Cansei. Eu não sou a Mulher Maravilha, eu não acho bonito mais esse negócio de mulher-moderna-modelo-americano que dá conta do trabalho, dos filhos, da casa, do sexo, da beleza e dos amigos. Não acho bonito ficar correndo de um lado pro outro deixando as crianças com uma sorridente (ou não) babá de uniforme branco. Não acho bonito deixar de passear nesses lindos dias de abril e chegar em casa à noite só para escovar os dentes das meninas. Nem se o meu carro for bonito. Nem se o meu modelo for ‘fashion’. Nem se a minha casa for grande (Depoimento de Laura, 22-04-2002, 3:22 PM).8
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições
Esta citação, extraída do blog Mothern (escrito por mães brasileiras e profissionais liberais de classe média urbana) sintetiza sentimentos maternos comuns às mulheres que entrevistamos em São Paulo, como também ilustra o estado de espírito resultante das pressões geradas pelas ideologias de intensive mothering (Hays, 1996) e new momism (Douglas e Michaels, 2004), conforme veremos a seguir.
Em 1996, a socióloga norte-americana Sharon Hays publicou o livro The Cultural Contradictions of Motherhood 9, no qual relatou os resultados de sua pesquisa,
desenvolvida nos Estados Unidos nos anos 1990. Neste estudo, Hays incluiu uma análise histórica que resgatou as origens e o desenvolvimento dos ideais e valores que moldavam as noções vigentes do que seria a maternagem socialmente adequada, no contexto estadounidense. Em seguida, analisou textos contemporâneos de best-sellers norte-americanos, que eram guias práticos focados na criação e educação de filhos. Seu objetivo foi evidenciar os temas em destaque nessas publicações. Por último, a socióloga entrevistou mães norte-americanas e explorou quais eram seus hábitos e práticas cotidianas de maternagem, que dicas e conselhos essas mães gostavam e não gostavam de receber, quais fontes de informação usavam para esclarecer dúvidas sobre a criação dos filhos; o que pensavam em relação ao trabalho materno e doméstico; que importância atribuíam ao trabalho remunerado e à carreira profissional; que qualidades gostavam ou não de perceber em seus filhos; que hábitos e práticas gostavam ou não de que seus cônjuges adotassem ao cuidarem dos filhos; o que pensavam sobre as creches e o que acreditavam constituir, idealmente, as melhores formas de se educar e criar os filhos (HAYS, 1996, prefácio, xi).
por duas mães brasileiras, Laura Guimarães e Juliana Sampaio, nos anos 2000. As autoras formavam uma dupla de criação numa agência de publicidade em Belo Horizonte e relatavam suas experiências da maternagem no blog com humor e uma postura crítica às contradições do mercado e da publicidade. O blog Mothern fez tanto sucesso e gerou tantos comentários que, em meados de 2003, foi noticiado nas revistas TPM, Crescer e Isto é; em 2005, gerou a publicação de um livro com os posts e, em 2006, inspirou o lançamento de um seriado televisivo no canal por assinatura GNT.
9 Este livro ainda não foi publicado em português, mas, seu título pode ser traduzido como: As
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições
No primeiro capítulo, Why Can’t a Mother Be More Like a Businessman? (Por que uma mãe não pode ser uma mulher de negócios? – tradução nossa) Hays (1996, p.1- 18) relata os conflitos de Rachel, uma de suas entrevistadas, diante das dificuldades de conciliação entre as demandas maternas e profissionais. Na visão de Hays, os conflitos entre a maternidade e o trabalho remunerado não são uma questão individual, porque constituem uma contradição cultural bem maior. Eles ocorrem porque a sociedade norte-americana acredita que a criação dos filhos é função das mulheres e pertence à esfera privada, enquanto o trabalho remunerado pertence à esfera pública, de forma que esta crença segue a lógica individualista e competitiva.
