Chapitre 1. Introduction 1
2.3 Traitements chirurgicaux d’une combinaison de problèmes au maxillaire 17
2.3.3 Comparaison EPRAC vs LeFort I multisegmentaire 26
indivíduo considerado moralmente defeituoso e que deveria ser evitado a qualquer custo. Em outras palavras, o estigma pode ser entendido como uma marca pública, física ou metafórica, de vergonha e desonra que outorga ao indivíduo status social baixo. No século XX, a palavra foi ressuscitada por Goffmam ([1963] 1938) para se referir ao atributo de uma pessoa que é profundamente desacreditada, reduzindo-a em nossas mentes a um indivíduo maculado, que pode ser descartado a qualquer momento.
elementos que não sejam culturalmente definidos como masculinos. Visto que as mulheres heterossexuais não percebem a rejeição da homossexualidade como um fator fundamental para a constituição de sua identidade sexual, não se sentem pressionadas a serem preconceituosas e, portanto, acabam tendo mais contato com homossexuais, o que tende a reduzir o preconceito.
Ver um homem efeminado desperta enorme angústia em muitos homens, pois desencadeia neles uma tomada de consciência de suas próprias características femininas, como a passividade e a sensibilidade, que eles consideram um sinal de fraqueza. (BADINTER, 1992, p.119)
Sendo assim, o preconceito contra gays cumpre o papel psicológico essencial de deixar claro quem é heterossexual e quem é homossexual. O preconceito contra homossexuais é, frequentemente, chamado de homofobia, apesar de o termo “heterossexismo” também aparecer na literatura especializada. Segundo Nunan (2003), ambos os conceitos surgiram no final da década de 1960, em resposta às mudanças trazidas pela Revolução Sexual, que fez com que a sociedade repensasse questões relativas à orientação sexual.
O termo orientação sexual, segundo Nunan (2003, p. 19), significa atração por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo biológico, isto é, ser heterossexual, homossexual ou bissexual. Segundo ela, o termo surgiu na década de 1980 como uma forma de expressar a natureza profundamente enraizada do desejo sexual e possui implicações biológicas, pois, antes da sua criação, a homossexualidade era chamada de “opção sexual” (p. 78).
A homofobia, termo criado pelo psicólogo George Weiberg, segundo Nunan (2003, p.78), pode ser definida como uma aversão ou medo irracional de homossexuais, enquanto o termo heterossexismo apresenta-se como um termo similar ao racismo, descrevendo sistemas ideológicos, sociais e institucionais que colocam a homossexualidade como inferior à heterossexualidade.
Para Nunan (2003, p. 78), a palavra homofobia sugere que o preconceito contra homossexuais pode ser mais bem entendido como uma forma de fobia individual, ignorando aspectos sociais do fenômeno. O heterossexismo, por outro lado, tem seu foco em um nível histórico e cultural, ignorando atitudes individuais.
Para Luiz Mott (1997), a homofobia define-se como uma ideologia anti- homossexual, aversão à homossexualidade, ódio dirigido a homossexuais. O autor conclui que "de todas as minorias sociais, os homossexuais são as maiores vítimas do preconceito, mais rejeitados do que os negros, judeus e mulheres” (p. 9). Ele tem desenvolvido trabalhos tratando do preconceito, da discriminação e da violência contra os homossexuais, como documentários compostos de relatos/fatos ocorridos desde a colonização do Brasil até os dias atuais.
Segundo Mott, os crimes praticados contra homossexuais são, na maioria das vezes, classificados como “crimes de ódio” e devem ser referidos como crimes homofóbicos, por terem como principal motivação o fato de o agressor não aceitar orientação sexual da vítima.
Mott fez uma tipologia referente ao crime homofóbico, dizendo que este tipo de crime pertence à categoria dos “crimes de ódio”. Define os crimes da seguinte maneira:
Atos ilícitos ou tentativa de tais atos, que incluem insultos, danos morais e materiais, agressões físicas, às vezes chegando ao assassinato e são crimes motivados pelo racismo, machismo, intolerância religiosa, homofobia e etnocentrismo. Levando os seus autores geralmente a praticarem elevado grau de violência física e desprezo moral contra vítima, sendo as mortes geralmente antecedidas de tortura, como o uso de armas e de grande número de golpes. (2000, p. 15).
Mott afirma que os “crimes de ódio” são perpetrados como uma espécie de mensagem, ao agredir a vítima, o ofensor está enviando um recado aos membros do grupo de que eles não são bem-vindos naquele local em particular, que pode ser a escola, o local de trabalho, o bairro, a praça etc.
