaboração do conteúdo da pesquisa (2006, p. 146).

Seguindo a linha de raciocínio de Triviños, o procedimento de coleta de dados utilizado nesta pesquisa teve a inspiração na entrevista semi-estruturada.

A entrevista foi elaborada em torno de alguns temas muito discutidos na literatura, a partir de um problema da prática social (ver apêndices C e D), através de perguntas que possibilitaram o aprofundamento das falas, de modo a abranger e ampliar as opiniões, os sentidos e significados das professoras participantes, no intuito de não mascarar os conteúdos das representações sociais.

Inspiradas no pensamento de Grize (2001), as perguntas foram formuladas de modo que dariam lugar aos juízos de valores, o que, ademais, permitiria o acesso às ideologias subjacentes, o que pôde ser constatado na análise dos resultados.

Como na aproximação com o campo, onde foram realizadas quatro entrevistas, foi percebido um resultado bastante significativo para o objeto de estudo, e tendo em vista provir de situações-problema, não foi necessária a utilização de outros procedimentos.

Antes de iniciar a entrevista, foi explicado o objetivo da pesquisa, a fim de que os participantes tivessem clareza do trabalho que estávamos realizando. Após a prévia concordância em participar, foi solicitada a assinatura de um termo de consentimento (apêndice – B).

Além da entrevista, foi aplicado um questionário, com o objetivo de traçar o perfil dos sujeitos participantes.

Ao todo, foram realizadas 18 entrevistas, sendo que duas delas foram descartadas por motivo de falha técnica na sua operacionalização.

As entrevistas e os questionários foram aplicados em dois momentos. Primeiro foram aplicadas quatro entrevistas piloto (apêndice – C), conjuntamente com o questionário (apêndice – E), que tiveram o objetivo de verificar as possíveis lacunas. Posteriormente foram feitas algumas adequações no questionário (apêndice – F) e na entrevista (apêndice – D), que foram aplicados em quatorze professoras.

Para uma melhor explicitação, as quatro primeiras entrevistas foram denominadas de entrevistas piloto e as outras de entrevistas definitivas.

Vale ressaltar que com as alterações feitas no questionário não houve possibilidade de computar os dados do perfil das quatro professoras que participaram da entrevista piloto conjuntamente com as entrevistas denominadas definitivas. Por isso é que o perfil das professoras foram apresentadas separadamente, como mostra as tabelas 6 e 7.

As entrevistas foram gravadas, com a permissão das professoras participantes, que assinaram um termo de consentimento (apêndice B), e depois foram transcritas.

Procurou-se sempre realizar as entrevistas nos momentos em que os alunos estavam na sala da informática ou na biblioteca, ou quando havia alguma estagiária que pudesse ficar com os alunos. No entanto, em algumas escolas isto não foi possível. Nestes casos a entrevista foi feita na própria sala de aula, enquanto os alunos faziam atividades, mesmo quando a pesquisadora sugeria que fosse feita em outro momento ou até mesmo em outro dia. Tanto a dirigente (ou a coordenadora) quanto as professoras participantes disseram não haver problema em se fazer a entrevista com os alunos em sala. Quando isso aconteceu, a professora deixou os alunos fazendo uma atividade na própria sala de aula. Nestes casos, a entrevista foi interrompida com certa freqüência, com exceção nas turmas que tinham uma quantidade menor de alunos e nas turmas do 2º ano do 2º ciclo, cujos alunos eram maiores.

No entanto, mesmo com as interrupções, as entrevistas não tiveram interferências no que se refere aos assuntos abordados.