Consolidation des sols à la chaux et au ciment
8. Le compactage du sol
Apesar de esta questão ser um debate em curso, alguns autores defendem que o panorama atual do jornalismo é caraterizado pelo falhanço em sustentar um debate público cívico e racional e em providenciar informação fiável ao grande público (Jones & Baym, 2010).
Ainda que crescentemente marginal, é possível encontrar atualmente diversos exemplos de jornalismo “tradicional”, que “dão aos cidadãos a informação que necessitam para serem livres e autónomos” (Kovach & Rosenstiel, 2001, cit. in ibidem, p. 280). No entanto, na maioria dos casos, este tipo de informação crítico-racional tem vindo a ser obscurecida por formatos de entretenimento informativo que, de alguma forma, operam sob o manto de notícias “reais” (Jones & Baym, 2010).
Naturalmente, este fenómeno influencia o grau de confiança dos indivíduos nos órgãos de comunicação social. Assim, ao longo de décadas, os cidadãos reportaram que confiam mais em alguns outlets noticiosos do que em outros, em grande medida porque percecionam a indústria como enviesada na sua cobertura de eventos (Rouner, Slater & Buddenbaum, 1999, Morales, 2012, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013). No entanto, estudos recentes sugerem que perceções fracas da performance da imprensa, por parte do grande público, estão relacionadas com o consumo reduzido de notícias por parte do mesmo (Tsfati, 2010, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013).
Por outro lado, os jornalistas têm uma perceção mais positiva do seu trabalho do que tem o grande público. Diversas investigações confirmam que os jornalistas vêm a sua profissão como uma chamada do serviço público, incluindo princípios fundamentais tais como serem os vigilantes e fornecendo análises de problemas complexos (Weaver et al., 2007, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013).
Décadas de investigações relativas aos jornalistas e à sua profissão concluíram que estes têm duas conceções de papel principais: devem contribuir para uma sociedade informada e servir como vigilantes para os interesses do público (Beam, Weaver & Brownlee, 2009, Croteau & Hoynes, 2001, Weaver et al., 2007, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013). Os jornalistas veem a sua profissão como altruísta em que servem o público através do fornecimento de informação que permite a construção de sentido do mundo (Croteau & Hoynes, 2001, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013).
30
Os princípios mais importantes que os jornalistas valorizam no seu trabalho são, então, a autonomia, a precisão e a objetividade (Beam, Weaver & Brownlee, 2009, Braman, 1988, Shoemaker & Reese, 1996, Singer, 2007, Weaver et al., 2007, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013). Por outro lado, os consumidores de notícias valorizam certas características no jornalismo, tais como a rapidez na transmissão de informação para o público, ser vigilante nos interesses do público, agir com objetividade e ajudar pessoas através de esforços de jornalismo cívico (Chung, 2009, Heider, McCombs & Poindexter, 2005, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013).
Algumas investigações sugerem que, quando o público não tem grande consideração por organizações noticiosas apresenta menor probabilidade de confiar nestas mesmas organizações e maior probabilidade de se afastar da informação noticiosa dos media tradicionais (Schafer, 2010, Tsfati, 2010, cit. in Zúñiga & Hinsley, 2013). Por outro lado, indivíduos que têm opiniões mais positivas relativamente ao trabalho dos jornalistas têm maior probabilidade de serem consumidores regulares de notícias (Zúñiga & Hinsley, 2013).
No que toca particularmente à temática das fake news, a comunidade jornalística considera, de forma geral, que a responsabilidade de saber o que é verdade foi transferida, em certa medida, para os leitores, sendo possível apontar duas perspetivas dominantes:
“Os utópicos anunciam esta situação como o fim do jornalismo e do monopólio da informação das elites e veem uma cultura dos media por parte dos cidadãos que instantaneamente se autocorrige – uma espécie de democracia de informação pura. Os críticos veem um mundo sem editores, sem restrições, onde a voz mais alta ou mais agradável vence e onde a verdade é a primeira vítima” (Kovach & Rosentiel, 2010, p. 7, cit. in Rubin, Chen & Conroy, 2015b, p. 1).