Hays ressalta que a contradição entre a casa e o “mundo de fora”, ou seja, entre a esfera privada (território doméstico-familiar) e a esfera pública vem de longas datas e possui uma longa história; no entanto, o confronto entre a carreira profissional e a maternidade é um fenômeno relativamente recente. Segundo a autora, em 1950, apenas 12% das mulheres com filhos abaixo de 6 anos de idade trabalhavam em empregos fixos nos Estados Unidos. Já em 1993, este percentual cresceu para 58% (HAYS, 1996, p. 2-3).
A socióloga argumenta que a ideologia de intensive mothering/ maternagem intensiva incorpora o modelo cultural do que seria a maternagem socialmente adequada no contexto contemporâneo norte-americano. Na análise de Hays, os métodos que moldam a criação socialmente adequada dos filhos são guiados por especialistas, centram-se nas crianças, são intensamente trabalhosos e emocionalmente desgastantes, além de financeiramente caros. (HAYS, 1996, p. 8 – tradução nossa).10
Meu argumento é que atualmente o modelo cultural da maternagem socialmente adequada fundamenta-se na ideologia da maternagem intensiva. A ideologia da maternagem intensiva é um modelo de gênero que instrui as mães a dedicar uma enorme quantidade de tempo, energia e dinheiro na criação dos filhos.
10 Tradução nossa. Segue abaixo o texto original em inglês:
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições
Numa sociedade em que mais da metade das mães de crianças pequenas trabalham fora de casa, pode-se questionar por que as mulheres são pressionadas a dedicar tanto de si mesmas na criação dos filhos. E numa sociedade onde a lógica de ganhos individualistas parece guiar o comportamento social em muitas dimensões da vida, também se pode questionar por que uma lógica altruísta orienta o comportamento das mães. Esses dois enigmáticos e conflitantes fenômenos compõem o que denomino as contradições culturais da maternidade contemporânea (HAYS, 1996, prefácio, x – tradução nossa)11
Na visão de Hays, a persistência da ideologia de intensive mothering/ maternagem intensiva é profundamente contraditória. Por um lado, serve aos interesses dominantes, isto é, do capitalismo, do governo neoliberal, da cultura patriarcal, da classe média e da parcela populacional de pele branca. Por outro, trata-se de uma ideologia protegida e promovida pela sociedade porque mantém um frágil, mas poderoso poder sociocultural. E este poder é sua melhor defesa, pois se concentra justamente no enfraquecimento dos laços sociais, das obrigações comunitárias e dos compromissos não remunerados (HAYS, 1996, prefácio, xiii).
A ideologia da maternagem intensiva parece contradizer os interesses de quase todo mundo. As mulheres que trabalham fora gostariam de evitar o trabalho extra nas suas “jornadas duplas”. As mães, que são donas de casa e não trabalham fora, poderiam desfrutar um pouco mais do seu tempo livre. Os capitalistas certamente gostariam de contar com toda energia e atenção de suas trabalhadoras. Já os maridos poderiam preferir as promoções nas carreiras das esposas, que se dedicam a sustentar suas famílias. [...] Mas as mães norte-americanas modernas fazem muito mais do que simplesmente alimentar, trocar fraldas, dar casa e carinho para seus filhos até seis anos de
11 Segue abaixo o trecho citado, originalmente escrito em inglês:
“It is my argument that the contemporary cultural model of socially appropriate mothering takes the form of an ideology of intensive mothering. The ideology of intensive mothering is a gendered model that advises mothers to expend a tremendous amount of time, energy, and money in raising their children. In a society where over half of all mothers with young children are now working outside of the home, one might well wonder why our culture pressures women to dedicate so much of themselves to child rearing. And in a society where the logic of self- interested gain seems to guide behavior in so many spheres of life, one might further wonder why a logic of unselfish nurturing guides the behavior of mothers. These two puzzling phenomena make up what I call the cultural contradictions of contemporary motherhood” (HAYS, 1996, preface, x).
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições idade. E é com este “mais” que estou preocupada (HAYS, 1996, p. 5 – tradução nossa).12
O “mais” a que Hays se refere inclui diversas práticas e atividades maternas, como, por exemplo, manter a agenda infantil ocupada com aulas de natação, judô ou dança; levar os filhos a consultas com psiquiatras ou especialistas em déficit de atenção; estar sempre atentas aos desejos das crianças, praticamente antecipando-os; dar explicações detalhadas (geralmente desnecessárias) sobre diversas questões cotidianas a crianças muito pequenas e seguir as últimas técnicas recomendadas para educação, desenvolvimento cognitivo e psicológico das crianças (HAYS, 1996, p. 6).
