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A TFD também é apresentada como uma solução alternativa para o tra- tamento de doenças causadas por fungos, como a Candida. Muitas vezes inofensiva na cavidade humana normal, espécies de Candida, principalmente

C. albicans, podem levar a infecções da mucosa como a candidíase orofarín-

gea78. Destacando-se estudos voltados para Candida albicans, as infecções causadas por esses fungos podem ser graves, especialmente em pacientes imunocomprometidos e debilitados (infectados pelo HIV; transplantados; portadores de linfomas; com deficiências nutricionais; com distúrbios meta- bólicos, como diabetes, neoplasias, xerostomia secundária à radioterapia, efeitos colaterais dos medicamentos, envelhecimento e síndrome Sjögren). Estudos têm relatado que infecções com diferentes tipos de Candida, em casos de pacientes com HIV, apresentam sintomas mais graves, isto é, são mais difíceis de tratar do que as infecções somente com um tipo de C.

albicans78,115.

Mang e colegas100 demonstraram que o fotossensibilizador Photofrin® estimulado por TFD pode eliminar espécies de Candida com grande eficiên- cia. Outras Candida isoladas de pacientes com AIDS que demonstraram

resistência ao fluconazol e anfotericina B foram igualmente suscetíveis à morte fotodinâmica. Desse modo, a utilização da TFD em pacientes já sen- síveis por conta de outro quadro clínico pode ser uma forma de oferecer a essas pessoas uma melhor qualidade de vida, aliviando os sintomas da doença e diminuindo o efeito de doenças secundárias, causadas pelo trata- mento convencional. Para Lyon e colaboradores97, a fotoquimioterapia é um tratamento antifúngico alternativo que pode alcançar um desempenho mais eficaz com menos desconforto ao paciente.

Do mesmo modo que nos demais micro-organismos, a fotoquimioterapia se utiliza da luz em um comprimento de onda específico para ativar um fotossensibilizador não tóxico na presença de oxigênio, a fim de irradiar a célula-alvo51. A metodologia empregada varia, pois a fotoquimioterapia depende, dentre outros fatores, do tipo da célula, tipo de laser, da área irradiada e, principalmente, do fotossensibilizador. A classe frequentemente empregada de fotossensibilizadores é o azul, corantes conhecidos como sais fenotiazínicos, incluindo o azul de toluidina, azul de metileno e corantes azuis116. O tratamento tem como mecanismo de ação a inibição da 14 α-di- metilose, que está presente no citocromo P-450 da célula fúngica. Normal- mente, estudos têm atribuído à utilização de uma fonte de laser em torno de λ 630 nm78.

Diversos estudos estão sendo realizados com o intuito de verificar a efi- ciência desse tipo de tratamento em diferentes micro-organismos, uma vez que os micro-organismos continuam sendo a maior causa de infecções em feridas cirúrgicas, irritações de pele, dentre outros problemas, e os regimes profiláticos estão cada vez mais difíceis por causa do surgimento de espécies resistentes. De acordo com Prates e colegas143, a incidência de micoses inva- sivas tem aumentado significativamente ao longo das últimas três décadas, e agora representa uma ameaça crescente para a saúde humana devido a uma combinação de difícil diagnóstico e uma escassez de drogas antifúngicas eficazes ao tratamento.

Lee e colegas89 empregaram MAL-fotoquimioterapia (metílico 5-amino- -levulinico ácido) para tratar pacientes com Malassezia folliculitis. Três de seis pacientes conseguiram uma forte melhora nas lesões após três sessões de TFD e um paciente apresentou uma melhora moderada.

A utilização da fotoquimioterapia em tratamentos odontológicos tem se destacado em doenças periodontais78. Um dos grandes desafios encontrados nos tratamentos dessas doenças é que geralmente não se consegue a remoção completa dos antibióticos utilizados, por isso é possível que o micro-orga- nismo crie resistência ao medicamento.

Esse desafio encontrado na terapia convencional pode ser solucionado com a fotoquimioterapia, uma vez que esta torna o tratamento mais eficaz, pois a radiação da luz consegue atingir locais de difícil acesso para o tra- tamento convencional. Desse modo, um dos benefícios dessa técnica é que ela não é prejudicada pela resistência dos micro-organismos; sendo assim, a utilização da fotoquimioterapia pode diminuir a necessidade de antibió- ticos. De acordo com Lyon e seus colaboradores97, a fotoquimioterapia tem sido utilizada com sucesso no tratamento de doenças infecciosas, incluindo infecções fúngicas.

Ainda que os estudos apontem a eficiência da fotoquimioterapia no tra- tamento de diversas doenças, esta eficiência está sempre relacionada com as concentrações de fotossensibilizador e com a irradiação. Esse fato pode ser

observado no estudo de Mang e seus colaboradores100, no qual a eficácia da fotoquimioterapia depende da proporção de concentração de corante utilizado para uma quantidade de células fúngicas. Os autores descrevem que para uma elevada densidade de C. albicans, uma alta concentração de

Figura 23.5 Resultados obtidos em experimentos utilizando Cândida sp. (A) Avaliação do crescimento celular utilizando fenotiazina (50 µg/mL) e luz laser L1 e L2 (4,8 J/cm2 e 12 J/cm2, respectivamente), no tempo de pré-irradiação de 5 minutos. (B) Avaliação

do crescimento celular utilizando fenotiazina (50 µg/mL) e luz laser L1 e L2 (4,8 J/cm2 e 12 J/cm2, respectivamente), no tempo de

pré-irradiação de 10 minutos. (C) Avaliação do crescimento celular utilizando fenotiazina (100 µg/mL) e luz laser L1 e L2 (4,8 J/cm2 e

12 J/cm2, respectivamente), no tempo de pré-irradiação de 5 minutos. (D) Avaliação do crescimento celular utilizando fenotiazina (100

fotossensibilizador e, provavelmente, uma dose de luz elevada seriam neces- sários para obter uma fotoquimioterapia eficiente.

Sendo assim, é possível verificar que tanto a diversidade de micro-or- ganismos como a diversidade de patologias e característica das áreas de atuação dificultam a definição de uma metodologia padrão que possa ser aplicada a cada tipo de infecção.

Outra grande área de utilização da fotoquimioterapia são as infecções fúngicas superficiais de pele. O estudo realizado por Dai e colegas34 testou a eficácia da fotoquimioterapia usando uma combinação de corante azul (sal de fenotiazínico) e luz vermelha para a profilaxia e tratamento de C.

albicans em infecção na pele de rato com feridas de abrasão. Esse estudo

demonstrou que a TFD, com a combinação de corante azul e luz vermelha, pode reduzir significativamente a carga fúngica das feridas infectadas com

C. albicans.

O tratamento de dermatose em pacientes utilizando aminolevulinato de metilo e irradiação de luz vermelha com comprimento de onda de λ 630 nm demonstrou que a fotoquimioterapia é eficiente para o tratamento de pacientes com pequenos números de lesões50.

Alguns experimentos realizados por nossa equipe têm mostrado resulta- dos significativos no tocante ao efeito da técnica em fungos (Figura 23.5).