A narrativa do declínio jornalístico e comunicacional no que toca à fiabilidade e à credibilidade dos diferentes órgãos de comunicação social e dos conteúdos que produzem não é um fenómeno novo, tendo sido analisada e documentada ao longo de décadas. Da academia, particularmente do campo da comunicação, autores como Jurgen Habermas, James Carey e Daniel Hallin, entre muitos outros, contribuíram para a compreensão das transformações de um paradigma de notícias e de informação pública “high modern” – altamente moderno, numa tradução literal, para uma idade
31
“postmodern” – pós-moderna, de espetáculo jornalístico mercantilizado (Jones & Baym, 2010).
Apesar do termo “notícias” ter sempre significado diferentes conceitos, e ter seguido várias – e por vezes contraditórias – agendas, é possível definir uma era de consenso durante o período que é geralmente considerado a “network age” – a era das redes, durante a segunda metade do século XX. O jornalismo “broadcast”, ou de radiodifusão, era largamente considerado uma profissão, no sentido progressivo do termo, dedicada à disseminação de informação para o bem de uma cidadania democrática. Um vasto número de pressupostos sustentava esta abordagem ao jornalismo, incluindo a crença de que as notícias tinham como objetivo a busca pela verdade objetiva, um empreendimento distinto das expectativas de lucro económico com uma forma programática diametralmente diferente de outros, cujo propósito passava pelo entretenimento das audiências (Jones & Baym, 2010).
Segundo Jones & Baym (2010), as convenções e as práticas do paradigma high modern supramencionado – as suas técnicas discursivas, formas de produção e modelos conceptuais – continuam, atualmente, a influenciar as nossas conceções de notícias “reais”. No entanto, este paradigma high modern tem-se tornado “residual” (Jones & Baym, 2010, p. 281), enquanto o paradigma pós-moderno se assume como dominante na atualidade. Hoje em dia, os limites que outrora configuravam as notícias – entre facto e opinião, serviço público e lucro privado, informação e entretenimento – encontram-se largamente obscurecidos. As notícias tornaram-se um produto “embalado” para ser vendido, com os seus interesses mais conotados com a necessidade de atrair audiências e de proteger prioridades corporativas do que com a antiga missão de informar os cidadãos e de responsabilizar as elites e os “poderosos”.
No sentido de compreender a questão da legitimidade e da legitimação daquilo que é considerado como tipos de discurso que podem ser considerados como verdadeiros, importa recuperar aquilo que Foucault define como o “regime of truth” – regime de verdade – de cada sociedade, e que é composto pelos:
“tipos de discurso que acolhe e que opera como verdade; os mecanismos e as instâncias, que permitem distinguir afirmações falsas de verdadeiras, a forma como cada uma é sancionada; as técnicas e os procedimentos que são valorizados na obtenção da verdade; o status daqueles que estão encarregues de dizer o que é
32
considerado verdade” (cit. in Morris & Patton, 1979, p. 46, cit. in Jones & Baym, 2010, p. 285)
No seguimento do referido supra, importa ainda referir a ideia de Habermas de “strategic speech” – discurso estratégico, uma forma de uso de linguagem que não se assume como verdadeira comunicação. Na sua teoria de ética da comunicação, Habermas defende que a comunicação é discurso simultaneamente destinado a representar a atualidade de uma situação, a refletir honestamente as intenções do emissor e a aproximar o emissor e o recetor de uma posição de consenso ou de entendimento mútuo. Em contraste, um discurso que represente mal a realidade, que obscureça as intenções do emissor, e que tente manipular o recetor, é algo muito mais estratégico e que se afasta da verdadeira comunicação (Jones & Baym, 2010).