Vale ressaltar que essa dedicação intensiva das mães aos filhos também reforça a percepção do território doméstico-familiar como o único refúgio preservado de pureza, privacidade e harmonia, diante da frieza característica da vida pública e da competitividade no mercado de trabalho. Nas palavras de Hays:
Rachel se esforça para manter uma distinção clara entre os significados da casa e do trabalho: “Eu tento separar as duas coisas, o máximo que posso. São dois mundos bem diferentes”. Ela continua: “A minha casa é a minha vida privada, minha filha, minha alma gêmea. Meu lado carinhoso está lá.” A vida no trabalho é pública, fria, indiferente. A gente precisa trazer fotos e lembranças de casa como lembretes do lado aconchegante e carinhoso da vida privada” (HAYS, 1996, p. 7– tradução nossa).13
12 Tradução nossa, do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“The ideology of intensive mothering seems to contradict the interests of almost everyone. Paid working women might like to avoid the extra work on the ‘second shift’, stay-at-home mothers might enjoy a bit more free time, capitalists surely want all of their paid laborers’energy and attention, and husbands might prefer the career promotions of a woman who dedicates herself to bringing home the bacon. [...] But modern American mothers do much more than simply feed, change, and shelter the child until age six. It is that “more”with which I am here concerned” (HAYS, 1996, p.5).
13 Tradução nossa, do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“Rachel strives to retain a clear sense of the distinction between home and work: ‘I try to separate the two as much as I can. They’re two different worlds’ She continues: ‘My home is my private life, my child, my soul-mate. My nurturing side is there.’Life on the job is public, cold, and uncaring; one needs to bring pictures and mementos from home as reminders of the warm
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições
Neste sentido, a prioridade dada às crianças reafirma a distinção entre a lógica do mercado e a lógica a ser adotada na criação dos filhos. Os filhos são vistos como bens extremamente valorosos, por isso, merecedores do amor dos pais.
Além de a criança ser claramente mais importante, uma lógica completamente diferente (da lógica do trabalho remunerado) aplica-se à criação de filhos [...] emocionalmente e moralmente fora do escopo do valor de mercado: a criança, como disse Zelizer (1985), “não tem preço”. Inocentes e puras, as crianças detêm um valor especial, por esse motivo, merecem um tratamento especial (HAYS, 1996, p. 8 – tradução nossa).14
Se, por um lado, o amor dos pais é considerado crucial para evitar a corrupção dessa “bondade” e “inocência infantil”, por outro, para manter os altos custos da criação dos filhos conforme os métodos socialmente adequados, pais e mães necessitam trabalhar para ganhar salários e obter recursos financeiros. Assim, as fronteiras que separam o refúgio familiar das tensões do mercado só permanecem em termos imaginários e ideológicos. Nas experiências cotidianas, os territórios privado e público relacionam-se como “vasos comunicantes” e, em nossa análise, um afeta o outro, de formas profundas e ininterruptas. Citamos novamente Hays:
A família tem sido invadida não só pelas escolas públicas, os tribunais, os assistentes sociais, os jardineiros, as faxineiras ou empregadas domésticas, as creches, os advogados, os médicos, a televisão, as comidas congeladas, as entregas de pizza em domicílio, as roupas industrializadas e as fraldas descartáveis; mas também e, mais criticamente, pela ideologia que sustenta tais instituições, pessoas e produtos. Eles trazem consigo, atuando em conjunto ou como partes isoladas, a linguagem e a lógica impessoal, contratual, competitiva, da produção em série, da eficiência, de maximização do lucro e dos interesses individualistas. [...] Se as mulheres abandonaram as suas casas em busca de empregos mais lucrativos, isto pode ser
14 Tradução nossa, do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“Not only is the child clearly more important, but a completely different logic applies to child rearing than to paid work [...] emotionally and morally outside the scope of market valuation: she is, in Zelizer’s (1985) phrase, a ‘priceless child’. Innocent and pure, children have a special value; they therefore deserve special treatment” (HAYS, 1996, p. 8).