Segundo Mott, as pesquisas revelam que o “crime de ódio” mais tolerado socialmente pelos jovens e provavelmente o mais praticado é contra as minorias sexuais.
Esse autor afirma que os crimes homofóbicos possuem as seguintes justificativas: a ideia de que a homossexualidade é imoral, e de que, espancando Gays, promove-se uma ‘limpeza’ na sociedade desse ‘mal’. A valorização do machismo dos jovens que fazem isso e a demonstração de poder e força são a comprovação da própria heterossexualidade com a prevenção de um possível assédio sexual.
Para Luiz Mott, os crimes homofóbicos e todas as demais expressões de preconceito e discriminação, motivadas pela homossexualidade alheia, constituem manifestações de violência e desrespeito aos direitos humanos e à igualdade de cidadania, sem falar que podem representar o primeiro passo de ações homofóbicas mais agressivas que poderão redundar no extermínio do indivíduo homossexual.
Os acontecimentos na Praça da Gentilândia são exemplos dessa ideia, visto que as gangues queriam retirar os jovens homossexuais da Praça com o uso da violência e com a conivência dos moradores do local.
Segundo Loiola (2006, p.41), as manifestações homofóbicas partem de pressupostos compreensivos da dinâmica social caracterizada pela produção e reprodução de valores impressos na cultura, em que os preconceitos, os estereótipos e a discriminação em relação à homossexualidade têm tomado feições diversas na história da humanidade.
Para Loiola (2006, p. 63), a homofobia assume uma dinâmica social multifacetada: as expressões são manifestadas verbalmente e, às vezes, tidas como brincadeiras. Os insultos, os xingamentos, a não-aceitação no grupo de pertença, a violência física ou simbólica e os assassinatos constituem um arsenal contra a homossexualidade e, ao longo da nossa história, têm influenciado os saberes sobre ela.
Na modernidade, de acordo com o autor (2006, p. 63), a homofobia é manifestada de várias formas, que vão desde a execução (assassinato), até a utilização de simples símbolos que ratificam a discriminação e o preconceito. A coisificação das relações sociais é característica peculiar de nossa sociedade, eivada de mitos, tabus e omissões. Observa-se, também, a negação da sexualidade humana e a estigmatização das minorias.
Dessa forma, os jovens terão mais dificuldade de se assumirem homossexuais. Alguns não conseguirão devido aos conflitos causados pelas tensões na normalidade social, pois a maioria da sociedade aplaude a heterossexualidade, descartando as possibilidades de uma vida homossexual. Esses conflitos poderão perdurar por muito tempo em suas vidas, mas para muitos homossexuais será o tempo em que se descobrem outras pessoas e lugares frequentados por homossexuais.
Segundo ainda Loiola (2006, p. 41), a homofobia assume diversos sentidos e significados. No último século, algumas correntes teóricas vinculadas à biologia, à psicologia, à sociologia, à antropologia e à religião têm direcionado as discussões sobre a origem da homossexualidade numa perspectiva confusa, ora com posições tolerantes, ora com posições divergentes. Para esse autor:
O tratamento dado à homossexualidade na cultura ocidental tem sido variado, até pouco tempo era visto pela medicina como uma doença, pela igreja como uma degenerescência e pela psicologia como inversão sexual e/ou patologias. Por outro lado, os movimentos dos homossexuais e feministas têm debatido com mais insistência a problemática das relações de gênero e sexuais, dadas a necessidade da luta pela liberdade das manifestações sexuais e pela garantia dos direitos iguais para toda a espécie humana - o exercício da cidadania, e ainda pela defesa da vida na prevenção da Aids, fazendo emergir uma nova dinâmica social. (2006, p. 41)
Neste trabalho, considerei importante mencionar as reflexões trazidas por Loiola (2006), Mott (2003), Trevisan (1998) e Almeida Neto (2003) para compreendermos como acontecem a produção e a reprodução da homofobia em nossa sociedade através das influências trazidas pela religião e pela biopsicologia e como essas influências interferem no cotidiano social.
A religião, segundo Loiola, tem exercido grande influência na direção da conduta de homens e mulheres em nossa sociedade, a partir da socialização dos ensinamentos da cristandade e de sua interpretação pelas novas gerações. Os textos bíblicos do Antigo Testamento29 e do Novo Testamento30 citam o “pecado homossexual” baseados no pecado de Sodoma, que fora considerado pela Igreja como o pecado homossexual. Para o autor “Muito embora não se tenha por certo o motivo da destruição da cidade de