Assim, é possível identificar um novo tipo de discurso predominante no contexto noticioso, definido como “bullshit” – termo cunhado, nesta dimensão de análise, pelo filósofo Harry Frankfurt (2005, cit. in Jones & Baym, 2010) – que se aproxima do supramencionado conceito de discurso estratégico de Habermas – e que se carateriza por ser um tipo de discurso que não só não representa os factos de uma situação, mas que demonstra um completo desinteresse do conceito de verdade. É, então, um discurso vazio de qualquer noção de validação, que resiste a esforços de averiguar o seu “truth-value” – valor de verdade – e que, ao invés, é construído de forma a alcançar um efeito num público-alvo. Este tipo de discurso é historicamente a linguagem primária da publicidade, sendo que se tem vindo também a afirmar como a linguagem da política (Jones & Baym, 2010) e, em alguns casos, como a linguagem do jornalismo e da imprensa.
Sem querer entrar numa análise linguística profunda, por esse não ser o objetivo primordial desta investigação, importa fazer uma breve referência à dinâmica ativo/passivo dos consumidores de notícias, no sentido de compreender este novo tipo de discurso. Apesar dos estudos de comunicações em massa terem rejeitado há muito tempo a teoria da “agulha hipodérmica” dos efeitos dos media, que sucintamente resume a ideia de que os mass media podem influenciar grandes grupos de indivíduos direta e uniformemente através da “injeção” de mensagens desenhadas para despoletar uma resposta desejada, ainda subsiste uma grande tendência de ver o processo de consumo dos media como isso mesmo – de membros individuais de uma audiência ou consumidores largamente isolados – ou a perspetiva ainda mais passiva de “estar exposto a” conteúdos
33
dos media, que então exerce algum tipo de efeito nos seus interiores atributos mentais ou emocionais (Jones & Baym, 2010).
Esta formulação faz algum sentido num ambiente mediático mais antigo em que um vasto número de pessoas eram simultaneamente expostos a uma variedade limitada de notícias ou de programas de informação. De facto, a maior parte dos formatos noticiosos, particularmente no contexto televisivo, mas não só, têm vindo a ser construídos de forma a enquadrar-se neste ambiente – fornecendo peças de informação discretas destinadas a aumentar o conhecimento da audiência de política e assuntos públicos. Isto é notório na forma como os apresentadores tradicionalmente falam para a sua audiência, usando expressões como “we want to tell you” – “nós queremos dizer-lhe” – ou “coming up next, we’ll show you” – “de seguida, mostrar-lhe-emos” (Baym, 2000, cit. in Jones & Baym, 2010). As notícias foram, então, durante muito tempo, escritas como uma forma de monólogo – uma apresentação de informação unidirecional, de “nós” no estúdio, para “vocês”, as massas anónimas, sem rosto e sem voz que “assistem em casa” (Jones & Baym, 2010).
Em suma, numa batalha feroz motivada pelo lucro e pelas quotas de mercado das notícias, princípios básicos do jornalismo profissional, tais como a independência, a investigação e a verificação são frequentemente suplantados pelo sensacionalismo e por relatos genéricos. Atravessando cortes orçamentais massivos, as redações têm vindo a diminuir pesquisas independentes e o “fact-checking” – verificação dos factos, tornando- se cada vez mais dependentes de fontes noticiosas gratuitas, produzidas pelo staff de relações públicas corporativas e governamentais (Stauber & Clyde, 1995, cit. in Marchi, 2012). Apesar desta realidade, a aparência de objetividade é firmemente mantida pelos outlets noticiosos profissionais, dando azo ao ceticismo entre o público, particularmente entre os jovens, como já referido.
Isto é particularmente gravoso, dado que conceito de objetividade – relatar os factos de uma forma imparcial e não-partidária – tem sido uma pedra basilar no jornalismo profissional. Herbert Gans (1979, p. 188, cit. in Marchi, 2012, p. 10) defende que a objetividade “inclui a liberdade de desconsiderar as implicações das notícias. De facto, a objetividade não pode existir sem esta liberdade”.
