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Dans le document Mémoire d'actuariat (Page 60-68)

Oliveira, C.; Costa, L,;

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Escola Secundária Dr. Júlio Martins, Chaves, Portugal.

Resumo

A atividade física regular assume um papel relevante na promoção de um estilo de vida saudável. É bastante consensual que níveis elevados de atividade física durante a infância e juventude aumentam a probabilidade de uma participação similar quando adultos. Contudo, a escolaridade assume um papel primordial na formação de cidadãos e futuros trabalhadores. O objetivo deste artigo é averiguar qual o grupo de alunos que consegue obter um maior aproveitamento escolar em relação à prática desportiva. Os grupos -alvo foram os seguintes: A- praticantes de desporto escolar, B- praticantes de desporto federado, C- praticantes de desporto federado e escolar, D- não praticantes. Para a realização deste estudo, procedeu-se à aplicação de um inquérito por questionário a 40 jovens de uma escola do norte do país, com idades compreendidas entre 12 e 15 anos, relativo às notas obtidas pelos alunos no ano transato e uma questão de resposta aberta, em que se pergunta aos alunos como reagiriam se hipoteticamente lhes era retirada a prática desportiva do seu dia-a-dia. Os resultados e as conclusões de maior relevo centram-se na questão do aproveitamento escolar: os praticantes de desporto escolar são os

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que apresentam melhores notas, em detrimento dos que não praticam nada. Estes resultados vão contra as perspetivas iniciais, uma vez que devido a maior disponibilidade dos alunos não praticantes seria previsível achar que existiria um maior aproveitamento escolar.

Palavras-chave: desporto, prática, aproveitamento escolar.

Introdução

Ao longo dos anos foram vários os estúdios realizados nesta temática, e que demonstram que são diversos os benefícios que a prática da atividade física regular tem na saúde e no bem-estar bem psicológico, bem como o contributo positivo para o desenvolvimento cognitivo do ser humano.

De acordo com estes estudos propõem-se desenvolver um estudo que tem como objetivo relacionar a pratica do desporto com o (in)sucesso escolar com base na avaliação de uma amostra de ambos os géneros recolhida numa escola do Norte do país.

Ao longo do tempo o conceito de desporto vem sofrendo várias tentativas de definição. Citado por Departamento de Desporto (2009), “Desporto é uma atividade física sujeita a determinados regulamentos e que

geralmente visa a competição entre praticantes. Para ser desporto tem de haver envolvimento de habilidades e capacidades motoras, regras instituídas por uma confederação regente e competitividade entre opostos. Algumas modalidades desportivas se praticam mediante veículos ou outras máquinas que não requerem realizar esforço, em cujo é mais importante a

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destreza e a concentração do que o exercício físico. Idealmente o desporto diverte e entretêm, e constitui uma forma metódica e intensa de um jogo que tende à perfeição e à coordenação do esforço muscular tendo em vista uma melhora física e espiritual do ser humano. As modalidades desportivas podem ser coletivas, duplas ou individuais, mas sempre com um adversário. Também se pode definir desporto como um fenómeno sociocultural, que envolve a prática voluntária da atividade predominantemente física não competitiva com finalidade de lazer, contribuindo para formação desenvolvimento e/ou aprimoramento físico, intelectual e psíquico de seus praticantes e espectadores. Além de ser uma forma de criar identidade desportiva para uma inclusão social. A atividade desportiva pode ser aplicada ainda na promoção da saúde em âmbito educacional, pela aplicação de conhecimento especializado em complementação a interesses voluntários de uma comunidade não especializada.”

Entende-se por Desporto Escolar o conjunto das práticas desportivas e de formação com objeto desportivo quando desenvolvidas como complemento curricular e ocupação dos tempos livres dos alunos, num regime de participação voluntário, integrados no plano de atividades coordenadas no âmbito do sistema educativo em articulação com o sistema desportivo. Estas atividades de complemento curricular visam, nomeadamente, o enriquecimento cultural e cívico, a educação física e desportiva, a educação artística e a inserção dos educandos na comunidade. O Desporto Escolar visa promover a prática desportiva como um fator de estilo de vida saudável, que não põe de lado, nem o respeito pelas normas do espírito desportivo, nem a riqueza da

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socialização subjacente à diversidade de oportunidades que a competição desportiva proporciona.

