PARTIE EXPERIMENTALE
III RESULTATS
2. Intérêt de l’utilisation de la double injection de la PGF2α sur les performances de reproduction
2.4 Comparaison des intervalles vêlage –vêlage
De forma a verificar se o observado na pesquisa possui associação ou não com a teoria de contabilidade mental, será feita comparação entre os dados obtidos e o que seria esperado se fossem aplicados primeiramente somente os preceitos da teoria de comportamento da carteira na versão múltiplas contas mentais e num segundo momento adicionando os preceitos da teoria dos prospectos e o conceito efeito disposição.
Logo, os resultados esperados da pesquisa serão definidos de duas maneiras:
a) considerando que todos os itens da pesquisa se comportariam com base no que seria esperado pela teoria de comportamento da carteira na versão múltiplas contas mentais, isto é, os investidores ignoram a covariância entre os ativos;
b) considerando que o item 1 se comportaria de acordo com a aplicação do conceito efeito disposição, que os itens 2 e 3 seguiriam o conceito que as escolhas podem ser alteradas em função da representação dos resultados (teoria dos prospectos) e que os itens 4, 5 e 6 seguiriam a teoria de comportamento da carteira na versão múltiplas contas mentais. Nestes últimos 3 itens, os valores esperados foram assumidos como sendo iguais aos utilizados na letra a) acima.
Em seguida, para ambas as maneiras serão feitas análises estatísticas considerando as medidas de desvios entre os valores observados e esperados, conforme fórmula abaixo, e os cálculos da medida de afastamento (qui-quadrado de Pearson) e coeficiente de contingência, tais quais definidos por Bussab e Morettin (2006, p. 78 e p. 80),
Medida de desvio = [(oi – ei)2] / ei, onde oi são os valores observados e ei os
As tabelas 5 e 6 mostram os resultados esperados aplicando-se somente a teoria de comportamento da carteira versão múltiplas contas mentais (TCC-MCM). Nesta versão, os indivíduos tendem a ignorar a covariância entre os ativos, guardando-os em contas mentais separadas. Logo, de forma a refletir esta afirmação, foi considerado que a maioria das respostas, na proporção 70%/30%, deveria apontar para tal expectativa.
Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 13 31 2 31 13 3 13 31 4 31 13 5 31 13 6 31 13
Tabela 5 – Respostas esperadas da pesquisa por item utilizando a TCC – MCM
Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 30% 70% 2 70% 30% 3 30% 70% 4 70% 30% 5 70% 30% 6 70% 30%
Tabela 6 – Respostas esperadas da pesquisa por item (%) utilizando a TCC-MCM
Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
A tabela 7 mostra as medidas de desvios entre os valores observados na tabela 3 e os esperados na tabela 5.
Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 0,2 0,1 2 0,0 0,0 3 5,9 2,5 4 14,0 32,8 5 11,5 26,8 6 0,0 0,0
Tabela 7 – Medidas de desvios entre os valores observados e esperados utilizando a TCC – MCM
Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
Por fim, o cálculo da medida qui-quadrado de Pearson resultou no valor 93,9 e o coeficiente de contingência calculado foi de 0,83.
A segunda maneira adotada para compilação dos valores esperados levou às tabelas 8 e 9. Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 9 35 2 37 7 3 14 30 4 31 13 5 31 13 6 31 13
Tabela 8 – Respostas esperadas da pesquisa por item utilizando o conceito Efeito Disposição, a TCC – MCM e a Teoria dos Prospectos Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 20% 80% 2 84% 16% 3 31% 69% 4 70% 30% 5 70% 30% 6 70% 30%
Tabela 9 – Respostas esperadas da pesquisa por
item (%) utilizando o conceito Efeito Disposição, a TCC – MCM e a Teoria dos Prospectos
Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
Os valores esperados para o item 1 refletem a teoria de Shefrin e Statman (1985), na qual os investidores tendem a realizar ganhos rapidamente e demoram a realizar prejuízos. Neste contexto, os valores assumidos buscam refletir tal afirmação. Já os valores esperados dos itens 2 e 3 são iguais aos verificados por Kahneman e Tversky (1979, p. 273) e dos itens 4, 5 e 6 seguem os valores da Tabela 6.