Como já referido, a problemática relativa ao jornalismo que temos vindo a contextualizar, assume contornos mais graves com a transição do mesmo para o contexto
34
online. Na era da “digital network” – redes digitais, dos novos media e das redes sociais, a crise de representação tem-se vindo a agudizar. As redes digitais produziram mais do que avenidas para a participação política, tendo levado a uma “subjetividade alterada” na forma como as audiências se auto-percecionam perante os media (Jones & Baym, 2010). Marshall (2006, cit. in Jones & Baym, 2010) defende que passámos de um “regime representacional” dos media tradicionais para um regime “apresentacional” via formatos dos novos media centrados no utilizador. Mesmo fazendo o esforço de evitar o pensamento tecnológico determinista, existem evidências demonstrativas desta subjetividade alterada na reconstituição das relações entre os cidadãos e o Estado, os media e os outros cidadãos (Jones, 2010, cit. in Jones & Baym, 2010). Assim, assistimos não só à mudança na forma como os cidadãos aplicam os media nas suas vidas quotidianas mas também como se auto-percecionam como participantes na vida pública como resultado. As implicações para a cidadania são significativas. Segundo Stephen Coleman (2005, cit. in Jones & Baym, 2010), cientista político britânico, o nosso engajamento com (e as expectativas das) redes digitais apresenta desafios fundamentais para as formas tradicionais “indiretas” de representação em sociedades democráticas. Defende ainda que estamos a experienciar um repensamento significativo de conceitos que estruturavam ou justificavam representações indiretas. Estas mudanças conceptuais são impulsionadas pela mudança das ideias de distância para a copresença, de locais para redes, de transmissão para diálogo e de espetáculo para peça ou jogo.
Dada esta crise de representação e as oportunidades via redes digitais para os cidadãos atuarem de acordo com os seus interesses, necessidades e desejos como seres políticos, torna-se necessário repensar o próprio significado de “cidadania” atualmente, pois o modelo de “Cidadão Informado”, que Michael Schudson (1998, cit. in Jones & Baym, 2010) descreve como dominante durante grande parte do século XX, desapareceu. De entre as preocupações potenciais relativamente ao novo consumo de notícias a la carte inclui-se o medo de que este fenómeno pode permitir o evitamento de notícias políticas importantes em benefício de histórias fúteis, ou encorajar a criação de “câmaras de eco”, onde os indivíduos são expostos apenas a perspetivas que coincidam com as suas (Garnham, 1992, Pariser, 2011, Sunstein, 2007, cit. in Marchi, 2012). Por outro lado, uma outra perspetiva defende que contactar com novos ideais políticos e opiniões distintas é comum em sites de redes sociais (Clark & Van Slyke, 2010, Rainie & Smith, 2012, cit. in Marchi, 2012).
35
Uma outra preocupação relativa ao ambiente noticioso fragmentado atual é o potencial enfraquecimento de deliberação democrática. Algumas perspetivas defendem que, se todos os indivíduos obtém informação de diferentes fontes, é possível que a nossa capacidade de desenvolver conversações e debates comuns se veja diminuída. No entanto, a estratégia noticiosa a la carte possibilita o fortalecimento dos debates. Como apontam grupos feministas, LGBT, minorias raciais e outros grupos historicamente marginalizados, nunca existiu apenas uma esfera pública. Raramente vendo as suas preocupações representadas nas agências noticiosas convencionais, estes grupos sempre dependeram de uma variedade de media alternativos através dos quais se informarem (McKee, 2005, cit. in Marchi, 2012). As múltiplas esferas públicas existentes atualmente, online, na televisão e na rádio permitem a cidadãos de todas as idades, estatutos socioeconómicos e raciais, orientações sexuais e posições políticas desenvolver as suas ideias e pontos de vista, tornando-os mais bem preparados para contribuírem para debates públicos mais alargados (Marchi, 2012).
Apesar de todas as potenciais consequências do referido supra, segundo alguns autores, a desconfiança nos media convencionais não é necessariamente negativa, como Michael Schudson aponta:
“devido à desconfiança, temos um sistema de equilíbrio e de controlo; devido à desconfiança, somos ordenados, como cidadãos, a ser vigilantes” (1999, p. 301; cit. in Marchi, 2012, p. 13).