Para o Desporto Escolar é irrelevante a modalidade de eleição do jovem, na medida em que a tónica se coloca na prática de desporto e atividade física e não desta ou daquela modalidade em particular. Já para as Federações, existe um denotado interesse na captação de jovens para as suas modalidades, procurando por esta via garantir um trabalho de desenvolvimento sustentável e com marcada profundidade.

Ambos os subsistemas dispõem de importantes recursos que lhes permitem concretizar na prática aquelas que são as suas intenções nesta matéria.

Segundo Fonseca (1984), “a busca do sucesso escolar é uma condição do sistema social atual”; é ele que reforça expectativas e que justifica projetos e

esperanças familiares. Segundo este autor, pode-se mesmo garantir que o sucesso escolar é um meio de higiene mental a todos os níveis sociais. Na prossecução do que foi dito anteriormente, surge um novo conceito, por oposição ao sucesso escolar, o insucesso.

Num estudo realizado por Byrd (2007), verificou uma relação positiva entre atividade física e realização académica. Por outras palavras, os estudantes que mantiveram um nível mais alto de atividade física e obtiveram um índice de sucesso educativo mais elevado do que os estudantes que eram fisicamente menos ativos.

Segundo Symons et al (1997), uma boa condição aeróbia pode melhorar a capacidade de memorização. O exercício pode fortalecer certas áreas

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particulares do cérebro, e a entrada do oxigénio durante o exercício poderá melhorar as conexões os neurónios.

A atividade física tem um papel significativo no sucesso académico. Vários estudos referem a existência de uma relação entre atividade física e aumento dos níveis da função mental e da aprendizagem. A pesquisa indica que as escolas que oferecem intensos programas de atividade físicos verificam efeitos positivos quanto á realização académica: aumento da concentração, melhoria da interpretação oral e escrita e de cálculos matemáticos. Verificou-se também uma redução de comportamentos disruptivos (Symons et al, 1997).

Em relação ao Insucesso Escolar este entende-se pela falência ou fracasso de um projeto, que tem como referência uma instituição escolar (Vieira & Cristovão, 2007). O insucesso escolar é estudado a partir de indicadores de reprovação, e abandono (Vieira et al, 2007).

O Insucesso escolar é um fenómeno educacional e social complexo, com causas profundamente inter-relacionadas. Tem um carácter massivo e constante nos vários níveis de ensino (Benavente, 1980), afetando milhares de estudantes a cada ano (Fortier, Guay et al, 1997).

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Metodologia

Foram sujeitos deste estudo 40 alunos voluntários, com idade entre 12 a 15 anos, onde 25 eram de género masculino e 15 do género feminino. Destes, 10 praticavam desporto escolar e desporto federado, 10 praticavam desporto escolar, outros 10 praticavam só desporto federado e por fim os 10 restantes não praticavam qualquer tipo de desporto.

Após autorização de uma escola portuguesa do norte do país, com o consentimento dos professores e alunos, preencheram um inquérito por questionário dentro da respetiva sala de aula, onde mencionavam o tipo de prática desportiva que realizavam no ano anterior, as suas notas escolares referentes ao ano letivo passado, sua idade e género e por fim a uma pergunta de respostas aberta que consistia se lhe retirassem um dos desportos que praticavam teriam melhor, pior ou igual aproveitamento escolar.

Para analisar os dados, com finalidade de responder ao problema do estudo utilizaram-se os seguintes procedimentos: foram introduzidos no Microsoft

Office Excel, onde foram feitas as médias das notas escolares dos alunos e

posteriormente analisadas e discutidas.

Hipótese

Os alunos que não praticam qualquer tipo de desporto têm melhor aproveitamento devido a sua maior disponibilidade.

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Discussão dos Resultados

Como antes mencionado, o propósito para o nosso estudo consiste em relacionar a prática de desporto com o (in) sucesso escolar, utilizando uma amostra de alunos de uma escola do norte do país.