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições alternativamente interpretado como um resultado ou causa desta invasão (HAYS, 1996, p. 11-12 – tradução nossa).15
Segundo Hays, a ideologia de intensive mothering/ maternagem intensiva contribui para a manutenção da hierarquia de gênero, gera poucas compensações financeiras e sociais para as mães que a seguem e ainda mantém o capitalismo neoliberal. Ao situar a criação de filhos como um trabalho privado a ser desempenhado pelas mulheres no território doméstico, esta ideologia desobriga os homens de colaborarem, assim como desobriga os políticos e o Estado de prestarem a devida assistência para estas atribuições. E, para finalizar, constrói relações familiares romantizadas, mascarando eventuais conflitos ou mesmo atos violentos que possam ocorrer no ambiente familiar e reforçando, consequentemente, a subordinação das mulheres (HAYS, 1996, p. 178).16
Susan J. Douglas, professora no Departamento de Comunicação na Universidade de Michigan, e Meredith W. Michaels, professora de Filosofia no Smith College, são autoras do livro The Mommy Myth: The Idealization of Motherhood and How It Has Undermined All Women (2004)17. De maneira bem-humorada e
contestadora, estas pesquisadoras analisam as representações da maternidade nas
15 Tradução nossa do trecho abaixo, originalmente escrito em inglês:
“The family is invaded not only by public schools, the court, social service workers, gardeners, housekeepers, day-care providers, lawyers, doctors, televisions, frozen dinners, pizza delivery, manufactured clothing, and disposable diapers, but also, and more critically, but the ideology behind such institutions, persons, and products. They bring with them, in whole and in part, the language and logic of impersonal, competitive, contractual, commodified, efficient, profit- maximizing, self-interested relations. […] Women’s ‘abandonment’of the home to seek more lucrative employment might alternately be interpreted as a result or a cause of this invasion” (HAYS, 1996, p. 11-12).
16 Tradução nossa, com base em citação indireta ao trecho original abaixo:
“This ideology helps to reproduce the existing gender hierarchy and to contribute, with little social or financial compensation for the mothers who sustain its tenets, to the maintance of capitalism and the centralized state. The fact that the preservation of this ideology is seen as private “women’s work”, means that men and public leaders can rest assured that women will hold up this half of the cultural world without aid or assistance. It is also important to recognize that this ideology tends to shroud family relations in a sentimentalized cloak, thereby hiding the reality of family violence and potentially conflicting interests of family members while also masking the subordination of women” (HAYS, 1996, p. 178).
17 Este livro ainda não foi traduzido para o português, mas seu título poderia ser: O Mito das
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mídias norte-americanas, desde os anos de 1980. A dupla ressalta o aumento progressivo dos lucros obtidos com as atividades de marketing, publicidade e vendas de produtos dirigidos às mães e às crianças nos últimos trinta anos. Critica decisões políticas tomadas pelo Governo dos Estados Unidos desde a era Reagan. Relata a postura midiática incentivando a vigilância mútua e as rivalidades entre as mães que trabalham e as mães que ficam em casa com os filhos. E desconstrói, sobretudo, a promoção da maternidade como uma experiência indispensável, louvável e divertida para qualquer mulher, desconsiderando seus estresses e dificuldades. Neste sentido, a invasão das mães hollywoodianas nas capas das revistas também é alvo de críticas, uma vez que reforça os ideais da perfeição materna. Segundo as autoras, o livro fala sobre a ascensão do new momism nos meios de comunicação, o que corresponde a uma visão romantizada da maternidade e fundamentalmente alinhada às práticas de intensive mothering (cf. HAYS, 1996):
Este livro fala sobre a ascensão do que estamos chamando de new momism nos meios de comunicação: a insistência em que nenhuma mulher pode sentir-se totalmente realizada se não tiver filhos, em que as mulheres continuam sendo as melhores cuidadoras principais das crianças e em que, para ser um mãe decente, qualquer mulher tem de dedicar todos os seus esforços físicos, psicológicos, emocionais e intelectuais 24 horas por dia aos seus filhos. O new momism é uma visão intensamente romantizada e, também, exigente da maternidade, na qual os padrões de sucesso são impossíveis de se atingir (DOUGLAS e MICHAELS, 2004, p. 4 – tradução nossa).