A tabela 10 mostra as medidas de desvios entre os valores observados na tabela 3 e os esperados na tabela 8. Item da Pesquisa Concordo Totalmente + Concordo Discordo Totalmente + Discordo 1 4,4 1,1 2 1,3 6,9 3 5,1 2,3 4 14,0 32,8 5 11,5 26,8 6 0,0 0,0
Tabela 10 – Medidas de desvios entre os valores observados e esperados utilizando o conceito Efeito Disposição, a TCC – MCM e a Teoria dos Prospectos
Fonte: Quadro elaborado pelo pesquisador
Nesta segunda forma de análise, o cálculo da medida qui-quadrado de Pearson resultou no valor 106,2 e o coeficiente de contingência calculado foi de 0,84.
5 CONCLUSÃO
A investigação realizada neste trabalho teve uma abordagem qualitativa. Buscou-se dar ênfase a elaboração de questões simples de pesquisa que pudessem captar as nuances do fenômeno que foi objeto desta dissertação, isto é, a aplicação da contabilidade mental pelo investidor individual brasileiro, tal qual descrito pelo modelo de múltiplas contas mentais de Shefrin e Statman (2000).
De acordo com Bussab e Morettin (2006), valores grandes do qui-quadrado de Pearson indicam associação entre os dados comparados. Por exemplo, um qui- quadrado de Pearson de 173,2 pode ser considerado grande e indicar a existência de associação entre duas variáveis (Bussab e Morettin 2006, p. 78). O valor encontrado pela primeira maneira estudada neste trabalho foi 93,9 e 106,2 pela segunda. Partindo-se da referência de Bussab e Morettin (2006, p. 78), é possível afirmar que estes dois valores são grandes. Logo, os resultados da pesquisa possuem associação com o que seria esperado utilizando-se tão somente o preceito que os investidores ignoram a covariância entre os ativos, conforme a versão de múltiplas contas mentais de Shefrin e Statman (2000), quanto compondo esta teoria com a teoria dos prospectos e o conceito efeito disposição.
Apesar dos resultados apontarem para associação entre a teoria e a prática, algumas limitações da pesquisa impediram a generalização da sua conclusão, tais como o baixo número de respondentes em relação ao universo de investidores pessoa-física no Brasil e a não revisão da pesquisa por uma pessoa ligada ao campo da psicologia. Adicionalmente, podem surgir questionamentos acerca da validade de respostas baseadas em situações hipotéticas. Porém, escolhas feitas a partir de situações hipotéticas é a maneira mais simples de investigar questões ligadas ao comportamento do investidor (Kahneman e Tversky, 1979). Partindo das premissas que os respondentes frequentemente saberiam como agir em situações reais de escolha e que os mesmos não têm razão para fugir das suas preferências verdadeiras, é possível aceitar as respostas da pesquisa como fonte dos caminhos que levaram à conclusão desta dissertação.
Conforme Lintz (2004), “finanças comportamentais está deixando de ser uma linha de pesquisa à margem da corrente principal, denominada linha clássica de expectativas racionais e eficiência de mercado.” Neste sentido, este trabalho buscou dar um passo no campo de contabilidade mental ao verificar a sua aplicabilidade por investidores individuais brasileiros. Trabalhos futuros, contudo, poderão aprofundar e testar a aplicação da teoria de Shefrin e Statman (2000) em um número de investidores mais amplo e/ou com características demográficas específicas, por exemplo, um grupo de mulheres que sejam clientes ativas de uma corretora. Desta maneira, poderão contribuir com o entendimento acerca da formação das suas carteiras de investimento sob uma perspectiva que também contemple aspectos psicológicos dos investidores.