Do ponto de vista do jornalismo, dos jornalistas e da produção de conteúdos noticiosos, inúmeras medidas foram e são propostas no sentido de combater a problemática supracitada e de evitar as potenciais consequências que daí decorrem. De entre as mais relevantes, importa realçar que o jornalismo deve concentrar-se, então, de agora em diante, em mais do que relatar – isto já é feito pelos cidadãos, por conta própria, através das inúmeras tecnologias digitais existentes, mas em verificar – fact-checking – de maneira sistemática, fazendo uso da verificação de dados e das teses dos discursos, de forma a detectar as falsidades e as destituir de reputação e credibilidade (Medeiros, 2017; Zarzalejos, 2017). Para tal, é necessário resgatar o relato verosímil, conter o sentimentalismo, apaziguar e moldar os piores instintos e proclamar a superioridade da inteligência sobre a visceralidade (Zarzalejos, 2017, p. 13).
36
No seguimento do contexto comunicacional e informacional exposto, importa ainda fazer uma breve análise à realidade relativa à cobertura noticiosa de conflitos nacionais e internacionais que, pela sua própria natureza, se assumem como eventos catalisadores da proliferação de fake news, dada a subjetividade e as motivações das diferentes partes envolvidas.
De um modo geral, a internet e os social media transformaram a guerra informacional moderna num fórum de multimédia global onde vozes rivais lutam para se fazer ouvir, tornando cada vez mais difícil a imposição de narrativas ou enquadramentos hegemónicos particularmente relativos a conflitos (Cottle, 2006, Hoskins & O’Loughlin, 2015, Miskimmon, O’Loughlin & Roselle, 2014, Kaempf, 2013, cit. in Khaldarova & Pantti, 2016). Enquanto a Internet cria novas oportunidades para estratégias narrativas top-down, também estimula a contestação de narrativas estratégicas e da gestão de informação por um novo conjunto de cidadãos-atores (Bolin, Jordan & Stahlberg, 2016, cit. in ibidem).
Parte da mudança paradigmática na guerra informacional passa, então, pelo facto de pessoas ordinárias se tornarem cúmplices na criação e na contestação de narrativas de conflitos (Khaldarova & Pantti, 2016). As tecnologias de comunicação digital contribuíram para a “privatização da propaganda” (Bolin, Jordan & Stahlberg, 2016, cit. in ibidem) assim como para a suspeição digital generalizada (Andrejevic, 2013; Kuntsman & Stein, 2011; cit. in ibidem), emergindo no contexto de conflitos políticos e de guerras, particularmente relativamente à autenticidade fotográfica e videográfica.
As narrativas estratégicas são uma ferramenta para atores políticos articularem uma posição num tópico específico e para moldarem perceções e ações de audiências domésticas e internacionais. Embora frequentemente se fundamente no passado, uma narrativa estratégica é orientada para o futuro e constantemente renegociada e desafiada. Neste contexto, as fake news frequentemente assumem a forma de entretenimento propagandístico, que é uma combinação de material escandaloso, acusações e denúncias, música dramática e imagens enganadoras retiradas do seu contexto (Miskimmon, O’Loughlin & Roselle, 2014, Oates, 2014, cit. in Khaldarova & Pantti, 2016).
Narrativas estratégicas sustentadas por histórias jornalisticamente dúbias têm como objetivo, primeiramente, apelar à emoção e desfocar a fronteira entre o que é real e o que não é, i.e., construir um contexto no qual outras mensagens podem ser difundidas
37
com maior facilidade (Pomerantsev, 2014; Oates, 2014; cit. in ibidem). Simultaneamente, as comunicações estratégicas estão condicionadas pelo ambiente mediático difuso no qual as narrativas são avaliadas e discutidas por diversos atores e pelo público em geral. Particularmente, os conflitos proporcionam um território fértil para a controvérsia e a suspeição surgirem e a internet proporciona amplas oportunidades para desconstruir falsidades e produzir contra narrativas (Khaldarova & Pantti, 2016).
38