Gráfico N.º 1 – Média das notas escolares

Após a observação do gráfico nº1, relativamente as notas escolares em função da prática desportiva, pode-se verificar que a média de notas variam entre 3,3 e 4,1.

Os alunos que praticam Desporto Escolar apresentam um

aproveitamento escolar mais elevado que o resto da amostra, seguido dos alunos que praticam Desporto Escolar e Desporto Federado. Ao contrário do esperado estes resultados vão contra as perspetivas iniciais, visto que, os alunos que praticam atividades extra-curriculares disponham de mais tempo livre para dedicar as atividades escolares e consequentemente ter um aproveitamento escolar superior.

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Gráfico N.º2 – Pergunta de resposta aberta

Após análise do gráfico nº2, pode-se verificar que os não praticantes de qualquer tipo de desporto são da opinião que teriam melhor aproveitamento escolar se hipoteticamente lhes fosse retirado a prática desportiva, isto poderá ter a ver com o facto de esses alunos não terem gosto pela prática de qualquer tipo de modalidade, sendo fácil para eles abdicar da mesma. Por outro lado os que mais desportos praticam são aqueles que acham que teriam um pior aproveitamento se lhes fosse retirado a prática da modalidade. Estes resultados devem-se ao gosto pela prática desportiva e ver como prejudicial o afastamento de algo que para eles no futuro se possa tornar um sonho realizado.

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Conclusão

Moreno, (1996) relata que para o jovem desportista “o intelectual é, senão o inimigo, pelo menos o estranho”. Esta forma de pensar não é exclusividade deste autor. Pelo contrário, é uma constante no nosso quotidiano e é reforçada através dos vários meios de comunicação.

Percebe-se que existe uma tendência em acreditar que alunos-atletas não são alunos com bom aproveitamento escolar.

Os resultados deste estudo discordam totalmente que os alunos que praticam desporto, não são alunos com bom aproveitamento escolar, muito antes pelo contrário, os praticantes são aqueles que apresentam melhores resultados no âmbito do aproveitamento escolar, em detrimento dos alunos não praticantes que apresentam resultados bastantes inferiores.

Os resultados obtidos concordam completamente com Byrd (2007), onde o autor verificou uma relação positiva entre atividade física e sucesso escolar. Isto é, os estudantes que mantiveram um nível mais alto de atividade física obtiveram um aproveitamento educativo mais elevado do que os estudantes que eram fisicamente menos ativos.

Pode-se concluir que, muito para além do (in)sucesso escolar, o desporto na escola é revestido de justificativas como, por exemplo, o desenvolvimento integral dos indivíduos, do raciocínio, de lideranças, de espírito competitivo, da capacidade de trabalhar em equipa, melhoria da disposição. O desporto escolar antes de formar atletas, forma essencialmente cidadãos.

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Foi gratificante verificar a evolução dos alunos ao longo do ano, no fim da cada unidade didática. Foi de igual forma gratificante sentir que os ajudei a superar as suas dificuldades, a desencadear

capacidades/potencialidades, sentir que os mesmos confiaram em mim.

Não podendo deixar de realçar que a orientação do professor Luís Costa foi excelente, ajudando-me muito. Com ele “aprendi a ensinar”. Transmitiu-me

importantes conhecimentos, proporcionou-me grandes oportunidades, fez-me ver através de várias perspetivas. “ Não me deu o peixe, ensinou-me a pescar”

(Gonçalves, et al., 2010)

Verifiquei que de facto, tal como referiu inúmeras vezes a professora Ágata “não há estratégias corretas nem incorretas, mas sim corretamente ou incorretamente aplicadas”. Nenhum aluno é igual. As

que por vezes resultaram com uns, não resultaram com outros, e portanto foi necessário um constante reajuste das mesmas.

Como já referido anteriormente, este estágio pôs à prova os meus limites, a minha sabedoria e as minhas competências. Durante todo o estágio coloquei-me muitas vezes em questão, gerando opiniões, reflexões, pensamentos, ideias, convicções. Porém no final do ano ter o reconhecimento dos próprios alunos, foi melhor que qualquer tipo de classificação que poderia ter obtido.

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