Douglas e Michaels (2004, p. 4-5) definem o new momism como um conjunto de ideais, normas e práticas, representados nos meios de comunicação de modos frequentes e poderosos; os quais aparentemente celebram a maternidade, quando, na realidade, promovem padrões de perfeição inatingíveis. Segundo as autoras, o new momism descende diretamente e compõe a mais nova versão do que Betty Friedan denominou a mística feminina18, nos anos 1960.
18 Para mais informações, ver edição brasileira: Friedan, Betty. A Mística Feminina. Petrópolis:
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No entanto, o new momism aparenta ser muito mais moderno e progressista do que era a mística feminina, porque agora é claro que as mães podem trabalhar fora de casa, porque têm suas próprias ambições, buscam a independência financeira, podem criar os filhos sozinhas ou optar livremente por ficar em casa com eles, sem que sejam forçadas a isso. (DOUGLAS e MICHAELS, 2004, p.5)
Ao contrário da mística feminina, a noção de que as mulheres devem ser subservientes aos homens não é mais um princípio aceito. A insistência feminista de que as mulheres façam suas escolhas, sejam agentes ativos no controle dos seus próprios destinos e tenham autonomia é, na verdade, um ponto central no new momism. Mas este ponto é justamente onde a distorção do feminismo acontece. Pois, a única escolha verdadeiramente iluminada que uma mulher pode fazer, ou seja, a escolha que prova, antes de tudo, o quanto uma mulher é “real” e, depois disso, que se trata de uma mulher decente e digna, é tornar-se mãe; agregando à criação dos filhos uma mistura de profissionalismo com abnegação e altruísmo que resultaria numa espécie de hibridação entre Madre Teresa de Calcutá e Donna Shalala19
. Logo, o new momism é profundamente contraditório: ele tanto se inspira, quanto repudia o feminismo. (Ibid., p.5 – tradução nossa)
Para Douglas e Michaels “o fundamento do new momism se dá na ascensão de um ideal realmente pernicioso, no final do século XX, que foi perfeitamente denomeado pela socióloga Sharon Hays como maternagem intensiva”. (Ibid., p. 5 – tradução nossa)
[...] Hoje em dia, os padrões que moldam a boa maternidade estão realmente passando dos limites. Eles tornaram-se inatingíveis, ao mesmo tempo em que houve, de fato, uma queda real no tempo livre ou naquele dedicado ao lazer pela maioria dos norte-americanos. Desde os anos de 1980, a ética de trabalho yuppie instituiu a ideia de que precisamos continuar trabalhando (em nossas conexões, portfólios, finanças, etc.), mesmo quando estamos fora do trabalho, e isto conquistou
19 Donna E. Shalala foi presidente da Universidade de Miami, atuou como professora catedrática
nas universidades de Colúmbia, Nova York e Wisconsin. Foi Secretária de Saúde Pública no Governo Clinton, atuou como Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano no Governo Carter, recebeu menções honrosas e prêmios, tais como o prêmio de Mulher do Ano (concedido pela revista Glamour, 1992) e o prêmio Nelson Mandela, na área de saúde e direitos humanos (2010).
CAPÍTULO 2 - A Mãe Elástico: suas origens e contradições
totalmente a maternidade (DOUGLAS e MICHAELS, 2004, p.4 -5 – tradução nossa).20
Barbara Katz Rothman analisa como os valores do mundo público (capitalista, tecnológico, em busca de eficiência) agora pautam a cultura da maternidade. Na visão desta autora, existem três ideologias que estão atuando juntas para moldar os significados e as práticas de maternagem na América do Norte. São elas: o patriarcado, a tecnologia e o capitalismo (KATZ ROTHMAN,