Chapitre 2. Procédé de précipitation de sels insolubles de cobalt (II)
2.2 Quel agent précipitant choisir ?
2.2.1 Comparaison des différents agents chimiques
Atualmente, a situação dos praças, categoria de trabalhadores que está sendo
analisada de forma mais direta neste trabalho, é de permanecerem como militares
estaduais, com as instituições militares estaduais sob fiscalização da Inspetoria Geral
das Polícias Militares, órgão da estrutura do Exército Brasileiro. A condição de
militares estaduais se deve a Emenda Constitucional n° 18, aprovada em 05 de
fevereiro de 1998 no Congresso Nacional, pois deixaram de ser tratados como
servidores públicos militares e passaram à condição de militares estaduais. A mudança
decorreu, em parte, das mobilizações ocorridas em diversos estados brasileiros,
promovidas por policiais militares que reivindicavam melhorias salariais e de carreira
provocando os governadores e os comandos das forças armadas a promoverem as
mudanças no sentido de aumentar o controle sobre os efetivos das forças policias
militares estaduais. A mudança constitucional criou obstáculos às possibilidades legais
de mobilização e buscou neutralizar a crescente onda de mobilização dos trabalhadores
de segurança pública na condição de sujeitos de direitos trabalhistas, colocando-os na
condição de militares, categoria de trabalhadores que goza de poucos direitos
trabalhistas historicamente.
Na busca da compreensão da profissão policial militar, muitas perguntas
surgem, dentre elas o motivo de tais profissionais estarem na profissão, sob tantos
riscos e dificuldades. Em parte a pergunta é respondida tomando como base os números
apresentados pela pesquisa realizada na Polícia Militar baiana que busca indicar qual a
importância do trabalho na vida dos policiais baianos. No que diz respeito à
centralidade absoluta do trabalho, dentre outros dados, aparecem números
significativos onde “80,7% trata o trabalho policial como uma das coisas mais
importantes de sua vida, 12,8% tratam-no como de média importância, e apenas 2,8%
consideram o trabalho como uma das coisas menos importantes de sua vida. (SANTOS,
2006: p.106)
Buscando situar o tipo de atividade que a policia militar desenvolve no trabalho
NOGUEIRA (2005, p. 97) refere-se da seguinte forma ao trabalho:
Outra característica importante desse setor é a relação entre a oferta do serviço e a demanda pelos usuários, no caso da polícia, pelos cidadãos. Aqui, segundo Offe (1991, p. 49) observa-se uma sobrecarga sistemática, pois só seria possível minimizar tais condições se fosse possível prever os problemas para que se pudesse equacionar os serviços, o que se mostra, freqüentemente, de difícil realização. Assim, enquanto a instituição policial, órgão do Estado, trabalha com a idéia de controle dos índices de violência, índices toleráveis de violência, o policial militar trabalha com outra lógica: a ele compete o combate diário da violência, sua eliminação, pelo menos em sua área de atuação, pois ele se envolve diretamente nos conflitos, ele se arrisca, cada vez que eles ocorrem.
A controvertida situação dos trabalhadores militares no que diz respeito ao tipo
de relação de trabalho é refletida também quando LIMA (2007) escreve sobre a
instituição mais adequada para realizar a tarefa de Segurança Pública, se militar ou
civil,
Entendemos que a função da polícia é essencialmente civil e não militar, que deve ser civilmente controlada, e suas atribuições de atuar nos conflitos existentes na sociedade devem ter como pressuposto a garantia de segurança da população: não há inimigos a serem combatidos, há crimes e delitos que precisam ser prevenidos e controlados, e isto envolve muito mais que uma ação repressiva, pois compreende um conjunto articulado de setores e segmentos da sociedade atuando para um melhor viver coletivo.
Nesse mesmo sentido, (Santos, apud Lima, 2007) reflete que “ É diante destas
questões que algumas pistas nos parecem vir do processo de construção de um projeto
alternativo de segurança pública que não se paute na militarização e armamento das
ações policiais”, ou ainda as manifestações da sociedade na 1ª CONSEG
15, que dentre
outras demandas levantadas naquele espaço, apontou indicativos pela desmilitarização
das policias
16como mecanismo de melhoria das instituições no seu principal mister,
que é a preservação da ordem pública.
15
1ª CONSEG (Conferência Nacional de Segurança Pública ) Espaço de discussão que envolveu entidades da sociedade civil, autoridades ligadas à segurança pública, trabalhadores da segurança pública, representantes das 27 Unidades da Federação para debater o tema e dali foram extraídos 10 princípios e 40 diretrizes que nortearão as ações na área em todo território brasileiro. (www.conseg.gov.br)
16
A diretriz n° 12 indica: “Realizar a transição da segurança pública para atividade eminentemente civil; desmilitarizar as polícias; desvincular a polícia e corpos de bombeiros das forças armadas; rever regulamentos e procedimentos disciplinares; garantir livre associação sindical, direito de greve e filiação político-partidária; criar código de ética único, respeitando a hierarquia, a disciplina e os direitos humanos; submeter irregularidades dos profissionais militares à justiça comum”.
Complementando e também refletindo a condição de militares na realização da
atividade de segurança pública, Zaverucha, apud Lima, 2007 escreve:
Lembramos então que há uma incompatibilidade entre militarização da segurança pública e aprofundamento da democracia, pois são os regimes autoritários que tratam de militarizar conflitos de natureza social, ou seja, transformam questões de segurança pública em assuntos de segurança nacional.
A desmilitarização ou a construção de um novo modelo de polícia, indicada na
1ª CONSEG, poderá influenciar na construção de uma sociedade onde a cultura dos
profissionais fosse respeitada em todos os seus aspectos, sejam emocionais, pessoais,
familiares e de profissão. Essas influências, no tocante ao profissional devolveriam ao
profissional militar de segurança pública “(...) a “cabeça” e o “coração” que foram
excluídos da sua formação policial. É necessário torná-los plenamente humanos, onde,
a partir daí, o “agir” será uma dimensão humana”. (CONSUL, FRAGA, SPANIOL,
2002. p.15) ou ainda, valendo-se das palavras LIMA ( 2007), indicando que “a política
de segurança pública no Brasil sempre enfocou as necessidades materiais, de
reequipamento das polícias, deixando em segundo plano a dimensão humana dos
policiais, e como já dizia Mounier (1964), analisando a sociedade: “a mais racional
estrutura econômica, se estabelecida com desprezo das exigências fundamentais da
pessoa, trás dentro de si a sua própria ruína”.
A análise que é possível fazer sobre o trabalho policial utilizando-se dos
elementos que foram coletados nos remete a compreender que o trabalhador policial,
formalmente vinculado ao Estado, seu empregador, na condição de militar estadual, é
um servidor público que produz um serviço à sociedade, a segurança. O serviço
produzido pelo trabalhador da segurança, embora não seja possível de ser mensurado
quantitativamente tem a sua raiz de ser na questão da mais-valia
17. Mesmo não sendo
um trabalhador industrial, categoria na qual a mais-valia torna-se mais fácil de ser
caracterizada e devidamente organizada. O trabalhador de segurança produz a mais-
valia indiretamente ao servir de mecanismo para que o Estado arrecade os impostos da
grande indústria, das pessoas físicas, dos comerciantes e outros segmentos sociais e de
17
Karl Marx chama a atenção para o fato de que os capitalistas, uma vez pago o salário de mercado pelo uso da força de trabalho, podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário constante - o que ele chama de mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade física do trabalho pela via da mecanização - o que ele chama de mais-valia relativa. (MARX, 1971)